sábado, 1 de fevereiro de 2020

[FH] Vivendo a vocação de solteiro


VIVENDO A VOCAÇÃO DO CELIBATO
Pelo Padre Robert P. Maloney, C.M.




Ponha cada um ao serviço dos demais a graça que recebeu,
como bons admiradores das diversas graças de Deus.
I Pedro 4, 10

O Reino de Deus e a paz no Espírito Santo.
Deus reinará em vocês, se o seu coração estiver em paz.
SV I, 114

Todos vivem uma significativa parte da vida como solteiro ou solteira, buscando o Senhor neste estado e tentando discernir que direção tomar em um futuro incerto. Alguns escolhem ficar solteiros por toda a vida. Outros ficam solteiros por um tempo considerável, buscando um parceiro ou parceira para o casamento; este período é em geral muito longo, dado que a idade em que os jovens decidem se casar tem aumentado na maior parte dos lugares do mundo. Outros ainda continuam na vida de solteiros não por sua inclinação, mas por uma variedade de circunstâncias algumas escolhidas por livre vontade e outras impostas. E outros enfim se casam e se tornam solteiros novamente pela morte do cônjuge ou pelo fim de seu casamento.
(...)
A vocação para solteiro tem suas belezas e fardos. Como todas as vocações, não deve ser um fim em si mesma, mas um caminho para doar-se a si mesmo.
Sua beleza reside nas oportunidades única que oferece. Permite tempo abundante, liberdade e flexibilidade para explorar múltiplas possibilidades para pôr-se a serviço dos outros. A pessoa solteira tem mobilidade uma vez que não estabeleceu um compromisso com uma comunidade de pessoas, como fazem as pessoas casadas. Por esta a razão, a vocação para solteiro demanda um contínuo e cuidadoso discernimento sobre como doar a sua própria vida.
Os solteiros têm também a oportunidade de uma considerável introspecção, especialmente se vivem sozinhos. Esta introspecção os convida a concentrar-se em Deus através da oração.
No entanto, como todas as vocações, a do celibato tem os seus fardos. A solidão é um deles. O desafio para o solteiro é encontrar formas saudáveis de sair da solidão e construir uma relação de auto-doação aos outros. Uma vez que os solteiros não geram uma nova vida nos filhos, é crucial que os que se decidem por esta vocação conheçam como podem gerar vida e como podem dedicar os dons de Deus aos que os circundam. As possibilidades são muitas: através do ensino, das profissões relativas à saúde, das contribuições artísticas, da pesquisa, da escrita e do serviço direto àqueles em necessidade,
O segundo fardo é a falta de um sistema de apoio ao crescimento. Este vácuo força o solteiro a construir amizades que efetivamente contribuam para a criação de um ambiente saudável ao crescimento pessoal. De fato, amigos são importantes para todos, mas são muito mais importantes para os solteiros. Os diversos ramos leigos da Família Vicentina [assim como as células do Courage] podem oferecer este ambiente de amizades saudáveis, assim como de apoio aos solteiros, sejam jovens, de meia-idade ou idosos.
E imperativo que aqueles que são solteiros por circunstâncias involuntárias ou por relações terminadas, evitem a formação de sentimentos de frustração e alienação. Jesus nos assegura que Deus nos mostra a sua Providência, mesmo em momentos de tentação. Encoraja-nos a rezar por aqueles que nos magoam. Na medida em que pedimos a bênção de Deus para eles a bênção da cura virá sobre nós. Nós somos verdadeiramente abençoados quando o amor e o perdão suplantam a hostilidade e o ódio.
A pessoa solteira jovem, na medida em que passa da infância para a adolescência e para a fase adulta, se defronta tanto com oportunidades únicas, quanto com desafios significativos.
A juventude é um tempo de aprendizado. Apresenta uma grande plasticidade. A vida de um jovem muda muito rapidamente, e, algumas vezes, drasticamente. O lado positivo desta plasticidade é a capacidade do jovem de se ajustar, de se formar e crescer.
