sábado, 6 de agosto de 2011

[Esp] Segunda meta de Coragem: vida de oração e dedicação

Dedicar a própria vida à Cristo por meio do serviço ao próximo, da leitura espiritual, da oração, da meditação, da direção espiritual particular, da participação freqüente da Missa e do recebimento constante dos sacramentos da Reconciliação e da Santa Eucaristia.
A proposta não-cristã

Em nossos dias, chega frequentemete aos nossos ouvidos uma proposta de vida baseada na satisfação dos próprios desejos e na permissividade (tudo é permitido). Segundo essa proposta, nossa felicidade está em adquirir os objetos de nosso desejo ou em realizar cada impulso nosso, por mais impróprio que seja, usando sempre como explicação a própria liberdade e individualidade - "Eu sou livre e dono do meu nariz. Faço o que me der na cabeça" - dizem. Além disso, esse modo de pensar serve de pretexto muitas vezes para se descomprometer com a vida dos outros, já que, afinal, "cada um sabe aquilo que é melhor para si".

A vida cristã

A proposta de vida cristã difere em muito da proposta apresentada acima. Primeiramente, para o cristão, a finalidade da vida é estipulada não pelo próprio homem, mas, sim, por Deus. Segundo a vontade de Deus, o homem deve buscar, primeiramente, as coisas do alto, o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6). Além disso, sabemos pela Tradição e pelas Sagradas Escrituras que o homem é chamado à santidade - "Sede perfeitos, como vosso Pai é perfeito" (Mt 5, 28).

A perfeição cristã, por sua vez, está em seguir os passos do próprio Cristo, assim como Jesus diz ao jovem rico, no Evangelho segundo São Mateus, "se queres ser perfeito, vai, vende teus bens, dá-os aos pobres e terás um tesouro no céu. Depois vem e segue-me" (19, 21). Assim, a perfeição cristã está em nos desprendermos dos bens deste mundo, pondo-os sempre a serviço do próximo e, fazendo isso em vista dos tesouros celestiais - o principal deles a santidade -, seguir os passos de Jesus, no anúncio do Evangelho e no carregamento da Cruz.

Essas coisas possuem um grande impacto na vida daquele afligido em sua sexualidade. Desprender-se dos próprios bens, e inclusive dos próprios prazeres, em favor de servir o Cristo presente nos outros, isso conduz aquele que luta pela castidade a desprender-se de si mesmo - especialmente das tendências a satisfazer os desejos sexuais de forma egoísta - e, assim, o conduz a obter os bens e os prazeres mais elevados, que são encontrados no Céu, em Deus.

As armas para lutar pela perfeição cristã

O Bom Deus concedeu muitas armas para lutarmos pela perfeição cristã, dentre elas: a leitura espiritual, a oração, a meditação, a direção espiritual, a Santa Missa e os sacramentos.

Lendo e aprendendo

A leitura espiritual é aquela leitura que fazemos sobre os assuntos que dizem respeito ao que é próprio do espírito. Essa leitura pode ser desde o Catecismo da Santa Igreja Católica até a história de vida dos santos. Essa leitura deve nos levar a aprofundar nosso conhecimento sobre as coisas da fé e aumentar em nós o desejo de viver essas coisas. Da leitura, podemos avaliar nossas vidas e, assim, tirar metas que nos norteiem numa busca renovada da santidade.

No que se refere especificamente à atração pelo mesmo sexo, não é raro que dúvidas e angústias tomem conta do coração daquele que é afligido no campo da sexualidade. As perguntas se multiplicam, especialmente em face do discurso do mundo - que estimula uma vida de permissividade e de satisfação dos próprios desejos de forma egoísta. Para combater essas dúvidas e trazer paz e clareza para próprio o espírito, é de ajuda cultivar o hábito de ler sobre a doutrina cristã sobre a sexualidade humana (especialmente sobre a Teologia do Corpo) e, especialmente, sobre a vida dos santos.  A luta e a vitória dos santos nos encoraja e estimula a imitar seus heróicos exemplos.

