domingo, 9 de setembro de 2012

[Tst] Testemunho de Rimont - Terceira Parte

Concluímos aqui o testemunho do nosso irmão Rimont. As partes anteriores podem ser encontradas aqui e aqui.

"Não pretendo dizer que já alcancei a meta e que cheguei à perfeição. Não. Mas eu me empenho em conquistá-la, uma vez que também eu fui conquistado por Jesus Cristo".
(Fl III, 12)


Recebendo os sacramentos


A Santa Igreja nos ensina que os sacramentos são necessários à salvação. Nosso Senhor mesmo disse a Nicodemos: "Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus" (Jo III,6). Disse ainda aos discípulos: "Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem, e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos" (Jo VI, 53). 

Como tinha me convertido, comecei a catequese o quanto antes, preparando-me para receber os Santos Sacramentos. Aos 15 anos fiz minha primeira confissão. Ali desnudei a minha alma diante de Deus e recebi o perdão dos pecados pelas mãos do sacerdote, assim como ordenou Jesus aos apóstolos: "A quem perdoardes os pecados, eles serão perdoados" (Jo XX, 23). Pouco tempo depois, fiz minha confirmação e, dentre todos os dons do Espírito Santo, pedi especialmente o da sabedoria.

Com o passar dos anos, adquiri uma vivência que me permite dizer com segurança que eu não teria uma caminhada sem os Santos Sacramentos, especialmente os da Eucaristia e da Reconciliação. Como disse São Felipe Néri, não é possível viver a castidade sem a Eucaristia, pois este pão celeste, que é Carne e Sangue do Senhor, é aquele que nos nutre com Sua Pureza para que vivamos puramente.

Quanto à Reconciliação, é preciso dizer muito. Enquanto eu não soube olhar com sinceridade para dentro de mim, não me dei conta do quanto sou mal em minhas intenções. O mesmo digo sobre meu passado. Apesar de pequenas ou triviais aos olhos do mundo, minhas faltas revelaram-se o que são: ofensas ao amor de Deus. Por meus pecados, mereço o inferno. Duro dizer, mas é verdade. Mas aqui também aparece a Misericórdia de Deus: mesmo sendo justo que eu pague por minhas ofensas, Ele me oferece o perdão. Todavia, eu, por mim mesmo, nada tenho a oferecer que pague minha imensa dívida. Como pagaria? Acontece que Ele mesmo se ofereceu em sacrifício. Diante desse ato extremo de amor, como poderia não odiar o pecado com todas as minhas forças?


A ajuda psicológica e a relação com meu pai


A conversa com meus pais gerou muitos frutos. Um deles foi me ajudar a buscar apoio psicológico. Mas, ao contrário do que possam pensar meus leitores, minha maior preocupação não era superar as atrações pelo mesmo sexo. Na verdade, busquei ajuda para trabalhar minha relação com meu pai.

Deus me concedeu a graça de encontrar uma psicóloga de fé católica. Isso me favoreceu muitíssimo, pois, além de reconhecer a importância da religião na vida humana, ela não tentava me dissuadir a viver a castidade, nem me instigava a "me assumir". Assim, nos encontros com ela, conversava sobre minha relação com meu pai e sobre a imagem que eu fazia dos homens em geral.

Os modelos masculinos: a devoção a São José


A minha infância e minha adolescência foram vividas sob o lema: "Não quero ser homem". Porém, com o apoio psicológico que recebi, discerni que, no fundo, o lema deveria ter sido: "Não quero ser aqueles tipos de homem". Eu busquei bons modelos de masculinidade e não os encontrei. Mas, agora, eu tinha a oportunidade de mudar isso.

Revendo minha relação com meu pai, pude começar a vê-lo por suas qualidades. Porém, isso não era mais o bastante. Precisava de ideais mais elevados. Certamente, Nosso Senhor é o modelo por excelência, já que é verdadeiro Deus e verdadeiro homem. Mas, eu buscava alguém que, tendo nascido no estado de pecado como eu, viveu, contudo, santamente. Foi aí que conheci São José.

