sexta-feira, 6 de julho de 2012

[TdC] Complementaridade sexual: a humanidade é articulada em masculino e feminino

Caríssimos, começamos hoje a nossa coluna sobre Teologia do Corpo. Neste post, começaremos a apresentar textos do Magistério sobre o sentido da complementaridade sexual no plano de Deus 

"No primeiro relato [da Criação] (Gn 1,1-2,4) descreve-se o poder criador da Palavra de Deus que estabelece distinções no caos primigênio. Aparecem a luz e as trevas, o mar e a terra firme, o dia e a noite, as ervas e as árvores, os peixes e as aves, todos 'segundo a própria espécie'. Nasce um mundo ordenado a partir de diferenças que, por sua vez, são outras tantas promessas de relações. Eis, assim, esboçado o quadro geral em que se coloca a criação da humanidade. "Deus disse: Façamos o homem à nossa imagem e semelhança... Deus criou o ser humano à sua imagem; criou-o à imagem de Deus; criou-o homem e mulher" (Gn 1, 26-27). A humanidade aqui é descrita como articulada, desde a sua primeira origem, na relação do masculino e do feminino. É esta humanidade sexuada que é explicitamente declarada 'imagem de Deus'.

O segundo relato da Criação (Gn 2,4-25) confirma inequivocavelmente a importância da diferença sexual. Uma vez plasmado por Deus e colocado no jardim, de que recebe a gestão, aquele que é designado ainda com o termo genérico de Adam sente uma solidão que a presença dos animais não consegue preencher. Precisa de uma ajuda que lhe seja correspondente. O termo indica, aqui, não um papel subalterno, mas uma ajuda vital. A finalidade é, efetivamente, a de permitir que a vida de Adam não se afunde num confronto estéril, e por fim mortal, apenas consigo mesmo. É necessário que entre em relação com um outro ser que esteja ao seu nível. Só a mulher, criada da mesma 'carne' e envolvida no mesmo mistério, dá um futuro à vida do homem. Isso dá-se a nível ontológico, no sentido que a criação da mulher da parte de Deus caracteriza a humanidade como realidade relacional. Neste encontro brota também a palavra que abre, pela primeira vez, a boca do homem numa expressão de maravilha: "Esta é realmente carne da minha carne e osso dos meus ossos" (Gn 2,23).

'A mulher — escreveu o Santo Padre em referência a este texto do Génesis — é um outro 'eu' na comum humanidade. Desde o início, [o homem e a mulher] aparecem como 'unidade dos dois', e isto significa a superação da solidão originária, na qual o homem não encontra 'um auxiliar que lhe seja semelhante' (Gn 2,20). (cf. João Paulo II, Mulieris dignitatem).  Tratar-se-á aqui do 'auxiliar' só na ação, no “dominar a terra”? (cf. Gn 1,28). Certamente se trata da companheira da vida, com a qual o homem pode unir-se como se une com a esposa, tornando-se com ela “uma só carne” e abandonando, por isso, o “seu pai e a sua mãe” (cf. Gn 2,24)".


[CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Carta aos Bispos da Igreja Catolica sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no Mundo, § 5-6 ] 

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