domingo, 17 de fevereiro de 2013

[AC] Grupo de Reparação do apostolado Courage



[Apresentamos tradução do artigo “Theology of weakness”, publicado originalmente em Catholic Standart Times, em 9 de setembro de 2004, e atualmente disponível no site do apostolado, aqui. Ele trata do Grupo de Reparação do apostolado Coragem, sua origem e sua missão, além de apresentar o testemunho de Vera, sua fundadora.]


A teologia da fraqueza: Grupo de Oração e Reparação do Apostolado Courage

Susan Brinkmann. 09.09.2004

Sua oração tem sido constante ao longo dos últimos 12 anos. Acontece uma vez por mês em cinco cidades dos Estados Unidos - Filadélfia, Boston, New Jersey, Pittsburgh e Washington D.F - e seu foco está em alguns dos mais críticos aspectos da existência humana: sofrimento, fraqueza e sexualidade.

O Grupo de Oração e Reparação do Apostolado Coragem foi criado uma década depois do apostolado correspondente, Coragem, que começou com Pe. John Harvey, O.S.F.S, na cidade de Nova Iorque, em 1980. Este ministério provê apoio espiritual às pessoas com atração pelo mesmo sexo que desejam viver castamente de acordo com o ensinamento católico romano.

Corresponder ao chamado da Igreja à castidade é difícil para qualquer um na nossa cultura saturada pelo sexo, uma das principais razões por que este grupo foi criado.

“Nós nos juntamos para oferecer nossa luta com a castidade e usá-la como reparação pelos pecados do mundo” disse Vera, a fundadora do grupo, que pediu que seu sobrenome seja mantido em sigilo. “Nós oferecemos nossa dor e nosso sofrimento e os unimos à Paixão de Jesus para levar vida a outros. Isso dá sentido ao nosso sofrimento”.

Os encontros mensais incluem formação sobre a vida interior, partilha pessoal e Hora Santa. “Nós rezamos pela conversão dos outros que lutam com os sentimentos homossexuais, nós também rezamos contra as agendas políticas que estão trazendo muitos enganos e arruinando as vidas das pessoas" - diz Vera. "Nós não paramos nunca, desde 1992. Fará 12 anos em novembro [em 2004]. Nossa oração nunca cessa”.

Conselheira pastoral e membro da Associação de Terapeutas Católicos, Vera lutou com a atração pelo mesmo sexo quando era adolescente e envolveu-se num relacionamento com uma mulher, que terminou mal. “Eu senti uma dor muito grande e lembro de eu rezando e dizendo 'Senhor, se me escutas, tens de me ajudar a sair desta situação'".

Deus respondeu sua oração com vários eventos que a levaram a um movimento eclesial, na qual ela teve uma experiência de conversão. “Eu encontrei Jesus e Ele me amou por quem eu sou - naquele tempo e naquela dor. Mesmo me sentindo homossexual, eu me senti aceita por Deus. Esta foi uma grande lição para mim. E é a razão por que, em meu ministério, eu sempre digo que nós temos de amar as pessoas através disso - não reagir"

No momento da sua introdução a este movimento eclesial, ela também se tornou membro duma comunidade leiga. “Durante aquele tempo, o Senhor proveu-me muitas graças e ajudou-me a entender o quadro todo da castidade".

Tentar viver a castidade era uma batalha - especialmente na sociedade de hoje -, mas uma de tipo frutuosa para ela, pois aprofundava a vida espiritual de Vera e ajudava-a a adquirir mais profunda compreensão do processo redentor, ela disse. Sofrer unido à Paixão de Cristo tem um enorme valor: de repente, as lutas de Vera começaram a ter um sentido para ela.

“Lutar está bem e quando estamos lutando em nossos sentimentos e nossos desejos, temos de abraçar quem somos e aceitar nossa fraqueza" ela disse. "Tudo bem lutar. É como Deus nos conduz à santidade. Eu chamo isso de a teologia da fraqueza. Nós todos temos problemas, fraquezas e limitações. Nosso problema é que não os encaramos. Nossa idéia de santidade é que nós não podemos encarar Deus com todas imperfeições nossas. Temos de ser perfeitos. Está na aceitação dessa luta - em nosso caso, com a homossexualidade, mas não importa com o que seja -, precisamos aceitar a luta e não a repelir, ou negá-la, ou tentar mudá-la".    

