quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

[QSH] Celibato ou cura?


Abstinência sexual


e orientação homossexual



Em resposta à dificuldade encontrada por um indivíduo que não tem conseguido, por qualquer motivo, livrar-se da condição da homossexualidade e compreende que a única maneira de viver o mandato divino da castidade é através da prática da abstinência sexual, faço as seguintes observações.
(1)  A abstinência sexual significa precisamente evitar os atos genitais e tudo que termine no orgasmo. Isso não quer dizer que não se possa expressar afetos através de atos não-genitais, como os beijos, os abraços e os afagos.
(2)  Tal abstinência sexual se transforma numa forma de amor se a motivação é o amor a Jesus Cristo. Desta forma, a abstinência sexual se transforma no celibato consagrado. É o único motivo efetivo, porque nem mesmo o medo da morte faz com que as pessoas deixem de procurar a satisfação sexual.
(3)  Dever-se-ia evitar transformar a prática do celibato num fardo pesado, como o sacerdote que queixou-se comigo, durante um retiro, sobre “este maldito celibato”. Deve-se fortalecer seu amor por Cristo através do hábito diário da oração mental, também conhecida como oração do coração e através da formação das amizades castas, que começam, muitas vezes, em grupos de apoio espiritual, como os do Courage.
(4)  Deve-se criar uma estratégia espiritual para lutar contra os ataques de solidão, inquietações e desânimo. É importante ter um diretor espiritual ou um amigo a quem chamar. Também pode-se ir ao Santíssimo Sacramento e falar com Nosso Senhor sobre a situação. Desta forma permanece-se no mundo real, em vez de permanecer no mundo da fantasia e do isolamento.
(5)  Como outros escritores salientaram, como o Reverendo Benedict Groeschel e William Consiglio, por exemplo, deve-se estar atento às mudanças perigosas de ânimo que, no passado, desencadearam lutas com a masturbação, a procura por parceiros sexuais ou a satisfação com pornografia. Quando estas coisas acontecem, deve-se imediatamente voltar para a realidade.
Enquanto há a dificuldade em se viver uma vida celibatária em nossa cultura hipersexualizada, tal forma de vida tem sido vivida, por meio da graça de Deus, por muitos cristãos através de toda a história da Igreja. Na tradição católica, o celibato consagrado tem sido sempre tido em alta consideração. Ao contrário da opinião corrente, não é necessário ser um monge, uma monja ou um sacerdote para viver este tipo de vida. Para aqueles que realmente querem ser celibatários, a graça de Deus está sempre presente. Deus sempre dá ao indivíduo a graça suficiente para cumprir com a lei moral, como Santo Agostinho ensinou: “Deus não ordena coisas impossíveis e, ao ordenar, Ele nos admoesta a fazer aquilo que podemos fazer e procurar a Sua graça para fazer aquilo que não podemos fazer”.
Entre os propagandistas do estilo de vida gay, o celibato é visto como uma forma de suicídio sexual, uma privação do poder de amar, mas tudo isso é um mito. O celibatário não deve renunciar jamais à habilidade de amar. Seu celibato expande a sua capacidade de amar a Deus e ao próximo. A vida dos santos celibatários e a vida de muitas pessoas celibatárias só podem ser compreendidas à luz do seu amor por Deus e pelas pessoas por elas cuidadas. Como muitos outros, os ativistas da causa gay confundem o amor humano com a satisfação sexual-genital.
Depois de afirmar o valor positivo do celibato nas vidas de muitos cristãos, inclusive os indivíduos com orientação homossexual, volto agora para as questões relacionadas propostas pelos membros do Courage ou do Exodus. A primeira pode ser formulada desta forma: se a orientação homossexual é uma “desordem objetiva”, como a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé afirma em sua “Carta para os Bispos da Igreja Católica sobre o Cuidado Pastoral para Pessoas Homossexuais”, então os católicos com AMS não estão obrigados a procurar uma mudança de orientação sexual?
Eu respondo que uma obrigação não vincula em consciência exceto se a lei moral o exigir claramente e a pessoa for capaz de assumi-lo. Assim, a pessoa com tendências homossexuais está obrigada a viver a abstinência sexual através do preceito evangélico da prática da castidade, mas não há a obrigação de tomar passos em direção à mudança de sua orientação. Por mais que tal mudança seja desejável, não podemos dar nenhuma garantia, no presente estado do nosso conhecimento, de que se alguém decide seguir um certo programa e plano de vida para mudar sua orientação, de que isso certamente ocorrerá. Dessa forma, não pode ser provado que tal mudança acontecerá inevitavelmente se fizermos certas coisas, não se pode impor a obrigação de seguir certos passos para tal mudança. O princípio ético básico aplicável a esta situação é que não se pode impor uma obrigação a menos que se esteja certo que ela exista.
