terça-feira, 12 de novembro de 2013

[FH] O processo de autoidentificação homossexual [XI]

[Estamos chegando na reta final da série de textos do Dr. Aquilino Polaino-Lorente, sobre o processo de autoidentificação homossexual. Muitos irmãos e irmãs que lutam contra a atração pelo mesmo sexo (AMS) encontrarão aqui elementos que conectarão com a própria experiência de vida. Os que não enfrentam tal batalha, terão oportunidade para conhecer melhor um pouco do drama que enfrenta uma pessoa que luta contra AMS e como ajudá-la. Veja a parte anterior aqui]. 

Psicodinâmica, prognóstico e evolução das condutas e atitudes homossexuais

É bastante improvável que possam estabelecer-se alguns critérios rigorosos acerca do modo como evoluem estes comportamentos, assim como das estratégias modificadoras que são mais eficientes. Em qualquer caso, as “receitas” muito pouco servem aqui, dada a versatilidade dos fatores etiológicos que se reúnem na homossexualidade e de seu perfil sintomático muito diverso, de comportamento e pessoal

Não obstante, há certos indicadores que, apesar da categoria de variabilidade individual a que estão submetidos, podem ser de certa utilidade. Este é o caso, por exemplo, daquelas manifestações que começam em idades mais precoces e que temos denominado com os termos da “menina macho” e o “menino afeminado”.

O caso da “menina macho”, a psicodinâmica, o prognóstico e a evolução destas condutas e atitudes são muito diferentes do que acontecem com o “menino afeminado”. É certo que especialmente durante a pré-adolescência vão afirmando as condutas masculinizantes nestas meninas. Mas, quase sempre, estas condutas se interiorizaram antes, expressando-se através de alguma atividade, que com muita freqüência costuma ser do tipo esportivo, onde se tolera uma dose maior ou menor de agressividade – se como costuma ocorrer “se sai a ganhar” -, o que permite uma certa simulação que dificulta a identificação destes comportamentos.

Pelo geral, ao chegar na pré-adolescência na “menina macho” diminuem ou se anulam as anterioes preferência que tinha pelos varões, observando com simpatia, ao menos durantes esta etapa, que em seu grupo se integrem mais meninas que meninos.

É possível que em uma evolução (como a aqui descrita) intervenha uma importante constelação de fatores socioculturais, de reforços, gratificações e penalizações que, em última instância, são os responsáveis de tal evolução psicodinâmica no processo de diferenciação sexual (cfr. Polaino-Lorente, 1992).

Isso qyer dizer que a aprendizagem social – e os eventos distintos em que aquela se fundamenta, como os reforços, as gratificações e os estímulos aversivos – pode desempenhar um importante papel na explicação da evolução que se acaba de descrever, no que se refere à “menina macho”.

No caso do “menino afeminado”, tanto a psicodinâmica como o prognóstico e a evolução não aparecem com uma maior carga patológica, com um maior grau de complexidade.

No “menino afeminado” é de vital importância estudar e tratar de ajudar os pais – se é que o necessitam -, pois com freqüência sua reação é de forma muito pior que as mães. Por outro lado, esta ajuda é tanto mais importante quanto que muito possivelmente haja que se apoiar neles para o tratamento do menino. Daqui que seja muito aconselhável sempre o tratar de ajudar-lhes.

Com efeito, as interações entre pais e “filhos afeminados” são muito variadas e todas elas relativamente complicadas. Em uns casos os pais sentem alterada sua personalidade sexual por causa do que acontece com seus filhos. Nestas circunstâncias costumam aduzir ou recriminar-se por haver fracassado como pais, ao não ter sabido transmitir a seus próprios filhos o modelo de masculinidade que precisamente aqueles necessitavam para tratar de identificar-se com eles.

Em outras ocasiões, a conduta de seus filhos os faz voltar a revisar o modelo de comportamento masculino que até então tinham, por considera-lo talvez como demasiado exigente, distante e idealista, ao que atribuem as dificuldades encontradas  pelo menino para se identificar com eles. Mas não sempre os pais respondem auto culpabilizando-se para salvar assim seus filhos.

Há pais que nessas mesmas condições aumentam suas exigências ao menino, supondo que com ele lhe fazem um favor para que assim seu filho tenha um comportamento mais masculino. Não se dão conta de que ao proceder desta forma acabam por causar um repúdio total do comportamento masculino em seus filhos e, por conseguinte, o efeito contrário do que se proporiam conseguir.

Outras vezes são os filhos os que repudiam tudo o que procede de seus pais (hábitos de comportamento, estilo de vida, valores, etc.), gerando que seus pais se sintam repudiados. Perante essa situação, cada pai responde de um modo diferente e relativamente peculiar (Polaino-Lorente, 1990). Alguns de desentendem por completo desse filho, enquanto buscam uma compensação voltando-se, todavia mais em outra filha ou em um filho maior, que não apresentam dificuldade alguma. O repúdio infantil, outras vezes, é mal aceito pelo pai, que responde com agressividade, violência, ansiedade e culpabilidade, provocando um distanciamento de seu filho todavia maior e, o que é pior, um modo de interação bastante patológico.

Por tudo isto que resulta imprescindível conhecer, valorizar e afrontar qual é o comportamento do pai e suas atitudes ante o problema, em que medida considera que pode ajudar ao seu filho a modificar esse comportamento que tem detectado, como explicar a origem e as manifestações dessa conduta, etc. A indagação nestas questões não somente tem uma grande importância para verificar a validade do diagnóstico, sem que muitas vezes constitui uma importante via que facilita a abordagem terapêutica.

[continua...]

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