terça-feira, 25 de setembro de 2012

[FH] Encarando a sociedade: a armadilha do "sair do armário" [I]

Publicamos aqui a série  Encarando a sociedade. Ela foi preparada pelo Apostolado Coragem (Courage) e  será dividida em quatro postagens. Nesta primeira fase tratará do tema:  Sair do Armário  e suas implicações. Já publicamos outra postagem sobre o assunto aqui.


Que o vosso amor não seja fingido. (Rm 12,9)

Um momento difícil

O que você diz quando um amigo ou membro da família, ou alguém próximo, chega para você e declara a sua homossexualidade? Ou talvez seja alguém não tão próximo, um colega de trabalho ou um colega qualquer. Ainda assim, o que você diria?

E o que dizer a outros, de que você teria desejos pelo mesmo sexo e eles decidissem que você deve “sair do armário?” O que você diria a essas pessoas? Você deveria mesmo sair do armário?

Quando a célebre apresentadora de TV americana Ellen DeGeneres “saiu do armário” na rede ABC, em 1997, a América foi ensinada a responder: “Relaxe, celebre e acima de tudo aceite”. Mas as pessoas de fé podem ter uma reação muito diferente quando alguém com que se preocupam “sai do armário”.

Relaxar...?! Quando a melhor pesquisa diz que metade de todos os homens gays e ativos serão infectados com o vírus da AIDS? Comemorar...?! Quando as alegrias da procriação estão sendo colocadas de lado? Aceitar...?! Quando a tradição católica diz que a atividade homogenital é moralmente errada?

Uma Armadilha

O ato de “sair do armário”  não é o simples momento de abertura que a comunidade gay anuncia que seja. É uma armadilha perigosa que coloca ambas as pessoas envolvidas e seus relacionamentos em risco, pois:

a) A pessoa que sai está selando a si mesmo em uma vida que às vezes é viciante, muitas vezes letal, e sempre muito difícil, e;

b) As pessoas que recebem esta notícia são normalmente chamadas a escolher entre seu amigo e seus próprios valores.

O objetivo deste artigo é ajudá-lo a recusar esse terrível  “ou/ou” e oferecer uma resposta que é ao mesmo tempo amorosa e fiel, sábias e leais. A premissa desta postagem é que nessa crescente sociedade anticristã e secular, a maioria das pessoas pode esperar que mais cedo ou mais tarde, vão lidar com uma situação de  “sair do armário” com alguma pessoa em sua vida. A abordagem desta postagem é equipá-lo para praticar o amor em resposta à pessoa que está saindo ou exigindo a sua vinda para fora e, assim fazendo presente sinceridade da sabedoria da tradição cristã.

Literatura “Saindo do Armário”

Muito tem sido escrito sobre este tema. O movimento pró-gay, de fato, prepara os jovens muito bem para esta etapa de sair, pois este é um momento chave. É um rito de passagem para um grande, entusiasmado, e aparentemente atraente movimento, e isso é como alguém se junta àquela comunidade e a esse movimento.

Basta uma visita à maior livraria de Boston sobre gays e lésbicas e você irá ver que a parte mais proeminente é dedicada a livros sobre o  “sair”[1]. Há livros de testemunho, instrução, história e até mesmo uma forma dissidente da teologia[2], todos de treinamento e incentivo para as pessoas (especialmente os jovens) com sentimentos homossexuais. A mensagem é: acreditar na bondade, especialmente na permanência dos sentimentos, e também declarar-se  “gay”  ou  “lésbica”  para as pessoas importantes.

Duas opções polarizadas e negativas

Todos os escritores treinam a pessoa que está saindo para ouvir apenas duas respostas possíveis: Rejeição total ou endosso total.

A mentalidade é apaixonadamente em preto e branco, altamente carregada e muito difícil de responder. Aqui estão duas histórias reais sobre o impacto imediato e de longo prazo, de um  “encontro de sair do armário” [3] em dois jovens adultos não homossexuais, que mais tarde tornaram-se ativos num ministério da igreja.

Encontros que altera valores

– Uma recém-formada de uma excelente faculdade católica que trabalhou com adolescentes em sua paróquia não estava disposta a apresentá-los com o ensinamento da Igreja sobre a homossexualidade e o chamado para a castidade. Ela era uma jovem trabalhadora de uma maneira muito boa e gentil, mas ela foi retida por seu sentimento de lealdade para com um amigo gay da faculdade com quem tinha estado perto durante o tempo em que ele havia  “saído”  em sua comunidade do campus.

– O bem estabelecido administrador de um ministério de jovens ficou bastante interessada no testemunho de pessoas que haviam sido ativamente homossexuais, mas tinham terminado a jornada de encontrar sua heterossexualidade. Ele acreditava na autenticidade desses testemunhos, mas não repassava essa informação para outros jovens ministros. Ele temia que ele pudesse ofender um bom amigo que tinha  saído   com ele alguns anos antes.

Ambos estes jovens ministros retiveram uma mensagem vital da verdade e da bondade daqueles a quem eles foram responsáveis, ​​por causa de seu medo de ofender seus amigos.

 [continua...] 



[1]  Aqui no Brasil não existe uma livraria dedicada aos gays e lésbicas, mas existe, infelizmente, farta literatura sobre o assunto, especialmente as editadas por uma editora paulistana que se advoga ser especializada no assunto.

[2]  No Brasil, essa parte da teologia dissidente do verdadeiro ensino católico sobre a homossexualidade é representado por dois grupos, presentes em São Paulo e no Rio de Janeiro, e tem respaldo de nomes representativos da Teologia da Libertação como o jesuíta Pe. Luis Correa de Lima, o dominicano Frei Betto, pelo teólogo João Batista Libânio, pelo ex-jesuíta inglês James Alisson e pelo ex-frei franciscano Leonardo Boff.

[3] No Brasil, existem na cidade de São Paulo e no Rio de Janeiro, “grupos de ajuda” que fazem este triste trabalho de ajudar as pessoas com tendências homoafetivas a “sair do armário”. 

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