terça-feira, 22 de outubro de 2013

[FH] O processo de autoidentificação homossexual [VIII]

[Continuamos com a série de textos do Dr. Aquilino Polaino-Lorente, sobre o processo de autoidentificação homossexual. Muitos irmãos e irmãs que lutam contra a atração pelo mesmo sexo (AMS) encontrarão aqui elementos que conectarão com a própria experiência de vida. Os que não enfrentam tal batalha, terão oportunidade para conhecer melhor um pouco do drama que enfrenta uma pessoa que luta contra AMS e como ajudá-la. Veja a parte anterior aqui]. 


Nona etapa: a filosofia da ação e o comportamento homossexual

Esta etapa poderia denominar-se também como práxis sustentadora. A ação realizada recai sobre quem a realiza. A conduta homossexual, seja esporádica ou não, recai e influi a identidade sexual de quem assim se comporta. A conduta humana modifica a pessoa que assim se conduz. Mesmo que, como já observamos, o comportamento homossexual não se identifica com a homossexualidade, não obstante, sua reiteração pode modificar e até sustentar a quem assim se comporta como uma pessoa homossexual.

Esta etapa é a mais grave e definitiva. Enquanto não se chegue a ela, é muito o que se pode fazer para modificar o rumo da conduta homossexual, mesmo que não sempre. Mas chegados a esta etapa, podemos ficar sem recursos terapêuticos e que o adolescente perca o norte para toda a vida, porque esta se configura como o recobrar do próprio comportamento sobre a pessoa.

Nesta etapa acontece uma inflexão no processo. Até que o adolescente não se decide a ter relações homossexuais, é possível que não se sinta atraído pelos meninos. Mas se inicia e reitera seus contatos homossexuais, acabará por atrair-lhe e incluso por sentir-se somente atraído por esta ou aquela pessoa de seu mesmo sexo.

A sexualidade, na sua fase final, é autônoma e independente dos estímulos que a desencadeiam. Uma vez que se chega à fase de excitação, o objeto de atração deixa de estar revestido da especificidade e seletividade que lhe caracterizavam.

Por outro lado, o reforço fornecido pelo prazer sexual é autônomo e independente do estímulo que o suscitou, uma vez que produziu, o que confunde mais o adolescente. Daqui se infere o erro de ter experimentado prazer com um homossexual, então é que ele é homossexual, como isto fosse uma prova de verificação irrefutável.

O homem será livre de assumir ou não o que é; mas aí começa e aí acaba também sua liberdade a respeito do sexo: em aceitar ou repelir o gênero em que consiste.

Isto quer dizer que o homem se autodetermina relativa e livremente em sua sexualidade. Na medida que elege o que por sua natureza é elegível, seu comportamento sexual (quantitativa e qualitativamente) se moldará em uma certa maneira; do mesmo modo que certas preferências por determinados estímulos lhe vão a permitir selecionar, criar e “recriar” aqueles estímulos que, sucessivamente, vai confiar a capacidade suscitadora de suas próprias respostas.

A pessoa se compromete tanto com seu próprio comportamento sexual como com os estímulos que elege, vinculando-se com todo ele, integrando-o e implicando seu próprio eu (implicação do ego) nas eleições que realizou e no contido destas. Dito em outras palavras: a pessoa dispõe de uma liberdade virtual para determinar sua conduta sexual, configurando-a e modelando-a segundo que escolheu e seu estilo pessoal, que por sua vez em parte determinado pelo modo em que seu ego implica sexual e pessoalmente.

Cada pessoa acaba configurando ou desenhando originariamente aqueles estímulos capazes de colocar em marcha o “disparar” de seu próprio comportamento sexual.

Nestes repertórios estimulares que cada pessoa se “fabrica”, encontramos, muitas vezes, estímulos que, apesar de serem insólitos, não usuais ou inaceitáveis, não obstante, têm a estranha capacidade de suscitar nessa pessoa concreta uma determinada conduta sexual.

Neste caso, a patologia sexual que se manifesta através dos estímulos que se escolheram, sim que poderia considerar-se, em certo modo, como elegível e até livremente desenhada por quem assim a realiza, quem forçosamente teria que assumir a cota de responsabilidade que por essa ação lhe compete.

O estilo de comportamento que resulta de tudo isto no âmbito da homossexualidade é, as vezes, configurado segundo certo padrão resistente à extinção, de fácil resposta ante qualquer outro estímulo parecido por efeito da habituação, e, em suma, consolidador da aprendizagem que, com antecedência, livremente se realizou.

São muito numerosos os exemplos que sobre este particular poderiam trazer aqui. Isto é o que acontece quando a sexualidade é entendida como um mero comportamento que há de provar (“provação”) ou quando é reduzida a uma mera experiência sexual (“experimentalismo”). Pouco tempo depois, e atrás da repetição de atos – se supõe que livremente escolhidos -, ditas pessoas já só responderão sexualmente ante a apresentação daquele estranho estímulo que, paradoxalmente, foi escolhido por elas tempos atrás.

Muitas das condutas sexuais desajustadas do homem contemporâneo – tanto em sua programação, suscitação e iniciação, como em sua manutenção, finalização e consolidação – poderiam explicar-se através deste último fator, que, obviamente, condiciona também o processo da identidade sexual.

Também, então – há uma casuística clínica muito ampla que assim o atesta – pode o homem arruinar a identidade sexual conquistada ao longo das numerosas etapas que integram seu prolongado e complexo processo evolutivo.


[continua...]

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