quarta-feira, 12 de outubro de 2016

[FH] O desafio de uma vida casta - Sexualidade em uma vida casta e solteira [VI]


[Continuamos aqui o assunto abordado no post anterior sobre sobre como vivenciar a própria sexualidade dentro da castidade, a partir de de textos escritos pelo Pe. Benedict J. Groeschel no seu The courage to be chaste (A coragem de ser casto) inédito ainda em português. O post anterior pode ser lido aqui]

Homossexualidade – a falsa e a real (cont.)




Por vezes, o problema adicional da idade pode contar. Alguém mais velho pode estar à procura de si mesmo, como quando era criança ou jovem, em alguém consideravelmente mais novo. Ou uma pessoa mais jovem pode ser levada a procurar por um pai amoroso, ou uma mãe amorosa, que estava emocionalmente ausente ou indisponível durante sua infância.

Outra teoria sobre as origens dos impulsos pseudo-homossexuais deve ser mencionada. Eli Siegal sustenta que os homens com tendências homossexuais tiveram mães que lhes deram seu afeto muito facilmente, até de maneira sedutora, ocasionando a esses homens considerar o afeto das mulheres com desprezo.

Minha impressão é que nenhum dos casos acima representa uma inversão homossexual básica, propriamente falando: “a homossexualidade sintônica”. As tendências homossexuais descritas até aqui não são uma parte inerente da personalidade; apesar disso, elas resultam de algum acidente na infância. Eles estão alheios à personalidade, ou “distônicos”. Consequentemente, as pessoas descritas estarão sempre frustradas, a procura de um menino ou uma menina de ouro, até que a vida lhes tenha pregado tantos desapontamentos que eles simplesmente parem com esse caminho, ou continuem a procurar algum tipo de alívio sexual. Isto é, disseram-me, uma situação infelizmente comum no “cenário gay”.

A homossexualidade sintônica flui da profundidade, mesma, da personalidade. Creio que na maioria dos casos, senão a totalidade, isto se representa nas pessoas que realmente querem pertencer ao sexo oposto. Isto, se alguém se importar de usar o termo, é homossexualidade real. Ocorre no caso do homem que quer profundamente ser uma mulher, e vice-versa. O termo técnico para isso é transexualismo. Em décadas recentes, tentativas de lidar com o problema foram realizadas por meio de cirurgia, mas não existe evidência significativa de que tais procedimentos tenham produzido qualquer alteração nos conflitos pessoais e psicológicos do indivíduo[1]. Bisturis raramente resolvem problemas psicológicos, muito menos problemas espirituais.

Em todos os casos anteriores eu sugiro que a vida do celibato casto pode ser a resposta. Propor uma tal vida pode parecer muito forçado para alguém que fez do comportamento homossexual uma parte integral da própria adaptação às circunstâncias da vida. Porém muitas pessoas que fizeram dos atos heterossexuais partes da sua adaptação aprenderam a viver sem a sexualidade genital, como é o caso das viúvas, das pessoas divorciadas e daqueles que entraram na vida religiosa após viver como adultos sem qualquer compromisso com o celibato ou com a castidade. A ainda presente e trágica epidemia de AIDS fez muitas pessoas considerarem a possibilidade duma vida de abstinência sexual com nenhuma outra motivação que não seja a sobrevivência.

Se você tem tendências homossexuais e um padrão reforçado de comportamento homossexual, pode ser que você esteja bem cansado de tudo isso. Eu já ouvi dúzias de homens e mulheres de orientação homossexual dizerem que uma vida casta é bem mais desejável do que a constante procura pelo parceiro perfeito, aquele outro “eu” que não existe (Narciso que nunca está lá). As pessoas crescem cansadas de sofrer rejeição ou de receber uma aparente aceitação e depois ser jogado fora.

Há pouco tempo atrás falei com um rapaz de vinte anos, que contara recentemente aos pais que ele era “gay” e estava prestes a seguir aquele estilo de vida. O pai ficou duplamente entristecido, pois compreendeu que seu alcoolismo, então sob controle, havia contribuído para os problemas daquele garoto na adolescência. Compreendi que minha sugestão, de uma vida casta e solteira junto com o possível abandono da falsa identidade homossexual por meio de psicoterapia, não era absolutamente uma proposta atraente para aquele jovem rapaz. Rezei ao Espírito Santo por uma direção e, então, ouvi a mim mesmo dizendo ao rapaz: “Você não está pronto para me ouvir agora, mas algum dia, talvez daqui dez ou vinte anos, você estará pronto. Você estará cansado daquilo tudo. Lembre-se, então, que você encontrou, uma vez, um padre que lhe falou sobre a existência de outro caminho, que exigirá, porém, coragem para tomá-lo”.

[continua...]



[1] Cf.  Anthony  Mastroeni.  A  moral  evaluation  of  surgical  sex-reassignment.  Roma:  University  of  St.  Thomas (Angelicum), 1981. A dissertação de Pe. Mastroeni faz revisão dessa questão apuradamente.

2 comentários:

  1. Bom dia, Apostolado Courage Brasil. Rezem por mim. POr favor. Rezem por mim. Preciso de orações de pessoas que sabem o que é ter AMS. O que é padecer essas dores. Tenho consciência, entendimento parcial sobre as tendências, acho que pleno, ninguém tem. Mas não estou conseguindo lidar com isso, com a atração (vícios pornográficos). Não vou satisfazer na carne. Mas faço na imaginação. Ajuda. Sei do sigilo. Mas podem indicar padres que possam nos apoiar, que entendam. Enfim, peço oração de quem entende o que passo. Diêgo. Minas Gerais.

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    1. Prezado Diego, conte sempre com nossas orações e, se puder, escreva-nos no e-mail contato@couragebrasil.com para podermos conversar melhor e ajudarmos mais um irmão.

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