Vera começou lentamente a construir sua nova vida, desta vez muito mais próxima de Deus. Uma manhã, ela viu um anúncio no jornal sobre um novo grupo chamado Coragem (Courage) que era criado para católicos homossexuais. "Eu fui a primeira mulher a ligar e eu me tornei muito atuante junto a Pe. Harvey. Abrimos um escritório em 1983 e eu trabalhei com ele até 1989, criando grupos pelo país".

Os primeiros anos do apostolado Coragem encontraram o grupo na linha de fogo, especialmente de grupos como Dignity. “Dignity não segue o ensinamento da Igreja de que você tem de ser casto", ela disse. "Eles dizem que está tudo bem um parceiro estável - apenas um. Eles não promovem a promiscuidade. Mas isso não é o que a Igreja ensina".

Foi para se opor a tais grupos que o Cardeal Terence Cooke e Pe. Benedict Groeschel encorajaram Pe. Harvey a criar um grupo que ensinasse as verdades da Igreja Católica. Vera esteve muito envolvida na divulgação do ministério Coragem pelo país. De fato, foi durante o primeiro aniversário da célula da Filadélfia que ela recebeu a inspiração para o grupo de reparação.

“Eu estava na catedral com Pe. Harvey, a autora Elizabeth Moberly e membros do Coragem, e eu senti de Deus que Ele estava muito contente, mas queria mais”. Sua impressão foi que Coragem devia ir mais fundo na vida interior. Depois de discutir isso com Pe. Harvey, ela falou com cardeal John O'Connor, de Nova Iorque, que deu sua benção ao novo grupo. O primeiro encontro do grupo de reparação aconteceu dois meses depois, em novembro de 1992.

Os grupos cresceram gradualmente e foram criados em outras cidades, como Pittsburgh, Boston e Washington, D.F. O grupo na Filadélfia se encontra às 15H00, no segundo domingo do mês, no Santuário de Santa Rita, na Filadélfia. Richard Gerst, que facilitou a célula local do Coragem, foi uma das pessoas que costumavam dirigir 70 milhas (aproximadamente 112,7 km) para participar do primeiro grupo de reparação, situado ao norte de Jersey. A experiência  tem sido espiritualmente purificadora para ele, ele disse.

“Quando você sai da vida gay, faz sua confissão e começa a se comprometer com a oração regular. É fácil você esquecer tudo de ruim que você fez. Mas nós temos de fazer reparação por tudo aquilo. Temos de fazer reparação pela vida gay em geral. Há tanto que devemos fazer se algo está para ser mudado. É muito importante.”, Gerst disse. “Se não fizermos, ninguém fará".

Qualquer um pode participar dum encontro do grupo de reparação e seus membros dizem que ele é um refrigério para aqueles que estão sofrendo muito com a "vida segundo a carne".

Tendo crescido nos anos de 1960, quando era moda acreditar que os indivíduos precisam fazer sexo para serem felizes, Vera descobriu que isso não é verdade.

“De fato, é o contrário”, ela disse. “A castidade nos conduz à certa sobriedade nos nossos relacionamentos e nos ajuda a nos pôr mais em contato conosco mesmos e com Deus em nossas vidas interiores. Sexo não é tudo. Vivemos castamente e isso é o bastante para nós. Somos felizes, estamos crescendo, estamos vibrantes e somos seres humanos completos”.          

***

Observação nossa: Apesar da experiência espiritual da criadora do Grupo de Reparação, Vera, ter ocorrido num movimento eclesial, desde o começo, o fundador do Apostolado Coragem, Padre John Harvey, OSFS insistia que os membros do Apostolado Coragem, quais quer que fossem, vivessem  de acordo com o essencial da fé e da espiritualidade católica, não enfatizando a realidade de nenhum movimento em si. Nosso fundador tinha uma visão bastante crítica dos movimentos da Igreja, não deixando de enxergar o seu lado positivo e criticar o que havia neles de negativo e acreditava que, para o Apostolado Coragem, importava viver somente aquilo que era “patrimônio comum” da fé católica. Deste modo, tanto nas células quanto nos grupos de reparação, não existe influência de qualquer movimento da Igreja.
Todos os católicos que tem dificuldades com AMS são chamados a serem membros do Apostolado, por isso, ao mesmo tempo que respeitamos todas as manifestações eclesiais, nos atemos somente ao essencial da fé católica que é patrimônio comum de todos.

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