terça-feira, 28 de junho de 2011

[FH] Contar ou não contar? Eis a questão

Hoje em dia, é comum ver nos meios de comunicação artigos, reportagens e testemunhos sobre a homossexualidade. Outra cena comum é a aparição de artistas que se declaram abertamente gays ou que  promovem algum estilo de vida gay.

Esta situação acaba repercutindo no conflito que muitos de nós, que sentimos atrações pelo mesmo sexo, têm dentro de si. O problema é que esses promotores e defensores do homossexualismo apresentam seu gesto como algo a serviço da liberdade e da verdade sincera e, por isso, acabam revestindo o novo estilo de vida por eles adotado de glamour e duma fantasiosa aura de utopia paradisíaca. Isso chega ao coração dos que sofrem com suas atrações sexuais em silêncio, como uma tentação e, ao mesmo tempo, uma provocação. Estes acabam pensando assim: "Eles é que estão numa vida melhor, fazem o que querem e são felizes".

Isto não é verdade. Dizer publicamente que é gay, segundo o quadro descrito acima, é uma ação fundamentada em equívocos e, além disso, possui consequências prejudiciais e desastrosas.

O papo do armário...
O primeiro equívoco é entender que o ato de dizer que é gay aos outros é um ato de libertação. Quem pensa assim, evoca a imagem de "sair do armário". Assim, metaforicamente, é dito que, quem não diz publicamente que é gay, assume uma postura de covardia e de vergonha, fugindo da cena dos seus reais desejos para esconder-se no escuro, longe dos olhos alheios, e por outro lado, fica enjaulado por sua decisão e, assim, fica impedido de fazer o que deseja livremente. Ora, isso só é verdadeiro, neste contexto, para aqueles que querem satisfazer os desejos pelo mesmo sexo. Eles querem (ou seja, decidiram satisfazer esses desejos), mas não querem satisfazê-los com o conhecimento público, mas querem manter em segredo. Mas, e aqueles que decidiram não satisfazer esses desejos? A verdade é que esses não estão no armário, primeiro porque não estão querendo esconder suas ações (já que não aderem às práticas homossexuais) e segundo porque seus desejos sexuais não os definem como pessoas (alguém, por acaso, depois de visitar a casa de outra pessoa, pensaria desconhecer a casa só porque não viu parte da casa ou o que está dentro de um armário?).

Se fosse para pensar numa metáfora, enquanto os ativistas gays ficam combatendo os armários e transformando seus quartos em vitrines de shopping (como se toda a casa fosse um só cômodo, a ser visto, cobiçado e admirado pelos outros), aqueles que lutam pela castidade vivem tranquilamente em suas casas, em seus vários cômodos, deixando circular por alguns todo tipo de gente, mas restringindo o acesso a certos cômodos a familiares e verdadeiros amigos, e colocando o armário no seu devido canto, para guardar souvenirs ou coisas muito pessoais. Isso porque todas as pessoas têm o seu armário, mas elas não estão dentro dele (elas estão pela casa toda). O que está dentro do armário é o que precisa ser guardado da cobiça e da malícia dos outros. Mas, o que está guardado pode ser tirado de lá, partilhado com aqueles em quem se confia. Nem precisa ser objeto de vergonha, mas basta ser algo cujo valor seja alto e não se deseja que qualquer um tenha acesso a ele, mas só aqueles em quem se confia.

Contudo, não é certo dizer que a sexualidade é o que está no armário, nem é certo dizer que ela é a casa toda. Ela é uma parte da casa. É uma parte que alguns querem recusar e fazer caber dentro do armário, e que outros querem expandir e fazer ser a casa toda, mas que os que lutam pela castidade apenas mantém com acesso restrito, para que sejam mantidos limpos e organizados. Um lugar para aqueles em quem se confia e com quem se deseja partilhar.  

Seguindo essa metáfora, é possível entender que dizer que é gay não torna ninguém mais sincero. Isso porque ninguém é mais sincero por falar tudo a respeito de si, mas por falar sem fingimento sobre si mesmo. Assim, ninguém é uma verdadeira casa por mostrar todos os seus cômodos. Afinal, todo o resto da casa é uma mentira só porque tem cômodos que poucos são autorizados a ver? Mas a verdade é que existem casas que parecem ser feitas de tijolos e cimento, mas, depois de algumas ventanias, tombam e se mostram feitas de isopor, e isso nada tem a ver com cômodos de acesso restrito (nem com o que está guardado no armário), tem a ver com as bases da casa e com o material de construção.

