quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

[AC] Carta aos irmãos


Caríssimos irmãos, a paz de Cristo.

Salve Maria.
Desafiador foi o ano de 2011, mas, também, este foi tempo de grandes graças. Suportamos vários sofrimentos, porém pudemos contemplar as grandiosas obras do Senhor e nos alegramos, porque Ele não só nos protegeu, também realizou maravilhas em nosso meio.  De fato, “o Senhor Todo-Poderoso fez por nós grandes coisas, por isso estamos alegres” (Sl 125[126],3).
Avançamos a passos curtos, mas estamos caminhando. Em muitos momentos o desânimo, o medo e a frustração até podem ter cercado nossos corações.  Contudo, “se a tarde vir o pranto visitar-nos, de manhã vem saudar-nos a alegria” (Sl 29[30], 6b).
Um pequeno povo
Várias vezes fomos interpelados pelos nossos irmãos do Courage Latino para avançar, mas não podíamos fazer muito porque somos ainda poucos. Refletindo sobre a razão de sermos até agora tão poucos no nosso país, diante do universo de almas que necessitam da ajuda e da salvação do Senhor, encontramos a resposta na Palavra de Deus.  Segundo o capítulo sétimo do Livro dos Juízes, os  madianitas estavam oprimindo o povo de Israel e o Senhor suscitou Gedeão para ser juiz de Israel e ordenou que ele alistasse um exército. O exército alistado por Gedeão foi diminuído pelo Senhor a um número pequeniníssimo de homens, contra o exército madianita que era gigantesco. Então Gedeão questionou ao Senhor, “Por que isso?”,  e Ele respondeu: “Israel poderia gloriar-se à minha custa e dizer:’foi a minha mão que me salvou” (Jz 7,2).  À luz desta palavra, entendemos que, antes de tudo, a obra que realizamos não é nossa, mas do Senhor. Para leva-la a cabo, Deus escolhe quantos e quais Ele quiser. Ora, Ele quis se servir até aqui de poucos e o fez para que Sua glória seja manifestada. Amém. O Senhor está à nossa frente, como comandante, e nos motiva a prosseguir e lutar. Sendo assim, entendemos que os momentos em que fomos interpelados pelo Courage Latinoeram aqueles nos quais o Senhor nos tirava da espera para que trabalhássemos e seguíssemos adiante.
Trabalhar pela obra do Senhor
Enquanto um dos nossos irmãos estava em oração pelo nosso Apostolado, o Senhor lhe falou através de uma frase que se encontra na vida de Santa Teresa d’Ávila: “O amor quer obras”. De fato, precisamos concretizar nosso amor, agindo segundo a Palavra de Deus e realizando Seus planos!  Ainda fizemos pouco pela implantação do Apostolado Coragem no Brasil. É verdade que criamos o blog e os perfis do Twitter, do Facebook e do Orkut; que atendemos várias pessoas pela internet, ouvindo suas dolorosas histórias e ofertando nossa amizade, apoio e direção; que divulgamos o apostolado para vários padres e bispos; que tivemos a primeira reunião de uma célula em São Paulo. Contudo, precisamos ousar. Precisamos avançar com coragem.  Essa obra não é nossa, é verdade. Ela é do Senhor. Por isso é que devemos trabalhar. Afinal de contas, “somos servos inúteis, não fizemos nada mais do que deveríamos ter feito” (Lc 17, 10b).
Caríssimos, é vital que nos doemos totalmente por Cristo no nosso trabalho pela implantação do Apostolado Coragem nesta Terra de Santa Cruz. Durante o ano que se passou, percebemos que, infelizmente, em nosso país as pessoas “erraram no conhecimento de Deus e vivem também numa longa luta de ignorância, e que dão o nome de paz a um estado tão infeliz. Tudo está numa confusão completa - sangue, homicídio, furto, fraude, corrupção, deslealdade, revolta, perjúrio, inversão de valores...” (Sb 14, 22.25-26). Por tudo isso, precisamos fazer a nossa parte. O Senhor nos chama e não podemos permanecer parados.
O poder da ressurreição de Cristo em nós
O ano de 2011 mostrou-nos a todos que o caminho do Senhor é um caminho estreito. Várias vezes tropeçamos e caímos, fraquejamos e levantamos, mas “até aqui nos ajudou o Senhor” (I Sm 7, 12).  Porém, as nossas quedas não devem ser para nós motivo de desânimo, mas de coragem. Um conhecido mártir alemão nos lembra: “O sofrimento é, pois, a característica dos seguidores de Cristo. O discípulo não está acima do seu mestre. O discipulado é sofrimento obrigatório. [...] Quem não quiser tomar sobre si a cruz, quem não quiser expor sua vida ao sofrimento e à rejeição por parte dos seres humanos, perde a comunhão com Cristo e não é seu discípulo.”  (Dietrich Bonhoeffer; Discipulado, p. 48).  Precisamos ter consciência de que os nossos sofrimentos são caminho e não empecilho para encontrar-nos com o Senhor. O apóstolo São Paulo afirma assim seu desejo: “quero conhecer a Cristo, o poder da sua ressurreição, participar nos seus sofrimentos, tornando-me semelhante a Ele na morte, com a esperança de conseguir a ressurreição”(Fp 3,10-11). Fica-nos assim claro que experimentar o poder da ressurreição de Cristo e participar nos sofrimentos d’Ele estão intrinsecamente ligados. Nossos sofrimentos são, portanto, a fonte inesgotável de onde poderemos experimentar o poder grandioso da ressureição de Cristo na nossa vida, na vida de todos os que nos são próximos e na vida daqueles a quem, como pessoas com AMS, somos chamados a testemunhar o Cristo ressuscitado.
