quinta-feira, 3 de março de 2016

[FH] A Igreja impõe a cura da AMS?



A Igreja não obriga, aos homens e mulheres com AMS, que procurem uma "cura", ou seja, que a pessoa desenvolva necessariamente atração pelo sexo oposto. Ela pede que se viva a santidade. Basta ler o parágrafo 2359 do Catecismo da Igreja Católica.

"As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã".

Santidade. O apoio espiritual oferecido pelo Courage, através de suas cinco metas e doze passos, visa exatamente esse objetivo. Não somos um apostolado de “cura”. Necessitamos, sem dúvida, do apoio de psicólogos católicos para que as pessoas que procuram o Apostolado possam ser auxiliadas a desenvolver plenamente a auto-confiança, a boa auto-estima, a maturidade afetiva, assim como viver sua masculinidade (para os homens) ou feminilidade (para as mulheres) de maneira cristã. O que não implica, como já dissemos, "cura".

Isso não exime a cada um, homem ou mulher com AMS, de combater sua tendência desordenada, não se deixando levar a praticar atos de homossexualidade, como o próprio Catecismo define. A pessoa com AMS deve, sim, evitar pensar e agir de maneira homossexual, procurar superar a carência afetiva, a dependência emocional, para viver de maneira plena e santa. E é essa a proposta de nosso apostolado, com suas metas e passos. Mas, como já dissemos, a Igreja não obriga moralmente ninguém a procurar terapias reparativas, e o Courage não endossa nenhum tipo particular de terapia para reorientação sexual.

Isso significa que o Courage não apóia que a Psicologia possa desenvolver sadios estudos que visem uma correta compreensão do fenômeno da homossexualidade e que permitam ajudar as pessoas a encontrarem caminhos para despertar na pessoa com AMS a atração pelo sexo oposto e diminuir a atração pelo mesmo sexo? Também não. Nosso fundador, o padre Harvey, era doutor em Teologia Moral e psicólogo. Em seus livros, em especial no “The truth about homosexuality” – “A verdade sobre a homossexualidade”, nosso fundador, ao mesmo tempo que informa a existência de programas de reorientação sexual, esclarece que o Courage não desenvolve esse trabalho e nem endossa ou recomenda que seus membros participem desses programas, deixando a cada um a decisão de procura-los ou não.

Neste ponto, vale ressaltar a distinção feita pelo Padre Harvey entre “cura espiritual” (que se obtém pela prática da ascética católica) e “cura psicológica”. Ele demonstra que a primeira não implica na segunda, e que apenas a cura espiritual é necessária para nossa salvação. Cita o exemplo dos santos, afirmando que muitos deles, apesar de curados espiritualmente, não foram, necessariamente, psicologicamente curados, continuando a sofrer, em alguns casos, de tendências neuróticas. A Igreja quer que o Courage seja apenas um ministério que oferece apoio espiritual para que se alcance, além da vivência da castidade, a principal meta da vida de qualquer homem ou mulher católicos: a santidade. A santidade é para todos, e é também para você, homem ou mulher com AMS que, por uma má compreensão de sua inclinação ou por influências externas, pensa não poder ser santo e feliz se a AMS permanecer em sua vida.

O homem foi feito para conhecer, amar e servir a Deus nesta Terra, com as cruzes que tiver de carregar. E há duas maneiras de carregar sua cruz: com alegria ou com tristeza. O justo se alegra de suas cruzes, pois sabe que elas são motivo de união com seu próprio Deus, que carregou a cruz por amor a nós. "Essas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição" (CIC 2358). Aquele que não é justo se entristece, pois quer a vida que o mundo oferece, quer fazer a própria vontade e não a vontade de Deus, que se manifesta de maneiras muitas vezes incompreensíveis para nós.

Seja AMS ou qualquer outra cruz, Jesus disse que o fardo dele é leve. Não coloque sobre suas costas um jugo, uma obrigação de cura, que nem Cristo nem a Igreja pedem a você. A AMS é uma entre tantas outras inclinações desordenadas que herdamos por sermos filhos de Adão e Eva. A cura pode ser procurada, desde que não se esqueça da melhor cura: a do pecado. A batalha pela santidade, o carregar a cruz, durarão a vida inteira. Mas o prêmio do soldado fiel, ao final da batalha, depois que morrermos, é certo: a posse de nosso Deus, a presença de sua Mãe Santíssima, a companhia dos anjos e santos. Coragem!


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