A vida de oração

O Catecismo da Santa Igreja Católica nos ensina que, na oração, encontram-se a sede do homem por Deus e a sede de Deus pelo homem. A oração é a ação em que o homem direciona a sua atenção a Deus, dirigindo-Lhe seus pensamentos, sentimentos, gestos e palavras a fim de estar com Aquele que é Amor. O Catecismo ainda diz que, na oração, o homem aprenta-se como mendigo de Deus. O homem nada tem a oferecer que possa acrescentar alguma coisa a Deus, mas, não obstante, Deus oferece tudo de si à alma humana, que em tudo depende de Deus.

Mas como orar? A palavra "oração" está etimologicamente ligada à ideia de "usar a boca no ato da fala", o que faz muitos acharem que, quando a Santa Igreja diz "oração", ela esteja dizendo que a única via de encontrar-se com Deus seja pela fala. Contudo, isso não é fundamental na oração. O que é fundamental é o encontro da criatura humana com o seu Criador - um encontro que aconteça pelo esforço e desejo do homem por estar na presença de Deus.

A tradição espiritual cristã nos legou uma riquíssima variedade de jeitos de ter esse encontro. A leitura orante dos Salmos ou de trechos das Sagradas Escrituras, a Liturgia da Santa Missa, a Liturgia das Horas,  o Rosário (conhecido também como Saltério Mariano), a recitação de orações feitas por santos, a prece espontânea, a prece mental (pelo uso da imaginação e das faculdades intectuais), o silêncio (numa postura de silenciar-se completamente para escutar a Deus), entre muitas outras maneiras, das quais se descata a prece do Pai-Nosso que nos foi ensinada por Deus, na pessoa de Jesus, o Filho Unigênito.

A Santa Igreja ainda ensina que temos de rezar a todo momento. Trata-se duma necessidade espiritual. Com tantos jeitos de rezar, não há desculpa para não fazê-lo. Mesmo durante as nossas atividades, como estudo ou trabalho, podemos rezar, tal como nos ensina São Josemaria Escrivá. Rezamos enquanto trabalhamos na medida em que ofertamos o que fazemos a Deus e na medida em que buscamos fazer tudo com amor e perfeição.
  
A meditação

Quando se fala meditação, é possível que venha à mente a imagem do monge budista de olhos fechados, sentado com as pernas cruzadas e entoando mantras. Fora a disposição interior de concentração, a meditação cristã não é assim. Falando de meditação, a Santa Igreja se refere à consideração da realidade (tanto terrena como celeste) pela inteligência. Contudo, ao contrário da atitude de pensar feita no cotidiano, que muitas vezes é instantânea e imediata, a meditação demora, sem se preocupar com o tempo usado para considerar os problemas, suas causas e as suas soluções. Além disso, a meditação cristã não é apenas um exercício da inteligência, como se tudo dependesse da potência humana, ao contrário: ela pede o auxílio do Espírito Santo, que é o Espírito da Verdade. Por isso a meditação cristã possui um sentido sobrenatural, partindo da consideração da realidade humana em direção à consideração da realidade divina. De nossa pequenez para a grandeza do Deus Vivo.

Em geral, a Santa Igreja incentiva a meditação sobre os novíssimos: a morte, o julgamento, o Céu, o Inferno e o Purgatório. A lembrança de que viemos do pó e ao pó voltaremos, que o corpo morrerá, mas viverá o espírito e com ele estarão nossos pecados não confessados ou os méritos adqueridos. Com base neles, Deus, que é Justo Juíz, nos sentenciará ao Céu ou ao Inferno. No Céu, está toda a felicidade. No Inferno, há apenas dor e ranger de dentes. Mas, que devemos buscar sempre a Misericórdia Divina ainda nesta vida, para que, mesmo que morramos com alguma mácula de pecado, mereçamos o Céu e passemos pelo Purgatório - onde pagaremos até a última moeda pelas nossas faltas -, mas com a ardente certeza de que sairemos de lá para entrar na Casa para nós preparada pelo Pai desde a eternidade.

A meditação é importante pois nos previne das ações irrefletidas e passionais, feitas na correria do dia-a-dia, e nos faz considerar tudo à luz da Verdade que é Jesus Cristo - o que nos liberta da consideração das coisas a partir de nós mesmos (que nos leva a pensar que o mundo gira em torno de nós).  