São José foi um homem justo, humilde, trabalhador, casto e misericordioso. Ele viveu sua virilidade dentro da paternidade e da esponsalidade, protegendo sua família e provendo-a de tudo o que necessitava. Por ele entendi que posso ser masculino sem ser bruto ou fraco, e que qualquer homem alcança a maturidade quando é pai e é esposo. Semelhantemente as mulheres, quando mães e esposas. Senão segundo a carne, ao menos espiritualmente.

O Apostolado Coragem


Depois de algum tempo fazendo terapia e já constatando progressos em mim, ocorreu-me a dúvida se havia na Igreja algum serviço voltado para pessoas com tendências homossexuais. Foi, então, quando tomei a iniciativa de procurar sobre isso nas redes virtuais. Digitei algumas palavras-chave e apareceu de entre os primeiros resultados a página virtual do Apostolado Coragem. Que momento feliz foi esse! De fato havia alguém na Igreja preocupado em ajudar pessoas com sofrimentos semelhantes aos meus. Explorando os textos e outros conteúdos dali obtive confirmação de que aquele apostolado era exatamente o que eu precisava. Busca pela santidade! Amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a nós mesmos! Obediência aos ensinamentos da Igreja! Tão logo terminei de ler o que havia naquela página virtual, anotei o endereço eletrônico do diretório central e escrevi uma mensagem. Confesso que, devido a experiências anteriores, não confiava totalmente que eu teria resposta. Mas, valia arriscar.

Esperei alguns dias e recebi com alegre surpresa uma resposta do Pe. Buenaventura. Ele apresentou-se e muito gentilmente me explicou que ele era o responsável pelo apostolado na América Latina, que o diretório central havia lhe encaminhado minha mensagem e que, infelizmente,  não havia brasileiros trabalhando no apostolado até aquele momento. Foi quando Pe. Buenaventura me convidou para começar, traduzindo os e-mails que ele recebia em português. Do trabalho de tradução se seguiu divulgação em redes sociais, depois listas de discussão, o blog "Juventude Coragem" e, atualmente, graças ao Bom Deus e aos amigos que abraçaram a missão, as células em São Paulo.

De 2009 até agora, houve muita espera e vários acontecimentos. Narrar tudo tomaria linhas em demasia. Porém em tudo devo destacar a Providência de Deus e a intercessão da Santíssima Virgem, que cuidaram de nada faltar e de tudo acontecer ordenadamente, cada evento preparando o outro, de modo que, hoje, olhando para o passado, fico admirado com progresso lento, porém consistente do nosso trabalho no Brasil.


A Santíssima Virgem 

Após conhecer o Apostolado Coragem e ter me decidido a ajudar meus irmãos e irmãs a combater suas tendências homossexuais, passei a me dedicar ao estudo e à meditação da fé, bem como a perseverar, em vista de melhor cumprir o propósito que fiz. Durante esse caminho de mergulho nas águas mais profundas e busca das coisas do alto, conheci a devoção à Santíssima Virgem.

Porque eu vivi inconstante, ora em estado de graça, ora em pecado, ora cheio de ânimo, ora desanimado, conheci por amigos mais profundamente a devoção à Santa Maria, Mãe de Deus. Rezar o Santo Terço e invocá-la constantemente mostraram-se remédio e força para mim, aniquilando a intensidade das tentações e ajudando-me a seguir em frente, mesmo experimentando a secura espiritual. Também tive a graça de me consagrar à Santíssima Virgem pelo método de São Luiz Montfort. É verdade o que dizem: quanto mais amamos Maria, muito mais amamos a Deus.


O futuro


O tempo de perseverança deu-me até agora subsídio para decidir viver como celibatário. Sei que muitos com tendências homossexuais sofrem porque não sabem o que responder quando lhes perguntam se namoram, se pretendem casar-se. É muita pressão e eu entendo isso bem. Mas, contra as expectativas deste mundo, encontrei grande satisfação e paz quando decidi viver solteiro, guardando total castidade e dedicando-me ai serviço da Igreja. Muitos homens e mulheres descobrem a mesma alegria com essa decisão, dentro do Apostolado Coragem, e abraçam como eu o celibato leigo.

