terça-feira, 27 de agosto de 2013

[FH] O processo de autoidentificação homossexual [I]

[Apresentamos, a partir de hoje, uma série de textos do Dr. Aquilino Polaino-Lorente, sobre o processo de autoidentificação homossexual. Muitos irmãos e irmãs que lutam contra a atração pelo mesmo sexo  (AMS) encontrarão aqui elementos que conectarão com a própria experiência de vida. Os que não enfrentam tal batalha, terão oportunidade para conhecer melhor um pouco do drama que enfrenta uma pessoa que luta contra AMS e como ajudá-la]. 

Introdução

Na maioria das publicações se oferece uma prevalência de homossexualidade por volta de 10%. Não deixa de ser curiosa a coincidência do dado estatístico a respeito de qualquer país – em todos eles se dá a mesma taxa de prevalência, senão também o fato – nada desprezível – de que na maioria dessas publicações nada se diz de como se escolheu a amostra, o número de pessoas pesquisadas, dos critérios que se seguiram para estabelecer se uma pessoa é ou não homossexual, etc.

Diante dessas dificuldades, é lógico que o leitor se mostre um tanto duvidoso e chegue a supor que algo disso é ficção, como conseqüência da publicidade dos grupos mais interessados, por afetados por esses comportamentos.

Seja como for, o fato é que não sabemos a que devemos nos ater perante esses dados. Como dar razão a esses dados? O que pode haver causado esse “incremento” quase exponencial do comportamento homossexual na sociedade atual? Como assumir e integrar este novo problema na cultura fragmentada em que vivemos?

Na realidade, nada se pode responder às perguntas anteriores até que disponhamos de um melhor conhecimento da história natural deste tipo de comportamento (Zeitlin, 1986). Nada sabemos, por exemplo, acerca de como puderam chegar a comportar-se do modo como o fazem ou sentir-se atraídos pelas pessoas do mesmo sexo pelas que se sentem atraídos. Ignoramos também como chegaram a adotar o “estilo de vida” que costuma caracterizar as pessoas que manifestam uma conduta homossexual (Green, 1985).

As linhas que seguem não responderão às questões anteriores, mas, ao menos, tratarão de esboçar uma hipótese, relativamente comprovável, acerca do modo em que gerou nessas pessoas esta suposta troca de identidade, ao menos relativa ao seu gênero e comportamento sexual. As hipóteses a seguir têm como único fundamento a experiência clínica das pessoas que, descontentes com sua orientação sexual atual, têm consultado e procurado a ajuda do especialista para tratar e superar seu problema. Se trata, portanto, de pessoas que decidiram, livremente, colocar um fim ou aliviar seus sofrimentos, como conseqüência de seu comportamento homossexual.

Adverte-se aqui, que o autor desse artigo, ao estabelecer as seguintes hipóteses, só se serviu das histórias dos pacientes assistidos até o ano de 1987. Procedeu-se assim por mera questão de uma disponibilidade de dados mais fácil relativos a essas histórias, sem que ele supunha renunciar a comunicar a totalidade de sua experiência clínica neste assunto em outras futuras publicações, como decidiu fazer.

Principais marcos e etapas no processo de autoidentificação homossexual:

Na adolescência, uma etapa crítica, como se tem sustentado, onde aparece ou se começa a manifesta a conduta homossexual?

Qual é o percurso experimentado pelo adolescente até a eclosão de tal comportamento?

Isso acontece subitamente, sem conexão com sua trajetória biográfica anterior?

Seria oportuno rastrear, mediante um adequado seguimento evolutivo, as diversas vicissitudes pelas quais passou o desenvolvimento de sua sexualidade?

Neste caso, que fatores de risco se podem identificar, de maneira que possam contribuir a estabelecer um programa preventivo da conduta homossexual?

Na sequência, se passam alguns dos principais marcos, que, tal como se tem sido observado, balizam em algumas pessoas o processo evolutivo cujo término comparece a determinação de autoidentificarem-se como homossexual ou lésbica.

Adverte-se ao leitor que tais marcos não são constantes nas pessoas com condutas homossexuais, como a sequência aqui descrita, tampouco é “obrigatória” para a maioria delas. Algumas das etapas que se apresentam nesse percurso têm sido observadas por outros autores. Sua exposição aqui não pretende senão projetar um pouco de luz sobre o que está por trás no passado de certos comportamentos homossexuais: experiências, crenças e expectativas que têm um certo poder configurador de sua afetividade e do modelamento de sua conduta.

[continua...]

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