Mesmo que um programa particular sob a direção de um terapeuta de grande reputação tenha funcionado na maioria dos casos e poderia ser considerado como um método com grande probabilidade de ser benéfico a um determinado indivíduo, tal programa pode ainda ser visto como opcional e extraordinário para este indivíduo por várias razões, das quais não menos importante é o custo financeiro. Muito menos, então, pela questão da obrigação.
Pessoas jovens, no entanto, deveriam ser encorajadas a procurar a libertação da condição homossexual, porque elas têm uma maior probabilidade de serem castas agora se tiverem uma visão esperançosa do futuro. Na opinião do Dr. Jeffrey Satinover, que trabalha com Leanne Payne, a esperança da mudança é a questão principal para muitos jovens que lidam com desejos homossexuais. Não é melhor lutar para sair da condição do que resignar-se à situação como uma cruz que deverá ser carregada pelo resto da vida? Uma pessoa jovem, acreditando que não pode se livrar de sua condição é vulnerável à propaganda gay, a qual afirma que a homossexualidade é uma variante natural da heterossexualidade e que o estilo de vida gay é uma alternativa ao casamento.
A pessoa com orientação homossexual vive em ocasião de pecado num sentido especial, quer dizer, a ocasião de pecado está em seu próprio coração e mente. Ela pode encontrar-se imersa em formas homossexuais de pensar e agir. Isto significa que é necessário livrar-se da literatura e mídia homossexuais, evitar bares, cinemas e casas de banho gays; cortar grandes apegos emocionais a pessoas do mesmo sexo e afastar-se de grupos homófilos. Isto será doloroso e difícil, porque estas pessoas e locais forneceram à pessoa homossexual um pequeno alívio psicológico quanto à questão do isolamento, mas esta é a parte do preço que a pessoa tem que pagar para ganhar novamente controle sobre a sua vida interior para, assim, possuir a castidade interior, ou a castidade do coração. Remover meramente as ocasiões de pecado, no entanto, não é o suficiente; como Cristo diz, “Ora, o que sai do homem, isso é o que mancha o homem. Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem”. (Mc 7: 20-23).
É hora de considerar as visões dos membros mais velhos do Courage no que concerne à possibilidade de mudança de orientação. Alguns dos que tem acima de trinta anos procuram mudar a sua orientação através de terapia profissional, oração e grupo de apoio; a maioria, no entanto, está satisfeita com o desenvolvimento de uma vida de castidade interior. Muitos percebem a mudança de seus pensamentos e padrões sentimentais como algo mais difícil, pois tais hábitos tornaram-se mais entranhados ao longo dos anos.
Outros ainda sofreram uma lavagem cerebral ao aceitar, do establishment psicológico, o mito de que é impossível mudar a sua orientação. Desta forma, alguns se tornam desanimados após anos de terapia profissional e milhares de dólares desperdiçados naquilo que não fez com que eles se tornassem heterossexualmente disponíveis para o casamento, não percebendo nenhuma mudança significativa em suas maneiras de pensar e sentir.
Nesse momento de suas vidas, estas pessoas mais velhas têm que escolher entre voltar ao seu estilo de vida homossexual anterior ou procurar viver uma vida de abstinência sexual por amor a Cristo. Muitos membros mais velhos do Courage procuram desenvolver uma vida interior de oração com Cristo. Enquanto eles se alegram ao ver que seus irmãos mais novos querem mudar a sua orientação, estão decididos a viver uma vida de abstinência sexual. Se alguém dissesse a eles que devem mudar a sua orientação, muitos não voltariam na outra semana.
Por esta razão o Courage não faz com que a mudança de orientação seja um objetivo obrigatório. Ao mesmo tempo, o Courage coloca uma grande ênfase na necessidade de se afastar completamente dos estilos homossexuais de se pensar e sentir. Pessoas que aspiram aos estudos para o sacerdócio ou a vida religiosa deveriam tomar os meios acima mencionados para repudiar o estilo de vida gay e deveriam estudar o ensinamento oficial de Igreja no que concerne a problemática do comportamento homossexual.
Outra objeção ao posicionamento de que alguém não está estritamente obrigado a mudar sua orientação sexual é que a vivência da castidade, enquanto se permanece na condição homossexual, implica em não ter uma cura completa, pois não se é espiritualmente inteiro até que se tenha adquirido a orientação heterossexual. Acredito que a melhor forma de responder a esta objeção é através da distinção entre a cura espiritual e a cura psicológica. Com cura psicológica da homossexualidade, quero dizer que um indivíduo tornou-se agora predominantemente heterossexual nos padrões de fantasia, pensamento e emoções, enquanto pode haver vestígios da fantasia e desejo homossexuais sem tentações mais sérias direcionadas à luxúria homossexual. Com cura espiritual, quero dizer que um indivíduo tornou-se interiormente casto, mesmo que ainda sofra ocasionalmente tentações sérias relacionadas a prazeres homossexuais, a despeito de seus esforços sinceros para evitar ocasiões de pecado; ou não se desenvolve nenhuma atração física a pessoas do outro sexo, a despeito do fato de que não se é mais atraído, de forma carnal, a pessoas do mesmo sexo.
