segunda-feira, 1 de outubro de 2018

[Esp] Meios para manter a castidade (I)



A ORAÇÃO


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Além dos dois meios especiais que constituem como que a clausura moral para a defesa da castidade, existem outros gerais, que é absolutamente necessário usar para se manter casto. Foram-nos propostos por Nosso Senhor no Evangelho. Os apóstolos, perante a incapacidade de libertar um endemoninhado, perguntaram a razão ao Divino Mestre; ele lhes respondeu: “Este tipo de demônio não pode ser expelido a não ser por meio da oração e do jejum” (Mc 9, 29). Os Santos Padres reconhecem unanimemente neste demônio o da luxúria, da incontinência. Os meios, portanto, para nos mantermos castos, além da vigilância, são dois: oração e mortificação. A oração nos alcança a graça; a mortificação desbarata as tramas dos inimigos.
Em primeiro lugar, a oração. Ah! Esta bela virtude só pode ser defendida pela oração. Todos proclamam isto: a Sagrada Escritura, os Santos Padres, os mestres de espiritualidade. Rezar, rezar bem, “rezar sempre” (Lc 18, 1). Se precisamos da oração para obter todas as graças, necessitamos dela sobretudo para nos mantermos castos. É bem assim, como acertadamente afirma Cassiano pois a inclinação ao vício impuro é muito forte; e contar apenas com as próprias forças, sem uma ajuda especial de Deus, é impossível conservar-se casto, a menos que intervenha um milagre. São Cipriano confirma esta sentença, dizendo: “Dos meios para obter a castidade, o primeiro e principal é implorar o auxílio do alto”. São Gregório, por sua vez, declara: “A oração é a tutela da pureza”. São João Crisóstomo assevera: a oração e o jejum são como duas asas que erguem a alma por sobre as tempestades, tornando-a mais ardente que o fogo e terrível aos inimigos. E conclui: “Nada e ninguém é mais forte de quem reza”.
Santo Tomás de Aquino, tendo decidido abraçar a vida religiosa, certo dia pôs-se a caminho de Paris, mas seus irmãos foram-lhe ao encalço trancafiaram-no numa torre e introduziram uma mulher infame com o fito de perverte-lo. O santo, assim que notou o perigo, dirigiu-se a Nosso Senhor e à Virgem Maria com todo o fervor da sua alma: “Ó Senhor, não permitais que eu caia! Virgem Santa, ajudai-me!” Em seguida, empunhando um tição aceso, afastou aquela mulher e continuou a rezar. No mesmo momento os anjos desceram do céu e o cingiram com um cíngulo milagroso; daí por diante nunca mais experimentou tentações contra a castidade. Vede, bastou uma breve oração.
Peçamos a Nosso Senhor, portanto, esta virtude tão bela e necessária; peçamo-la para os dias de hoje e para quando nos encontrarmos cercados de numerosos perigos, inclusive de inimigos externos, que lhe armarão ciladas. Peçamo-la sempre. Atenção, porém: não basta rezar a intervalos e na capela; não basta rezar três Ave Maria de manhã e à noite; não basta fazer as costumeiras práticas de piedade durante o dia; para vencer estas tentações é preciso ter o espírito de oração, o hábito da oração mental, vocal e das jaculatórias. Devemos manter-nos em constante união com Deus e ter o gosto da oração; não gosto sensível, mas da vontade. E para que a tentação não encontre acolhida, é mister conservar a mente sempre ocupada com bons pensamentos: o ramalhete espiritual da meditação, uma comunhão espiritual, uma jaculatória, etc. Para não vivermos unidos ao demônio, devemos viver unidos a Deus. Santo Agostinho dizia: “Senhor, prescreveis a castidade? Dai-nos o que prescreveis e pedi-nos o que quiserdes”. Com o espírito de oração tudo se alcança. “Pedi e recebereis” (Jo 16, 24). Assim procediam os santos; alguns deles passavam a noite em fervorosa oração para afastar as tentações impuras. A oração nos ergue da terra e nos eleva ao céu.
Resultado de imagem para pray holy sacramentCrede-me: os fervores momentâneos são insuficientes para vencer este vício. Vem a tentação, combate-se frouxamente, vacila-se, tomba-se. Dom Gastaldi, dirigindo-se aos sacerdotes, dizia: quem não reza de boa vontade e assiduamente, já caiu ou está para cair. Quem não se sente bem na presença de Jesus Sacramentado, quem permanece constrangido diante dele, demonstra que já perdeu a bela virtude ou está prestes a perde-la. Quando vejo um jovem que habitualmente reza pouco, que reza de má vontade, não faz com empenho a meditação cotidiana e a visita ao Santíssimo Sacramento, digo que tal jovem, se ainda não caiu, cairá no vício impuro.
Meus caros, é por isso que muitos sentem náusea na oração, não gostam de ficar na igreja: não são castos, não têm coração puro. Como podem afeiçoar-se à oração, permanecer na presença de Jesus Sacramentado, cujos olhos puríssimos se fixam nos refolhos da alma? Não podem resistir; então sentem a necessidade de se entregar a trabalhos, a distrações, a fim de afastar o pensamento de Jesus, que constitui uma contínua e dolorosa repreensão ao seu comportamento. Temem que Jesus — bondoso Médico das almas — ponha o dedo na chaga e lha faça conhecer. Por isso, fogem dele. Infelizes! Não saram porque não querem, e tentam convencer-se de que não estão doentes...
Se alguém dissesse: “para que rezar tanto? Seria melhor ocupar o tempo no estudo...” Meus caros, este indivíduo não tem o coração puro e dado que a oração constitui um peso para ele, procura deixa-la; assim, para abafar a voz do remorso, gostaria que também os outros a deixassem. Mais ainda: a sagrada comunhão, que leva tantos fiéis a correr pelo caminho da perfeição, que forma os virgens e os conserva, por que parece endurecer o coração de tantos religiosos, sacerdotes e seminaristas? A explicação é sempre a mesma: não são castos, não têm o coração puro.
Rezemos, portanto e Deus nos concederá a graça inestimável de nos conservarmos castos por toda a vida, especialmente vós, missionários. Uma coisa, porém, é certa: para obtermos esta graça, devemos rezar muito. Um missionário sem oração faz duvidar de sua castidade.

