terça-feira, 4 de dezembro de 2012

[FH] Homossexualidade feminina: Origens [II]



OUTRAS INFLUÊNCIAS

Em algumas mulheres, um complexo de serem feias, com o matiz de se sentirem menos femininas, menos atraentes como moças, pode ter tido uma influência como fator desencadeante da evolução homossexual.

Em outros casos, o impulso partiu da comparação com uma irmã, considerada (pela própria moça ou pelo ambiente) como mais atraente ou melhor sob outros aspectos.

Em outros casos ainda, a moça sentia-se inferior relativamente aos seus irmãos – “Sou apenas uma moça”-, procurando imitá-los na sua masculinidade.  Na adolescência, o tipo de atenção de que foi objeto por parte do outro sexo pode ter aberto a ferida: “Não me acham atraente como as outras moças”, “Não me convidam”, e situações semelhantes. Uma moça que se sente menos apreciada pelos rapazes pode chegar a admirar a feminilidade de outras moças em que os outros reparam mais. Alguns fatores de predisposição como os mencionados acima inter atuam e reforçam-se mutuamente, tanto nas moças como nos rapazes.

Uma parte das moças que posteriormente desenvolveu um complexo lésbico comportava-se de certo modo menos como moças ou como mulheres do que corresponderia à sua idade; isto produzia nelas uma impressão de insegurança no papel feminino, como possíveis reações hiper-compensativas, tais como o assumir atitudes de desleixo e indiferença, de querer liderar e dominar à viva força, procurando superar os rapazes em masculinidade, ousando tudo, comportando-se de modo agressivo, sendo rudes e duras. Podem ter mesmo alimentado um manifesto desagrado pelos comportamentos, os vestidos e as atividades domésticas femininas.

Esta afirmação masculina de hiper-compensação aparece marcada pela perda da doçura natural. Aliás, esta segurança é uma exibição: percebe-se bem toda a tensão emocional que corre por baixo.

Não se quer dizer que as mulheres com esse complexo tendam sempre a comportar-se de modo “masculino”; nem que as mulheres que assumem aquelas atitudes tenham por força inclinações lésbicas; mas existe uma correlação. De qualquer modo, um comportamento excessivamente masculino nas mulheres é quase sempre um sintoma de complexo de inferioridade.

O principal fator no desenvolvimento de uma orientação lésbica é a comparação que a moça faz com as outras da mesma idade e com certas mulheres “ideais” mais maduras. Tal como no caso dos rapazes, o fator crucial é subjetivo, isto é, a imagem que a moça tem de si mesma. Por esta razão, às vezes, embora não seja o mais freqüente, uma moça cujo comportamento, objetivamente, seja perfeitamente feminino pode evoluir no sentido de um complexo lésbico.

Na adolescência uma moça quer ter amigas e ser uma delas. A sua solidão e o seu sentido de marginalização fazem suspirar por amigas admiradas ou algumas figuras de mulheres ideais. Se uma moça se sente privada do afeto e da compreensão da mãe, pode voltar-se para um tipo de mulher ideal que possui aos seus olhos as características maternais desejáveis: por exemplo, uma professora afetuosa ou condescendente, ou uma moça mais velha que se apresenta com atitudes maternais. A moça que se auto-comparece quer ter a atenção exclusiva do seu ídolo e agarra-se a essa esperança: “Quem me dera que ela me quisesse devotar o seu amor!”.

“A queixa de muitas mulheres lésbicas era que bem poucas tinham podido encontrar verdadeiras amizades na sua adolescência”, escrevem os psicólogos americanos Gundlach e Riess nas conclusões de uma investigação sobre mais de 200 mulheres socialmente bem adaptadas que sofriam deste complexo. A “criança queixosa” interior continua a alimentar-se dos mesmos sentimentos que tinha na juventude: inferioridade, solidão, auto-compaixão e uma ânsia insaciável.”

[In: VAN DEN AARDWEG, Gerard. Homossexualidade e esperança
Lisboa: Diel,2003, grifos nossos]

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