terça-feira, 28 de junho de 2016

[FH] A genética não explica tudo!

NASCER HOMOSSEXUAL?




A maioria dos homossexuais tem o sentimento de ter nascido assim, enquanto outros não o aceitam e percebem que sua homossexualidade talvez advenha de um fracasso no acesso à heterossexualidade. Outros ainda vivem por meio da homossexualidade uma experiência provisória no desenvolvimento de sua sexualidade a fim de se reassegurar com relação a si mesmos. E há também aqueles em quem ela pode se manifestar tardiamente na vida, depois de recalcamentos e de ter conhecido uma sexualidade heterossexual. Observam-se igualmente indivíduos que podem alternar entre uma e outra em função de eventos de sua existência. A homossexualidade pode assim se mostrar como uma forma de organização da personalidade que recorre a realidades psíquicas vividas por cada pessoa durante a infância e a adolescência, como a não-diferenciação, o narcisismo, a idealização da própria imagem corporal, a identificação com o genitor do mesmo sexo, etc. Freud mostrou que algumas expressões homossexuais eram a manifestação de um conflito inconsciente que a pessoa tentava resolver ou do qual procurava se defender por meio dessa solução.

A psicanálise situa o problema da origem da homossexualidade, dessa maneira, em outro plano, e o próprio Freud considerou sem interesse o dilema entre o inato e o adquirido. Ele evidenciou a relativa autonomia da vida psíquica em sua interação com a vida biológica e com o ambiente. Por conseguinte, acentuou mais a importância dos fatores internos que levam o indivíduo a a se organizar em função das tarefas psíquicas que ele deve organizar a partir da infância. São esses fatores que favorecem ou não as diferentes operações de integração sexual, operações que, quando não realizadas, fazem a libido fixar-se no próprio indivíduo, que toma a si mesmo como objeto através dos outros.

A tese do caráter inato da homossexualidade é muito antiga, e não pôde ser provada, mesmo que hoje se deseje sustentar sua origem orgânica por meio de um discurso genético ou neurobiológico. Como se poderiam explicar comportamentos homossexuais transitórios ou reacionais se a homossexualidade fosse inata? Como explicar que indivíduos se liberem de práticas homossexuais depois de uma psicoterapia e se tornem capazes de viver de outra maneira se essa tendência estivesse inscrita em sua estrutura genética? Voltemos mais uma vez a essa questão.

A maioria dos cientistas não conclui pela causa neurobiológica exclusiva para justificar a orientação sexual, nem pela causa unicamente genética para explicar os comportamentos humanos decorrentes de outras realidades (psicológicas, sociais etc.). Uma corrente filosófica que insiste nos determinismos genéticos segue essa direção na América do Norte. A partir de experiências de laboratório, perquisadores tentam provar a existência dos "genes" da violência, da homossexualidade, da delinquência, do alcoolismo, havendo mesmo os que desejam explicar esta ou aquela tendência a partir da forma do crânio ou da dimensão da hipófise. Esse desvio é inquietante, porque a descoberta de um gene que predispõe, por exemplo, a uma tendência ou a uma patologia não significa que ela vá se manifestar. O gene não age sozinho. O ambiente, a educação, os eventos que marcam uma existência, a maneira como o sujeito resolve ou não seus conflitos de base para elaborar sua personalidade são fatores que contribuirão para a orientação da personalidade. Porém, sobretudo, se se conseguirem isolar os aspectos genéticos de predisposições hipotéticas da sexualidade (o que não se sabe fazer hoje), não é um gene, mas dez, trinta, oitenta ou mais de cem que é preciso considerar potenciais, não determinismos a partir dos quais o indivíduo deva necessariamente se desenvolver.

A genética não dá conta de tudo, e os genes, repitamo-lo, não determinam o destino dos indivíduos. Ao querer crer nessa tese mecanicista da psicologia humana a partir de uma visão parcial e sobremodo reduzida, deixa-se de lado a complexidade da organização humana e a originalidade de seu funcionamento. Nesse caso, a pessoa humana é concebida como simples montagem celular e como o produto das reações químicas dessa montagem.

Assim, conclusões simplistas e apressadas são lançadas à opinião pública, e não correspondem nem às conclusões dos cientistas, nem, menos ainda, à problemática genética. Essas falsas esperanças científicas acalentam uma visão da vida humana que dependeria de um 'fatum' que poderia ser alterado graças a manipulações genéticas, e quem sabe à terapia gênica, e que não incidiria sobre patologias identificáveis mas sobre a organização da personalidade, ou ainda sobre suas tendências sexuais. Como é concebível tal perspectiva? 'O problema é que não se sabe quase nada dos mecanismos bioquímicos dos problemas psíquicos. Dispomos apenas de hipóteses que seria desonesto fazer passar por certezas. Mesmo quando se identificarem receptores envolvidos nesta ou naquela patologia, não se diz que se encontrará a prótese química capaz de suprir uma eventual deficiência. Os ansiolíticos não agem sobre um centro hipotético de ansiedade, se é que tal centro existe. Cometeu-se o erro de alinhar a psiquiatria à medicina somática. O cérebro é um órgão dotado de grande complexidade que funciona de maneira global e dispõe de uma extraordinária plasticidade. Não podemos, ao contrário do que ocorre em outras disciplinas médicas, identificar as lesões, repertoriar e quantificar os sintomas que elas ocasionam e propor um tratamento curativo ou preventivo.