Resultado de imagem para coração de jesus imagemHabituemo-nos a procurar sem demora refúgio no Coração de Jesus, especialmente nas tentações, e deixemos que ele responda por nós. Assim se comportava Santo Agostinho; procurava e salvação nas chagas do Divino Redentor: “Meu repouso seguro está nas chagas do Salvador”. Tentações haverá sempre; mas lá, no Coração de Jesus, nada pode acontecer; ele aplacará a tempestade. “Estarei com ele na tribulação, hei de livrá-lo e glorifica-lo” (Sl 90, 15). Certos, durante as tentações, estreitam o Crucifixo. É um gesto que explica tudo; não é preciso quebrar a cabeça. Outro meio poderosíssimo sem o qual é quase impossível permanecer casto, é alimentar uma terna devoção a Maria Saníssima. Ela é a dispensadora de todas as graças particularmente desta. Consagremos-lhe a nossa castidade, colocando-a sob a sua especial proteção, repetindo com frequência: “Mãe puríssima... Mãe castíssima... Virgem das virgens, rogai por nós.” Recorramos também a São José, que conhece toda a formosura desta virtude e é muito poderoso para no-Ia alcançar. Digamos-lhe de coração: “Fazei, ó José, que levemos uma vida pura!” Invoquemos o nosso bom Anjo da Guarda. Em suma, se houver orarão e união com Deus, contaremos com o auxílio divino. “Ainda que se levantem exércitos contra mim, o meu coração não temerá” (Sl 26, 3). Embora o demônio vá à procura de outros sete diabos “piores que ele”, nem assim vencerá, porque “a graça de Deus está comigo!”

(A Vida Espiritual, do Beato José Allamano)

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