A castidade é possível?


[Esta é uma livre tradução do texto "Is chastity possible?", de T. G. Morrow, presente no site do Apostolado Coragem].

Para responder nossa questão, precisamos considerar três perguntas: o que é a castidade exatamente? Que comportamento está implicado na castidade cristã? E, como alguém vive a castidade?

O que é a castidade?

O que é a castidade? Acompanhando Tomás de Aquino e Aristóteles, nós podemos definir a castidade como a moderação habitual do apetite sexual conforme à reta razão. Note-se que não é somente a moderação do comportamento, mas dos mais simples desejos que levam ao comportamento sexual. Note-se, também, que a norma é a “reta” razão, isto é, a razão em conformidade com a Lei Eterna de Deus e não, meramente, uma razão mundana, que vê como “razoável” qualquer sexo que evita gravidez indesejada ou doenças.

O que é um comportamento casto?

Então, para que tipo de comportamento nos chama a castidade cristã? Em primeiro lugar, observamos as palavras de Jesus no Evangelho: “Porque é o interior do coração dos homens o lugar de onde procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem.” (Mc 7, 21-23; ver também Mt 15, 19s). Acrescenta ainda São Paulo: “... sabei-o bem que ninguém que seja indulgente com a fornicação, com a impureza ou com a promiscuidade... pode herdar o Reino de Deus” (Ef 5, 3-7; ver também Gl 5, 19-21). 

Então, a Escritura é bem clara a respeito do sexo extraconjugal. Alguns buscam racionalizar seu caminho a esse respeito, mas isto acaba sendo uma recusa do ensinamento de Cristo e de Sua Igreja. A recusa de um ensinamento bíblico é muito pior do que o pecado sexual cometido sem ter sido por fraqueza. O que dizer sobre a ignorância invencível? Que verdadeiro cristão poderia sem culpa desconhecer o código moral da Bíblia?

A Igreja Católica dá precisão a este tema bíblico: “O uso da função sexual tem sua verdadeiro sentido e retidão moral somente em um verdadeiro matrimônio”. (Declaração sobre a Ética Sexual, Congregação para a Doutrina da Fé, 1975, § 5*). No mesmo documento, § 10, nós encontramos o seguinte: “A ordem moral da sexualidade envolve valores da vida humana tão elevados que toda violação direta desta ordem é objetivamente grave”. Considerando este e outros ensinamentos da Igreja, é possível para nós concluir que qualquer excitação ou ato sexual voluntário fora de uma união conjugal normal (sem contracepção), entre um homem e uma mulher, é gravemente pecaminoso. Isto incluiria masturbação, fornicação, estímulos sexuais extraconjugais, adultério, atos homossexuais, e até mesmo pensamentos lascivos (Mt 5, 28). Para nosso mundo sobrecarregado de sexualidade isto pode parecer ultrajante, mas os ensinamentos morais de Cristo sempre foram uma pedra de tropeço para o mundo. O mundo não tem lugar para a cruz.
Por que essas coisas são erradas? Em resumo, porque (1) o sexo é um símbolo do amor marital com recíproco compromisso (e os estímulos sexuais preliminares são uma preparação para o sexo) e (2) o sexo pode gerar filhos, que deveriam ser concebidos e criados dentro da estável comunidade de amor do matrimônio.

Como viver a castidade?

Como alguém vive a castidade? Como alguém desenvolve a virtude da castidade de modo que habitualmente viva a castidade sem qualquer dificuldade, ou, como Tomás de Aquino formulou, “com alegria, com facilidade e com prontidão”?

Como um fruto do Espírito Santo, a castidade não é, certamente, algo que se possa alcançar sem considerável esforço e oração. Os frutos de uma árvore aparecem por último e assim é com os frutos do Espírito Santo: eles requerem um bom plano de cultivo por meio da graça de Deus. Assim, para começar a viver a castidade no nosso mundo, requer-se uma vida espiritual forte. Para qualquer um que espera alcançar essa virtude, parece essencial ter quinze minutos de meditação diária (o terço ou a meditação dos Evangelhos), mais ir à missa frequentemente e receber os sacramentos.

Mas existe algum método de que se possa valer para usar com mais eficácia a graça recebida das práticas espirituais a fim de crescer na castidade?

Sim, existem. Deve-se começar observando com Aristóteles e Tomás de Aquino (Suma Teológica I, q.83, a.3) que o apetite sexual escuta não apenas a razão, mas também os sentidos e a imaginação. Então, primeiramente, deve-se ter cuidado com o que se vê ou assiste. Assistir filmes ou vídeos de sexo explícito, ou pornografia, ou dar atenção a pessoas do sexo oposto vestidas de modo provocante é venenoso para aquele que busca a castidade. O pior de tudo é fazer uso de materiais pornográficos, uma vez que a pornografia apresenta o sexo como algo meramente recreativo, como também apresenta homens e mulheres como meros objetos de prazer. Ambas as coisas são mentiras terríveis.

A imaginação é outra área potencialmente perigosa. Quando alguém fica cônscio de um pensamento impuro, deve imediatamente tentar abafar esse pensamento com outro mais vivo, como um jogo de bola, um bonito pôr-do-sol, entre outros. Ademais, deve-se seguir o conselho de São João Vianney de fazer o sinal da cruz para afastar a tentação e, como Santa Catarina de Siena, dizer repetidamente o nome de Jesus no coração (modo como ela repeliu uma série de tentações torpes). Um pensamento impuro inesperado não é pecaminoso, porém, uma vez que a pessoa deseja a sua continuação, o pecado entra e, como Jesus disse, pode-se pecar seriamente no coração.

Ademais, uma vez que existam vozes [interiormente] competindo pelo controle do apetite sexual, a razão lidar com o apetite “despoticamente”, dizendo simplesmente “não” ao apelo do apetite, não funcionará. Se funcionar, isso reprimirá o apetite no inconsciente, onde estará à espera de uma chance para explodir (Papa João Paulo II, em Love and Responsibility (Amor e Responsabilidade), Ignatius Press, p. 198). No momento de fraqueza, o apetite explodirá de fato com um acesso de atividade sexual. Isto é verificado em pessoas que se contém por semanas seguidas, mas que, então, vão para a farra e repetem esse ciclo de novo e de novo.

O intelecto deve agir “politicamente” com o apetite, reforçando os valores que serão ganhos por meio de uma vida de castidade, para compensar o valor do prazer sexual que é sacrificado.

*Mais precisamente: Cf. Persona Humana, Declaração sobre algumas questões de Ética Sexual, 29 de dezembro de 1975, final do § 5. Disponível em inglês e em italiano no site do Vaticano .


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