Será que já nos esquecemos o que diz o apóstolo São Pedro: “Alegrai-vos em ser participantes dos sofrimentos de Cristo, para que vos possais alegrar e exultar no dia em que for manifestada sua glória” (I Pd 4,13)?  Nosso sofrimento, apesar de muitas vezes parecer inútil, na verdade, pode ser útil para o Senhor na medida que realizamos a Sua Vontade e suportarmos os nossos sofrimentos com alegria.
Apesar de nossa vida ser joeirada pelo sofrimento, não nos esqueçamos que: “Melhor que tudo que alguém possa ter ou saber, é poder ser um filho de Deus”. É esse o testemunho deixado por Ronaldo Pereira, um jovem missionário cearense falecido com fama de santidade em 1996. Nada do que nos é oferecido vale mais do que poder vivenciar a graça e o poder da ressurreição de Cristo em cada momento da nossa vida, nas nossas quedas e também nos nossos recomeços.  Por isso, em cada queda e momento de desânimo, lembremo-nos que estamos envolvidos por um maravilhoso desígnio do Senhor que pode tirar do nosso sofrimento alimento fértil para o nosso crescimento humano e espiritual. Por isso, “em todo caso, seja qual for o ponto já alcançado, o que importa é prosseguir no mesmo rumo, para a meta, para o prêmio celeste a que Deus nos chama em Cristo Jesus” (Fp 3,16.14) seguindo não o nosso parecer, mas a voz de Cristo expressa pela Santa Igreja Romana, pois “Quem vos ouve, a mim ouve; e quem vos rejeita, a mim rejeita; e quem me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16) como diz o Senhor. Recordemos sempre o testemunho de Santa Teresinha que dizia: “a obediência é uma couraça protetora, um escudo que guarda o coração”.
Futuro: nossos passos e nossas metas
Agradecemos e submetemo-nos ao Senhor, confessamos o que fizemos, exortamos os irmãos e os consolamos, lembrando-lhes da salvação que só existe em Cristo e só por meio da Cruz. Agora precisamos traçar os próximos passos e metas. Como e para onde marchará este exército? O Apostolado Coragem continua a nos oferecer Doze Passos e Cinco Metas. Isto continuaremos a observar, com ainda mais aplicação. A castidade continua nossa meta principal, valendo-se da devoção a Jesus, no Santíssimo Sacramento, e à Santíssima Virgem. Continua a divulgação do apostolado, para que seja conhecido em todo o Brasil, mas esperamos conseguir a fundação de novas células pelo território brasileiro. Para isso, contamos com o apoio dos nossos leitores, para que falem do apostolado nas suas respectivas paróquias, com os sacerdotes, mas também com os leigos (de modo especial, os que são líderes de movimentos e pastorais). Além disso, concentraremos forças no estudo da doutrina da Santa Igreja e das outras ciências, para atender as dúvidas que nos chegam pelo blog.
Aproveitamos a oportunidade para frisar que nossa abordagem é eminentemente doutrinária, consistindo na apresentação dos ensinamentos da Santa Igreja. Na medida do necessário, falaremos de assuntos cuja discussão política já é feita por vários leigos. Porém, quando o fizermos, será privilegiando o olhar da fé. Também, aproveitamos para pedir desculpa aos leitores que nos escrevem e recebem nossa resposta com atraso. Sendo nós poucos e também ocupados com as tarefas cotidianas (trabalho, estudo e família), enfrentamos o constante desafio de organizar nossos horários para atender aos pedidos que recebemos. Contamos com a paciência e a compreensão de todos, e esperamos que, com o auxílio da Divina Providência, consigamos atender quem precisa.
Encerramos esta carta fazendo votos de que este ano seja pleno de graças para todos. Que o Bom Deus conceda a fé na medida necessária para combater o bom combate, a esperança para persistir apesar das tribulações e o amor para que incendei seus corações com a diligência em servir uns aos outros, por causa de Jesus, nosso amado e Senhor. Que Maria, em cujo seio virginal somos misticamente gerados na fé, zele e interceda pelas suas vidas e pelo seus caminhos de santidade.
Um abraço dos seus irmãos em Cristo,
Juventude Coragem

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