A direção espiritual

A direção espiritual é ter alguém cuja fé e sabedoria respeitamos, alguém que nos orienta com seus conselhos e nos encoraja com seu exemplo. Geralmente, procuram-se os sacerdotes, pois, além de diretores espirituais, eles podem ser também nossos confessores.

Essa orientação é importante pois nos ajuda a discernir melhor nossas dificuldades e nos ajuda a traçar metas espirituais (vício a ser superado, virtude a ser vivida).

A Santa Missa e os sacramentos


Os sacramentos são sinais sensíveis e eficazes da graça, instituídos por Cristo e confiados à Igreja, por meio das quais nos é concedida a vida divina. (Compêndio do Catecismo)


A Santa Igreja nos ensina que todos os sacramentos são necessários para nossa salvação, pois todos eles nos unem ao Corpo Místico de Jesus que é nosso Salvador. Para sermos salvos, precisamos viver em estado de graça., o que significa dizer que precisamos viver em comunhão com Deus. Quando pecamos, rompemos com essa comunhão, pois cada pecado significa querer viver de acordo com outra palavra que não é a palavra da Verdade, do Bem, do Amor, da Vida... de Deus. É certo e crido por nós cristãos, que Jesus é o Salvador, o Filho de Deus encarnado. Ora, os sacramentos só fazem sentido por causa de Jesus.

Jesus nos diz a Nicodemus: "Se não nascer de novo, não poderá entrar no Reino dos Céus". Para que nascessem de novo, Jesus enviou os apóstolos para que batizassem todos os povos em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo: "Ide, pois, e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo" (Mt XXVIII, 19). Pelo batismo, o homem e a mulher velhos (duma geração corrompida pela desobediência de Adão e Eva)  morrem e renascem como homem e mulher novos (duma geração redimida pela obediência do novo Adão, Jesus, e da nova Eva, Maria). Esse novo Adão é a fonte da Salvação, essa nova Eva é a porta pela qual o novo Adão entra no mundo e na história humana para redimir o ser humano. Pelo batismo, todos nós passamos a pertencer ao Corpo Místico de Cristo e, por isso, dizemos que estamos em comunhão com Deus, mas também com toda a Santa Igreja. Nesse sentido, o sacramento do batismo é tão importante para nós cristãos e por isso também é importante para nós que temos atrações pelo mesmo sexo.

Na maturidade da jornada da fé, recebemos a Confirmação.


Chama-se 'Crisma' (nas Igrejas Orientais: Crismação com o Santo Myron), por causa do seu rito essencial, que é a unção. Chama-se 'Confirmação', porque confirma e consolida a graça batismal. [...]
O efeito da Confirmação é a especial efusão do Espírito Santo, como a de Pentecostes. Essa efusão imprime na alma um caráter indelével e produz um crescimento da graça batismal: enraíza mais profundamente na filiação divina: une mais solidamente Cristo e a Sua Igreja; aumenta na alma os dons do Espírito Santo; dá força especial para testemunhar a fé cristã. (Compêndio do Catecismo) 

Porém, mesmo depois de receber o Santo Batismo, podemos pecar e, assim, perder de algum modo a graça. Um pecado venial, perde-se, mas pouco. Um pecado mortal, perde-se tudo. Para que nós não perecêssemos, Nosso Senhor instituiu o Sacramento da Reconciliação, dizendo aos Apóstolos: "Aqueles a quem perdoardes os pecados, lhes serão perdoados; àqueles a quem os retiverdes, lhes serão retidos" (Jo XX, 23). Os apóstolos, feitos sacerdotes na Última Ceia, transmitiram sua ordem a outros feitos por eles sacerdotes e assim por diante, ao longo dos séculos até hoje. Por isso, confessando nossos pecados diante do sacerdote e dele recebendo a absolvição, retornamos ao estado de graça que, pelos méritos de Cristo, nos merece o Céu.