Além disso, não há nenhum glamour em dizer que é gay. Se considerarmos o assédio sem escrúpulos da mídia e o hedonismo, característica intrínseca ao estilo de vida gay e que, inevitavelmente, leva à degradação de si e do outro, o que há de requinte ou de sofisticação? Ou de beleza? Nada. Mas é verdade que o estilo de vida gay depende muitíssimo das aparências (do que parece aos olhos dos outros).

Parada Gay. Fonte: Folha de São Paulo
Isso porque o estilo de vida gay, advogado pelos ativistas, é como os shows que vemos hoje em dia. O que é cantado não é importante (mesmo que seja apenas barulho), pois o que importa é o jogo de luzes, a coreografia dos cantores, a agitação, os gritos, a multidão, a bedida, os cigarros, enfim... É difícil ver alguém que saia de um show e elogie os acordes, a voz e a afinação do cantor ou a beleza das letras cantadas. É mais fácil ver alguém elogiar os efeitos pirotécnicos ou o que cantor vestia. O melhor show não é aquele no qual contemplamos a beleza, mas é aquele no qual "ficamos doidões". O show é antes um evento de fuga e de entorpecimento, do que de apreciação da beleza estética. Assim também é o estilo de vida gay. Ele só se sustenta enquanto todos estão atentos aos efeitos especiais e às performances (feitos muito bem por atores que nem sempre estão convencidos daquilo que encenam), ou enquanto todos estão desejosos de entorpecimento (afinal, para eles, é difícil aceitar a realidade), mas se o show dependesse apenas do que é cantado, o que era o show do século, vira chiado de rádio com estática.

A razão disto é que o estilo de vida gay é fruto da chamada Revolução Sexual, remontada à década de 70 e cujo marco são as manifestações em Paris, no Maio de 1968. O estilo de vida gay está comprometido com a ideia de que a sexualidade não deve ser ordenada a um fim fora de si, como união com o outro e a vida, mas está ordenada principalmente à satisfação de si mesmo, com o prazer. Pela defesa do "sexo livre", essa revolução combate o que entende ser a opressão das normas sociais sobre a sexualidade humana. Contudo, com a Revolução Sexual, o amor deixa de ser entendido como uma virtude (de doação de si para o bem e salvação do outro) e passa a ser reduzido ao puro sentir, da atração que eu tenho pelo outro, por causa das suas caraterísticas físicas e dos seus desempenho e performance nos atos sexuais. O estilo de vida gay funda-se nesta ideia de amor e nesta compreensão da vivência sexual e, por isso, ele leva à promiscuidade, mas também à degradação da dignidade humana. Como fruto da Revolução Sexual, esse estilo de vida desconsidera a dimensão espiritual do ser humano e leva à visão de si e do outro como "coisa", meros corpos que podem ser usados como instrumentos da "minha" busca por prazer.

Levado ao limite, além da morte espiritual, esse estilo de vida expõe os que a vivem aos vícios, às doenças e à debilidade física. Quem vê as dezenas de fantasias e de corpos músculosos na Parada Gay, não imagina as milhares de caveiras humanas que se arrastam para os hospitais em busca de ajuda médica.

Sem ser libertador nem glamoroso, o que acontece se alguém diz publicamente que é gay?

A primeira consequência é ser mal entendido. Comumente, quando alguém diz publicamente que é gay, dá a entender que decidiu abraçar o estilo de vida gay e que deseja agir segundo suas atrações sexuais. Dificilmente (senão impossível) alguém entenderá que você sente atração pelo mesmo sexo, mas que deseja viver a castidade segundo o ensinamento da Santa Igreja.

A segunda consequência é convencer-se erroneamente de que não há como superar as atrações pelo mesmo sexo. Dizer "Eu sou gay" pode significar que isto "gay" é parte instrínseca e imútável do ser. Embora alcançar o desenvolvimento dos desejos heterossexuais não deva ser o principal objetivo da jornada espiritual (mas, sim, a vida de santidade), é preciso ter claro que sentir atrações pelo mesmo sexo não é necessariamente uma condição permanente e sem alternativa. Basta buscar por testemunhos, como o de Saulo, para ver que é possível superar as atrações pelo mesmo sexo. Além disso, é preciso sempre ter em mente a vocação original do homem e da mulher, tal como descreve o Livro do Gênesis: "Sejam uma só carne". Desse modo, a vocação do homem é ser homem e da mulher, ser mulher, para, na busca da vida unitiva, cooperar com a ação criadora de Deus e, assim, ser canal de vida. Ou, então, para o bem maior do Reino dos Céus, fazer-se eunucos, abraçando as vocações sacerdotais ou religiosas ou mesmo leigas, a fim de, centrando na vida de união com Deus, sejam cooperadores da ação salvífica de Deus e, assim, sejam canais da vida eterna.