A vida celibatária é solitária, como todos imaginam. Vemos nossos amigos e familiares formando suas famílias, enquanto nós nos dedicamos a cuidar das coisas do Senhor. Falta-nos a companhia do calor humano no leito, mas sobra-nos o fogo da caridade na alma. Não que os casados não amem como Cristo, não que os celibatários não recebam dos outros o afeto humano. Trata-se, como diz São Paulo, de duas missões distintas. O casado ocupa-se com sua família em primeiro lugar, e é justo e querido por Deus que seja assim. Mas o celibatário, longe de viver uma vida sozinha e egoísta (para si mesmo e para o que só lhe interessa), dedica-se ao amor a Deus e ao próximo, com maior tempo disponível para atender a Igreja nas suas necessidades.

Tenho em mente para meu futuro alcançar a plena maturidade e, se Deus o quiser, superar as atrações pelo mesmo sexo. Para tanto, viverei a esponsalidade com Deus e a Sua Igreja. Ele todo meu, eu todo dele, dentro de uma aliança de amor para toda eternidade. E por esse amor, também serei pai. Terei muitos filhos espirituais e eu os amarei como o Bom Pai do Céu me ama. Por esse amor, viverei feliz, mesmo na dor e no sofrimento. Pois o amor de Jesus salva-me, santifica-me, enriquece-me. O amor de Deus me lança fora de mim mesmo para encontrar Cristo no outro. Por isso, não temo a solidão, mesmo que me bata a porta. Deus está comigo e isso me bastará.

Assim, depois de narrar em três partes um pouco da minha história, encerro estas linhas lembrando meu leitor da prece que minha querida mãe fez, quando eu ainda era gerado no seu ventre: "Que seja um servo de Deus". Amém. Veja você o que estas simples palavras fizeram na minha vida. Não digo isso para que você me inveje, nem para que se desespere. Não quero nada dessas coisas para você. Pelo contrário, quero que você veja que não é preciso muito para começar uma história nova, com Deus. Para mim, começou com as palavras da minha mãe. Para você, pode começar agora; basta uma sincera entrega de si. "Que eu seja vosso servo, ó Senhor!". Com um sim de Maria, a salvação entrou no mundo. Semelhantemente, pelo seu sim - de você, caro leitor -, a salvação entrará na sua vida.

Coragem! Jesus, Nosso Senhor, venceu o mundo!

8 comentários:

  1. Fiquei muitíssimo feliz ao ler esses testemunhos e ver como nosso Deus é bom e misericordioso....Hoje tive a felicidade de conhecer a apostolado coragem e fiquei muito feliz por isso...Havia desistido de lutar contra AMS e estava desanimado e entregue.mas agora sei que muitos que estão nessa batalha e quero me unir para combater tambem! Peço suas suas orações.Vamos lutar irmãos! e que seja tudo para glória de Deus! Que a Santíssima Virgem nos ajude e abençoe.

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    1. Caro irmão,

      A paz de Cristo!

      Gostaríamos de contata-lo para ajudá-lo no que for preciso.

      Para nos contatar, escreva: contato@couragebrasil.com

      Abraços!

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  2. Muito triste seu depoimento e real com pespectivas de solidao e a proposta de Jesus de nosda vida e vida em abundancia onde fica?e muito pouco so servir sem compensacoes terrenas,todos queremos amar e ser amado.Teu Deus pode mudar a Historia da tua vida,peca com fe que alcancaras.

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    1. Caríssimo, a paz de Cristo.

