terça-feira, 14 de maio de 2013

[AC] A misericórdia de Deus não aceita o pecado, ama o pecador.

Por Matias Rimont

Nosso Senhor acolhe o pecador arrependido,
não o que persevera  no seu pecado
sem desejo de  mudança

Há quem diga em seu coração ‘Eu sei que é pecado, mas contarei com a misericórdia de Deus’, pois ‘Deus vê meu coração’ e, ainda, ‘Deus é amor, jamais castigará’ pois ‘castigar produz dor e Deus não permite a dor pois ela causa sofrimento’, ‘Deus dá carinho, aconchego e conforto’, mas, pensando assim, engana-se.

Deus é misericordioso. Ele perdoa sem número de vezes os pecados dos mais leves aos mais graves, desde o início da vida até o último fôlego antes da morte. Ele não exige grandes sacrifícios materiais, como ouro ou honras ou animais, mas sua única exigência é um coração arrependido e disposto a não mais pecar.

Porém Deus também é justo e, por sua justiça, recompensa àqueles que perseveram no bem e castiga aqueles que perseveram no mal. 

Como bem explica Pe. William Saunders: “Devemos lembrar que Deus não predestina ninguém ao inferno nem deseja que alguém seja condenado. Deus nos confere a graça atual que ilumina o intelecto e fortalece a vontade de modo que podemos fazer o bem e desviar do mal. Entretanto, uma pessoa, com o consentimento do seu intelecto, pode escolher praticar o mal e com essa escolha, cometer pecado mortal, e assim rejeitar Deus. Se uma pessoa não se arrepende do pecado mortal, não tem qualquer remorso e persiste neste estado, então esta rejeição de Deus continuará para a eternidade” (“Sim, existe um inferno”, aqui

Na Constituição Dogmática sobre a Igreja escreve-se:
“Desde que não se sabe nem o dia nem a hora, devemos seguir o conselho do Senhor e vigiar constantemente de modo que, quando o único curso de nossa vida terrena for completada, possamos merecer entrar com Ele na festa das bodas e sermos numerados entre os abençoados e não como os serventes maus e preguiçosos, sermos enviados ao fogo eterno, na escuridão exterior onde ‘haverá prantos e ranger de dentes’ (Mt 13,50)” (Lumen Gentium, 48).
Deus é misericordioso e é justo. Pela misericórdia, Deus perdoará inúmeros pecados bastando um só ato de arrependimento, mas, pela justiça. Deus condenará ao castigo eterno bastando um só pecado grave do qual não houver arrependimento. Pela misericórdia, Deus perdoará uma vida inteira de ofensas e indiferença àquele que na última hora se arrepender de todo coração, mas, pela justiça, Deus condenará aquele que pecar gravemente na última hora, sem se arrepender, mesmo que durante toda a vida tenha sido puro como um anjo. Pois a misericórdia é para aqueles que se arrependem, lutam para viver santamente mas que, por fraqueza ou por falta de vigilância, caem em pecado. Mas se não há arrependimento, não há vontade de fazer o que é certo, mas há vontade de persistir no caminho da desobediência em que eu me faço juiz do certo e do errado e que conduz à morte. Aos homens que procedem assim, Nosso Senhor dirá “Eu não vos conheço”(Mt 25,12) e ainda “Apartai-vos de mim, malditos!” (Mt 25,41).

Mas há quem diga ainda: ‘eu estou cansado de lutar e sofro demais com as adversidades’. Também diz ‘por isso Deus sabe que não peco porque eu quero, mas porque não aguento mais sofrer’. Aquele que diz isso também se engana, pois, ao invés de justificar seu pecado apelando à fraqueza, está ofendendo gravemente a Deus pela suposição de que a graça d'Ele não é o bastante para perseverar. Assim, quem diz isso manifesta a sua vaidade que prefere, apoiando-se nas próprias forças, ceder ao mal a, apoiando-se na graça de Deus, persistir no bem. Manifesta a sua malícia que, escolhendo a via fácil, sem lutas e cheia de comodidades, espera ainda de Deus a mesma recompensa reservada para aqueles que, lutando e sofrendo com as adversidades, seguem pela via difícil da Cruz. Assim manifesta que não é cristão, pois prefere o caminho largo e fácil do prazer, das riquezas e das honras humanas, ao caminho estreito e difícil do Calvário - das dores, do desapego material e da humilhação na penitência.

Nosso Senhor não nos disse ‘peca e confia na minha misericórdia’, mas disse “teus pecados estão perdoados. Vá e não peques mais” (Jo 8,11). Ele não disse: ‘Aquele que quiser me seguir, curta a vida e satisfaça todos os seus desejos’, mas Ele disse: “Aquele que quiser me seguir, renuncie-se a si mesmo, tome a sua cruz e me siga” (Mt 16,24).

Confiar na misericórdia de Deus significa arrepender-se de ter ofendido a Deus e fazer um firme propósito de não mais fazê-lo, significa ainda confiar que Ele, vendo a reta intenção, nos acolhe novamente como filhos seus e, sobretudo, nos concede a força necessária para perseverar. Confiar na misericórdia de Deus é seguir o caminho da Cruz, o mesmo caminho de Nosso Senhor, passando pelos sofrimentos em união com Cristo. Confiar na misericórdia de Deus é sofrer junto com o Filho de Deus e também alegrar-se com Ele. Confiar na misericórdia de Deus é, sabendo da própria miséria, confiar-se totalmente ao Senhor, querendo em tudo agradá-Lo pois O reconhecemos como sumamente Bom. Confiar na misericórdia de Deus é reconhecer que estávamos errados e que precisamos mudar de vida. Confiar na misericórdia de Deus é reconhecer que o pecado é um caminho de morte eterna, que começa poupando a própria vida e termina por perdê-la para sempre. Confiar na misericórdia de Deus é reconhecer que o caminho da vida passa pelo sacrifício de si mesmo, que começa morrendo para o pecado e termina ganhando a liberdade e a plenitude, junto de Deus. Confiar na misericórdia de Deus é, por fim, reconhecer que Deus é a nossa favor e nos concede todos os meios para que trilhemos o caminho da vida e evitemos o caminho da morte. 

O bom Deus conhece as grandes dores que afligem os corações daqueles que sentem AMS. A carência de amo; a solidão; as ofensas e as injustas discriminações; a frustração de ver os outros se casando ou se ordenando ou se consagrando, enquanto parece que suas vidas não resultam em nada; a violência e os abusos sofridos; as incompreensões e o silêncio temeroso dos juízos de condenação e repúdio. Deus conhece tudo isso. Ele se une aos seus sofrimentos pela Paixão de Nosso Senhor. Mas isso não O faz aprovar o pecado. Ao contrário, faz com  Ele o deteste ainda mais, pois foi o pecado dos homens que os reduziu à situação tão deplorável. Deus nos quer todos santos, trilhando o caminho da vida.

Por isso, dizemos: ‘Confie na misericórdia de Deus’; e por isso, ‘confie que a graça de Deus é eficaz para socorrer você na sua fraqueza’. Jesus, Nosso Senhor, é quem diz: “Basta-te a minha graça, pois é na tua fraqueza que se manifesta minha força” (2 Cor 12,9)... “Coragem! Eu venci o mundo”(Jo 16,33).

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