domingo, 21 de julho de 2013

[Tst] David Morrison: fora do armário e dentro da castidade...[V]

[Encerramos aqui o testemunho do nosso irmão David Morrison, que anteriormente foi postado...]

A terceira linha de raciocínio pode ser melhor abordada provando o que se entende por "amor", tanto na mente das pessoas envolvidas no assunto e na mente de Cristo, bem como o Magistério da Igreja. Se alguém realmente ama outra pessoa, ele acompanharia essa pessoa em uma atividade que freqüentemente a causa danos? (Mesmo antes da chegada do HIV, doenças sexualmente transmissíveis em homens homossexuais ativos já era tema de preocupação epidemiológica). Se uma pessoa ama a outra, essa pessoa exigiria que a outra a servisse como um objeto sexual? Pode a homossexualidade sexualmente ativa ser mais do que isso, uma vez que nela não há outro objeto final além do prazer?

As pessoas modernas precisam ser lembradas de que Deus destinou um duplo propósito ao sexo, a união entre homem e mulher, assim como um caminho para a procriação dos filhos. Quando alguém remove completa e intencionalmente qualquer uma destas condições, o uso do sexo se deteriora no mal uso. 

Deixei o amor para o final, porque, no final, é sobre isto que este debate se refere. Há um velho ditado que diz que todas as melhores mentiras têm um elemento de verdade. Isto não poderia ser tão bem ilustrado quanto na discussão da homossexualidade. 

Os ativistas gays apelam para a opinião pública defendendo o seu "direito de amar quem eles escolherem." Ao fazer isto, ele contam com a compreensão confusa de amor que é tanto difundida agora, e na mentira de que todos os amores são iguais.

Mas enquanto eles ensinam a verdade na generalidade, há falsidade na especificidade deles. Por mais que os ativistas gays possam querer reivindicar que o amor gay imita o divino, não é simplesmente isso. O coração do amor divino é o desejo transcendente de perder a si mesmo para o bem do outro e, tanto a experiência da minha vida quanto a razão me ensinaram que uma vida ativamente homossexual impede esse desejo. O verdadeiro amor, o amor de Cristo, não se dobrará aos caprichos do encantamento erótico ou desejo. O amor verdadeiro conhece o controle.

Cristo nos disse, pouco antes de Ele nos mostrar, que não há amor maior do que dar a vida pelos nossos amigos (cf. Jo 15,13). O maior amor é o Dele, o sacrifício perfeito de si mesmo para que outros possam se beneficiar. É esta a mais santa, mais difícil, mais casta forma de amor para a qual homens e mulheres homossexuais são chamados. Nós somos chamados, como o apóstolo Paulo, a derramar-nos para o bem do Reino, compartilhando com muitos os talentos e frutos que, se fôssemos heterossexualmente orientados, compartilharíamos principalmente com nossos filhos e cônjuge.

Eu não desejo escrever superficialmente sobre esta cruz particular. Se minhas palavras aqui não soarem sangrentas ou soarem impessoais, é só porque eu não quero me tornar o foco. A história da luta emocional e do sacrifício que vieram com este caminho é tão longa e suficientemente profunda que não pode ser dita aqui. Embora eu não tenha me estendido sobre os detalhes emocionais, os fiéis católicos precisam saber que existem devotos, homossexuais castos nas suas paróquias, ordens religiosas, e apostolados, e que muitos de nós vivem uma vida de sacrifício profundo por causa do Reino. A maioria de nós é silenciosa. Muitos de nós você nunca vai saber. Mas todos nós, necessitamos de suas orações, caridade e boa vontade.

Termino com duas citações relevantes para a identidade e discipulado. A primeira é de Evelyn Waugh, no “Brideshead Revisited”. Julia está explicando sua decisão de não se casar com sua amante, depois de seu caso e depois de se divorciarem de seus cônjuges originais. Suas palavras têm a ver com a escolha de servir a Deus ou algo a mais - uma escolha que cada um de nós enfrenta:
"Como eu posso dizer o que devo fazer? Você me conhece por inteiro. Você sabe que eu não sou alguém para uma vida melancólica. Eu sempre fui má. Provavelmente serei má novamente, punida novamente. Mas quanto pior eu for mais eu precisarei de Deus. Eu não posso me fechar à misericórdia Dele. E isto significaria; começar uma vida com você, sem Ele. Alguns podem só desejar ver um passo à frente. Mas eu vi hoje que havia uma coisa imperdoável... uma coisa má que eu estava a ponto de fazer, a qual eu ainda não sou má o suficiente para fazer, estabelecer uma boa rivalidade contra Deus.” 
A segunda é de Bonhoeffer, do “Discipulado”
"E se nós atendermos o chamado para o discipulado, para onde isso vai nos levar? Que decisões e despedidas isto vai exigir? Para responder a esta pergunta, teremos de ir até Ele, pois só Ele sabe a resposta. Só Jesus Cristo, que nos convida a segui-lo, sabe o fim da jornada. Mas sabemos que será um caminho de infinita misericórdia. Discipulado significa alegria."

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