quarta-feira, 8 de agosto de 2018

[FH] Gay: um rótulo que dura


Um Rótulo que Dura
Por Paul Scalia[1]
Tradução e adaptação por Courage Brasil


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Quando eu estava no ensino médio, os estudantes se separavam em muitos grupos diferentes: pré-vestibulandos, atletas, punks, hippies, geeks e muito mais. É como se todos tivessem recebido uma classificação não-oficial, virtualmente imutável, a um grupo particular. Quando, hoje, trabalho em escolas secundárias, percebo pouca diferença. Os grupos ainda existem (com ligeiras mudanças terminológicas), e os professores e coordenadores ainda advogam contra os rótulos. Como eles sabiamente explicam, os rótulos reforçam estereótipos e preconceitos; eles nos impedem de aceitar as pessoas e conhecê-las de forma real e concreta.
Há, no entanto, uma diferença. Os coordenadores das escolas secundárias ainda advertem os alunos com relação aos rótulos e estereótipos, ao mesmo tempo em que encorajam, cada vez mais, que um grupo de estudantes se auto-rotulem: aqueles que experimentam atrações pelo mesmo sexo (AMS). Com a assistência (e, às vezes, pressão) de grupos como a Gay-Straight Alliance e a Gay, Lesbian, Straight Education Network, as escolas secundárias pelo país, agora, corriqueiramente, têm organizações estudantis dedicadas à promoção da tolerância e aceitação da homossexualidade. De fato, a cidade de New York tem uma escola inteira – Harvey Milk High School – dedicada à “juventude gay, lésbica, transgênera e curiosa”.
Vale o esforço apontar, apesar do atraso, que os professores e coordenadores estavam certos quanto aos erros da rotulação – e errados quando eles permitiram e encorajaram os estudantes homossexuais a se auto-rotularem? Como acontece com a maioria dos erros, este em questão procede de uma certa verdade e, muitas vezes, de boas intenções. A verdade é que os adolescentes com atrações pelo mesmo sexo têm uma taxa de suicídio mais alta e são mais propensos ao abuso de álcool e drogas. Atribuir tais problemas à perseguição e assédio, os novos grupos se comprometem com a criação de uma atmosfera segura de forma que os estudantes não se sintam tentados a seguir um comportamento auto-destrutivo.
Mas, na prática, esta agenda significa mais do que apenas um fim para os xingamentos. Significa, na verdade, a aprovação da homossexualidade e, numa nova forma de xingamento, uma insistência de que os adolescentes que experimentam atrações pelo mesmo sexo “saiam do armário” como homossexuais.
Para começar, trata-se de um senso comum fracassado. Tais categorizações alimentam a tendência dos adolescentes à rotulação. Secundaristas querem pertencer a um grupo. Eles querem uma identidade. Conhecer outras pessoas, descobri-las, descobrir-se à luz de quem são – esta pode ser uma tarefa difícil. Os rótulos tornam-no muito mais fácil. Muitos adolescentes apegam-se a uma identidade por um tempo e, então, pensam melhor nela depois. Por esta razão, pais e professores protegem, tradicionalmente, os estudantes das classificações em certas categorias.
A nova abordagem, no entanto, faz o oposto. Ela encoraja a rotulação. Em vez de lutar com as dificuldades da adolescência, um secundarista ou um estudante que acabou de entrar no ensino secundário pode agora, com apoio oficial, declarar-se gay e ele terá, de forma instantânea, uma identidade e um grupo. Os adultos, de forma típica, exibem uma reserva sábia com relação às auto-descobertas dos estudantes secundaristas: eles sabem que os adolescentes ainda estão descobrindo as coisas e eles reconhecem a responsabilidade que lhes compete no que concerne à ajuda na resolução de confusões. Então, por que toda essa sabedoria natural foi, de alguma forma, abandonada nos dias hoje na área mais confusa da sexualidade dos adolescentes?
De fato, as expressões são tentadoras por causa da sua conveniência e eficiência. São comuns, estão à mão, e aparentemente esclarecem uma questão difícil. Mas elas também identificam uma pessoa individual com as suas inclinações homossexuais. Elas presumem que uma pessoa é as suas inclinações ou atrações; ele é um “gay” ou ele é um “homossexual”. Em algum ponto os adultos têm que admitir a confusão de alguém de quinze anos de idade que alega ser “um transgênero bissexual curioso”.
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Além disso, o aval das escolas a tudo isso enfraquece, de forma rápida, a autoridade dos pais numa área extraordinariamente sensível. Enquanto os pais tentam ensinar uma coisa em casa, a escola apresenta a visão oposta não apenas na sala de aula, mas, também, no meio social (no qual a escola secundária pode ter um efeito maior). E aqueles pais que têm uma forma melhor de lidar com as dificuldades dos seus filhos perceberam que os seus esforços foram contrariados. Em casa, eles se esforçam por amar os seus filhos, ajudá-los em seus conflitos e ensiná-los uma verdade coerente sobre a sexualidade humana. Entrementes na escola seus filhos recebem a propaganda e o encorajamento para argumentar precisamente contra o que os seus pais dizem.
Muito desta engenharia social está baseado na visão de que a homossexualidade é uma orientação fixa e inata. Os grupos escolares sustentam isso como um dogma indiscutível. Em um dos debates presidenciais de 2004, quando foi perguntado se ele pensa que a homossexualidade é herdada ou escolhida, o então Presidente Bush respondeu de forma sábia e modesta que ele não sabe. Com isto, ele mostrou-se estar razoavelmente bem alinhado com a comunidade científica, que não pode, produzir uma resposta uniforme à questão. O suposto “gene gay’ nunca foi provado ou descoberto. O máximo que podemos dizer é que certas pessoas possuem predisposições genéticas para a homossexualidade, o que está bastante distante de dizer que eles herdaram-na.
