domingo, 19 de agosto de 2012

[Tst] Pablo: "Sou um afortunado"

Apresentamos nesta postagem o testemunho de Pablo, publicado pelo site "Religion en libertad". Esperamos que o seu testemunho ofereça ânimo e coragem aos nossos irmãos e irmãs. 


Este relato de Pablo é o itinerário do "longo e doloroso" processo que o levou a recuperar-se "das feridas da experiência gay". Pablo, se o tivesse sabido, "nunca teria escolhido este caminho de espinhos", mas, reconhece, "sou fruto de minha biografia e do amor de Deus por mim".

Pablo, entretanto, não dá as costas a seu futuro, à esperança que preenche sua vida na atualidade, depois de um caminho de conversão que foi amadurecendo com o tempo e se viu reforçado pela ajuda de especialistas.

"Sou um afortunado"

Queixoso, Pablo reconhece que "se quando adolescente tivesse ajuda oportuna (de meus pais, educadores, amigos, profissionais) teria evitado uma história de sofrimento e degradação e teria superado a tudo em pouco tempo e com facilidade".


Assegura, entretanto, "que não foi meu caso e vejo que apesar disto sou um afortunado, pois a maioria das pessoas com tendência homossexual, sem esta ajuda, estão condenadas a viver uma vida de estilo insano que não respeita a pessoa".

"O pai como modelo"

Durante sua infância, Pablo "tinha muita empatia com as meninas", enquanto não se sentia totalmente integrado no mundo masculino, sem nunca chegar a ser um menino com usos ou trejeitos afeminados, de modo que "não sofri exclusões por parte de ninguém", diz. Sem embargo, assume que "faltou-me um impulso externo que me tirasse do mundo feminino e me introduzisse no masculino. Meu pai, doente e de caráter reservado, não foi um modelo que aceitasse como digno de imitar, nem me apoiava em meus projetos ou em meu dia-a-dia".

"Vida dupla"

Em que pese estas circunstâncias, que identifica como raiz das carências afetivas que desembocaram no comportamento homossexual, Pablo teve algumas namoradas além de algum contato homossexual em sua primeira juventude, ainda que não mantivesse relações sexuais com elas. Deste modo, assegura, "levava duas vidas: uma onde honradamente tentava manter uma relação séria, e outra, na qual tentava curar minhas feridas afetivas, de identificação, através do contato com homens". E acrescenta: "em cada encontro, fosse por encontrar-me com homens mais experimentados do que eu, fosse por minha curiosidade, ia um passo mais adiante nas experiências que adquiria". Pablo já havia entrado em uma espiral da qual lhe custaria muito sair.

"Deus à sua medida"

Apesar de tudo, "tentei compaginar minhas crenças religiosas com minha situação e até estive em associações gay que se autodenominavam cristãs", assegura Pablo. "Fiquei pouco: à queixa contínua contra a sociedade por supostas discriminações e homofobias contra o setor gay, se unia a rebelião contra a Igreja. (...) Do ódio à Igreja se passava automaticamente a uma desfiguração de Deus, que acabava por se tornar um ser à nossa medida". 

"Madre Teresa e João Paulo II"

Nesta situação, freqüentou a missa durante 15 anos "por costume" mas "afastado dos sacramentos". A "profunda admiração" pelas figuras da Beata Teresa de Calcutá e do Beato João Paulo II, fizeram com que não rompesse radicalmente com sua fé: "Ainda que para os gays fosse este o inimigo número um, via em ambos uma coerência em palavras e obras que me produzia um grande respeito".

"Saunas, bares, parques, banheiros: insaciável"

Mas, reconhece, "como quem não atua como pensa acaba pensando como atua, fui-me metendo mais e mais no mundo gay". Assim primeiramente freqüentou "saunas - pelo anonimato-; mais tarde passei por bares, parques, banheiros de shoppings, discotecas, quartos escuros...". Em todo este percurso ia experimentando novas coisas, mas algo não funcionava: "Nunca estava satisfeito".

Ainda mais, assegura: "Era um círculo vicioso, necessitava mais: identificar-me com um homem, conhecer o homem dos meus sonhos; ao mesmo tempo esta relação nunca poderia existir, pois é um pensamento absolutamente neurótico. Não podia buscar fora de mim o que estava dentro de mim: minha masculinidade. Nunca ninguém jamais poderia me saciar". 

