terça-feira, 27 de novembro de 2012

[FH] Homossexualidade feminina: Origens [I]



INFLUÊNCIAS PARENTAIS 

A situação da moça que acaba por sentir uma atração homossexual por outras mulheres é, sob vários aspectos, simétrica da do rapaz, embora a comparação não seja absoluta, pois a variedade dos fatores preparatórios é maior que no homem.

Quando eram crianças, muitas mulheres com inclinações lésbicas tiveram a sensação de não serem compreendidas pela mãe. Esta sensação de distância da mãe apresenta muitas facetas. Um exemplo significativo é o de uma mulher que me dizia: “A minha mãe fez tudo por mim, mas era muito difícil conseguir falar com ela das minhas coisas pessoais e do meu mundo afetivo”. Outras queixas: “A minha mãe nunca tinha tempo para mim”, “A minha mãe dava-se muito mais com a minha irmã do que comigo”; “Ela tratava de todas as coisas por mim e fez com que eu ficasse uma criancinha pequena”; “Ela estava muitas vezes  doente”; “Esteve internada várias vezes em um hospital psiquiátrico”; “Abandonou a família quando eu ainda era pequena”; etc.

Às vezes a moça teve de assumir o papel materno relativamente ao resto da família, por ser a irmã mais velha ou teve de fazer papel de mãe por esta não exercer a função como devia. Empurrada para esta situação, a moça sentiu-se, ela própria, privada do calor de uma mãe que a compreendesse.

Também há casos em que a mãe se sentiu inibida como mulher, ou não à vontade no seu papel feminino, inspirando à filha uma atitude crítica contra aquilo que entendia por papel feminino, transferindo essa imagem à filha, de modo que a moça alimentou uma atitude de rejeição contra a sua própria natureza feminina.

Algumas mulheres lésbicas tinham a impressão de que a sua mãe teria preferido um filho rapaz em vez delas e, portanto, sentiram-se levadas a imitar comportamentos e proezas de rapaz, em lugar dos que seriam próprios de uma moça.

É a mãe que contribui em primeiro lugar para a confiança de uma moça em si própria como mulher. Quando a mãe consegue que a sua filha se sinta apreciada como mulher, a moça sente-se à vontade no mundo feminino e entre as companheiras da sua idade. Nas mulheres com orientação homossexual, muito freqüentemente, o relacionamento com a mãe não era pessoal e confidencial; não havia partilha de interesses femininos, nenhuma atividade de caráter feminino realizada em conjunto. Em conseqüência, a moça não se sentiu devidamente apreciada como uma moça: quer dizer, diferente de um rapaz, mas tão digna de apreço como ele.

O modelo das relações pai-filha também parece assumir um número considerável de variantes. Algumas mulheres com tendências lésbicas estavam excessivamente apegadas ao pai como o “amigo especial”. Às vezes esta dependência era uma espécie de escravidão, pois o pai queria-as numa função específica, de modo que a relação não era natural e livre de coação. Em alguns casos o pai teria preferido que a filha fosse um filho, um camarada, e estimulava  nela certas atitudes, interesses, atividades de tipo masculino, dando uma importância desproporcionada, por exemplo, aos seus resultados profissionais na escola ou às suas classificações desportivas ou ao desempenho de papéis sociais importantes. Compreensivelmente, a moça sentia-se incompreendida no seu íntimo e não aceite de forma realista como a pessoa que de fato era.

Em outros casos, o pai via na filha o apoio e o conforto de uma figura materna, tinha o costume de gabá-la e colocava-a numa situação privilegiada, mas, na realidade, fazia isto para comprar a sua dedicação. Também houve registros de casos de pais com personalidade débil, que se apoiavam excessivamente na mulher. Em todas estas situações, os laços emocionais da mulher lésbica adulta com o pai continuavam a girar à volta da “criança de outrora”, que ela leva em si.

Ao contrário, outras mulheres com este problema não tinham sido as “meninas do papai”, mas antes as filhas não desejadas e não aceitas, pelo menos a julgar pelo modo em que elas próprias viram a sua situação.

Freqüentemente eram criticadas, sentiam o desprezo ou pelo menos a falta de interesse em relação a elas. Os comportamentos e interesses masculinos hiper-compensativos de algumas destas mulheres podem ser atribuídos a uma reação contra essa atitude de não aceitação por parte do pai, levando a moça a olhar o papel masculino como superior e procurando desempenhá-lo. Foi assim que, as sensações negativas contra o pai juntamente com os esforços masculinizantes hiper compensativos, com o objetivo de viver ao seu nível e de conquistar o seu apreço, confluíram no complexo neurótico.

Para concluir, uma boa e normal relação pai-filha é estatisticamente menos freqüente nas mulheres com orientação homossexual que nas mulheres heterossexuais”.

[In: VAN DEN AARDWEG, Gerard. Homossexualidade e esperança. 
Lisboa: Diel,2003, grifos nossos]

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