As organizações secundaristas, no entanto, não têm escrúpulos em declarar a questão resolvida. Ao insistir que a homossexualidade é inata, eles concluem imediatamente que um adolescente com inclinações homossexuais deve, necessariamente, ser homossexual, ou gay, ou lésbica, ou transgênero – qualquer rótulo que sirva.
As organizações secundaristas, no entanto, não têm escrúpulos em declarar a questão resolvida. Ao insistir que a homossexualidade é inata, eles concluem imediatamente que um adolescente com inclinações homossexuais devem, necessariamente, ser homossexual, ou gay, ou lésbica, ou transgênero – qualquer rótulo que sirva.
E uma vez que o rótulo está fixado, é horrivelmente difícil de removê-lo. Dura o ensino médio e deixa o adolescente à mercê dos extremos da nossa cultura. “Quem dentre vós dará uma pedra a seu filho se este lhe pedir pão? E, se lhe pedir um peixe, dar-lhe-á uma serpente?” cada vez mais as nossas escolas secundárias distribuem pedras e serpentes para as crianças famintas. Os adolescentes legitimamente confusos ou ansiosos sobre a sua sexualidade recebem o conselho de assumirem o rótulo homossexual, truncando as suas identidades por, talvez, a suas vidas inteiras.
Considerando os erros óbvios desta nova abordagem, a questão, especialmente para os pais, ainda permanece: como responder a adolescentes com atrações pelo mesmo sexo? O amor deve ser a principal resposta. As organizações escolares atraem os adolescentes principalmente porque elas prometem a aceitação incondicional e a afirmação da pessoa, não importa qual “orientação” ela tenha. Não importa, para os adolescentes, que receber esta aceitação e afirmação, em efeito, requer aderir à agenda gay. Eles, os adolescentes, ainda percebem tal adesão como aceitação e afirmação. Os pais precisam compreender o quão eficaz é isto. O primeiro ponto a ser conhecido, então, não consiste no que está errado mas no que está certo: o filho é amável e é amado. Aquele amor, mais do que qualquer coisa, instila, nos adolescentes, a confiança e a confidência que eles precisam para lutar com qualquer realidade dolorosa e amarga que eles possam encontrar face a face.
Imagem relacionadaE os adolescentes precisam escutar isto: as inclinações sexuais das pessoas não determinam a sua identidade. Nem todos aqueles que se consideram “homossexuais” sentem atrações pelo mesmo tipo ou no mesmo grau. Alguns têm desejos homossexuais fortes e duradouros; para outros, tais desejos são fracos e passageiros. Aglomerar todos juntos como se tivessem a mesma orientação ou identidade é uma redução grotesca de uma realidade complicada e isto danifica maciçamente as próprias pessoas que eles pretendem ajudar.
Resistir à tentação da rotulação requer que rejeitemos o vocabulário da cultura e adotemos uma terminologia mais precisa. No vulgo, as palavras “gay” e “lésbica” implicam uma orientação fixada e a vivência de um estilo de vida. Mesmo o termo “pessoa homossexual”, que é usado em alguns documentos do Vaticano, sugere que as inclinações homossexuais determinam, de alguma forma – ou seja, confinam – a identidade de uma pessoa.
Admite-se que as frases mais precisas não fluem de forma leve e fácil. Mas o que é perdido na eficiência é ganho na precisão. Termos como as “atrações pelo mesmo sexo” e “inclinações homossexuais” expressam o que uma pessoa experimenta sem identificar a pessoa com estas atrações. Ambas reconhecem as atrações e preservam a liberdade a dignidade da pessoa com estas atrações. Feita esta distinção essencial, os pais podem opor-se às atrações sem rejeitar os filhos. E enquanto os filhos amadurecem, eles não encontraram a sua identidade confinada à sua sexualidade.
Além disso, a oposição às atrações e ações homossexuais só fazem sentido quando ela está enraizada na verdade completa da sexualidade humana. Os grupos escolares “gays” ganham aprovação e suporte parcialmente porque a falta de castidade dos heterossexuais (contracepção, masturbação, sexo pré-marital, adultério e todo o resto) comprometeu a muitos. A separação deliberada que a nossa cultura fez entre o sexo e a procriação destruiu a nossa habilidade de articular uma explicação coerente da ética sexual. Os pais e educadores danificaram as ferramentas que permitiriam que eles explicassem por que a atividade homossexual é errada.
Compreender a verdade completa da sexualidade humana produz uma apreciação pela pureza. De fato, todos os jovens precisam lutar por tal virtude. Mas a pureza adquire um significado maior para aqueles com atrações pelo mesmo sexo. Nada confirmará uma identidade supostamente “gay” de forma mais rápida e sólida do que as ações homossexuais. Depois de um encontro homossexual, o adolescente deve admitir o erro de suas ações e arrepender-se ou, de forma mais atrevida, identificar-se com as suas ações e procurar por uma maneira de justificá-las.
Enquanto a licenciosidade sexual aumenta em nossa cultura, encontraremos mais adolescentes confusos quanto à sexualidade e, talvez, experimentando atrações pelo mesmo sexo. A opção fácil é dissolver a tensão através da aprovação e encorajamento da homossexualidade. Mas a coisa mais caridosa que podemos fazer por tal juventude é amá-la como imagens do próprio Deus, ensiná-las a verdade completa sobre a sexualidade humana e habilitá-los a vivê-la. Nada menos do que isso significa dar pedras aos nossos filhos quando pedem por pão.

(a matéria original pode ser encontrada aqui)




[1] Paul Scalia é um sacerdote da Diocese de Arlington, Virginia e capelão do capítulo do Courage em Arlington.

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