sábado, 24 de setembro de 2016

[FH] O desafio de uma vida casta - Sexualidade em uma vida casta e solteira [IV]



[Continuamos aqui o assunto abordado no post anterior sobre sobre como vivenciar a própria sexualidade dentro da castidade, a partir de de textos escritos pelo Pe. Benedict J. Groeschel no seu The courage to be chaste (A coragem de ser casto) inédito ainda em português. O post anterior pode ser lido aqui]

Atração e paixão




Nós já discutimos relacionamentos baseados em atração não-sexual e aqueles que são apenas secundariamente sexuais. A pessoa solteira deve aceita-los com calma e inteligência. Uma palavra deve ser dita a respeito da paixão – uma forte e emotiva atração. Semelhante atração é baseada na complementaridade, uma dinâmica na qual as forças de uma pessoa respondem às necessidades de outra. A complementaridade pode ser vista como o fundamento mesmo da heterossexualidade, até no âmbito físico, onde as características físicas que faltam a um sexo são muito atrativas para o sexo oposto. Complementaridade em um grau muito mais elevado inclui emoções, traços da personalidade e talentos, e é o fundamento de um bom matrimônio.

Complementaridade opera também  em muitas amizades. Somos parcialmente puxados por outros, porque eles são semelhantes a nós e, também, porque eles têm o que nos falta e precisam do que temos em abundância. Alguns escritores usaram o termo paixão para descrever a forte experiência dessas relações complementares. Eu preferiria restringir o termo para aquela fase da relação, geralmente de vida curta, na qual a outra pessoa é idealizada, tal como no romance, ou na admiração pelo herói, ou num tipo superficial de discipulado.

Paixão, que é complementaridade na sua forma mais elementar, deve se desenvolver numa amizade mais real, que vá além da complementaridade, se é para ela continuar. Meditar sobre o Evangelho levou-me a acreditar que, de certo modo, os primeiros discípulos experimentaram paixão pelo Messias e que sua relação com Ele teve de ser purificada e transformada em algo mais do que admiração pelo herói. Esse crescimento de conscientização foi uma parte necessária da sua preparação, que seria posta à prova máxima da Sexta-Feira Santa.

A pessoa solteira não deve ficar com medo da complementaridade ou da paixão, mesmo os começos da paixão sexual. Porém, para manter uma vida solteira e casta, deve-se ser realista e objetivo a respeito dessas experiências de paixão, em especial se elementos sexuais e românticos estiverem escondidos sob a superfície. Em relações não-sexuais tais como a admiração pelo herói, o perigo pior é aquele de ficar olhando como um bobo. Nas relações sexuais, um grave desajuste de duas personalidades pode tomar o lugar e muito mal pode ser feito. A pessoa solteira deve isto a si própria: reconhecer a paixão e crescer rapidamente para além dela.

A compulsão sexual e a perda do controle


A pessoa solteira deve viver com a possibilidade de compulsões sexuais que estão enraizadas nas forças inconscientes ou que derivam de crises da vida não resolvidas. O controle sexual é, com freqüência, o elo mais fraco na personalidade e sistema de controle de alguém. Quando as coisas vão mal ou quando alguém está sob muita pressão, um comportamento sexual indesejável deve provavelmente acontecer. O medo de perder o controle sexual causa à pessoa, com freqüência, grande problema com ansiedade. Será um grande passo à frente no desenvolvimento da nossa espécie quando formos capazes de avaliar a perda do controle sexual como sintomático de tempos de luta interior, ao invés de sempre condenar isso como uma ação saída dum simples impulso imoral ou, ainda mais perigoso, justificá-lo por uma racionalização desonesta.

A perda do controle sexual leva a um comportamento indesejado que o indivíduo vê como imoral e quer evitar. Isto é um perigo para a pessoa solteira, em especial. Muitos dos mecanismos de controle presentes no casamento não estão disponíveis na vida solteira. Hammarskjöld fez a seguinte observação em Markings:

“Então, mais uma vez, você optou por si mesmo – e abriu a porta para o caos. O caos que você se torna toda a vez que Deus não respousa a mão sobre sua cabeça. Ele, que um dia esteve sob a mão de Deus, perdeu a inocência: apenas sente toda a força explosiva da destruição que é liberada num momento de rendição à tentação. Porém, quando sua intenção está direcionada além e acima, como ele é forte, com a força de Deus que está nele, porque ele está em Deus. Forte e livre, porque seu eu não existe mais”[1]

O medo de perder o controle nos períodos de estresse é um grande argumento para tentar viver uma vida sã e equilibrada, se você é solteiro. Depois nós veremos como os hábitos mentais são necessários para manter o controle sexual e bom equilíbrio geral.

[continua...]


[1] Markings. New York: Alfred A. Knopf, 1966, p.98

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