segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

[Esp] A importância da pureza

Contribuição do Prof. Felipe Aquino, da Comunidade Canção Nova



“Ora, vós sois o corpo de Cristo e cada um de sua parte, é um dos seus membros” (1Cor 12,27), diz São Paulo, “... assim nós, embora sejamos muitos, formamos um só corpo em Cristo, e cada um de nós somos membros uns dos outros”. (Rom 12,5)

É assim que Deus decidiu salvar a humanidade, formando o Corpo de Cristo, de modo a “restaurar todas as coisas em Cristo”. (Ef 1,10). Quando um cristão comete um pecado de impureza, não suja apenas a si mesmo, mas também ao Corpo de Cristo, do qual é membro.

É neste sentido que São Paulo alertava os fiéis de Corinto sobre a gravidade desse pecado. “Não sabeis que vossos corpos são membros de Cristo ?” (1 Cor 6,15)

Note que o Apóstolo enfatiza os “corpos”; isto é, a realidade do corpo místico de Cristo não é apenas espiritual, mas também corporal. Sem os nossos corpos não haveria a impureza.

De forma especial isto ocorre no pecado de impureza; o que levava São Paulo a pedir aos corintios, entre os quais havia este problema: “Fugi da fornicação. Qualquer outro pecado que o homem comete é fora do corpo, mas o impuro peca contra o seu próprio corpo”. (1 Cor 6,18)

É preciso entender que nós não apenas “temos” um corpo, mas “somos” um corpo. Nossa identidade está ligada ao nosso corpo; ela é fixada pela nossa foto, impressão digital ou código genético (DNA). Portanto, o pecado da impureza agrava-se na medida em que, mais do que nos outros casos, envolve toda a nossa pessoa, corpo e alma.

E o Apóstolo, mostra que o Espírito Santo não habita apenas a nossa alma, mas também o nosso corpo; e daí a gravidade da sua profanação.

“Ou não sabeis que o vosso corpo é templo do Espírito Santo que habita em vós, o qual recebestes de Deus, e que, por isso mesmo, já não vos pertenceis? Porque fostes comprados por um grande preço”. (1 Cor 6,19)

Como disse São Pedro, não fomos resgatados a preço de bens perecíveis, prata e ouro, mas “pelo precioso sangue de Cristo” (1 Pe 1,18), para pertencermos a Deus, no corpo de Cristo.
É importante notar que São Paulo ensina que devemos dar glória a Deus com o nosso corpo. Ele diz:

“O corpo, porém não é para a impureza, mas para o Senhor e o Senhor para o Corpo: Deus que ressuscitou o Senhor, também nos ressuscitará a nós pelo seu poder”. (1 Cor 6,13).

"Glorificai, pois, a Deus no vosso corpo”. (1 Cor 6,20)

Nosso corpo está destinado a ressuscitar no último dia, glorioso como o corpo de Cristo ressuscitado. São Paulo diz aos filipenses sobre isto:

“Nós, porém, somos cidadãos dos céus. É de lá que ansiosamente esperamos o Salvador, o Senhor Jesus Cristo, que transformará nosso mísero corpo tornando-o semelhante ao seu corpo glorioso...” (Fil 3,20)

Isto explica a importância do nosso corpo, que levava Paulo a dizer aos corintios:

“Se alguém destruir o templo de Deus, Deus o destruirá. Porque o templo de Deus é sagrado - e isto sois vós”. (1 Cor 3,16-17)

Quantas pessoas destruíram-se a si mesmas, porque destruíram os seus próprios corpos! O desrespeito ao corpo, seja pela impureza ou pelos vícios, compromete a integridade e a dignidade da pessoa toda, que é templo de Deus.

Para viver a pureza há, então, que estarmos em alerta o tempo todo, como recomendou o Senhor: “vigiai e orai para que não entreis em tentação. O espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt 26,41)

Todos nós já pudemos comprovar como é fraca a nossa carne, a nossa natureza humana, enfraquecida pelo pecado original. Portanto, não nos resta outra alternativa para prevenir a queda, senão, “vigiar e orar” o tempo todo e a todo tempo.

