terça-feira, 21 de agosto de 2012

[FH] Ideologia de Gênero: Ciência nega categoricamente que o gênero seja construção social. [I]


Deus criou o homem à Sua Imagem, à imagem de Deus
o criou; macho e fêmea os criou”. (Gn 1,27)

Muitas feministas alegam que as distinções que podem ser observadas entre os homens e as mulheres são ensinadas. Segundo elas, são as expectativas ambientais que pressionam os rapazes a agir como rapazes e as mulheres agirem como mulheres. Estas diferenças, dizem-nos elas, permanecem por toda a vida.

“Não se nasce mulher; torna-se numa”, defendia a socióloga Simone de Beauvoir (1908-1986).

A teoria em torno do gênero como uma construção social chegou até a ser aceite politicamente [na Suécia]. O governo social democrata daquele tempo colocou isso mesmo na sua declaração governamental de 2002. Isto se encontra na declaração governamental (cf. Skr 2002/2003:140).

Apesar da longa história em torno do trabalho ativo em prol da igualdade, a nossa sociedade continua caracterizada por uma estrutura de poder de gênero. No futuro, o nosso trabalho deve possuir uma direção mais feminista. Isto significa que temos que estar cientes da estrutura de poder de gênero – que as mulheres são subordinadas e os homens superiores – e temos que estar preparados para mudar esta situação. Isto significa também que o governo tem que considerar o masculino e o feminino como ‘construção social’, isto é, padrões de gênero criados externamente após o nascimento através da nossa educação, cultura, enquadramentos econômicos, estruturas de poder e a nossa ideologia política.

Quem estuda as pesquisas e os dados científicos, em vez de documentos políticos, encontrará diferenças significativas entre os sexos já na altura no nascimento. Estas diferenças genéticas controlam muitos dos traços que estão por trás do nosso comportamento diário.

QUAIS SÃO AS DIFERENÇAS ENTRE OS SEXOS?

Um dos grandes nomes desta área é Simon Baron-Cohen, professor na Universidade de Cambridge na Grã-Bretanha. Cohen desenvolveu a assim chamada ‘E-S Theory’ [daqui para a frente, referida apenas como EST] onde ‘E’ significa empatia e S significa sistematização. Ser empático implica que uma pessoa conecta-se a outros seres humanos, entende-os e comunica-se com eles. Sistematização significa que uma pessoa analisa, entende e constrói sistemas – sistemas abstratos ou sistemas técnicos.

Segundo a EST, e analisando a forma como o cérebro funciona, as pessoas podem ser divididas em 3 grandes grupos. Os tipos de cérebro são:
  •          O cérebro E onde a aptidão empática supera em muito a sua habilidade para sistematizar.
  •          O cérebro S onde a aptidão para sistematizar é maior que a sua aptidão para a empatia.
  •          O cérebro B onde as duas capacidades se encontram igualmente desenvolvidas.

Segundo o professor Baron-Cohen, o cérebro ‘E’ é típico das mulheres e o cérebro ‘S’ é típico dos homens 1. Existem variações individuais e exceções, mas o padrão geral é forte.

Outro pesquisadora que também possui um interesse pelo tópico é Annica Dahlström, professora emérita no Departamento de Química Médica e Biologia Celular na Universidade de Gotemburgo. Ela dedicou 15 anos da sua vida a este assunto. No seu livro ‘Gender is in the Brain’ (pt: “O Género Encontra-se no Cérebro”) ela reporta a complexa relação química entre os hormônios, o cérebro, e outros órgãos que, tanto antes como depois do nascimento, transformam os seres humanos em homens e mulheres.

Mesmo que existam discrepâncias individuais, Annica Dahlström afirma que existem coisas como características “femininas típicas”, e características “masculinas típicas”. Segundo Dahlström, em média as mulheres são:
  •         Mais empáticas e preocupadas
  •         Melhores na comunicação verbal e linguagem
  •     Detectam mais nuances e detalhes com os seus olhos e ouvidos.
  •     São mais sensíveis ao estado de espírito dos outros, bem como aos sinais sutis
  •     Podem fazer associações mais rápidas com informação guardada anteriormente
  •     São melhores em multitasking (várias tarefas ao mesmo tempo)

Com os homens, no entanto, segundo Dahlström, eles:
  •       Estão mais dispostos a correr riscos e a competir
  •    São melhores a concentrar a sua atenção a um tópico de cada vez
  •    São vastamente superiores no pensamento abstrato.
  •       Possuem melhor visão tridimensional
  •    São mais extremos (em ambas as direções) no que toca a inteligência (embora a inteligência média entre os sexos seja a mesma)

Um terceiro pesquisador a levar em conta é Germund Hesslow, professor de neurociência na Universidade de Lund. Ele afirma que as diferenças entre homens e mulheres encontram-se bem documentadas. Por exemplo, diz Hesslow, os homens, no geral, possuem uma habilidade superior para pensamento espacial e resolução de problemas matemáticos. Para além disso, os homens são mais agressivos e determinados no que toca a correr riscos.

