quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

[AC] Vida de serviço ao próximo, de recebimento dos sacramentos e de oração

A segunda meta do Apostolado Coragem é ter uma vida de serviço ao próximo, de oração e de recebimento dos sacramentos.

(2) Dedicar a própria vida à Cristo por meio do serviço ao próximo, da leitura espiritual, da oração, da meditação, da direção espiritual particular, da participação freqüente da Missa e do recebimento constante dos sacramentos da Reconciliação e da Santa Eucaristia (Oração e Dedicação);

Num primeiro momento, parece simples indicar ações concretas que possibilitem a vivência do serviço ao próximo e do recebimento dos sacramentos. "Basta fazermos obras de caridade e irmos à missa sempre" - pensamos. Mas isso é uma ideia muito pequena sobre a terceira meta.

Vida de serviço ao próximo

Primeiramente, podemos viver o serviço ao próximo em pequenas coisas: servindo um copo de água, cedendo o lugar para o outro sentar, lavando a louça para os outros, oferecendo-se para realizar pequenas tarefas em casa, ajudando (na escola) os colegas com dificuldade, e assim por diante. 

Vida de recebimento dos sacramentos

Quanto aos sacramentos, não precisamos nos limitar a ir à Santa Missa aos domingos. Podemos, primeiro, vivenciar intensamente a Santa Missa. Na sequência, podemos ir em outros dias, buscando viver também intensamente cada momento da celebração. Podemos ainda participar do sacramento da Reconciliação (de acordo com a necessidade *), fazendo um bom exame de consciência e procurando um sacerdote em busca de perdão e de orientação. Além disso, podemos todos os dias nos lembrarmos de nossas promessas do Batismo: renunciar ao demônio e ao pecado, para abraçar a fé no Deus Vivo que é Pai, Filho e Espírito Santo e no Seu Cristo, Jesus.

Mas, e a oração?


“A oração é a elevação da alma a Deus ou o pedido a Deus dos bens convenientes" (São Damasceno, De fide orthodoxa, 3, 24)

"Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado ao céu, um grito de reconhecimento e amor no meio da provação ou no meio da alegria" (Santa Teresinha, Ms. autob.)

A oração é “uma relação viva e pessoal com o Deus vivo e verdadeiro” (CIC 2558), ou seja, o ato pelo qual o ser humano se encontra com Deus, direcionando a Ele todo seu ser, os pensamentos, os sentimentos, os gestos, tudo, em todo momento, em todo lugar, de maneira tal que esse encontro não só seja constante mas crescente e frutuoso, não só entre a criatura e a divindade mas entre o filho e o seu pai, entre amigos, entre eu e alguém que é muito importante para mim.

A Santa Igreja ensina (CIC 2566-2567) que, mesmo após a queda do homem, Deus o atrai "para o encontro misterioso da oração". Tanto é assim que Ela diz que, na oração, a sede do homem por Deus encontra-se com a sede de Deus pelo homem (CIC 2560-2561):

“Se conhecesses o Dom de Deus!” (Jo 4,10). A maravilha da oração se revela justamente aí, à beira dos poços aonde vamos procurar nossa água; é aí que Cristo vem ao encontro de todo ser humano, é o primeiro a nos procurar, e é Ele que pede de beber. Jesus tem sede, seu pedido vem das profundezas do Deus que nos deseja. A oração, quer saibamos ou não, é o encontro entre a sede de Deus e a nossa. Deus tem sede de que nós tenhamos sede dele (Santo Agostinho de Hipona, Quaest. 64,4).

A Santa Igreja também ensina que a humildade é o fundamento da oração, pois o homem é um mendigo de Deus. Na oração, o homem coloca-se de mãos vazias na presença de Deus, pedindo-Lhe tudo o que precisa. Por exemplo, no Salmo 129:

Do fundo do abismo, clamo o vós, Senhor.
Senhor, ouvi minha oração. Que vossos ouvidos estejam atentos à voz de minha súplica.

O que Jesus, nosso Salvador, nos ensina sobre oração?

A oração deve ser feita em segredo, em vista de direcionar-se ao Pai: Mt 6, 5-6: "Quando orardes, não façais como os hipócritas, que gostam de orar de pé nas sinagogas e nas esquinas das ruas, para serem vistos pelos homens. Em verdade eu vos digo: já receberam sua recompensa. Quando orares, entra no teu quarto, fecha a porta e ora ao teu Pai em segredo; e teu Pai, que vê num lugar oculto, recompensar-te-á".

