quinta-feira, 6 de outubro de 2016

[FH] O desafio de uma vida casta - Sexualidade em uma vida casta e solteira [V]



[Continuamos aqui o assunto abordado no post anterior sobre sobre como vivenciar a própria sexualidade dentro da castidade, a partir de de textos escritos pelo Pe. Benedict J. Groeschel no seu The courage to be chaste (A coragem de ser casto) inédito ainda em português. O post anterior pode ser lido aqui]

Tendências homossexuais




Nós sugerimos já que um bom número de homens e mulheres permanecem solteiros por causa de tendências homossexuais. Uma discussão mais detalhada sobre essa condição é aqui situada. [...]

A confusão presente


No livro eu refrearei o uso da palavra homossexual como um substantivo. Apesar de eu conhecer um número de pessoas com essas tendências, eu nunca direi, “Joe é homossexual”. Para mim, Joe é uma pessoa. Mesmo que nós usemos a palavra que esteja à mão e digamos “Sam é um alcoólatra”, ou “Maria é uma psicótica”, eu prefiro dizer “este e aquele são pessoas com esta ou aquela tendência”. Deus não criou alcoólatras e psicóticos, eu nunca encontrei ninguém que Ele fez homossexual. Deus criou pessoas.

Eu escuto com frequência pessoas com tendências homossexuais dizerem que “Deus me fez desse jeito, logo deve estar tudo certo”. Eu acredito que isso seja uma racionalização. Pode ser uma racionalização muito compreensível para alguém dividido ao meio por um conflito profundo entre o desejo sexual e a obrigação moral. Por agora pode ser até mesmo uma racionalização perdoável, porém nós não fazemos nenhum favor às pessoas com tendências homossexuais quando damos a elas uma dispensa da lei moral, até porque nós não temos nenhuma autoridade divina para proceder assim. Nós que damos a dispensa podemos nos colocar em maior risco do que aqueles que desculpamos. Não é trabalho de um médico ou de um clérigo dizer a alguém que o errado está certo, embora isso tenha acontecido várias vezes nas histórias médica e eclesiástica.

O século vinte não descobriu a homossexualidade. Os historiadores do assunto sugerem que ela é um fenômeno humano observado desde a antiguidade clássica. O comportamento homossexual é proibido no Velho e no Novo Testamentos e nos primeiros escritos cristãos. Ele tem sido reconhecido consistentemente como contrário ao código moral do mundo cristão.

Estou convencido de que a pessoa com forte tendência homossexual, mesmo aquela com um estilo de vida homossexual reforçado pelos anos de atividade sexual (se você preferir, com uma identidade homossexual) é vocacionada a uma vida casta. Contudo, isso pode não ser uma expectativa realista até que o indivíduo esteja preparado para responder à graça da conversão moral. Leanne Payne em The Broken Image dá vários exemplos de pessoas profundamente imergidas na homossexualidade que, pelo poder da graça de Deus, vieram a ter vidas cristãs e castas[1]. Minha experiência com cristãos com tendências homossexuais à procura duma saída da sua dificuldade é semelhante à da Doutora Payne.

Homossexualidade – a falsa e a real


É a impressão de muitos psicólogos e psiquiatras que trabalharam durante suas carreiras profissionais prioritariamente com pessoas com tendências homossexuais, inclusive a de Irving Bieber, que muitas dessas pessoas são, na verdade, latentemente heterossexuais[2]. Por causa do medo da própria heterossexualidade, medo esse que se desenvolve por algum trauma de infância, essas pessoas se sentem atraídas por alguém do mesmo sexo, como um substituto de uma pessoa do sexo oposto.

Por exemplo, um jovem pode assustar-se com a agressiva masculinidade dos colegas, ou sente repulsa por ela. Ele fica chocado por ouvi-los falando sobre suas proezas com as garotas. Sente repulsa por essa expressão da masculinidade e rejeita parte da sua própria identidade. Pouco depois ele pode encontrar outro homem que passou pela mesma experiência. Compartilhando a repulsa por essa expressão grosseira de heterossexualidade, eles aceitam uma menos agressiva: o intercâmbio dos atos homossexuais, mais gentil. Isso explica porque os “homossexuais” masculinos são geralmente pessoas gentis e mansas.

Uma garota com tendências homossexuais pode ter passado por um trauma um pouco diferente. Ela pode ter visto a sexualidade masculina como grosseira ou, na melhor das hipóteses, desinteressante. Ela pode, inclusive, ter sido forçada a um ato heterossexual. O aspecto da feminilidade que é atrativo aos homens pode ser assustadora ou revoltante para ela. A garota encontra outra que está também assustada com os atos heterossexuais e elas se tornam parceiras, sem o medo e a vergonha que elas vieram a associar ao comportamento heterossexual. Nos dois casos, considero as pessoas heterossexuais latentes, porém assustados, ou “pseudo-homossexuais”.

Outro tipo de pseudo-homossexualidade é bem comum, aquele no qual a pessoa não era amada ou foi amada de um jeito errado durante a infância. Um patológico amor próprio, chamado de “narcisismo”, começa a se desenvolver depois de o pequeno pastor grego apaixonar-se pela própria imagem refletida na água. Crendo que viu um deus, ele pulou na água, afogou-se na posse ilusória do próprio reflexo e, depois, retornou à terra como uma flor. Todos nós temos um toque de narcisismo deixado pela infância, por isso devemos ser solidários à situação de alguém que é levado a buscar outra imagem como a sua.

Nas relações mais saudáveis, o narcisismo residual da infância é tacitamente reconhecido e integrado entre os fatores saudáveis de um bom relacionamento, como entre o professor e o aluno. Em casos graves a pessoa infeliz é levada ao longo da vida a se agarrar e adotar alguém que seja a imagem idealizada de si própria. Nunca encontrará essa imagem, posto que não existe ninguém que seja a outra versão de si, e vagará através de várias paixões que terminam em desastre emocional.

[continua...]


[1] PAYNE, Leanne. The broken image. Westchester, Ill: Crossway Books, 1981. Em português existe uma versão publicada sob o título: ‘Imagens partidas. São Paulo: SEPAL, 2001’. A versão em português se encontra infelizmente esgotada.


[2] Irving Bieber, et al. Homosexuality a psychoanalytic study of male homosexuals. New York: Vantage Books (Alfred A Knopf).

Um comentário:

  1. A paz !
    Queria compartilhar uma impressão sobre o texto.
    A segunda parte do texto é nomeada como Homossexualidade – a falsa e a real, no entanto, eu só entendi que a parte do texto apenas falou da homossexualidade falsa ou a "pseudo - homossexualidade". Alguém poderia me tirar essa dúvida?

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