terça-feira, 11 de junho de 2013

[FH] Genética e homossexualidade: as pessoas nascem homossexuais? [IV]

[Concluímos aqui o artigo que foi postado anteriormente aqui, aquiaqui]
 
Preferência ou orientação sexual?

Se a orientação sexual fosse completamente genética, deveria ser esperado que esta orientação não mudasse ao longo do curso da vida de uma pessoa. Em mulheres, a preferência sexual parece mudar ao longo do tempo. Um estudo realizado durante um período de 5 anos em lésbicas demonstrou que mais de um quarto destas mulheres abandonou suas identidades lésbicas/bissexuais durante este período: metade recuperou a sua identidade heterossexual e a outra metade não quis mais ser identificada por qualquer rótulo.(31) Em uma pesquisa feita com mulheres jovens (de 16 a 23 anos de idade), metade das participantes mudou suas identidades sexuais mais de uma vez durante um período de 2 anos.(32) Em outro estudo com pessoas que foram recrutadas de organizações que representam jovens gays/lésbicas/bissexuais (de 14 a 21 anos de idade) em Nova York, a porcentagem de pessoas que mudaram a orientação sexual de lésbica/gay/bissexual para uma orientação heterossexual foi de 5% em um período de apenas 12 meses (o período em que durou a pesquisa).(33) Outros estudos têm confirmado que a orientação sexual não é fixa em todas as pessoas, mas pode mudar ao longo do tempo, principalmente em mulheres.(34) Um exemplo recente de mudança na orientação sexual ocorreu com a “Pessoa do Ano” de 2005 da revista “The Advocate”. Kerry Pacer era a mais jovem defensora dos direitos gays, escolhida por sua iniciativa na criação de uma “aliança entre gays e heterossexuais” na escola White County High School em Cleveland, Geórgia. No entanto, quatro anos depois, ela estava cuidando da sua filha de 1 ano de idade, junto com o pai da criança.(35) Outra ex-lésbica, a comediante britânica Jackie Clune, passou por 12 anos em relacionamentos lésbicos antes de se casar com um homem e de ter 4 filhos.(36) Michael Glatze, aos seus 20 anos de idade, passou a ser um líder no movimento dos direitos homossexuais. Com 30 anos de idade, ele caminhou para a direção oposta, dizendo: “Em minha experiência, sair da influência de uma mentalidade homossexual foi a coisa mais libertadora, bonita e estupenda que já aconteceu em toda a minha vida.”(37) Um estudo realizado em 2011 com gays cristãos que queriam mudar a sua orientação sexual descobriu que 23% dos envolvidos relataram uma “conversão” bem sucedida para uma orientação heterossexual, enquanto que outros 30% relataram uma castidade comportamental estável com uma substancial “desidentificação” com uma orientação homossexual.(38) No entanto, 20% dos envolvidos relataram uma desistência no processo e abraçaram totalmente a identidade gay, enquanto outros 27% se encontravam no meio entre os dois extremos. (38) Obviamente, para pelo menos algumas pessoas, ser gay ou heterossexual é algo que eles podem escolher.

A questão da natureza vs. criação também pode ser vista comparando-se as crianças de pais homossexuais e de pais heterossexuais. Se a homossexualidade fosse puramente biológica, era de se esperar que os pais não teriam influência sobre ela. Paul Cameron publicou um estudo em 2006 que dizia que as crianças de pais homossexuais expressavam uma orientação homossexual muito mais frequentemente do que a população geral.(39) Apesar das alegações de parcialidade feitas contra o estudo, outro estudo realizado por Walter Schuum em 2010 confirmou os resultados de Cameron através de uma análise estatística de 10 outros estudos que examinavam esta questão.(40) No total, 262 crianças criadas por pais homossexuais foram incluídas na análise. Os resultados demonstraram que 16-57% dessas crianças adotaram um estilo de vida homossexual. Os resultados foram ainda mais expressivos em filhas de mães lésbicas, em que de 33% a 57% destas se tornaram lésbicas. Uma vez que os homossexuais representam apenas ~5% da população, fica claro que os pais influenciam a orientação sexual.

