quinta-feira, 3 de setembro de 2020

[Esp] XXI Domingo do Tempo Comum: quem sou de verdade?

 

COMENTÁRIO AO EVANGELHO DO

XXI DOMINGO DO TEMPO COMUM:

 

Evangelho do Dia


QUEM SOU DE VERDADE?


São Mateus, 16, 13-20

Naquele tempo, Jesus foi à região de Cesareia de Filipe e aí perguntou a seus discípulos: “Quem dizem os homens ser o Filho do Homem?”  Eles responderam: “Alguns dizem que é João Batista; outros, que é Elias; outros ainda, que é Jeremias ou algum dos profetas”. Então Jesus lhes perguntou: “E vós, quem dizeis que eu sou?” Simão Pedro respondeu: “Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo”. Respondendo, Jesus lhe disse: “Feliz és tu, Simão, filho de Jonas, porque não foi um ser humano que te revelou isso, mas o meu Pai que está no céu. Por isso, eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra construirei a minha Igreja, e o poder do inferno nunca poderá vencê-la. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus: tudo o que tu ligares na terra será ligado nos céus; tudo o que tu desligares na terra será desligado nos céus”.

Jesus, então, ordenou aos discípulos que não dissessem a ninguém que ele era o Messias.

***

O Evangelho do domingo trata de uma questão essencial para as pessoas que sentem atração pelo mesmo sexo (AMS): sua própria identidade. Jesus sabe que esse é um ponto chave: o que dizem que eu sou? E vocês, o que pensam?

Jesus é Deus, a divina Sabedoria. Além de ter plena consciência de quem Ele era, também já sabia a resposta a sua pergunta. Mas o Senhor, sabedor de nossas limitações e querendo nos ensinar, esperou que os discípulos o informassem do que falava o povo. E todos lhe deram uma identidade diferente daquela que lhe era própria, e que Ele havia demonstrado através de tantos milagres, de inúmeras pregações e atos de caridade. Não, ninguém viu a fundo quem Ele era. Alguns mesmos, levados pela inveja e má-fé, o consideraram como possuído pelo inimigo de Deus e da raça humana.

Quantos de nós, homens e mulheres que sentem atração pelo mesmo sexo, não sentimos a necessidade de uma afirmação exterior para podermos conhecer e definir nossa própria identidade, encontrar um sentido em nossa própria existência, uma finalidade para nossa vida. Quem sou eu de verdade? “Você? Você é gay! Maricas! Acha que engana quem?” “Ah, aquela menina é lésbica com certeza, quem duvida? Ela é até legal, mas ...” O termo pessoa é esquecido. O que se utiliza são rótulos cunhados num mundo em que falta essencialmente a caridade, mesmo nos meios cristãos que frequentamos.

Mas gay, lésbica, homossexual, não são identificações saudáveis? Não são designações para o que eu realmente sou? Não são minha verdadeira identidade como pessoa? A resposta é não. Tais rótulos fogem daquilo que é essencial em nossas pessoas. E que essencialidade é essa? Busquemos na doutrina da Igreja o esclarecimento.

“Deus é amor e vive em Si mesmo um mistério de comunhão pessoal de amor. Ao criar a humanidade do homem e da mulher à sua imagem [...] Deus inscreveu nela a vocação para o amor e para a comunhão e, portanto, a capacidade e a responsabilidade correspondentes. ‘Deus criou o homem à sua imagem; [...] homem e mulher os criou’ (Gn 1, 27); ‘Crescei e multiplicai-vos’ (Gn 1, 28); ‘Quando Deus criou o ser humano, fê-lo à semelhança de Deus. Criou-os homem e mulher e abençoou-os; e chamou-lhes «Adão» no dia em que os criou’ (Gn 5, 1-2). (Catecismo da Igreja católica, § 2331).

Deus nos criou à sua imagem. Somos imagens do Criador, da Trindade Eterna, vocacionados para amar e para viver em comunidade. Fomos feitos ou homem ou mulher. Mas... não é possível assumir uma identidade diferente?

Compete a cada um, homem e mulher, reconhecer e aceitar a sua identidade sexual. A diferença e a complementaridade físicas, morais e espirituais orientam-se para os bens do matrimônio e para o progresso da vida familiar. A harmonia do casal e da sociedade depende, em parte, da maneira como são vividos, entre os sexos, a complementaridade, a necessidade mútua e o apoio recíproco.” (Catecismo da Igreja católica, § 2333).

Certo. Mas não é a minha “orientação” sexual que diz quem eu sou então?

A pessoa humana, criada à imagem e semelhança de Deus, não pode definir-se cabalmente por uma simples e redutiva referência à sua orientação sexual. Toda e qualquer pessoa que vive sobre a face da terra conhece problemas e dificuldades pessoais, mas possui também oportunidades de crescimento, recursos, talentos e dons próprios. A Igreja oferece ao atendimento da pessoa humana aquele contexto de que hoje se sente a exigência extrema, e o faz exatamente quando se recusa a considerar a pessoa meramente como um « heterossexual » ou um « homossexual », sublinhando que todos têm uma mesma identidade fundamental: ser criatura e, pela graça, filho de Deus, herdeiro da vida eterna.” (Carta aos bispos da Igreja Católica sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais).

É católico? Sente atração pelo mesmo sexo (AMS)? Então ouça aquela que é a Mãe e Mestra de toda a humanidade. Não dê ouvidos aos apelos da sereia enganadora das ideologias mundanas. Aceite sua verdadeira identidade, pois não é o que você sente, ordenado ou não, que define quem você é. Você é mais do que rótulos inventados. Só Cristo é a Verdade e o Amor que você procura, ninguém ou nada mais. E o que Ele diz? “As minhas ovelhas ouvem a minha voz, eu as conheço e elas me seguem." (Jo 10, 27). E a voz da Igreja é a própria voz de Cristo, que afirma: "Se alguém quiser vir comigo, renuncie-se a si mesmo, tome sua cruz e siga-me. Porque aquele que quiser salvar a sua vida, irá perdê-la; mas aquele que tiver sacrificado a sua vida por minha causa, irá recobrá-la. Que servirá a um homem ganhar o mundo inteiro, se vem a prejudicar a sua vida? Ou que dará um homem em troca de sua vida?” (Mt 16, 24-26).

Fácil? Ninguém disse que seria. Mas a meta é o Céu! Coragem!

 

Marcos A.

Um comentário:

  1. Belíssimo! Fomos criados a imagem e semelhança de Deus! Diz o salmista; Sede bendito por me haverdes feito de modo tão maravilhoso!

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