"Perguntas"

O vertiginoso mundo ausente de afetos, valha o paradoxo, enchia a Pablo de vazio e insatisfação. Nessa circunstância "é muito fácil deixar-se levar e não fazer perguntas. Mas em meu caso começaram a golpear-me. E foi essa minha salvação". Sua salvação, e o começo de um processo que reconhece como "duríssimo" mas que "não trocaria por nada neste mundo".

Algumas das perguntas que se lhe acumulavam eram: "Por que não há sinceridade no submundo gay? Por que um parceiro não sacia? Por que as pessoas arriscam sua saúde por nada? Por que esta contínua amargura, este sarcasmo, esta intolerância? Por que, se você conversa e passa bem num bar, não volta a ver a pessoa, ainda que ela te dê o telefone? E por que tampouco te parece satisfatório o sexo depois da conversa? Por que esta superficialidade e esta hipocrisia?"

Por cima destas perguntas, Pablo também observava "que este não era apenas o meu caso: era e é o caso de todos os gays que conheci e que conheço. De todos. Não poderia ser casualidade que todas estas vidas fossem uma só vida com pequenas variações. Havia algo que não me quadrava".

"Sem fórmulas mágicas"

Pablo ainda se pergunta mas a resposta pode estar no ditado "andar de bicicleta nunca se desaprende". Apesar de que "minha relação com Deus estava rompida", Pablo decidiu tomar parte de um grupo na paróquia. Ali, recorda, "encontrei pessoas que me escutavam e rezavam por mim". E as contradições, como as perguntas, se amontoavam. Por um lado, "não podia deixar a vida gay" e "a coisa ia além: estimulantes, sexo em grupo...". Por outro lado, "via que "isto" não era o que eu queria".

A isto se somava certa incompreensão, inclusive de gente de bem, que "não compreende o fato homossexual" e a quem o desconhecido produz rechaço. "Este foi um ponto de luta importante", recorda Pablo: "Dar a entender aos demais que ninguém tinha que dar-me fórmulas mágicas (as mulheres) nem desconfiar (os homens). O que realmente podiam fazer por mim era estar ali, comigo, rezar muito por mim", explica. 

"Perdoar e perdoar-se, ajuda"

Aquele distanciamento afetivo de seu pai, referido no início deste testemunho era mais importante do que podia ter suspeitado; "Estivera emocionalmente ausente de minha vida e eu o havia julgado e rechaçado" como modelo, recorda Pablo. Mas um amigo recomendou-lhe que falasse com ele e lhe pedisse perdão. "Pedir perdão eu a ele? Se deveria ser ao contrário!" espetou Pablo a seu conselheiro, ainda que admite que tinha razão. "Não tinha nenhum direito de construir meu pai à minha medida, de exigir-lhe que fosse diferente, como eu o desejava, como havia necessitado", assegura, ao mesmo tempo que explica com alegria que sua relação evoluiu da indiferença ao fato de "que hoje seja meu pai, a pessoa mais importante em minha vida".

[Sobre perdão, leia mais aqui]



"Senti a Deus como Pai"

Este distanciamento de seu pai, está na base de toda a experiência vital de Pablo, e ele o expressa com total clareza: "O rechaço a meu pai da terra teve uma conseqüência imediata: o rechaço ao Pai, a Deus-Pai. Um dia, farto de tudo, meti-me no primeiro lugar gay que encontrei. Não o conhecia e era um local de sadomasoquismo. Depois de ver o que havia, sai quase vomitando. Pouco antes de chegar em casa, chorando e cheio de asco, enfrentei-me por desespero com Deus. E foi ali, no meio da rua e da noite, a primeira vez em minha vida que senti a Deus como Pai. Foi algo que me surpreendeu".

"Sanar como homem"

Esta experiência foi definitiva. Tal como a revelação a Saulo de Tarso no caminho de Damasco. O mesmo que adotou o nome de Paulo (Pablo) e estendeu a fé em Cristo até a morte. 