Sempre fico espantado quando as pessoas me dizem que elas nasceram gay. Olhando para as minhas experiências passadas, eu nunca diria que eu “nasci heterossexual”. Eu realmente nunca tive nenhum interesse em garotas até aproximadamente a sétima série. Antes disso, elas não eram realmente interessantes para mim, uma vez que elas não se interessavam por esportes ou por andar de bicicleta ou fazer qualquer outra coisa que eu gostava de fazer.
Homossexualidade e Darwinismo

Eu não sou muito fã da evolução Neodarwinista. No entanto, existem claras evidências de que a seleção natural (e seleção sexual) atuam em populações de animais e tem agido em nossa própria espécie para produzir diferenças raciais.(41) A seleção natural postula que aquelas mutações genéticas que favorecem a sobrevivência e a reprodução serão selecionadas, ao passo que aquelas que comprometem a sobrevivência e a reprodução serão eliminadas. Obviamente, um gene ou uma série de genes que produzem indivíduos que não se reproduzem (i.e. aqueles que expressam um comportamento puramente homossexual) seriam rapidamente eliminados de qualquer população. Então, deveria ser esperado que qualquer “gene gay” fosse eficientemente removido de uma população. No entanto, é possível que um gene favorecendo a homossexualidade masculina pudesse se “esconder” dentro do genoma humano se este se encontrasse no cromossomo X, onde ele pudesse ser carregado por mulheres reprodutoras, e não ser sujeito a uma seleção negativa por homens não-reprodutores. Para que sobrevivesse(m), era de se esperar que o(s) gene(s) estivesse(m) associado(s) a uma maior capacidade de reprodução nas mulheres que o carrega(m) (compensando a geração de homens não-reprodutores). Eu não consigo imaginar um cenário genético em que a homossexualidade feminina sequer fosse persistir em uma população.

Estudos genéticos reais?

Durante a última década, a análise genética de características hereditárias avançou muito com o advento da tecnologia de microarranjo do DNA. Utilizando-se esta tecnologia, é possível varrer grandes sequências do genoma humano (ou até mesmo uma varredura completa de um genoma – GWAS) em vários indivíduos a um custo relativamente baixo. A tecnologia de microarranjo levou à descoberta dos genes que estão associados a doenças complexas, como a Doença de Crohn, a qual é assunto de minha própria pesquisa. Se a homossexualidade realmente tiver um componente genético, os estudos com o microarranjo do DNA podem não somente provar isso definitivamente, como também identificar o(s) gene(s) específico(s) ou loci que poderiam estar associados com a orientação homossexual. A primeira tentativa de se varrer um genoma em homens homossexuais foi realizada por Mustanski et. al. em 2005. (42) Os resultados sugeriram uma possível ligação próxima ao microssatélite D7S798 do cromossomo 7q36. No entanto, uma tentativa de repetir este achado (junto com ~6000 SNPs espalhados comparativamente uniformemente em todo o genoma humano) não conseguiu encontrar SNPs significantes. No entanto, um terceiro estudo utilizando uma população amostral de chineses encontrou uma associação fraca no polimorfismo SHH rs9333613 do gene 7q36.(44) Um estudo mais geral, investigando a escolha de parceiros entre diferentes populações, não encontrou nenhuma ligação genética, levando os pesquisadores a especular que estas escolhas fossem “culturais”(45). Desse modo, os estudos preliminares de possíveis causas genéticas para a orientação homossexual tende a excluir qualquer componente genético dramático para a orientação sexual.

