domingo, 27 de janeiro de 2013

[Esp] Carta de um condenado

Atualmente falar do Inferno é incomodo. Na modernidade, todos gostam de negá-lo ou dizer que Deus não vai condenar ninguém para lá. Não é isso que ensina a Santa Igreja. A Santa Igreja, através do Catecismo da Igreja Católica (cf. CIC § 1036), nos exorta acerca do inferno como um chamado de responsabilidade com o qual o homem deve utilizar sua liberdade em vista dos bens eternos: se estivermos vigilantes e buscarmos "entrar pela porta estreita" (cf. Mt 7,13) gozaremos do banquete celestial, caso contrário, seremos obrigados a vivenciar tal e qual nos apresenta a carta. 

Apresentamos então a famosa ‘Carta de um condenado’ a fim de façamos um exame de consciência: Estamos vivendo de acordo com o chamado do Senhor à santidade? Eis a carta, cujo conteúdo foi extraído daqui.

Meu nome é Fulano de Tal. Estou no inferno, ou melhor, sou no inferno, porque se trata de uma condição permanente. Que horror! Não adianta rezar por mim. Na situação perene em que me encontro, não há mais esperança. A propósito, vi uma placa na porta do inferno, com os seguintes dizeres escabrosos, escritos em italiano: “Lasciate ogne speranza, voi ch’ intrate!”: “Deixai toda esperança, vós que entrais!” (Divina Comédia, canto III, 9). 
Os que padecemos neste estado não podemos nos comunicar com os que padecem no purgatório ou com os que ainda vivem (Lc 16,26). Mandei esta carta, sub-repticiamente, por um foguete. 
Ouço choro e ranger de dentes o “tempo” todo (Mt 8,12). Mas, o que mais me atormenta é a saudade de Deus, por este motivo, também choro e ranjo meus dentes. Vêm-me à mente as palavras de Santo Agostinho: “Fizeste-nos para ti, Senhor, e nosso coração estará inquieto, enquanto não encontrar em ti descanso.” (Confissões, livro I, cap. 1). O inferno é a angústia da ausência de Deus. 
Nem sequer posso me arrepender, pois, no momento de minha morte, minha vontade petrificou-se no mal, no pecado. Os anjos que nos atenazam, conhecidos como demônios, são milhões, bilhões, talvez.
Há um fogo inexaurível que nos queima a todos os réprobos ininterruptamente. Não é um fogo simbólico ou imaterial; é um fogo mesmo, que incinera, porém, não aniquila o corpo. 
Percebo que o estado de inferno não começou com meu óbito. Ainda quando estava vivo, o inferno se instalou no meu dia a dia, muito mais do que o céu ou o purgatório. Tolamente, acreditava que só se pecava por ação: matando alguém, roubando, ferindo etc. Dizia a mim mesmo e aos meus contemporâneos: não faço mal a ninguém. Que engano ledo, mas catastrófico! Mea culpa! Se sou torturado neste estado horripilante, isto se deve igualmente ao bem que eu não fiz. Jesus estava na prisão; não o visitei. Ele estava doente; não fui ao hospital para confortá-lo. Deparou-se-me completamente nu na minha frente; entretanto, não o vesti. Esteve com fome, com sede; contudo, eu não o alimentei. Era um imigrante; não o acolhi (Mt 25, 31-46). Não imaginava que minha omissão fosse já o inferno na terra, malgrado eu vivesse bastante infeliz, cerrado no meu egoísmo. 
A Igreja sempre me ensinou o caminho do céu. Desafortunadamente, fiz ouvidos moucos ao magistério dos papas e dos bispos. Que pena! E é propriamente uma pena o que sofro neste estado sem fim.

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