domingo, 11 de março de 2012

[Esp] Rezar com humildade

É necessário que, em nossa luta pela castidade, peçamos a Deus Seu auxílio. Mas, como diz São Paulo, nós não sabemos orar como convém. Não sabemos o que pedir, nem como fazê-lo.

Pensando nisso, voltemos nossa atenção à Maria, mãe de Deus. A Santíssima Virgem Maria nos ensina o que pedir e como pedir a Deus. Seu exemplo nos é transmitido por São João, Apóstolo e Evangelista, que nos narra os seguintes acontecimentos:
Três dias depois, celebravam-se bodas em Caná da Galiléia, e achava-se ali a mãe de Jesus. Também foram convidados Jesus e os seus discípulos. Como viesse a faltar vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles já não têm vinho. Respondeu-lhe Jesus: Mulher, isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou. Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser.
A Santíssima Virgem nos ensina o que pedir, pois ela confia-se toda a Deus

A falta de vinho prejudicava a festa de casamento. Podemos imaginar, junto com Santo Afonso, "o embaraço dos esposos que, aflitos e vexados, perceberam a falta de vinho à mesa dos convidados" (Glórias de Maria, 4.2). Maria encheu-se de compaixão pela sua necessidade material, mas, ainda assim, tão importante para aquele momento festivo. Ela pede a Jesus, a Divina Providência, que providencie o vinho que falta. Fazendo isso, a Santíssima Virgem nos ensina que podemos pedir a Jesus qualquer coisa de que necessitamos ou de que outros necessitam. Certamente, isso inclui os bens materiais, os bens espirituais e, inclusive, a superação das tribulações e o alívio dos sofrimentos. Nosso Senhor mesmo chegou a confidenciar à Santa Faustina que sua maior tristeza eram os poucos pedidos dos fiéis. De fato, muitas vezes, ou nos centramos em pedir bens materiais, ou nos centramos em pedir bens espirituais, julgando que Deus não deveria se interessar por nossa vida por inteiro, nem se ocupar em nos prover desde as coisas mais triviais do dia-a-dia até a eterna salvação. Sendo assim, Maria nos ensina a pedir tudo quanto notarmos que é necessidade, nossa ou dos nossos irmãos.

A Santíssima Virgem também nos ensina como pedir, pois ela reza com humildade

Diante do pedido de Maria, Jesus lhe chama de "Mulher!" e ajunta "Isso compete a nós? Minha hora ainda não chegou". Como ensinam a Igreja e os santos, Maria é a mulher prometida em Gênesis 3,15, que calca a serpente com os pés. Assim, diferente de Eva que tenta tomar para si o que não lhe é lícito ter, Maria submete-se a Deus até no que lhe é lícito ter. Ela pede a Jesus o vinho faltante. Para isso poderia valer-se da sua maternidade. Pois, é dever do filho honrar pai e mãe, como diz o Quarto Mandamento. Porém, ela põe-se como escrava. Ela poderia ter dito aos serventes: "Sou a mãe dele, então façam o que eu quero". Contudo, Maria manteve-se fiel ao que disse ao anjo: "Eis aqui a escrava do Senhor" (Lc 1,38). Assim ela disse: "Fazei tudo o que Ele vos disser". Desse modo, estava em pleno poder de Jesus aceitar ou não. Poderia acontecer de Jesus dizer não e a festa teria terminado ali, sem vinho. Isso seria justo, pois,  a alegria do casamento não se origina nem se sustenta pela bebida e, afinal de contas, todos já haviam festejado e bebido. Se Jesus pronunciasse recusa, certamente Maria acataria a ordem do seu divino filho sem mudança da sua alegria ou da sua fidelidade. Porém, dizem as Escrituras Sagradas:


"Não é na multidão, Senhor, que está o vosso poder, nem vos comprazeis na força dos cavalos; os soberbos nunca vos agradaram, mas sempre vos foram aceitas as preces dos mansos e humildes" (Jd 9,16) 
"Deus resiste aos soberbos, mas dá sua graça aos humildes" (Pr 3,34). 

Fazendo-se escrava, Maria reconheceu sua nulidade diante de Deus. É como se ela dissesse: "Senhor, longe de mim impor sobre Vós a minha vontade. Eu sou apenas uma criatura, assim como estes serventes. Desse modo, assim como eu me confio toda a Vós, volto-me a estes a quem eu quis socorrer e apelo para que depositem também toda sua confiança em Vós. Digo-lhes que se conformem totalmente à Vossa sapientíssima vontade. Mandai o que quereis e, creio, isto será bom para nós".

Ora, a humildade de Maria conquistou o favor do Senhor, mesmo naquilo mais trivial. Nisto está manifesto que a humildade desta Senhora foi tanta que comoveu intensamente o coração do Senhor, a ponto de Ele, que antes dissera "Isso compete a nós?", acatar com alegria o pedido de sua mãe.


"Jesus ordenou-lhes: 'Enchei as talhas de água'. Eles encheram-nas até em cima. 'Tirai agora' - disse-lhes Jesus - 'e levai ao chefe dos serventes'. E levaram". A água havia se tornado vinho e a Escritura acrescenta: "Esse foi o primeiro milagre de Jesus" (Jo 2, 3-11). 

Jesus dissera que a aquela não era sua hora (de iniciar seu ministério público), mas a humildade de Maria fez Deus antecipar-se nas graças.  

Dessa maneira, aprendemos com a Santíssima Virgem que, ao invés de tentar tomar para nós à força de Deus o que queremos, devemos pedir tudo o que precisamos nos submetendo à vontade divina. Deus é infinitamente sábio. Certamente, jamais nos dará algo pior do que pedimos, mas sempre nos dará o que pedimos ou algo melhor. Tudo a seu tempo. Aprendemos que, ao invés de nos revoltarmos com o que a Providência nos proporciona, temos de buscar a gratidão. Pois somos assistidos por um Deus que nos ama infinitamente. Por fim, Maria nos ensina que o coração humilde tudo obtém de Deus.   

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