terça-feira, 8 de outubro de 2013

[FH] O processo de autoidentificação homossexual [VI]


[Continuamos com a série de textos do Dr. Aquilino Polaino-Lorente, sobre o processo de autoidentificação homossexual. Muitos irmãos e irmãs que lutam contra a atração pelo mesmo sexo (AMS) encontrarão aqui elementos que conectarão com a própria experiência de vida. Os que não enfrentam tal batalha, terão oportunidade para conhecer melhor um pouco do drama que enfrenta uma pessoa que luta contra AMS e como ajudá-la. Veja a parte anterior aqui]. 

Sétima etapa: “experimentar” para confirmar o apelido atribuído

Se o menino não responde ao apelido de seus companheiros, se não aborrece-se mesmo que seja habitual que o chamem de “marica”, está em certo modo confirmando com sua atitude o apelido que foi atribuído a ele. O que significa, entre outras coisas, que com o modo de comportar-se está satisfazendo as expectativas que tem acerca dele, quem concebeu tal apelido.

É muito possível que o menino se veja forçado pela situação a tolerar a falsa identidade vertida sobre ele por seus companheiros, através do apelido. Mas é que não encontra solução melhor que esta, pois não vai estar brigando com todos eles cada dia. A ele é mais fácil acostumar-se a esse apelido, impermeabilizar-se a respeito dele, não responder e, de alguma forma, aceita-lo, mesmo que com ele acabe por confirmar que ele, de uma forma artificialmente imposta o que o apelido significa.

Seria apressado pensar que tal apelido resulta indiferente e que se adapta a ele com demasiada facilidade. Não deveria se esquecer em todo esse processo a pressão a que tem estado submetido, assim como suas dúvidas a respeito de sua própria identidade de gênero, tudo o qual o fazer ocupar uma posição certamente vulnerável.

Neste contexto, é compreensível que o menino se faça algumas perguntas – para as que nem sempre dispõe de uma resposta congruente e tranquilizadora - como as que seguem: “Não é raro tudo o que me está acontecendo? Estes não têm razão ao chamar-me de “marica”? Serei realmente homossexual?

As dúvidas seguem, o apelido continua adiante sem que se tome nenhuma decisão para resolve-lo, enquanto isso as relações interpessoais resultam mortificantes e raras. O que pode fazer para sair da dúvida? Ao adolescente ocorre fazer um experimento probatório e tentativo: colocar-se à prova, quer dizer, buscar uma prostituta e comprovar sua própria capacidade. “Se funciono – diz a si mesmo – é que não sou homossexual, e se não funciono, é que sou”.

O habitual é que o experimento não funcione. A inexperiência própria de sua idade, a ansiedade que tal situação acarreta e sua própria atitude dubitativa acerca de se é homossexual ou não, constituem as circunstâncias mais apropriadas para a obtenção de um desastroso resultado “experimental”.

De aqui saia deprimido e pensando que isto confirma que ele é homossexual. O resultado é um obstáculo que possivelmente o acompanhe em toda  a sua vida e que, apesar de carecer de fundamento, não obstante, desempenha função idêntica à de uma prova que o confirmara na temida homossexualidade.

Com este experimento quase sempre acaba mal, o adolescente desenhará outros novos intentos para sair de suas dúvidas e assim confirmar ou não tal apelido. Se inicia assim um segundo experimento. “Dado que aquela experiência me falou – se disse a si mesmo -, vou a esse lugar onde, me disseram, se reúnem os “gays”, para ser se ali sou capaz de sentir algo”.

Tal modo de proceder é pior que o anterior, entre outras coisas porque não sanará as dúvidas que tem acerca de sua própria identidade sexual. Ademais, se algum conhecido o surpreende nesse contexto, se agravará todavia mais o apelido que o atribuíram. Por outro lado, se fazer amizade com algum homossexual, seja sincero com ele e fica simpático, aumentarão suas dúvidas, com independência de que entre eles não hajam nenhum contato sexual. A afetividade pode acabar articular-se com a sexualidade, reconfirmando de forma experiencial e mais enérgica que antes as suspeitas derivadas do apelido.

É possível que neste contexto tenha alguma experiência sexual. Basta, por exemplo, que um amigo maior o “ensine” e/ou ajude a masturbar-se, o que é frequente em muitos adolescentes que não receberam educação sexual de seus pais. Neste caso atribuirá o prazer que obtenha à ação de seu amigo, inferindo erroneamente que isso acontece por ser homossexual. Se essa conduta se reitera algumas vezes mais, será interpretada pelo adolescente como uma experiência confirmatória do que antes imaginava, apesar e mais além de suas dúvidas e temores.

É possível que motivado por encontrar solução aos seus problemas, reitere sua visita uma e outra vez a esses ambientes. Como, por outro lado, não se atreve a comenta-lo em casa, optará por levar uma “vida dupla”, uma das quais – a suspeita da homossexualidade – a guardará como um segredo em seu coração e a viverá como algo vergonhoso e intimista, o que tem uma maior potência confirmatória do apelido homossexual.

Esta “vida dupla” nos adolescentes inseguros tem um efeito muito pernicioso. Entre outras coisas, porque os faz perder o vigor e a fortaleza de sua devoção radical pela autenticidade. Esta “vida dupla” extingue sua simplicidade e enrarece sua personalidade, ao mesmo tempo que o aleija do seu núcleo familiar e o afunda na hipocrisia, no cinismo e na impostura. Tudo o que foi afirmado, linhas atrás, sobre o adolescente varão, sucede de forma muito parecida com a mulher adolescente.

[continua...]

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