No meu trabalho pastoral encontrei muitas pessoas que vivem uma vida de castidade interior, a despeito de diversas tentações. Estes indivíduos comungam diariamente, vivendo uma vida de comunhão com Cristo. Eles estão curados espiritualmente, mas não psicologicamente, apesar de quererem estar curados também psicologicamente. Além da questão da homossexualidade, está claro que alguns dos santos sofreram severas tentações de impureza que, pela graça de Deus, conseguiram vencer. Eles foram espiritualmente, mas não necessariamente psicologicamente curados, sofrendo em alguns casos de tendências neuróticas. Talvez nossos amigos do Exodus International, que afirmam que não se está completamente curado até que se tenha transformado numa pessoa com orientação heterossexual, deveriam considerar esta distinção. Em nossa fragilidade humana, a cura psicológica nem sempre acompanha a cura espiritual que vem através da graça divina.
Outra objeção feita ao posicionamento do Courage de que não se é obrigado a participar de programas designados à mudança de orientação sexual é que alguém pode ser curado plenamente de sua orientação se essa pessoa tem uma fé mais profunda. Esta afirmação não tem respaldo na teologia católica. E pode levar a julgamentos cruéis sobre muitos homens e mulheres que eu tenho conhecido que praticam sua fé com assiduidade, mas não conseguiram realizar a jornada em direção à orientação heterossexual, a despeito da sua vontade.
Uma objeção final à nossa posição é que é praticamente impossível praticar a abstinência sexual por um período extenso de tempo a menos que se tenha professado votos religiosos ou prometido viver o celibato clerical. O celibato não é, definitivamente, para o laicato católico, porque eles não possuem o carisma dado a religiosos e sacerdotes; consequentemente, na situação de pessoas com tendências homossexuais, é razoável estabelecer-se com um amante no lugar de envolver-se com a promiscuidade, com o perigo da AIDS. Alguns membros do Dignity, uma organização que se considera católica apesar de não aceitar o ensinamento da Igreja sobre o comportamento homossexual, argumentaria desta forma.
Eu já afirmei anteriormente a premissa oculta nesta objeção. Se a castidade é uma obrigação imposta a todas as pessoas em todas as vocações, então segue-se que Deus dará a cada pessoa a graça suficiente para observar este mandato divino. Dizer o contrário é contradizer o solene ensinamento da Sexta Sessão do Concílio de Trento e Santo Agostinho, como se fez referência anteriormente. É incrível como a falsa ideia de que apenas religiosos e sacerdotes possuem o carisma da completa castidade se espalhoua entre os fiéis. Deus dá o dom do celibato a todos que o pedem.
Precisamos fazer um trabalho melhor no que concerne ao ensinamento do significado positivo do celibato, não apenas entre os leigos, mas também entre os seminaristas e sacerdotes. Como já vimos, o celibatário precisa aceitar este dom interiormente e vive-lo alegremente, pois ou o celibato é um ato de amor por Cristo ou é uma concha vazia. É uma outra forma de expressão da sexualidade, como São João Paulo II salientou em Familiaris Consortio: “O Casamento e a virgindade, ou celibato, são duas formas de expressão e vida de um único mistério da aliança de Deus com o Seu povo” (nº 16).
O coração do celibatário é o cultivo da relação nupcial com Jesus Cristo. A forma como trazemos esta relação com Cristo em nosso ministério e em todas as nossas relações é discutida em muitos autores espirituais. Gostaria de recomendar três: A Coragem de Ser Casto, de Benedict Groeschel, C.F.R; Celibato, Oração e Amizade, Christopher Kiesling, O.P; e O Coração Inquieto: Reflexões sobre o Amor e a Sexualidade, Jordan Aumann, O.P., e Dr. Conrad Baars.
No capítulo sétimo, “Perspectivas Pactorais”, considerarei as dificuldades que muitos experimentam em seus esforços por viver uma vida casta: a influência sedutora do meio gay, a abundância da pornografia gay, o sentido de baixa autoestima, grandes apegos emocionais, solidão, memórias amargas do passado, más amizades e raiva não-resolvida. Este será chamado por mim o lado humano do celibato. Tais reflexões podem auxiliar-nos a compreender que a homossexualidade tem muito pouco a ver com sexo.

(Harvey, John Francis O.S.F.S. - The Truth about Homosexuality - The Cry of the Faithful - A verdade sobre a homossexualidade - o grito dos fiéis)

Um comentário:

  1. Esses beijos que aparecem na observação número 1 são só na bochecha ou na boca também? Isso é uma dúvida q tenho já há algum tempo... Sempre leio e ouço e vejo que os atos sexuais são pecado, mas me parece q um beijo nem sempre é um ato sexual... Daí a dúvida!
    Além disso, outra dúvida q tenho é se é proibido morar com uma pessoa com a qual não se tenha casado (seja do mesmo sexo ou não) minha família não se alegra com isso, mas a alegria deles ou falta dela não determina a Doutrina da Igreja, wuahahaha, no entanto determina-me dúvidas! :)

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