Nunca, como em nossos dias, foi tão grande o pecado de impureza. Estamos invadidos por um verdadeiro mar de lama que traz a imoralidade para dentro dos nossos lares, sem respeitar nem mesmo crianças e velhos.

Certa vez disse o grande papa Leão XIII que “a audácia dos maus se alimenta da covardia dos bons.” Isto nunca foi tão verdadeiro quanto à nossa omissão na defesa da castidade e da virgindade. Nossos jovens crescem sem receber a menor informação sobre o “brilho” da virtude da pureza; e, por isso hoje, quase sem culpa, estão encharcados de sexo vazio.

O homem não é apenas um corpo; tem uma alma imortal, criada para viver para sempre na glória de Deus. Isto dá um novo sentido à vida. Não fomos criados para nos contentarmos apenas com o prazer sexual passageiro. Fomos feitos para o Infinito, e só em Deus satisfaremos plenamente as nossas tendências naturais.

A família cristã, diante deste mundo paganizado, é chamada a dar testemunho dessas verdades. Também sobre a homossexualidade, os pais têm o dever de ensinar aos filhos o que ensina a Igreja. Muitos pais cristãos já estão sendo levados a serem tolerantes com a prática homossexual por parte de seus filhos. Isto fere a moral católica e a lei de Deus.

Portanto, neste assunto, os pais precisam tomar cuidado para que o filho firme-se na sua sexualidade própria. Não permitir que o menino fique com procedimentos de menina e vice-versa. Os psicólogos cristãos têm falado que a falta de um bom pai ou de uma boa mãe, pode gerar nos filhos distúrbios de sexualidade; e que o desmoronamento familiar também é a causa do aumento de jovens homossexuais.

Sobre a masturbação, também defendida por muitos como “algo normal”, ensina a Igreja que é um ato desordenado:

“Na linha de uma tradição constante, tanto o magistério da Igreja como o senso moral dos fiéis afirmam sem hesitação que a masturbação é um ato intrínseco e gravemente desordenado” (nº 2352).

Enfim, diz o nosso indispensável Catecismo:

“Qualquer que seja o motivo, o uso deliberado da faculdade sexual fora das relações conjugais normais contradiz sua finalidade” (idem).

Neste campo os pais precisam ser cautelosos, especialmente com os meninos. Sabemos que, para muitos deles, a masturbação acaba se tornando até um vício. Em segundo lugar, não fazer uma tempestade porque descobriu que o filho ou a filha tem este mau hábito.

É preciso mostrar-lhes que enquanto se derem ao mau hábito de ver revistas e filmes pornográficos e outras práticas dessa natureza, jamais serão castos.

Sabemos, como dizia John Spalding, que “as civilizações não perecem por falta de cultura e de ciência, mas por falta de princípios morais”. Um homem só é digno deste nome quando aprende a submeter o seu corpo e os seus instintos à sua vontade.

Muitos são os atos contra a pureza. O nosso Catecismo os chama de “ofensas à castidade” (§ 2351): luxúria, masturbação, fornicação, pornografia, prostituição, estupro, adultério, etc.

Vale a pena refletir um pouco no que dizia o Mahatma Gandhi, que libertou a Índia, e que não era cristão, mas amava Jesus:

“A castidade não é uma cultura de estufa... A castidade é uma das maiores disciplinas, sem a qual a mente não pode alcançar a firmeza necessária”. “A vida sem castidade parece-me vazia e animalesca”. “Um homem entregue aos prazeres perde o seu vigor, torna-se efeminado e vive cheio de medo. A mente daquele que segue as paixões baixas é incapaz de qualquer grande esforço”. (Tomás Tochi, “Gandhi, mensagem para hoje”, Ed. Mundo 3, SP, pp. 105ss,1974)

Santo Agostinho dizia: “se queres ser feliz, sê casto”.

Quem tem a tendência homossexual pode ser feliz e viver uma vida de santidade, vivendo na castidade. É uma luta que às vezes pode ser heróica, mas que muito agrada a Deus e traz paz e felicidade.

A gravidade do pecado da impureza, também chamado de luxúria, é que mancha um membro de Cristo.

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