sexta-feira, 27 de julho de 2012

[TdC] O pecado original altera e deturpa as relações entre homem e mulher.


Caríssimos, mais uma semana, voltamos à nossa coluna sobre  Teologia do Corpo. Neste post, continuaremos a apresentar o ensino do Magistério sobre o sentido da sexualidade no plano de Deus começando a tratar sobre uma das consequências do pecado original na nossa sexualidade.

“Antes de mais, há que sublinhar o caráter pessoal do ser humano. “O homem é uma pessoa, em igual medida o homem e a mulher: os dois, na verdade, foram criados à imagem e semelhança do Deus pessoal”. (João Paulo II, Mulieris dignitatem, 7) A igual dignidade das pessoas realiza-se como complementaridade física, psicológica e ontológica, dando lugar a uma harmoniosa ‘unidualidade’ relacional, que só o pecado e as ‘estruturas do pecado’ inscritas na cultura tornaram potencialmente conflituosa. A antropologia bíblica convida a enfrentar com uma atitude relacional, não concorrencial nem de desforra, os problemas que, a nível público ou privado, envolvem a diferença de sexo.

Há que salientar, por outro lado, a importância e o sentido da diferença dos sexos como realidade profundamente inscrita no homem e na mulher: “a sexualidade caracteriza o homem e a mulher, não apenas no plano físico, mas também no psicológico e espiritual, marcando todas as suas expressões”. (Congregação para a Educação Católica, Orientações educativas sobre o amor human, 4). Não se pode reduzi-la a puro e insignificante dado biológico, mas é “uma componente fundamental da personalidade, uma sua maneira de ser, de se manifestar, de comunicar com os outros, de sentir, exprimir e viver o amor humano” (Ibidem, 4). Esta capacidade de amar, reflexo e imagem de Deus Amor, tem uma sua expressão no caráter esponsal do corpo, em que se inscreve a masculinidade e a feminilidade da pessoa.

A dimensão antropológica da sexualidade é inseparável da teológica. A criatura humana, na sua unidade de alma e corpo, é desde o princípio qualificada pela relação com o outro-de-si. É uma relação que se apresenta sempre boa e, ao mesmo tempo, alterada. É boa, de uma bondade originária declarada por Deus desde o primeiro momento da criação; mas é também alterada pela desarmonia entre Deus e a humanidade provocada pelo pecado. Esta alteração não corresponde, porém, nem ao projecto inicial de Deus sobre o homem e sobre a mulher, nem à verdade da relação dos sexos. Daí que, portanto, esta relação boa, mas ferida, precise de ser curada.

Quais podem ser os caminhos dessa cura? Considerar e analisar os problemas inerentes à relação dos sexos, só a partir de uma situação marcada pelo pecado, levaria necessariamente o pensamento a regredir aos erros acima acenados. Há portanto que romper esta lógica de pecado e procurar uma saída que permita extirpá-la do coração do homem pecador. Uma orientação clara nesse sentido encontra-se na promessa divina de um Salvador, em que aparecem empenhadas a ‘mulher’ e a sua ‘descendência’ (cf. Gn 3,15). É uma promessa que, antes de se cumprir, terá uma longa preparação na história”.

[CONGREGAÇÃO PARA A DOUTRINA DA FÉ. Carta aos Bispos da Igreja Catolica sobre a colaboração do homem e da mulher na Igreja e no Mundo, § 7 ]

Comentários: O Magistério aqui começa a tratar sobre problemas que, no final de tudo desencadearam na nossa realidade como pessoas que foram afetadas com a atração pelo mesmo sexo.

Como visto anteriormente nas nossas postagens, o magistério apresenta o homem e a mulher como complementares um ao outro.  Como pensado por Deus,  o corpo humano, marcado pelo selo da masculinidade ou da feminilidade, comportaria em si desde o princípio o atributo esponsal, que é a capacidade de exprimir o amor: aquele amor precisamente no qual o homem-pessoa se torna dom e — mediante esse dom — realiza o próprio sentido do seu ser e existir. Mas ai veio o pecado original e corrompeu toda essa lógica santa.

A partir desse pecado ficamos, como nos ensina Santo Tomás de Aquino, repletos de feridas em nossa alma. Nosso Senhor veio e por sua morte e ressurreição nos libertou do pecado original. Apesar dessa libertação que tem seus efeitos aplicados a nós através do Batismo, como nos ensina o príncipe dos teólogos, continuamos a ter quatro feridas profundas em nossa alma. Ele as chama de fomes peccati (restos de pecado), que são: a ignorância, a malícia, a fraqueza e a concupiscência. São as quatro feridas que permanecem em nós e das quais precisamos ser curados, e para essa cura nós precisamos dos méritos de Nosso Senhor.

A atração pelo mesmo sexo é, portanto, consequência de uma destas feridas: a concupiscência.  Para buscarmos viver adequadamente a nossa sexualidade segundo o plano de Nosso Senhor, é preciso primeira e inicialmente de uma intensa vida de ascese e esse é o fundamento das diretrizes do Apostolado Coragem.

A natureza decaída do homem não pode, fora da vida ascética, que é nada mais do que um processo onde ‘cristificamos’ cada dia mais a nós mesmos, atingir qualquer avanço para a vivência de uma sexualidade segundo o plano de Deus. 

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