A necessidade de dizer que se nasce homossexual e de procurar prová-lo com o argumento genético é no mínimo discutível. Não seria uma maneira de esvaziar toda a dimensão psicológica da sexualidade?

Padre Tony Anatrella, "A diferença interdita - sexualidade, educação, violência"


sexta-feira, 24 de junho de 2016

[Esp] São João Batista, modelo para nossa luta



A Igreja nos apresenta o calendário litúrgico não para que para ele olhemos placidamente e peçamos bens materiais aos santos cujas festas são comemoradas em dias específicos. Os santos nos são colocados como modelos a ser seguidos, cabendo a nós vermos em seus exemplos as virtudes que devemos praticar em nossas vidas, afastando-nos dos ídolos apresentados pelo mundo.

Nós, homens e mulheres que lutam com a AMS, podemos encontrar em São João Batista, cuja festividade celebramos hoje, exemplo para nosso combate? Sem sombra de dúvidas, pois cada santo suscitado por Deus tem muito a nos ensinar, e São João Batista não foge à regra.

1 - AMOR À VERDADE

Assim estabelece a primeira meta do Courage:

“Viver uma vida casta de acordo com o ensinamento da Igreja Católica Apostólica Romana acerca da homossexualidade.”

São João, ao se deparar com o pecado do rei da época, Herodes, que havia tomado por esposa a mulher de seu irmão, não teve meias palavras para com o rei: “Não te é permitido ter a mulher de teu irmão” (Mc 6, 18). Diante do pecado de um rei e diante da lei de Deus, João Batista sabia que a única verdade era a proferida por Deus e que não poderia silenciar diante do pecado público de uma autoridade: enfrentou o rei e terminou por sofrer o martírio por ter anunciado a verdade.

Nossa meta nos convida, claramente, a viver a castidade de acordo com os ensinamentos da Santa Igreja, e não como nos incita o mundo, sem meio-termo, sem contornar os ditames da Mãe Igreja. Essa, mestra e sábia, nos ensina que os atos homossexuais são pecados graves, e que devem ser evitados a todo o custo com os auxílios que a mesma mãe nos dá: direção espiritual sábia, frequência aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia.

A castidade é, dessa forma, a meta que devemos ter sempre à nossa frente. Mas falamos aqui da verdadeira, não dos ensinamentos de grupos dissidentes ou daqueles do mundo altamente sexualizado em que vivemos. E essa luta, ainda que não nos leve diretamente ao martírio sangrento como o de São João Batista, deve ser vivido constantemente, como um martírio diário, martírio esse que, no entanto, nos levará a gozar da mesma visão que tem agora São João: a visão da Trindade Santíssima, o convívio com o Cristo ressuscitado e com sua Mãe Santíssima.

2 - AMOR À MORTIFICAÇÃO

São João Batista ficou conhecido por pregar o batismo de arrependimento, e sua vida austera dava o exemplo daquilo que pregava.

“Na realidade,  a penitência, a humildade e a obediência são os únicos meios de dar à nossa vida moral toda a sua amplitude. Pela mortificação da carne livramo-nos das exigências escravizadoras da vida animal e damos à vida da alma mais amplo vôo. Pela mortificação da inteligência, isto é, pela humildade intelectual, pomo-nos em comunicação direta com o próprio manancial da verdade que é Deus; em primeiro lugar, não usurpando os seus direitos sobre nós, depois, submetendo-nos à sua palavra reveladora, ao consentirmos em crer que os limites da nossa curta ciência não são os limites da verdade infinita. Enfim, pela mortificação da vontade, elevamo-nos à vontade divina; colocamo-nos de tal modo acima das contingências humanas que nada nos pode afetar e a própria morte se converte no caminho mais curto para a vida.” (A virilidade cristã, Stanislas Gillet).

Não se alcança nenhum objetivo na vida sem sacrifícios. Como diz o ditado inglês, “no pain, no gain”, sem sofrimento não há ganho. Quantas vezes nos abstemos de certas coisas para atingirmos objetivos mundanos, e na hora de combater para adquirir as virtudes cristãs, em nosso caso especialmente a castidade, nos entregamos a um desânimo imenso diante das renúncias que teremos de fazer? Ora, nosso ganho será o reino dos céus, a morada dos santos e de nosso Criador. Quão necessário é, assim, adquirir o espírito de mortificação de São João Batista, que bem sabia que sem penitência e sacrifício não é possível entrar no reino dos Céus. Sem mortificação, a castidade se torna quase que impossível, pois nossa carne nos pede constantemente para ser saciada.  A mortificação, como bem afirmado por Mons. Stanislas Gillet, é o meio de domarmos nossas potências, decaídas em decorrência do pecado original e que tendem, a todo momento, em querer se impor sobre nosso desejo de nos santificar e evitar o pecado.

Aprendendo com os exemplos que Nossa Mãe, a Santa Igreja Católica, nos apresenta através do calendário litúrgico, neste dia em especial com a comemoração da natividade de São João Batista, teremos força para ver as virtudes como possíveis e nossas metas como destinos certos através do amor à verdade e à mortificação.

São João Batista, rogai por nós!