quinta-feira, 8 de setembro de 2016

[FH] O desafio de uma vida casta - Sexualidade em uma vida casta e solteira [II]


[Continuamos aqui o assunto abordado no post anterior sobre sobre como vivenciar a própria sexualidade dentro da castidade, a partir de de textos escritos pelo Pe. Benedict J. Groeschel no seu The courage to be chaste (A coragem de ser casto) inédito ainda em português. O post anterior pode ser lido aqui]

EXPRESSÕES CASTAS

DA SEXUALIDADE


Esta frase pode surpreender um pouco. Nós ligamos as palavras sexual e genital, implicando o envolvimento dos órgãos reprodutivos. O fato é que nós expressamos nossa identidade sexual no jeito como andamos, falamos, nos vestimos, trabalhamos e nos divertimos. Cada pessoa tem direito a sua própria expressão da autoimagem, a menos que, como Barbazul e Jezebel, essa expressão seja danosa aos outros.

Se você é solteiro, pode valer a pena fazer um balanço de si próprio. Você está confortável com quem você é, ou está pouco à vontade e projeta uma falsa imagem de si? Enquanto alguns solteiros se vestem e agem sedutoramente por ingenuidade, outros passam pela vida num tipo de modo neutro, tanto que não se tem certeza se eles são homem ou mulher. Não estou me referindo a uma mulher excessivamente assertiva ou a um homem excessivamente refinado, mas a pessoas que optaram por apresentar-se como sexualmente nulos. Tal situação me diz que, infelizmente, eles não estão em paz com sua sexualidade.

Há aqui um problema especial para solteiros com tendências homossexuais. Aqueles que tentam levar uma vida casta sofrem porque se sentem desonestos por não revelar suas tendências homossexuais para outros. Eles ficam “no armário”. Todavia, seus amigos e parentes podem não estar preparados para eles e a revelação das suas tendências homossexuais. Certa vez um homem, que abandonou uma longa trajetória homossexual, escreveu-me o seguinte: “Estou cansado de ser algo que não sou. Estou farto de permitir que dois por cento do meu corpo dominem o todo da minha existência. Estou cansado de pensar em mim mesmo como homossexual. Eu não sou. Sou uma pessoa e devo isso a mim, de ser uma pessoa – ser eu”.

Por alguma razão os clérigos e os religiosos em particular costumavam sentir-se obrigados a se apresentar a si mesmos como neutros. A maior parte do tempo isso não funcionou e qualquer um familiarizado com a vida religiosa sabia que muitos estavam claramente confortáveis com os próprios gêneros, enquanto tinham sua sexualidade sob bom controle. Um conhecimento razoável da vida dos santos religiosos revela que estes ilustres cristãos eram bem claros na apresentação da própria autoimagem.



E quanto aos homens não tão masculinos e às mulheres não tão femininas? Esta é uma questão real para os solteiros em geral, e para os religiosos em particular. Nas profissões auxiliares, entre professores, assistentes sociais, profissionais de saúde e clero, muitos homens têm uma bem desenvolvida “anima”, o lado feminino, e muitas mulheres parecem ter um forte “animus”, ou o lado masculino, nas suas personalidades. Este balanço torna possível ao indivíduo ajudar criativamente a outros. Qualquer um que encontre um justo e forte elemento do outro gênero na própria personalidade tem de ser objetivo e cuidadoso com a apresentação de si mesmo. É certamente indesejável comunicar uma mensagem confusa ou conflituosa a respeito da própria autoimagem.

Um tipo curioso de agressão passiva e autorejeição pode se desenvolver no menino demasiadamente gentil ou na menina demasiadamente agressiva. Eles podem ser forçados pelos outros a não gostar de si mesmos. Se isto se junta à ansiedade a respeito da homossexualidade, então a pessoa pode tornar-se assertiva num caminho autodestrutivo. Parece-me que resoluções de pose ou autozombaria – até mesmo o uso da palavra “gay” - são fugas duma infância ou adolescência cheias de ódio contra si. Essa propensão destrutiva é realmente uma forma de autopunição que não torna a vida solteira mais fácil nem mais produtiva.

Um dos lugares-comuns da psicologia pop é que todos devem estar confortáveis com sua sexualidade. Tal afirmação é provavelmente uma descrição do mundo antes da Queda. Pouquíssimas pessoas com menos de setenta e cinco anos (alguns dizem noventa) estão assim tão confortáveis com sua sexualidade. Ela é uma força muito complexa e poderosa, tão familiar e, ainda assim, enterrada no subconsciente.

Todos, inclusive a pessoa solteira e casta, conscientemente e inteligentemente, devem tentar integrar a sexualidade no todo da vida. A castidade é uma expressão da sexualidade. Quanto ela não a seja, tanto a mera abstinência sexual será expressão de repressão e irrealismo. Toda pessoa madura tem de ser realista sobre a sexualidade, mais do que ninguém aquela tentando ter uma vida solteira e casta.

[continua…]

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