A oração deve ser feita com simplicidade. Mt 6, 7-8 : "Nas vossas orações, não multipliqueis as palavras, como fazem os pagãos que julgam que serão ouvidos à força de palavras. Não os imiteis, porque vosso Pai sabe o que vos é necessário, antes que vós lho peçais".

Na oração, Jesus nos ensina a chamar Deus de Pai. Mt 6, 9.

Jesus também nos ensina a tudo pedir ao Pai em seu nome: Jo 14,114 “E tudo o que pedirdes ao Pai em meu nome, vo-lo farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Qualquer coisa que me pedirdes em meu nome, vo-lo farei.”.

Como cristãos, temos de orar constantemente e com atenção, para não entrar em tentação: Mt 26,41 "Orai e vigiai para que não entreis em tentação".

Como cristãos, temos de orar também pelos inimigos e por aqueles que nos perseguem. Mt 5, 44: "Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos, fazei bem aos que vos odeiam, orai pelos que vos maltratam e perseguem".

Temos também de perdoar os que nos ofendem: Mc 11, 25-26 “E quando vos puserdes de pé para orar, perdoai, se tiverdes algum ressentimento contra alguém, para que também vosso Pai, que está nos céus, vos perdoe os vossos pecados. [Mas se não perdoardes, tampouco vosso Pai que está nos céus vos perdoará os vossos pecados.]"

Na oração, não devemos impor nossa vontade a Deus, mas nos abandonarmos Nele, pedindo, assim como fez Jesus (Mt 26, 39), em sua Paixão, “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia, não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres”, e, imitando-o, Santa Faustina: "Jesus... Não diminuais o meu sofrimento em nada, dai-me apenas força para suportá-lo. Fazei de mim o que é do vosso agrado, mas concedei-me, ao mesmo tempo, a graça de amar-vos sempre em todas as circunstâncias. Não diminuais o amargor do meu cálice, dai-me unicamente a coragem de bebê-lo até o fim. Amém".

Ter fé que receberemos de Deus aquilo que pedimos (Mt 7, 7-11; Mt 21, 20ss; Mc 11,22ss) ou, melhor, tudo aquilo que precisamos : “Quem dentre vós dará um pedra a seu filho, se este lhe pedir pão? E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente? Se vós, pois, que sois maus, sabeis dar coisas boas a vossos filhos, quanto mais vosso Pai celeste dará boas coisas aos que lhe pedirem”.

Na oração em grupo, Jesus está presente e, por essa razão, tudo o que pedirmos será atendido pelo Pai : Mt 18, 19-20 “Digo-vos ainda isto: se dois de vós se unirem sobre a terra para pedir, seja o que for, consegui-lo-ão de meu Pai que está nos céus. Porque onde dois ou três estão reunidos em meu nome, aí estou eu no meio deles”.

O que a Mãe Santíssima, Virgem Maria, nos ensina sobre oração?

Minha alma glorifica ao Senhor,
meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador,
porque olhou para a humildade da sua escrava. Por isto, desde agora, me proclamarão bem-aventurada todas as gerações,
porque realizou em mim maravilhas aquele que é poderoso e cujo nome é Santo.
Sua misericórdia se estende, de geração em geração, sobre os que o temem.
Manifestou o poder do seu braço: desconcertou os corações dos soberbos.
Derrubou do trono os poderosos e exaltou os humildes.
Saciou de bens os indigentes e despediu de mãos vazias os ricos.
Acolheu a Israel, seu servo, lembrado da sua misericórdia,
conforme prometera a nossos pais, em favor de Abraão e sua posteridade, para sempre. (Lc 1, 46-55)

A oração de Maria é feita com humildade. Ela se reconhece como pó (Gn 2,7) e totalmente dependente do Deus que é Senhor, Salvador, Aquele que é poderoso e cujo nome é Santo. Maria exulta de alegria porque Deus olhou para a sua pequenez e apresenta-se como obra de Deus, que existe apenas para glorificá-Lo. Maria reconhece a ação e providência de Deus em sua vida e na história e, não tomando nada si, louva a Deus. Ela também se recorda das obras do Senhor (desde sua ação de justiça até de sua misericórdia), como também das suas promessas, reconhece as promessas que foram cumpridas, louva Deus por isso e guarda a confiança em Deus em relação àquelas promessas que estão por cumprir.

Maria nos ensina a tudo apresentar a Jesus e nos submeter todos à vontade d’Ele. Jo 2, 5 : “Fazei o que ele vos disser.” Ela nos ensina também a sempre segui-lo: “Depois disso, Jesus desceu para Cafarnaum, com sua mãe, seus irmãos e seus discípulos; e ali só demoraram poucos dias.

