terça-feira, 5 de novembro de 2013

[FH] O processo de autoidentificação homossexual [X]

[Estamos chegando na reta final da série de textos do Dr. Aquilino Polaino-Lorente, sobre o processo de autoidentificação homossexual. Muitos irmãos e irmãs que lutam contra a atração pelo mesmo sexo (AMS) encontrarão aqui elementos que conectarão com a própria experiência de vida. Os que não enfrentam tal batalha, terão oportunidade para conhecer melhor um pouco do drama que enfrenta uma pessoa que luta contra AMS e como ajudá-la. Veja a parte anterior aqui]. 

Décima terceira etapa: o ensamblado atribuído social e o modelo pessoal

O modo em que se ensamblam as diversas atribuições sociais da homossexualidade acabam por configurar um ícone, representação ou “pensamento dominante”, desde o qual se leva a cabo o modelo de quem experimenta certas inseguranças a respeito de sua identidade sexual.

Daqui que não sejam indiferentes as ideias e opiniões que acerca desta questão se coloquem em circulação social, a respeito da incidência e prevalência da homossexualidade.

Por outro lado, o incremento da homossexualidade masculina suscita e aumenta a incidência da feminina. Do fato inegável do aumento da homossexualidade masculina, parece seguir-se, na atualidade, uma maior incidência de lesbianismo.

Outra coisa que a percepção social se comporte de diferente forma a respeito de uma ou outra. É possível, por isso, que haja mais lésbicas do que parece. O que acontece é que desde a perspectiva social, e em função das atribuições de gênero e de papéis, é mais difícil detectar e identificar o comportamento de uma lésbica que o de um homossexual varão.

O apelido social não tem a mesma força, a este respeito, entre um ou outro gênero. Mas reconhecendo que na atualidade haja menos lésbicas que homossexuais, se aumenta a homossexualidade masculina, de seguro que aumentará também o lesbianismo.

E isso, porque os dois gêneros, os dois sexos são complementares. Se os varões se tornam homossexuais, a complementaridade entre os gêneros se quebrará e, em conseqüência, as mulheres não poderão receber esse complemento significado pelo varão, nem tampouco ajuda-lo como é devido. Nesse caso, é compreensível que a mulher volte também para ela mesma e acomode suas necessidades de afeto e instintivas a outra pessoa do mesmo sexo. Com isto, todos perdem e ninguém ganha.

De fato hoje se incrementou também isso que com certa ambiguidade, se conhece com o término de bissexualidade. Isto demonstra a confusão social existente, assim como o poder das ideias postas em circulação para a “construção social” da sexualidade humana. Na realidade, isto nada tem a ver com o sexo biológico, embora mais bem com ele haver-se apostado pelo sexo como único e supremo valor da conduta humana, quer dizer, como prazer exclusivo, único e absoluto.

Quando isto acontece, então a sexualidade se desnaturaliza e perde seu norte e seu sentido. Se qualquer forma de satisfação sexual é tão válida como qualquer outra, se casa conduta significa apenas um uso alternativo e hedônico desconectado de toda finalidade, então tudo está permitido e, por conseqüência, tudo vale. Mas se aqui tudo vale, então é que já nada vale.

Acaso, por isso também, a sexualidade vale hoje menos que nunca. Talvez, por isso, na atualidade, é tão baixo o índice de satisfação sexual no homem e na mulher. A desnaturalização da sexualidade, sua trivialização e redução a mero prazer hedônico e mecânico faz que muitas pessoas a vivam como uma sexualidade alienada, manipulada, arruinada, frustrada, amputada, incompleta, em uma palavra, insatisfatória.

Se o sexo é sinônimo de prazer e só prazer, parece lógico que as pessoas se fiquem indiferentes ao modo em que podem obtê-lo, com independência de que tenham coito com uma pessoa do outro ou do mesmo sexo.

Por outro lado, se culturalmente tudo está permitido no interpretativo atribuído da sexualidade – veiculado e disseminado pelo “pensamento dominante” -, opta pelo total permissivismo, onde pude ir a pessoa para encontrar os trações de sua identidade sexual? Para que comprometer-se com alguém? Até quando poderá se comprometer? Para que gerar filhos?

Mas o sexo não é isso, ao menos, não é só isso. A sexualidade humana exige a comunidade de pessoas, a doação e aceitação recíproca de dois seres de gêneros diversos – o que se fundamenta nas diferenças que há entre eles -, que tratam de complementar-se na busca da mútua e comum felicidade conjugal e familiar.
Outra conseqüência deste funesto modelo social da sexualidade humana é a emergência de certos paradoxos incompreensíveis. Ao mesmo tempo que a família tradicional parece estar em inflação e que o matrimônio está desprestigiado – divórcio, separações, uniões irregulares, incremento das famílias monoparentais e reconstituídas, etc.-, por que se pede o matrimônio entre os homossexuais com a radicalidade de um direito inalienável e irrenunciável?

Ao que parece tal forma de ensamblado só serve para abolir as diferenças entre a homossexualidade e a normalidade o que, sem dúvida alguma, contribuirá para aumentar a incidência da primeira.

[continua...]

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