segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

[Esp] Imaculada Conceição de Maria


pelo Padre Émile Neubert




[Em seu "Plano espiritual para redicionar a vida para o homossexual de hoje", o padre John Harvey, nosso fundador, sugere que a pessoa com AMS, além de outros elementos para o plano de vida, tenha alguma forma de devoção à Virgem Maria e aos santos. A verdadeira devoção a Maria, como ensina S. Luís Maria Grignion de Montfort, é sinal de predileção do Céu. Maria venceu o mundo e o demônio e é exemplo para nós, seus filhos e filhas que temos a batalha diária com a atração pelo mesmo sexo. Como Mãe da pureza, Maria vela particularmente por cada um de nós, para que tenhamos, por sua intercessão, a graça necessária para alcançarmos a castidade de corpo e de coração. Entreguemo-nos, assim, ao cuidado de nossa Mãe do Céu e repitamos, sem cessar, em todos os momentos, a cada dificuldade que se apresentar em nossa batalha, a jaculatória tão conhecida: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós.]


A Imaculada Conceição é em primeiro lugar um mistério de pureza singular. Existem no céu e na terra almas totalmente puras, entretanto a pureza da Imaculada foi única, pois só Maria foi pura desde a sua conceição; é também única pela revogação da lei universal decorrente do pecado original, que só existiu neste mistério. É verdade que nossos primeiros pais e os anjos foram criados imaculados, mas neles a ausência do pecado estava de acordo com a lei da sua condição. Maria, pelo contrário, foi sempre imaculada apesar da sua condição, que a sujeitaria ao pecado original da mesma forma que se aplicou aos outros seres humanos. As consequências desse privilégio único foram também únicas: plenitude de graça, dons de integridade, perfeição espiritual e corporal. A Imaculada Conceição foi também uma preparação para a maternidade divina, que em Maria é outra dignidade única.

Por ser a Imaculada Conceição um mistério de pureza, é também um mistério de amor, pois a pureza é uma condição para o amor a Deus. Desse ponto de vista, a pureza original de Maria deve agradar sumamente a Deus, mais ainda do que sua pureza virginal, pois poderia não ofender a Deus se sacrificasse a segunda, ao passo que sem a justiça original Ela estaria privada dessa pureza sem a qual a amizade com Deus não é possível. Graças à sua pureza original, seu amor a Deus adquire uma característica inteiramente singular. Compare-se isso com a diferença de sentimentos entre uma esposa que admitiu um pensamento de infidelidade a seu marido durante um momento e outra que sempre manteve inviolável a fidelidade; ou ainda a que existe entre uma alma que num só instante consentiu numa sugestão má, e outra que, em meio a todos os ataques de Satanás, conservou sua pureza batismal. Por mais que as duas primeiras de ambos os exemplos tenham reparado suas faltas, nos corações das outras duas há uma satisfação íntima que lhes dá a consciência de terem sido sempre fiéis. Uma satisfação assim, porém incomparavelmente maior, deve ser a de Maria, por jamais ter permanecido em estado de inimizade com Deus. Como Imaculada, Ela se sente a filha bem amada do Pai, abraça seu Filho e se une ao Espírito Santo, com simplicidade, confiança e delicadeza de amor que só pertencem a Ela, pois somente nela não existe a lembrança de um momento em que tal atitude foi permitida.

Nós participamos da alegria da Imaculada, exaltamos ante o pensamento de que uma criatura humana livrou-se inteiramente das tentações de Satanás, e sabemos também que essa criatura é nossa Mãe, nascida de uma raça universalmente manchada, mas se manteve mais pura e brilhante do que o mais sublime dos anjos.

Pelo mistério da Imaculada Conceição, Maria triunfou sobre Satanás, autor de todo mal, com um triunfo sem precedentes. Sob o calcanhar dela, Satanás sofreu sua primeira derrota completa, absoluta e irreparável, como jamais sofrera desde o início do mundo. Foi um triunfo a própria proclamação desse mistério, apesar de tantos obstáculos. Pela sua proclamação, a solene afirmação do reino da graça triunfou contra o materialismo invasor, que parecia desfechar os últimos golpes sobre a fé em realidades sobrenaturais; e ao mesmo tempo reafirmou a autoridade pontifícia, num momento histórico em que todos os poderes humanos e infernais estavam conluiados contra Ela.

A Imaculada Conceição não faz lembrar apenas o longínquo triunfo da Virgem no dia de sua conceição no seio de Santa Ana, ou sua glorificação por todo o universo católico em 1854. Trata-se do símbolo e anúncio de um triunfo mais amplo e mais durável. Somos interessados nesse triunfo, pois pertence também a nós a causa de Maria, que juntamente com sua posteridade deve esmagar a cabeça da serpente, e essa posteridade somos nós, começando por Jesus. A guerra entre o demônio e a raça da Mulher, que começou no início do mundo, durará até o fim dos tempos, e a glorificação da Imaculada Conceição deu realce surpreendente ao papel da Mulher nessa guerra. Cada vez mais manifestamente, é sob a direção dela – Maria duce – que a luta deve prosseguir; e para sermos vencedores, é em seu nome que os soldados devem combater. Com Ela a vitória é certa, pois debaixo dos seus pés a serpente se contorce impotente. Portanto, a Imaculada Conceição é um triunfo para Maria, mas também para nós.

A definição desse privilégio foi a proclamação do reino de Maria nos tempos atuais e do apostolado mariano completo, que é o apostolado por meio dela e sob o seu comando. Isso é o que todos os católicos sentiram, pelo menos vagamente. Alguns o compreenderam claramente, inspirando-se nessa indicação providencial para imprimir orientação francamente mariana à sua vida e ao seu apostolado. E os fatos deram razão à sua fé.


(Neubert, Padre Émile. Maria Santíssima como a Igreja ensina. São Paulo: Petrus, 2013)


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