terça-feira, 14 de agosto de 2012

[Esp] Dias de luta, dias de glória

Por Cristiano Falek



“Histórias, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória
Histórias, nossas histórias
Dias de luta, dias de glória”
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[Dias de luta, dias de glória; Charlie Brown Jr.]

Peço que me perdoem, meus irmãos, por introduzir esta postagem com uma música secular. Mas essa postagem nasceu quando ouvi essa música por acaso no ônibus. 
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Enquanto ouvia esse refrão me veio ao coração a nossa luta. Sim, estamos acostumados àquele velho discurso do ‘tudo vai dar certo, sempre dá certo, etc.’, mas muitas vezes nos defrontamos com a monotonia do nosso dia a dia e ficamos tentados a desistir. Falhamos, caímos e levantamos e às vezes vem à boca aquele sabor de fracasso, aquele gosto amargo entre o sabor incerto de um quase e o amargo da desilusão que faz com que muitos de nos nos questionemos: mas para que estou lutando? 
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Estamos tão acostumados com o mundo moderno das comodidades que quando somos defrontados com o sacrifício da nossa luta diária pela castidade somos confrontados com o atual espírito mundano e hedonista e nos parece absurdo renunciar a qualquer coisa, especialmente se esta renúncia se refere ao que acreditamos estar ligado ao nosso bem-estar, conforto e, de tal modo, que atribuímos ao sacrifício e à renuncia o rotulo de ‘fracasso’.
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Infelizmente fazemos isso porque postulamos para nós a causa de uma ‘redenção’ do mundo presente, que segue o mesmo modo de pensar de Judas Iscariotes. Judas queria que Jesus instaurasse um reino poderoso, onde ele se autoproclamasse o Imperador e nomeasse os discípulos como grandes ministros. Atualmente nós postulamos algo próximo disso, só que sobre a roupagem de ‘felicidade’. Estamos dispostos somente à felicidade quando ela é acompanhada do restante do kit: sucesso, glória, admiração alheia... Muitas vezes, porém, o caminho da verdadeira felicidade nos brinda, todos os dias com: a renuncia, a dificuldade, o sacrifício e, quando pecamos, até mesmo com o sentimento de fracasso.
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Mas, aí me pergunto: será que temos que desistir diante desse quadro? Por quem batalhamos? Será que podemos responder como Santa Clara quando interrogada por São Francisco de Assis: ‘Quero Deus’ ou como Santo Tomás de Aquino quando foi visitado por Nosso Senhor que o elogiou por seus estudos iminentes: ‘Desejo só a ti, Senhor’? 
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Ficaria imensamente satisfeito que a nossa luta contra a atração pelo mesmo sexo realmente tivesse como foco a felicidade e a glória de Nosso Senhor. E, se de fato, visamos  glorificar a Deus com a nossa vida” (1 Cor 6,20), será que nos esquecemos já o ensinamento do salmista: “Por amor de Ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro” (Sl 43[44],23). E ainda o que testemunha o apóstolo São Paulo: “Estando embora vivos, somos a toda hora entregues à morte por causa de Jesus” (2 Cor 4,11).
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“Não fui chamada para ser um sucesso, mas para ser fiel”, dizia na sua sabedoria a Beata Teresa de Calcutá. Sabedoria de uma mulher que se alimentava da Palavra de Deus que nos diz: “É pela perseverança que salvareis a vossas almas” (Lc 21,19). Portanto, não podemos perder de foco a nossa meta: a fidelidade a nosso Senhor. Mas em que contexto entra essa música mundana a que me referi no começo da postagem?
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Nossas histórias, meus irmãos, no contexto em que vivemos, são como diz a musica: “dias de luta, dias de glória”. Os dias de luta nos são propostos aqui, nesta terra, que é apenas uma representação imperfeita daquilo que iremos encontrar e que olho nenhum viu e nem ouvido nenhum ouviu (cf. 1 Cor 2,9). Mas, não seremos só vencedores no Paraíso, já o somos aqui! É o que nos testemunha São Paulo: “Realmente, está escrito: ‘Por amor de Ti somos entregues à morte o dia inteiro; somos tratados como gado destinado ao matadouro‘. Mas em tudo isto, somos mais que vencedores, graças Àquele que nos amou.” (Rm 8,36-37). Sim, somos vencedores não por nossa causa, mas porque servimos a um Deus vitorioso e, por causa dEle, já o somos vencedores aqui, ainda que não vejamos. 
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Deste modo, não enxerguemos os nossos dias como o fracasso cotidiano ou a monotonia cotidiana, porque, Nosso Senhor encontra motivos para transformar em vitória e virtude toda a nossa fragilidade. Tenhamos em mente a advertência de Nosso Senhor: “No mundo tereis aflições, mas tende coragem, eu venci o mundo” (Jo 16,33).
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Armemo-nos de coragem, conscientes de que não vivemos uma sequência de fracassos, mas “dias de lutas, dias de glórias”. Dias de luta porque Nosso Senhor deixou claro: “Entrai pela porta estreita, porque larga é a porta e espaçoso o caminho que conduzem á perdição” (Mt 7, 13). Mas dias de glória porque “Aquele que ressuscitou o Senhor Jesus ressuscitará também a nós com Jesus e nos colocará ao lado dele, juntamente convosco” (2 Cor 4,14). E também porque “os sofrimentos da presente vida não têm proporção alguma com a glória futura que nos deve ser manifestada”.(Rm 8,18).
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Assim, “não olhemos para as coisas que se veem, mas para as que não se veem; pois o que se vê é transitório, mas o que não se vê é eterno” (2 Cor 4,18) e sigamos em frente, consciente de que vivemos “dias de luta, dias de glória” até o dia em que viveremos somente “dias de glória”.

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