Pessoas jovens têm uma ânsia natural por aprender a amar. A busca por relacionamentos fortes ocupa um grande espaço em sua agenda. Ao mesmo tempo, muitos são atraídos na direção da transcendência: buscam um amor que vai além da experiência do amor do dia-a-dia.
Um sínodo mundial de Bispos elaborou a seguinte mensagem à juventude:
Vocês jovens, vocês são as “sentinelas do amanhecer” (...) Como o Senhor da História Ihes pede para construir uma civilização do amor? Vocês têm um senso muito claro do que a honestidade e a sinceridade exigem... Como podemos ser juntos discípulos de Jesus e colocar em prática o ensinamento de Cristo no Monte das Bem-aventuranças? (10ª Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, 30 de setembro a 27 de outubro de 2001).
A Igreja chama a juventude para cantar uma canção para despertar o mundo assim como fazia o sentinela no mundo antigo, que se colocava de pé sobre o muro da cidade, cheio de vontade de pegar o primeiro raio do sol nascente e proclamar a sua chegada. É claro que na visão cristã do mundo, o sol nascente que proclamamos é Jesus, o Senhor Ressuscitado. Nossos grupos de jovens da Família Vicentina [assim como as células do Courage] oferecem ao jovem uma formação profunda e gradual em como seguir Cristo na amizade e em formas concretas de servir Cristo na pessoa do Pobre.
Os jovens, em seus anos de formação, na escola ou com seus pares, devem buscar ter uma profunda confiança na presença do Senhor Ressuscitado e desenvolver uma espiritualidade profundamente centrada no Evangelho. Isto é especialmente possível em uma família em que os membros têm esta mesma confiança no Senhor e apoiam-se mutuamente na vivência de vida do Senhor.
Nos seus últimos anos, muitos que um dia foram casados se tornam sozinhos novamente. Idealmente, a serenidade da paz, a confiança alegre, a conversão contínua e a oração frequente devem caracterizar esta fase final da vida. É claro que o desafio é manter-se no crescimento contínuo do amor evangélico, na prática do dia-a-dia. Aqui novamente as nossas associações leigas vicentinas podem oferecer oportunidades muito ricas.
É maravilhoso ver pessoas envelhecendo e continuando a ser criativas e mantendo um coração jovem. Para pessoas solteiras idosas, os últimos anos da vida oferecem uma oportunidade especial para desenvolverem em si mesmas dimensões contemplativas e de serviço. É também um tempo de reconciliação com o passado para curar feridas, para aceitar os sonhos que não puderam ser realizados e para avaliar a realidade de suas vidas.
A palavra “solteiro” significa “único” e também significa “sozinho”. A vida de solteiro é única porque não é facilmente caracterizada; permite múltiplas possibilidades para a doação pessoal. “Solteiro” significa “sozinho” no sentido de que, voluntária ou involuntariamente o solteiro, anda no caminho do Senhor, sem um cônjuge. A intimidade orante com o Senhor ajudará a curar a dor da solidão e transformará a vida do solteiro em fértil e profunda.
Na vivência de sua vocação é especialmente útil para os solteiros:
  • manter uma postura de bom discernimento ao longo da vida iniciando com a busca inicial de uma carreira na juventude, passando por uma vida adulta voltada para o serviço e culminando com os últimos dias, quando vocês têm momentos de maior liberdade e de mais possibilidades de escolha;
  • desenvolver um sentido para a sua vocação pessoal única, compreendendo as formas pelas quais o Senhor o chama a doar-se;
  • focar generosamente no serviço prático e efetivo dos demais, dirigindo seu tempo e seus talentos para as pessoas com necessidades à sua volta;
  • alimentar a dimensão contemplativa da vida tomando tempo para a oração silenciosa, evitando a tentação de escapar da solidão através de longas horas vendo TV, navegando na internet ou perdendo tempo com coisas que têm valor limitado ou negativo;
  • formar amizades saudáveis que possam prover apoio humano e fortalecer a sua vida no Senhor.


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