      Recebo com afeto seu comentário. Entendo que, para muitos, a solidão e as poucas compensações terrenas sejam razões de desistímulo, ou razões para crer que a castidade não é o caminho correto. Mas não é assim. Quando Nosso Senhor fala em vida em abundância, Ele não nos fala de riqueza, saúde e prosperidade terrena, mas nos fala dos bens lá do alto, que a traça não consome e os ladrões não roubam. Tanto que Ele mesmo nos adverte: "Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e sua justiça". Jesus nos fala da vida eterna, que não se limita à vida que temos neste mundo, e Ele nos fala sobre Ele fazer Sua morada em nós e nós vivermos em amizade com Ele. Ao mesmo tempo que nos fala da vida em abundância, Nosso Senhor nos fala sobre renúncia. "Aquele que quiser me seguir, renuncie a si mesmo, tome sua cruz e me siga", e Ele nos explica o porquê: "Aquele que quiser salvar a sua vida, perde-la-á. Mas aquele que perder sua vida por causa de mim, encontra-la-á". Ou seja, não é proposta de Deus e não é da lógica cristã que nós esperemos compensações terrenas, ou grande número de consolações no mundo. Este mundo passa e tudo o que ele tem a nos oferecer é vaidade e palha que se desfaz ao vento, inclusive as paixões humanas. Isso parece triste para aqueles que buscam satisfazer seu coração no mundo, com as coisas do mundo. Mas isso não é triste para aqueles que buscam satisfazer seu coração em Deus. Pois a fé, a esperança e a caridade são bens imperecíveis e Deus é o maior de todos os bens. E Jesus, na oração e na Santíssima Eucaristia, dá-nos a si mesmo, Ele que é a água viva que sacia toda a sede, e o pão descido do Céu que sacia toda a fome. Isso é que vem em primeiro lugar. Mas, Nosso Senhor nos dá mais ainda do que isso, tanto que, humanamente, não deveríamos ter razão para lamentar. Não somos sozinhos, amamos e somos amados, pois, primeiro, temos a Deus - que nos ama infinitamente -, a Santíssima Virgem, nosso anjo da guarda e todos os santos, como a nossos amigos bem presentes. Segundo, temos família, um pai e uma mãe amorosos, irmãos ou irmãs, e temos amigos no trabalho e na Igreja, e alguns deles carregam a mesma cruz que nós carregamos. No apostolado Coragem, nós nos amamos com amor fraterno uns aos outros e nos ajudamos mutuamente. A alegria que encontramos não pode ser entendida fora da lógica de São Francisco de Assis: "Pois é dando que se recebe". Assim, espero esclarecer que, apesar dos desafios e dos dias difíceis - que qualquer pessoa tem (casada ou solteira, heterossexual ou não) -, temos tudo quando temos a Deus e, como diz Santa Teresa de Ávila, "Deus por si só basta". E esclarecer que, mesmo quando o temos, Ele pode nos enriquecer ainda mais, dando-nos consolações e bens terrenos, mas isso é na medida em que Ele quiser. Se mais, se menos, não importam os bens terrenos, nós devemos querer sobretudo Deus e o Céu. E isso basta.

      Um abraço fraterno, Rimont.

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  3. Seu testemunho me edificou muito irmão,e me incentivou a voltar a buscar a santidade. Deus te abençoe e a todos do apostolado. Que a Santíssima Virgem nos ajude a dizer sim a Deus sempre.

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  4. Só Deus basta. De fato, a gente acha que a nossa história é a mais difícil e complexa do mundo até partilhar com alguém que vive o mesmo. Te vejo como um cirineu a tantos jovens. Obrigado pelo seu sim, pelo seu testemumho. Só Deus Basta !

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  5. Simples e incrivel, amei seus testemunhos tão verdade sobre todos nós ou pelo menos acredito que muita semelhança com vários. Otimo seria se todos pais também lessem este testemunho para compreender como coisas tão pequenas criam obstáculos tão grandes entre nós e Deus e orientassem melhor seus filhos. Muito obrigado pela sua coragem de encarar este projeto que aqueceu minha alma novamente.

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  6. Simples e incrivel, amei seus testemunhos tão verdade sobre todos nós ou pelo menos acredito que muita semelhança com vários. Otimo seria se todos pais também lessem este testemunho para compreender como coisas tão pequenas criam obstáculos tão grandes entre nós e Deus e orientassem melhor seus filhos. Muito obrigado pela sua coragem de encarar este projeto que aqueceu minha alma novamente.

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