As mulheres, diz Hesslow, são mais compassivas (especialmente com as crianças) e mais cuidadosas na escolha dos parceiros. Quando comparadas com os homens. as mulheres têm mais dificuldade em considerar relações sexuais breves. Tal como Dahlström, Hesslow também afirma que os homens exibem uma maior distribuição de inteligência que as mulheres 2.

Eu poderia continuar a citar outros pesquisadores que documentaram as diferenças entre os sexos, mas em vez disso, vamos analisar o que as pesquisas dizem em tornos das causas dessas distinções.

COMPORTAMENTO APRENDIDO OU DIFERENÇAS GENÉTICAS?

Pode-se dizer, portanto, que há distinções entre os sexos. Mas serão essas distinções aprendidas ou genéticas? Apesar do ambiente social ter influência, existe uma lista enorme de estudos científicos que ressalvam a enorme e significativa importância das diferenças biológicas entre os sexos. A Scientific American sumarizou a questão muito bem num artigo em torno do cérebro masculino e do cérebro feminino. Isto é que eles escreveram:

Durante a década passada, os investigadores documentaram uma surpreendente quantidade de variações (ou seja, diferenças) estruturais, químicas e funcionais entre o cérebro masculino e o feminino3.

Analisemos um certo número projetos de pesquisa que demonstram que a genética encontra-se por trás de muitas das diferenças entre os sexos que podemos observar. Podemos começar na Suécia com Arne Müntzing, geneticista e professor de hereditariedade.

Ainda em 1976 ele estudou bebes com 12 semanas, que dificilmente poderiam ter sido influenciados pelos papéis de gênero (en: ‘gender roles’), e observou diferenças essenciais no comportamento dos meninos e das meninas. Müntzing escreveu:

Os rapazes ganham muito cedo um melhor entendimento da espacialidade, a posição dos corpos em relação aos outros. Esta é provavelmente a razão que leva a que, mais tarde, os rapazes se interessem mais que as moças em construções técnicas e problemas matemáticos. 
As mulheres, por outro lado, buscam os problemas segundo um ângulo humano. Não é só o meio ambiente que leva a que as meninas coloquem os soldados de chumbo numa cama de algodão de modo a que eles estejam confortáveis e bem aquecidos4.

No ano de 1999 a estudante de doutoramento Anna Servin - Instituto de Psicologia da Universidade de Uppsala - levou a cabo um estudo em 300 crianças. Este projeto foi feito em cooperação com pesquisadores e médicos do Hospital Huddinge Hospital. Servin detectou claras diferenças comportamentais presentes já aos 9 meses, diferenças essas que, posteriormente, aumentaram com o passar do tempo.

Ela escreveu na sua tese que é a quantidade de andrógenos (hormônios masculinos) que determina o comportamento da criança, incluindo coisas como o tipo de brinquedos com os quais a criança quer brincar5.

Esta é a forma como Anna Servin sumarizou as diferenças comportamentais entre os rapazes e as mulheres e a forma como estas características influenciam a escolha de brinquedos:

De modo geral, os rapazes possuem uma aptidão espacial; eles vêem e entendem como os vários tipos de construção funcionam e ficam mais satisfeitos com brinquedos de construção. As meninas são melhor equipadas verbalmente e possuem um interesse maior nos relacionamentos. Como tal, escolhem brinquedos que estão de acordo com estas habilidades. 

[continua...]

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Notas:
  1. ‘The Essential Difference: The Truth about the Male and Female Brain’, Simon Baron-Cohen, 2003
  2. Article ‘Omöjlig kamp för att uppnå likhet mellan könen’, DN.se op-ed page (available online, date n/a)
  3. Article ‘His Brain, Her Brain’, Scientific American, May 2005
  4. ‘Varför är vi olika? kvinna and man, svart and vit, kropp and själ’, Arne Müntzing, 1976
  5. Article ‘Hormoner styr hur barn leker’, Aftonbladet. Available online, date n/a.
Fonte: aqui (em inglês).

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