terça-feira, 1 de outubro de 2013

[FH] O processo de autoidentificação homossexual [V]

[Continuamos com a série de textos do Dr. Aquilino Polaino-Lorente, sobre o processo de autoidentificação homossexual. Muitos irmãos e irmãs que lutam contra a atração pelo mesmo sexo (AMS) encontrarão aqui elementos que conectarão com a própria experiência de vida. Os que não enfrentam tal batalha, terão oportunidade para conhecer melhor um pouco do drama que enfrenta uma pessoa que luta contra AMS e como ajudá-la. Veja a parte anterior aqui]. 

Quinta etapa: das dúvidas à obsessão

Todo isto dói muito ao menino, gerando nele um conflito permanente para ele que não resulta fácil encontrar solução. Em uma situação assim, é compreensível que ao princípio sobre valor e intensifique o que está sucedendo para, na sequência, arrastar-se nos braços das dúvidas acerca de sua identidade de gênero e, finalmente, começar a obcecar-se com o que acontece.

Em alguns dele, estes pensamentos se tornam obsessivos como conseqüência de não lograr resolve-los; em outros, em troca, o obsessivo foi prévio ao que tem acontecido, quer dizer, à experiência biográfica que tenham vivido. Pode afirmar-se que, em alguns casos, o obsessivo suscitou, acompanhou e perpetuou as atitudes e condutas homossexuais que logo, com o passar do tempo, podem chegar a caracterizar-los.

Em outros casos, e isto é muito frequente, muitos dos supostos homossexuais que consultam quando adultos, são pessoas que têm sido diagnosticadas de padecer transtornos obsessivo-compulsivos. Só que neles, mesmo o transtorno obsessivo poderia ter se manifestado através de muitos diversos contidos, não obstante, tem incidido e se tem centrado quase exclusivamente com estes pensamentos homossexuais.

De confirmar-se este suposto, haveria que concluir que não estamos ante uma pessoa que tem optado pela homossexualidade a partir de certas ideias sobrevalorizadas ou obsessivas, senão mais bem ante um enfermo obsessivo que, dada a evolução experimentada – aqui a psicohistória biográfica tem muito que dizer -, sua patologia obsessiva voltou-se seletiva e unicamente a respeito da homossexualidade, onde, ao final, se centrou.

A insegurança, as dúvidas acerca de seu suposto transtorno na identidade sexual, o reiterativo destas ideias patológicas, a ansiedade por não poder controlar tais pensamentos e, em conseqüência, ele não ser livre a respeito deles, ademais do temor a que os demais assim o percebam, acabam por configurar uma constelação de atitudes que facilitam a aparição da conduta homossexual.

De aqui o marco frequente da comodidade obsessiva que costuma acompanhar a muitos dos que se autodefinem como homossexuais, acaso assim o ser. Uma comodidade na que apenas tem reparado a psiquiatria, apesar de sua teimosia clínica. O que demonstra a falta de profissionalismo e de rigor científico daqueles que desabafam a complexidade do comportamento homossexual como se em verdade se tratara de apenas outro uso alternativo, mesmo que atípico, de satisfazer a sexualidade.

Há outras muitas alterações psicopatológicas que podem dar-se associadas ou não à homossexualidade, sem que por ele haja que apelar a uma etiologia que se inicie na infância, como até aqui analisada. Mas de ele se informará em uma próxima e independente publicação.

Sexta etapa: a atribuição do apelido pelos pais

O apelido ou pseudo apelido aos filhos, por parte dos pais, do apelido homossexual costuma constituir outro importante marco em sua evolução, em alguns dos quais pode chegar a ser definitivo. Isto pode ocorrer na segunda infância ou incluso mais tarde. De ordinário, no “menino afeminado” ou a “menina macho” costuma acontecer muito antes.

Pelo geral, o pai que surpreende a seu filho outra vez brincando com as bonecas costuma encrespar e volta a reiterar a proibição de que cesse esse jogo estúpido, “que é das meninas”.

Não costuma faltar, nessas ocasiões, colocá-lo no ridículo, fazendo-lhe comentários inoportunos acerca de sua perda de identidade sexual. Tal atribuição se magnífica e robustece, se o pai faz esses comentários inoportunos na presença de outros familiares, vizinhos ou amigos. Neste caso, o marco de manifesta-lo em público da uma maior consistência a tal atribuição, até o ponto de confundir-se aquela com uma marca inextinguível e estereotipada.

Neste sentido, resulta especialmente o que conhecemos pela clínica onde, logicamente, nos chegam adultos nos que também se deram alguns dessas antecedentes familiares lamentáveis. A eles vou referir-me. E para este propósito me limitarei a expor só os resultados obtidos naqueles paciente (assistidos com antecedência ao ano de 1987), em cuja infância estiveram presentes os antecedentes antes assinados e cujo motivo de consulta estava motivado pela expectativa de chegar a superar sua atual conduta homossexual.

De uma amostra de 68 pacientes homossexuais (49 homens e 19 mulheres) secundários (quer dizer, que tem mantido práticas homossexuais durante alguma etapa de sua vida), só 16 (11 homens e 5 mulheres) manifestaram haver sido qualificados, respectivamente, durante a infância de “afeminados” ou “machos”. Dos 11 meninos “afeminados”, em quatro deles o comportamento sexual atípico havia começado durante a etapa preescolar, extendendo-se logo, ininterruptamente, ao longo de toda sua vida. Os outro sete homens homossexuais reconheceram não haver iniciado suas condutas afeminadas até a pré-adolescência. Pelo contrário, das 19 mulheres lésbicas, somente cinco haviam sido qualificadas de “machos”, todas elas desde a infância. (cfr., Polaino-Lorente, 1998).

Os resultados anteriores obtidos em minha experiência clínica pessoal permitem estabelecer uma certa vinculação – mesmo que muito mais diluída e menos enérgica do que há sido formulado por outros autores – entre a aparição de certas condutas sexuais atípicas, durante a infância, e o manifesto comportamento homossexual na mesma pessoa, durante sua vida adulta.

[continua...]

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