Conclusão

Por que algumas pessoas são homossexuais? A questão sobre como a orientação sexual surge tem sido o motivo de muita pressão, com a impressão geral sendo promovida de que a homossexualidade é determinada mais por uma questão de genes do que por fatores ambientais. No entanto, ao se examinar a literatura científica, descobre-se que esta questão não é tão clara quanto as notícias veiculadas pela mídia sugerem. Os estudos mais antigos que relataram diferenças nos cérebros de homossexuais foram complicados por infecções causadas pelo vírus HIV e não foram substanciados por estudos maiores e mais controlados. Numerosos estudos relataram que possíveis diferenças hormonais afetam a orientação sexual. No entanto, tais estudos eram muitas vezes diretamente contraditórios, e na verdade nunca mediram nenhum nível hormonal, mas utilizaram indicadores indiretos para avaliar influências hormonais, sem nenhuma evidência direta de que esses indicadores realmente representavam os verdadeiros níveis e desequilíbrios hormonais. Estudos realizados em irmãos gêmeos mostraram que provavelmente existem influências genéticas para a homossexualidade, apesar de que estudos similares também demonstraram influências genéticas para a homofobia ou até mesmo oposição ao aborto. Abuso infantil também tem sido associado à homossexualidade, mas, no máximo, explicaria apenas 10% das pessoas que expressam alguma orientação homossexual. O fato de que a orientação sexual não é constante para muitos indivíduos, mas que esta pode mudar ao longo do tempo sugere que pelo menos parte da orientação sexual seja uma questão de preferência. Tentativas de se encontrar um “gene gay” nunca identificaram algum gene ou produto genético que esteja de fato associado com a orientação sexual, com estudos não confirmando as sugestões propostas de que existe alguma ligação entre a homossexualidade e a região Xq28 do cromossomo X. A questão de influências genéticas sobre a orientação sexual tem sido investigada recentemente com o auxílio da tecnologia de microarranjo do DNA, porém os resultados não conseguiram apontar para genes específicos como um fator determinante da orientação sexual.
Referências
31.    Diamond, LM 2003. Foi uma fase? Abandono de jovens mulheres de lésbicas / bissexuais identidades ao longo de um período de 5 anos. J. Pers. Soc. . Psychol 84: 352-64 .
32.    Diamond, LM 2000. Identidade sexual, atrações, e comportamento sexual entre os jovens de minorias mulheres durante um período de 2 anos. Dev. . Psychol 36: 241-50 .
33.    Rosario M., EW Schrimshaw, J. Hunter, e L. Braun. 2006. Desenvolvimento da identidade sexual entre os jovens gays, lésbicas e bissexuais:. Consistência e mudança ao longo do tempo . Res sexo J 43: 46-58 .
34.    Kinnish, KK, Strasberg, DS, Turner, CW, 2005. Diferenças de sexo na flexibilidade de orientação sexual: uma avaliação multidimensional retrospectiva. Archives of Sexual Behavior 34, 173-183 .
37.    Michael Glatze. 2011. Como líder de direitos dos gays ficou reta . WorldNetDaily.
38.    Stanton L. Jones e Mark A. Yarhouse. 2011. Um estudo longitudinal de tentativa de mudança de orientação religiosa mediada sexual. Journal of Sex and Marital Therapy 37: 404-427 .
39.    Cameron P. 2006. Filhos de homossexuais e transexuais mais aptos a ser homossexual. J. Biosoc. Sci. 38:413-418 .
40.    Schumm, WR 2010. Filhos de homossexuais mais aptos a ser homossexuais? Uma resposta a Morrison e Cameron com base em um exame de múltiplas fontes de dados. J. Biosoc. Sci.42:721-742 .
41.    Veja início slideshow online com A Origem das Raças: Fatos Corrida .
42.    Mustanski, BS, Dupree, MG, Nievergelt, CM, Bocklandt, S., Schork, NJ & Hamer, DH 2005. Uma varredura do genoma de orientação sexual masculina. Hum.. Genet. 116, 272-278 (2005).
43.    Ramagopalan, SV, DA Dyment, L. Handunnetthi, GP Rice e Ebers GC. 2010. Uma varredura do genoma de orientação sexual masculina. J. Hum.. . Genet 55: 131-132 .
44.    Wang, B., Zhou S., Hong F., J. Wang, Liu X., Y. Cai, Wang F., Feng T., e Ma, X. 2011. Associação análise entre o SNP Tag para Sonic Hedgehog Polimorfismo rs9333613 e Orientação Sexual Masculino J. Androl. 2011 22 de setembro .
45.    Laurent, R., B. Toupance, e R. Chaix. 2012. Não aleatória escolha de parceiro em humanos:. Insights de uma varredura do genoma Ecologia Molecular 21:587-596 .

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