Nosso Pablo, que explica que "não era nem é meu objetivo sair da homossexualidade para entrar em uma heterossexualidade ferida, senão sanar como homem em todas as facetas da minha pessoa: corpo, mente e espírito", começou a ler título como "Homossexualidade e esperança", "Compreender e sanear a homossexualidade". "Quero deixar de ser homossexual: casos reais de terapia reparadora" e "Como prevenir a homossexualidade dos filhos e a confusão de gênero". Além disso, começou a trabalhar "a fundo, e me estão ajudando muitíssimo, cada dia mais" nas webs Es posible la esperanza, NARTH e Courage Latino.

Sem embargo, este desejo de "sanar como homem" não é trabalho de um dia. "Minha vida estava tão enraizada nas práticas homossexuais, que me era muito difícil, tão difícil que me custou três anos de análise e trabalho de minhas feridas, de chorar, de gritar pedindo ajuda, de às vezes desesperar-me e querer jogar a toalha". Mas este trabalho, foi tão "exaustivo" como "imprescindível" para ajudar a Pablo "não só conhecer-me a mim, senão conhecer, compreender e amar os demais". 

A última oportunidade

Como a tarefa titânica não só se tratava de reorganizar seu interior, seus afetos e seus desejos, senão de aprender de novo a ter uma vida social em um contexto afastado do que Pablo define reiteradamente como o submundo gay. Além disso, e pese o reconhecido benefício destas leituras e páginas de Internet, Pablo de defrontava com uma avalanche de informação que era incapaz de processar. "Fui caindo na autodestruição psíquica e física" e pensava: "Deus não me quer. Sim que me quer mas eu não Lhe correspondo, não O quero. Não mereço Seu amor". Era, assegura, "um processo lógico dentro de meu estado".

Nesta situação quase insustentável, um amigo recomendou-lhe buscar um profissional especialista em terapia reparadora "e que apostasse minha vida em duas cartas: em Deus e neste psicólogo". "Deu-me um medo atroz", reconhece, "Mas não me restava outra alternativa! Era uma luta de vida ou morte, quiçá minha última oportunidade. Rezei e decidi fazê-lo". 

"Ser o capitão de meu barco"

Pablo tem um objetivo desde que começou a terapia: "Ser feliz, ser o patrão de meu barco, não ir a deriva de meus impulsos e minhas feridas" e sua castidade atual é fruto disto. Reorganizou sua vida, desde as coisas mais básicas como respeitar as horas necessárias de sono. "Há apenas seis meses, vejo que estou redescobrindo-me como pessoa, em meus aspectos positivos e negativos. Mas ambos os aspectos formam parte do meu ser: este sou eu. Estou aprendendo a amar-me como Deus me ama: como sou", assegura Pablo.

"Castidade gozosa"

Assim, Pablo mira o futuro com grande esperança: "Tenho um mundo novo perante meus olhos. E como resultado de tudo isso estou vivendo uma castidade gozosa, positiva, afirmativa". "A atração pelos homens reduziu-se até quase desaparecer", assegura Pablo, que conclui: "Todo este processo longo, doloroso, valeu a pena". Isto, embora "se soubesse ao princípio, jamais teria escolhido este caminho de espinhos". Mas não renega a si mesmo: "Sou o fruto de minha biografia e do amor de Deus por mim, de sua misericórdia infinita". 

Quatro lições

De toda sua experiência, Pablo extrai quatro lições muito significativas:

"Sair de nós mesmos, deixar para trás nosso egoísmo, nosso narcisismo, é algo que pode nos fazer muito bem".

"A homossexualidade é uma das conseqüências de feridas afetivas concretas; outra pessoa com as mesmas feridas pode não sofrer conseqüências ou estas serão de outro tipo."

"As feridas afetivas não são um terreno fechado de ninguém. Sou um privilegiado por podê-las ter visto e ter podido fazer algo com elas, ao invés de pensar que "isto" é o máximo que a vida preparou para mim".

"Ás vezes necessitamos mestres e guias que nos ensinem a amar e perdoar".

E uma conclusão

Diz Pablo: "Se eu superei isto, qualquer um pode fazê-lo. Qualquer um que o queira de verdade, que busque os meios, que confie em Deus e que se deixe ajudar. Está em tuas mãos tua felicidade: não a deixes escapar!" E preste sua ajuda, para os que quiserem tomar a mão que ofereces, através deste correio eletrônico: un.testimonio@hotmail.com

Fonte: aqui

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