sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

[Esp] Dia-a-dia, em todos os lugares



Um dos grandes desafios da vida de todo cristão é viver como Cristo em todos os lugares. Essa dificuldade é justificada pelas inúmeras ocasiões de tentação que esses lugares todos podem oferecer. Nas Sagradas Escrituras, Jesus alerta várias vezes seus discípulos sobre as dificuldades que encontrariam no anúncio e vivência do Evangelho: "Eis que vos envio como ovelhas entre lobos. Por isso, sede prudentes como as serpentes e sem malícia como as pombas" (Mt 10, 16); "No mundo tereis tribulações...(Jo 16, 33).

No trabalho, por exemplo, podemos ser tentados pela preguiça - especialmente, deixar tudo para a última hora -, como também podemos ser tentados a sentir inveja, a faltar com a caridade com outros colegas, a blasfemar ("Por que Deus me enfiou neste buraco? Deve me odiar muito..."). No ambiente de estudo não é muito diferente. Facilmente podemos nos irritar com professores, nos indispor com colegas, reclamar das tarefas ou nos deixar levar pela vaidade.

Mesmo na família encontramos ocasiões de tentação. Quantas vezes já não brigamos com nossos pais e irmãos? Brigas a respeito de nossas decisões, de coisas que nossos pais tinham uma ideia diferente da nossa e que não aceitávamos, algumas vezes sem nem tentar entender. Muitas vezes até nos pegamos pensando: "Eles não me entendem, não sabem o que é viver como eu vivo". Sem perceber, já estamos desonrando nossos pais, xingando-os, maltratando-os, ignorando-os. Descumprimos o Quarto Mandamento por deixar de viver o amor dentro da família.

 Entre amigos também temos tentações. As Sagradas Escrituras nos ensinam que "amigo fiel é poderoso refúgio, quem o descobriu, descobriu um tesouro" (Eclo 6, 14), contudo, quantos não são os amigos que temos e que mais nos oferecem oportunidades de pecar do que de viver a santidade? Nessas horas, devemos pensar: as minhas amizades me ajudam a viver conforme a vontade de Deus? Elas me ajudam a viver a castidade? Ajudam-me a viver o amor ao próximo?

Fora todas as tentações mencionadas, há uma comum a todos os ambientes em que vivemos: pecar contra a castidade. Todos os cristãos, tendo atração pelo sexo oposto ou pelo mesmo sexo, são confrontados com todo tipo de oportunidade de pecado contra a castidade. Facilmente, uma pessoa de nossa convivência pode se tornar objeto de nosso desejo (egoísta) de prazer. Não a vemos mais como pessoa, filho ou filha de Deus, mas, sim, como instrumento descartável que pode servir a nossos interesses.

A situação se complica quando consideramos os hábitos e a cultura que existem atualmente. Sejam os hábitos comuns para fugir do calor, sejam as roupas ou comportamentos, na moda; tudo isso facilita os pensamentos e os desejos luxuriosos (que contribuem para pecar contra a castidade).

Ademais, a mídia, a imprensa e a publicidade, ao invés de nos ajudar a manter nossa cabeça ocupada com notícias, informações ou entretenimento edificantes, ainda mais dificultam nossa condição, pois usam e abusam da sensualidade e, até mesmo, da pornografia.

Não é à toa que Jesus, prestes a morrer por nós na cruz, exortou os discípulos dizendo "Vigiai e orai para que não entreis em tentação" (Mt 26, 40). Jesus nos pede para manter a atenção sobre a nossa vida e nosso proceder, tal como o vigia que fica em guarda à espera do ladrão. Durante essa vigília, Jesus nos pede que oremos, constantemente: "Pai Nosso... não nos submetas à tentação, mas livrai-nos do Maligno" (Mt 6, 9.13).

Em outra passagem do Evangelho segundo São Mateus (5, 29), Jesus nos exorta a fugir das ocasiões de tentação, pois podemos pecar só por pensar e desejar em nosso coração - cabe frisar o que T. G. Morrow escreveu em seu artigo "Is chastity possible?", que pecamos pelo pensamento apenas quando consentimos e insistimos em pensar e desejar algo contrário à vontade de Deus. Assim, devemos evitar aquelas circunstâncias que nos facilitam cair em tentação e pecar, seja evitando frequentar certos lugares ou assistir e ver certos conteúdos da mídia, ou mesmo preservando o olhar (desviando-o e concentrando-o em outras coisas, que ocupem a cabeça com pensamentos edificantes).

Em seu Tratado da Castidade, Santo Afonso Maria de Ligório chega a aconselhar todos que desejam viver a castidade a, se preciso, manter os olhos no chão, para evitar pecar contra a castidade por pensamentos. 

Contudo, não podemos esquecer da vida de oração e da vida sacramental. Sem oração e sem os sacramentos, especialmente da Reconciliação e da Eucaristia, não é possível viver a castidade. Isso porque, como "também um dom de Deus, uma graça, um fruto da obra espiritual" (Catecismo da Igreja Católica, 2345), a castidade exige a colaboração da graça divina, que recebemos quando rezamos e quando recebemos os Santos Sacramentos.

Até mesmo podemos quebrar nossa rotina, trocando uma atividade que não nos ajudaria a viver a castidade e indo à capela do Santíssimo, para adorar Jesus na Eucaristia. Também é uma boa alternativa a leitura espiritual (a leitura de livros que nos formem e que informem sobre a fé cristã).

Entre colegas, amigos ou familiares é bom cultivar hábitos e conversas castas. Evitar palavras obscenas, xingamentos, conversas que mais nos afastem da Palavra de Deus do que dela nos aproximem, e cultivar o respeito e a pureza do olhar, buscando sempre enxergar o Cristo presente nos nossos próximos.

Com esses pequenos gestos, pouco a pouco venceremos as tentações, pois, principalmente, estaremos buscando viver conforme a vontade de Deus e estaremos contando com sua graça, em Cristo. Que não esmoreçamos nessa luta cotidiana, pois, afinal, Aquele que é a nossa força nos assegura "não tenhais medo... coragem! Eu venci o mundo" (Jo 16, 33).

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