domingo, 17 de setembro de 2017

[FH] Educar o instinto sexual

Muitos se deixam dominar pelo instinto sexual por julgá-lo irresistível ou porque desconhecem a força da própria vontade. Outros, pela persuasão errônea de que a resistência pode acarretar enfermidades ou que seguir tal instinto é prova de virilidade. Muitíssimos, porque esperam encontrar nesta satisfação a felicidade a que todos almejamos. Há também aqueles que maldizem o instinto sexual, esquecendo que ele é bom e que Deus o criou com uma finalidade própria. Não aceitam que o pecado original tornou esse instinto desregrado, e que devemos, pela graça e pelo esforço, colocá-lo em seu devido lugar. Mas como fazer isso? O Padre Narciso Irala nos ensina.




REMÉDIOS PARA A CURA


1º. Antes de tudo, se dominavam idéias errôneas neste ponto, é preciso corrigi-las lendo algum livro de educação sexual sadio e aprovado pela Igreja.

2º - Para fazer contrapeso ao influxo inconsciente da afetividade do deleite, procuraremos arraigar afetividades e tendências contrárias, acostumando o corpo ao trabalho, à vida dura, a à mortificação e à dor (dignificadas pela fé) e afastando-o da comodidade e do prazer. Os esportes sadios e varonis ajudam bastante.

Um jovem de família rica confessou-me que lhe parecia impossível a castidade quando vivia em sua casa rodeado de comodidades e de presentes. Quando esteve em um campo de concentração com muitas privações e trabalhos nunca teve tentação carnal.

3º - Devemos evitar pessoas, objetos, leituras, conversas e espetáculos que tragam associações de imagens ou tendências menos puras.  Querer a castidade com esses incitamentos é pretender caminhar sem cair por terrenos inclinados e escorregadios. É preciso evitar que se suscitem tais incitamentos por objetos proibidos.

4º - Quando aparecerem as tendências más ou pensamentos, resistir logo no primeiro momento “quando ainda são fracas”, contrapondo-lhes outras imagens (sensações conscientes, concentrações voluntárias, atos que ocupem a atenção) e outras tendências, por exemplo, querer evitar o inferno, ganhar o céu, querer dar gosto a Jesus Cristo, salvar almas, etc.

Um jovem muito casto e virtuoso ao encontrar-se com amigas ou parentes, via-se logo perturbado e assaltado por pensamentos impuros sem saber como evita-los. Bastou-nos aconselhar-lhe que associasse conscientemente outras imagens à idéia de mulher, por exemplo, à excelência da mãe que dá filhos para o céu, o Espírito Santo que mora nela pela graça, a sublimidade da Virgem Mãe de Deus etc. [para os homens com AMS vale o mesmo conselho: excelência do pai que dá filhos para o céu, o Espírito Santo que mora nele pela graça, a sublimidade de São José]. Poucos dias depois, voltou para agradecer-nos. Esta nova associação de idéias induzida voluntariamente havia acabado com as outras subconscientes e instintivas e sentia-se agora tranquilo e feliz.

5º - Para resistir melhor, evitemos colocar-nos em estado de inferioridade psíquica (alcoolismo, romantismo afetivo, sonolência, divagação cerebral). Neste estado, ficam soltas a imaginação e a afetividade subconsciente e como que adormecidas a vontade e a razão. Permanece todo o homem entregue à mercê do primeiro impulso. Este brotará fácil e violentamente, sobretudo se se juntou a tudo isso uma posição excessivamente cômoda que, por associação inconsciente do sentido do tato, desperta os baixos instintos. Teremos, ainda assim, poder para resistir e por isso seremos responsáveis pelo ato, mas... o atacante é forte e o defensor não está em guarda.

O Santo Cura de Ars fugia da sensação de comodidade como quem foge do fogo.

6º - Não encaremos esta luta heroica de um modo negativo: “Não se pode fazer isto; é preciso evitar aquilo”, mas sim de forma positiva: como um sacrifício que generosamente oferecemos a nosso Deus Crucificado, para amá-lo, agradá-lo, obedecer-lhe e imitá-lo. Esta luta positiva alegra e anima; a negativa deprime.

7º - Motivemos devidamente e elevemos à sua excelsa dignidade este instinto. Por ele quer Deus fazer depender do homem Seu poder de criar almas imortais e quer que isto se faça na entrega total de um ser para outro ser com o qual se completa e faz feliz por um amor desinteressado. Esta entrega a outra pessoa que vai completa-la e satisfazê-la emocionalmente é uma concretização aqui sobre a terra, da união íntima, espiritual e sublime com o Deus de infinito Amor e com felicidade divina que Ele nos prepara no céu. Por isto deu à união conjugal o caráter sagrado pelo sacramento do Matrimônio. Querer a satisfação sexual, excluído a finalidade dela, é burlar a intenção de Deus, nosso Pai e frustrar Seus planos divinos.

8º - Contra as idéias motoras que impelem à realização do ato, opor o sentimento de que podemos evita-lo, por exemplo: mando a meus pés que não vão àquele lugar, ou a minhas mãos que estejam cruzadas sobre o peito por um tempo determinado, para fortalecer meu caráter, para agradar a Nosso Senhor, para merecer o Céu (não diga “para evitar o pecado” pois tal evocação despertaria as idéias e impulsos que tratamos de dominar). Estes atos assim concretizados sentir-se-ão como possíveis e a vontade poderá querê-los.