Na nossa oração, podemos sempre recorrer à intercessão de Maria Santíssima, que tudo apresenta a Jesus, nosso Salvador. Na história da salvação - como nos ensina São Luis Maria Grignion de Montfort -, todos os patriarcas, profetas e homens e mulheres de Deus pediram a vinda do Messias, mas foi em atenção à oração de Maria que o Pai enviou o Filho Unigênito ao mundo, assim como atesta a fala do arcanjo Gabriel: 

"Não temas, Maria, pois encontraste graça diante de Deus" (Lc 1,30).

Atendendo à saudação de Maria à Isabel, Deus encheu Isabel com o Espírito Santo: 

"Ora, apenas Isabel ouviu a saudação de Maria, a criança estremeceu no seu seio e Isabel ficou cheia do Espírito Santo" (Lc 1, 41)

Atendendo à oração de Maria, Jesus realizou seu primeiro milagre nas bodas de Caná.

"Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: 'Eles já não tem vinho'. Respondeu-lhe Jesus: 'Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou'. Disse, então, sua mãe aos serventes: 'Fazei tudo o que ele vos disser''. ... Jesus ordenou-lhes: 'Enchei as talhas de água'. Eles encheram-nas até em cima. 'Tirai agora' - disse-lhes Jesus - 'e levai ao chefe dos serventes'. E levaram" A água havia se tornado vinho e a Escritura acrescenta "Esse foi o primeiro milagre de Jesus" (Jo 2, 3-11). 


Das formas de oração, há uma de excepcional valor: o Santo Rosário

É fato que nós não sabemos orar e que precisamos do auxílio de Deus. Tanto é assim que os discípulos pediam para que Jesus os ensinasse e mesmo nós, anos depois, pedimos que o Senhor nos ensine. Sobre isso, nos ensina São Paulo que o Espírito Santo vem "em socorro de nossa fraqueza" (Rm 8, 26). 

Na história da Santa Igreja, o Espírito Santo suscitou uma devoção que consistia em meditar os eventos principais da salvação humana, desde a concepção, nascimento, vida, paixão, morte até a ressurreição de Jesus. Na meditação desses eventos, rezam-se a oração ensinada por Nosso Senhor e a saudação feita pelo anjo à Maria. O Pai-Nosso é oração por excelência, pois nos foi ensinada pelo Verbo Divino, Filho Unigênito do Deus Vivo. A Ave-Maria é oração por excelência, pois foi a saudação de um dos sete príncipes da corte celestial, dos que servem a Deus diante do Seu trono,  e dirigida à criatura mais perfeita, eleita por Deus para trazer em seu seio virginal o Filho do Criador para ser Salvador dos homens. 

Pela oração do Santo Rosário, deixamos de nos preocupar em escolher as palavras para nos dirigir a Deus e nos concentramos em meditar e contemplar a esplêndido obra de salvação realizada por Ele.


Como é isso no meu dia-a-dia?

A oração deve ser cultivada pela leitura ou escuta diária das Sagradas Escrituras, pela Sagrada Liturgia, pela meditação dos mistérios da vida, morte e ressurreição do nosso Salvador, e pelas palavras que dirigimos a Deus por meio de Jesus. Essas palavras podem ser desde aquelas que são espontâneas até aquelas que nos são ensinadas por santos ou pelos nossos pastores (padres e bispos). Mas, dentre as orações, a mais perfeita é aquela que nos foi ensinada pelo próprio Deus na pessoa de Jesus: o Pai-Nosso; além desta, a Santa Missa é a forma mais excelente de oração dentro da Santa Igreja. Na Missa, pedimos perdão por nossos pecados, louvamos a Deus, apresentamos nossos pedidos, escutamos a Palavra, rezamos por toda a Igreja, ofertamos nossa vida, contemplamos o memorial do Sacrifício de Jesus pela nossa salvação, rezamos o Pai-Nosso, recebemos o Corpo e Sangue do Filho Unigênito e recebemos a benção de Deus.

Seguindo os ensinamentos de Nosso Senhor e o exemplo de Maria, somos chamados a orar a todo momento  com nossas vidas. Isso é possível se, em todos os momentos, buscarmos encontrar Deus naquilo que fazemos e ali nos relacionar com Ele. Como Deus é Amor, é natural que só O encontremos no dia-a-dia se buscarmos fazer tudo o que fazemos com amor: desde nossas tarefas domésticas e trabalhos até nossos compromissos com familiares e amigos. Tudo fazer com amor para encontrar Aquele que é Amor. 


* A Santa Igreja pede que todos os fiéis confessem ao menos uma vez no ano.

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