Mas, Deus nos preparou algo mais especial: a Eucaristia.
É o próprio sacrifício do Corpo e do Sangue do Senhor Jesus, que ele instituiu para perpetuar pelos séculos, até seu retorno, o sacrifício da cruz, confiando assim à sua Igreja o memorial de sua Morte e Ressurreição. É o sinal da unidade, o vínculo da caridade, o banquete pascal, no qual se recebe Cristo, a alma é coberta de graça e é dado o penhor da vida eterna. (Compêndio do Catecismo)
Nosso Senhor disse aos discípulos "Eu sou o Pão Vivo". Moisés e o povo de Israel comeram do maná que descia do céu, mas aquele pão saciava apenas sua fome do corpo, acrescentava-lhes tempo nesta vida passageira, mas todos morreram. Contudo, Jesus ofereceu-se a si mesmo como Pão descido do Céu e, sobre isso, foi enfático:
Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes da carne do Filho do Homem, e não beberdes do seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna; e eu o ressuscitarei no último dia. Pois minha carne é verdadeira comida e meu sangue é verdadeira bebida. Quem come da minha carne e bebe do meu sangue permanece em mim e eu nele  (Jo VI, 53-56).    
Este Sacramento é muito especial para nós, que lutamos pela castidade. Quando tomamos a hóstia consagrada, mesmo que seja uma só espécie, tomamos juntos a Carne e o Sangue de Jesus. Mas, como não há divisão em Jesus, junto com a Carne e o Sangue, está o Espírito de Jesus e sua Divindade. Mas, apesar da distinção das Pessoas Divinas, a Santíssima Trindade não se separa, e junto com o Filho, vêm o Pai e o Espírito Santo. Mas, onde está Deus, lá estão os anjos O adorando, lá está o Céu.

Ingerindo o Corpo e o Sangue de Jesus, alimentamo-nos com a Vida de Deus. Sua Carne imaculada nutre nossa carne fragilizada pelo pecado. Seu Sangue de Vida Eterna circula em nosso sangue cuja vida é tão breve.

É justo que seja chamado de Sacramento da Comunhão, pois, tomando o Corpo e o Sangue do Filho Unigênito, nos unimos à vida da Santíssima Trindade, do Deus Vivo. Além disso, unidos a Cristo, estamos também unidos uns aos outros por meio d'Ele. Por fim, tomando a Eucaristia, é vivida a unidade das nossas intenções, a carne aspira o alimento que está sob as aparências do Pão e do Vinho e a alma aspira encontrar-se com Aquele que é a Vida.    

Tantos benefícios. Tanta felicidade. Este é o Sacramento que sustenta os virgens e encoraja os que buscam a castidade.

São sete os Sacramentos, mas frisamos estes para que os busquem com mais devoção. Valorizando-os e buscando-os, contaremos com graça divina para viver nossos propósitos de santidade. De tudo o que foi dito, o essencial é isto: a jornada de viver a castidade não é realizada apenas pela força humana; se dela dependêssemos apenas, estaríamos perdidos. Nossa jornada é espiritual e isso exige uma vida em busca das coisas do Alto. Com a graça de Deus daremos passos largos rumo à vida casta (à santidade) e, se esta for a vontade do Senhor, conseguiremos inclusive superar as atrações pelo mesmo sexo. Porém, superando ou não essas atrações, não haverá maior tesouro do que viver em comunhão com Deus, agora e por toda a eternidade, na felicidade dos santos, na glória reservada aos que amam a Deus.


SEJA SANTO!


Ver também: http://juventudecourage.blogspot.com/2011/01/um-pequeno-caminho-que-conduz-deus.html



Curiosidade:

Segundo o léxico definido pela Conferência dos Bispos da França, "Para os cristãos, todos os homens - graças a Cristo - são chamados a 'refletir a glória de Deus', a 'serem transfigurados' naquela mesma imagem. Ninguém pode, portanto, ser um modelo de virtude por sua própria força (em termos de teologia, diz-se que ninguém está isento de pecado). Todavia, certos homens e mulheres viveram mais intensamente as exigências do amor evangélico. Esses são os que chamamos de santos, no sentido habitual do termo".

Fonte: Conferência dos Bispos da França: http://www.eglise.catholique.fr/ressources-annuaires/lexique/definition.html?lexiqueID=508&Expression=Saint)



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