9º - Uma vez feito tudo o que podíamos, dada a dificuldade especial desta matéria, resta-nos ainda recorrer a Deus para conseguir forças sobrenaturais pela oração, pela confissão e pela comunhão. Esta graça pedida com humildade, confiança e perseverança nunca nos será negada. A experiência de muitos séculos em todas as raças e homens de toda condição intelectual e social demonstra que estes meios sobrenaturais vencem a dificuldade especial de guardar a castidade.




[extraído do livro Controle Cerebral e Emocional, do Padre Narciso Irala]



domingo, 10 de setembro de 2017

[Esp] Como santificar domingos e festas?

Nossa segunda meta nos exorta a "dedicar a própria vida à Cristo por meio do serviço ao próximo, da leitura espiritual, da oração, da meditação, da direção espiritual particular, da participação frequente da Missa e do recebimento constante dos sacramentos da Reconciliação e da Santa Eucaristia." Por que a participação frequente da Missa é tão importante? Em primeiro lugar, porque o próprio Deus e sua Igreja, em seus mandamentos, nos ordenam tal ato. Em segundo, porque é ali que se encontrará presente, no santo sacrifício do altar, o autor da vida, nosso único e verdadeiro amor, que é Jesus Cristo. No entanto, muitas pessoas com atração pelo mesmo sexo sentem-se indignas de participar da Santa Missa, e caindo nessa ilusão deixam de cumprir o preceito e com seu encontro marcado com Deus. Ninguém, absolutamente ninguém, é digno de estar na presença de Deus, e pecaria por orgulho aquele que se julgasse digno de estar ali. Mas Ele, no seu infinito amor, chama a todos, e não são as suas atrações involuntárias por pessoas do mesmo sexo que impedirão a Ele de continuar amando você; pelo contrário, Ele, nossa única força, quer ali, no momento em que se repete o sacrifício da Cruz, dar forças para que você não sucumba às tentações decorrentes de sua atração. Ainda que você tenha caído em algum pecado, não deixe de ir: vá, peça forças na Missa, aproveite para se confessar e receber o corpo daquele que morreu especialmente por você. Coragem!





DOMINGOS E FESTAS


“O sábado foi feito para o homem, e não o homem para o sábado”. (Mc 2, 27)

Todos os dias de nossa vida devem ser empregados na glorificação de Deus. Mas há alguns que ele designou de modo particular para neles lhe oferecermos um culto exterior mais especial: são os dias de festa.

É necessário, portanto, santificar esses dias. Os meios principais são as obras de caridade, o santo sacrifício da Missa, os sacramentos, os sermões e instruções religiosas, e as leituras de piedade.

Contudo, é preciso evitar a fadiga do corpo e do espírito com excesso de exercícios piedosos. O exagero é repreensível mesmo nas coisas santas, porque a virtude acaba onde começa o excesso. Tudo o que dissemos sobre isso no capítulo da Oração pode ser encaixado aqui.

E bom saber, ainda, que uma visita honesta, um passeio, uma diversão sadia, sendo coisas que podem referir-se a Deus, servem também para santificar os dias de festa, quando fazemos tudo isso com o objetivo de agradar a Nosso Senhor. O mesmo se diga dos outros atos cotidianos do homem exigidos pelas necessidades do seu corpo.

Digo essas coisas para instrução daqueles que, nos dias de festa, se agitam e se inquietam por acumular devoções sobre devoções, julgando ser um crime tudo o que não for prática exterior de piedade, e parecendo aplicar-se à observância material do sábado segundo os costumes supersticiosos dos fariseus, em lugar de santificar tranquilamente o dia do Senhor com esta santa e doce liberdade de espírito que Jesus Cristo nos ensina no evangelho. A excessiva dissipação, como a prece demasiado prolongada, são dois excessos que é preciso igualmente evitar.

Se te sobrevier num dia de festa a necessidade de viajar ou de te aplicar em alguma ocupação imprevista, não te inquietes pela impossibilidade de praticar os teus exercícios de piedade ordinários. Substitui-os por orações jaculatórias, que podem, como já expliquei, substituir todas as outras.

Lembra-te, finalmente, que uma simples missa pode bastar rigorosamente para santificar as festas. E para as pessoas que são obrigadas a guardar a casa, a assistir os enfermos, a cuidar das criancinhas, os dias de festa podem ser santificados mesmo sem a assistência à Missa. Porque tudo isso são obras de justiça e caridade, obras que são boas em si mesmas. Quando santificadas pela intenção de fazê-las por Deus, e acompanhadas de orações jaculatórias, igualam e até mesmo ultrapassam em valor todas as demais práticas exteriores de devoção.

Em nossos dias, a noção equilibrada do Domingo é bem menos ameaçada por trabalhos proibidos do que pelos divertimentos. Os espetáculos e os esportes não devem ser de tal modo numerosos e malsãos que nos deixem perturbados no fim do dia sagrado! Os divertimentos devem ser escolhidos para desenvolver em nós o que nossas ocupações deixam em abandono (natureza, arte pequenos trabalhos, cultura, etc.) – e favorecer as boas relações de família e de sociedade.

(extraído do livro "A medida das virtudes", do Padre Robert Mialhe)