terça-feira, 15 de outubro de 2013

[FH] O processo de autoidentificação homossexual [VII]

[Continuamos com a série de textos do Dr. Aquilino Polaino-Lorente, sobre o processo de autoidentificação homossexual. Muitos irmãos e irmãs que lutam contra a atração pelo mesmo sexo (AMS) encontrarão aqui elementos que conectarão com a própria experiência de vida. Os que não enfrentam tal batalha, terão oportunidade para conhecer melhor um pouco do drama que enfrenta uma pessoa que luta contra AMS e como ajudá-la. Veja a parte anterior aqui]. 


Oitava etapa: a assunção explícita da falsa identidade

Depois da etapa anterior, a assunção, ao menos implícita, da falsa identidade homossexual costuma ser um marco. Evidentemente que isto varia muito de uns casos para outros, podendo complicar-se todavia mais se se aprofundar no labirinto da afetividade. Isto é o que acontece quando emergem certos sentimentos e emoções, mesmo que sejam de pura amizade – por outro lado, algo natural e normal entre adolescentes -, em relação a algum amigo homossexual.

O adolescente pensará que está apaixonado por seu amigo. E mesmo que só se trate de um amor platônico entre eles – igual ao que ele costuma acompanhar à amizade na maioria dos adolescentes, sem que ocorra nenhuma relação sexual, o marco é que o conduzirá a assumir sua identidade como homossexual. Uma identidade esta que de modo algum o corresponde nem o é própria, mas que incendiada no fogo das impetuosas paixões adolescentes, pode acabar por configurar sua personalidade inteira.

A “vida dupla” em relação à sua família continua no que diz respeito a estas relações, até que seu amigo lhe oferece outros argumentos que, pelo momento, lhe resultam mais convincentes. É o que costuma ocorrer quando o amigo lhe diz: “Você, em casa, não tem que ocultar isso, nossa relação. Você também tem o direito de ser feliz em sua vida. Não podemos estar sempre nos ocultando. Além disso, eu gostaria de conhecer os seus pais. Creio que em casa teria que explicar o nosso, o que há entre nós”.

Animado por estes argumentos de que não precisa se ocultar, de que cada um deve ser aceito como é, um bom dia se atreve a dizê-lo em casa, apesar de que se gere um forte conflito.

A cena é fácil de imaginar. O pai se sente desonrado e a mãe envergonhada e, provavelmente, ambos culpados. A partir de então, os irmãos o tratam de um modo especial. É possível que uma de suas irmãs o aceite como tal e trate de compreendê-lo. Mas, por sua parte, procurará evitar que suas amigas saibam e que seu irmão exiba esse modo de comportar-se em público.

Enquanto isso, o adolescente continua com suas inseguranças a respeito de sua identidade sexual. Só que agora, o que emerge de casa – a assunção explícita e manifesta, que se desvela agora com tudo o que esta comporta em troca da imagem social, relações interpessoais, aceitação/repulsa dos familiares, gênese de conflitos, etc.

[continua...]

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