Outra consequência é ser reduzido ao rótulo de "gay". Todas as dimensões da vida passam a ser ignoradas e perdem força diante da dimensão sexual. Ao ser apresentado em público por amigos, a primeira informação é esta: "Este é meu amigo Ser Humano e ele é gay"... "Esta é minha amiga Pessoa e ela é lésbica". Antes que alguém diga que isto é fruto do preconceito, é preciso frizar que outra coisa não faz o ativismo gay, que, com suas ações políticas, apresentam os que sentem atrações pelo mesmo sexo como um grupo social uniforme, com sua própria cosmovisão e estilo de vida (prova disso é que muitos ativistas e meios de comunicação falam em comunidade gay). Ou seja, segundo essas pessoas, ter atrações pelo mesmo, por si só, compromete as pessoas com certa forma de pensar e de agir. As atrações sexuais não são parte da pessoa, são a pessoa inteira e, por isso, tornam-se um rótulo. Nada mais mentiroso. A sexualidade, apesar de ser parte importante na vida das pessoas, não constitui a totalidade da vida delas, nem determina por si só o modo de elas pensarem ou agirem. Além de sexuais, as pessoas são pensadoras, trabalhadoras, amigas, artistas, religiosas... Prova maior disso é a grande diversidade dos modos de pensar e agir, da cultura e valores que existe no mundo (considerando ainda que a gigantesca parte do mundo é heterossexual).

Por fim, há uma consequência (desastrosa) semelhante à anterior. Apresentar-se como gay faz às vezes de ser confundido com alguém que defende (ou está obrigado a defender) a agenda do ativismo gay. Isso é desastroso porque, dali em diante, será inevitável sofrer a cobrança por "defender os direitos do povo GLBT" (sic) - e é inegável que as ações do ativismo gay estão voltados para mudar a sociedade: principalmente, as noções de gênero, família e amor. Quem não concorda com essa agenda, nem aceita ser instrumento de manobra política dos outros, acaba tendo que enfrentar a cobrança. Se dizer que é contra, pode ser rotulado e considerado um inimigo (sic).  

Tendo em vista esses equívocos e essas consequências, é provável que o leitor se ponha ainda a questão: "Não posso contar para ninguém, então? Estou fadado a sofrer sozinho e calado?".

Não, você pode e deve contar isso para alguém. Mas, ao invés de fazer isso para todos, faça isso para alguns em quem você confia e que sabe que não te exporá aos equívocos listados acima. Pode-se contar para os amigos de verdade, para a família (o pai, a mãe, os irmãos) e para o diretor espiritual. Enfim, para aqueles que participam da sua vida de forma mais íntima e que, sabendo da sua luta pela castidade, apoiarão sua decisão de viver castamente e estarão sempre ao seu lado para ajudar nos momentos difíceis.

Porém, é possível que você seja um dos que não confia mais na família, nem na Igreja e nem mesmo nos amigos. Isso é compreensível, mas não pode ser um impedimento para que você se abra com alguém. Pior do que estar dentro do armário (desejando aderir às práticas homossexuais), é trancar a porta de casa e ficar ali dentro sozinho, com a luzes apagadas e negando o acesso de qualquer um.

Anjo consolando Jesus

Se até mesmo Jesus, como Senhor e Deus, não carregou Sua cruz sozinho, também nós, que somos meras criaturas, não podemos carregar nossas cruzes sozinhos, mas  precisamos de ajuda dos nossos irmãos e irmãs. A sugestão é esta: busque alguém cuja fé você respeite e tente abrir-se com essa pessoa o máximo que puder. Busque especialmente aquela pessoa que você sabe que não vai tentar te desviar do propósito de viver a castidade. Feito isso, restará este desafio: confiar.

O Apostolado Coragem insiste muito na necessidade de cultivar amizades na vivência da castidade. Contudo, sem confiança, não há verdadeira amizade. Caso você, que lê este artigo, desejar conversar conosco, do Juventude Coragem, saiba que estamos aqui, disponíveis para ajudar no que for preciso e possível. O contato é o e-mail juventudecoragem@hotmail.com.

Que a Virgem Santíssima ajude a todos nós a não cair reféns do discurso das mídias e do ativismo gay, mas que permaneçamos fiéis à voz do Bom Pastor, Nosso Senhor Jesus Cristo, o amado de nossas almas.

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Obrigado por comentar nosso blog

Abaixo você tem disponível um espaço para partilhar conosco suas impressões sobre os textos do Apostolado Courage. Sinta-se à vontade para expressá-las, sempre com respeito ao próximo e desejando contribuir para o crescimento e edificação de todos.