segunda-feira, 9 de julho de 2018

[QSH] Pornografia - como as amizades podem ajudar a superá-la



BOAS AMIZADES

ARMA CONTRA A PORNOGRAFIA


A pornografia permeia a vida da sociedade moderna e se tornou, para muitos, um vício. Esse mal, presente na vida de pessoas com atração pelo mesmo sexo ou não, apenas aumenta dois fatores que cada vez mais são consequências de nosso mundo conturbado: a solidão e o isolamento. Na vida de uma pessoa com AMS (e também de qualquer outra), é a "válvula de escape", é o instrumento ilusório de uma suposta intimidade. Quando trilhamos os Doze Passos do Courage, logo no primeiro nos deparamos com nossa incapacidade de superar sozinhos os problemas que nossa inclinação nos traz, entre eles a pornografia. Mas o que fazer? Entre os remédios ou armas que podem por nós serem utilizados estão as boas e castas amizades, objeto de nossa quarta meta: "Ter em mente as seguintes verdades: que as castas amizades não são apenas possíveis, como também necessárias na vivência da castidade cristã e que, no seu cultivo, elas oferecem um mútuo encorajamento". É o que o seguinte texto nos  mostra.


Procurando por relacionamentos: falso x verdadeiro


Acredito que tudo que está relacionado à construção de relacionamentos saudáveis seja parte importante do processo de luta contra a pornografia. A pornografia promete intimidade instantânea com outros, mas não pode cumprir tal promessa. Para não cair em sua armadilha, temos que passar pelo processo, nem sempre fácil e tampouco rápido, de desenvolvimento de relacionamentos reais com outras pessoas.

Se passamos anos lutando para formar amizades, sem sucesso, talvez tenhamos que mudar nossa perspectiva a respeito de relacionamentos, sobretudo com outros cristãos. Em vez de nos vermos como ilhas isoladas, temos que nos dar conta de que devido à obra de Cristo na cruz, já temos uma união com outros cristãos em nível profundo. O elo já existe, como descrito em Efésio 2, 19: “Assim já não sois estrangeiros e peregrinos, mas concidadãos dos santos, e sois família de Deus; edificados sobre o fundamento dos apóstolos e profetas, sendo ele mesmo Cristo Jesus, a pedra angular”.

Dar-se conta disto nos dá certa segurança, e mais confiança para nos aproximarmos de outros cristãos. Não mais sentimos a necessidade  de “trabalhar” a amizade; só necessitamos descobrir e desenvolver o elo que já existe em Cristo.

Este conhecimento também pode dar confiança adicional na resolução de conflitos com outros cristãos. Qualquer que seja a crise que surja entre eu e outro cristão, ambos temo recursos divinos e a ação do Espírito Santo para nos ajudar a caminhar em direção a uma cura ou resolução.

Um dos primeiros passos no caminho para relacionamentos saudáveis é levar todas essas lutas ao Senhor em oração: “O Senhor sabe que eu tenho problemas com relacionamentos. Muitas vezes procuro amizades por razões equivocadas, procurando por coisas que nenhuma amizade poderia me dar. Não quero mais seguir por este caminho. Quero formar amizades, não a partir de uma necessidade doentia, mas a partir do meu amor por Ti e de minha relação contigo. Abra meus olhos para os relacionamentos que o Senhor quer me dar. Ajuda-me a reconhecer velhos padrões à medida que surgirem, e ajuda-me a encontrar novas maneiras de me relacionar com outros.”

Algumas vezes Deus tem surpresas para nós com relação a amigos. Foi o que aconteceu com Harry, um homem que vivera na prática homossexual.

Sempre que Harry se dava conta, parecia estar perto de Roger. No estudo bíblico, nos ensaios do coro, no culto dominical, lá estava sempre Roger. Um domingo, após o culto, Roger perguntou se Harry gostaria de almoçar com ele.

“A única razão pela qual disse sim foi porque não consegui encontrar uma desculpa de maneira rápida”, lembra-se Harry.

Roger seria a última pessoa que Harry escolheria como amigo. Grande, lento e tímido, Roger era o gerente de uma fábrica de beneficiamento de milho nas cercanias. Harry havia recentemente deixado para trás a prática homossexual em Chicago, e decidira aceitar o emprego de professor em uma pequena comunidade em Wisconsin. Mesmo que tivesse renovado seu compromisso com Cristo e tivesse esperanças de fazer novas amizades, Roger não era o que ele esperava como amigo.

“Mas, aquele almoço após a igreja abriu meus olhos”, disse Harrry. “Roger era gentil de espírito e tinha uma relação genuína e profunda com Cristo.”

Os dois homens desenvolveram uma sólida amizade. Harry introduziu Roger a C.S. Lewis, George MacDonald e outros autores cristãos. Em contrapartida, Roger acendeu o interesse de Harry por caminhadas em florestas e esportes radicais, como canoagem e “rafting”.

Num dado momento, Harry se sentiu compelido a contar a Roger sobre seu passado na prática homossexual. Cheio de terror, ele vomitou sua história. Quando terminou, Roger olhou em seus olhos com ternura e disse, “já imaginava isto.”

“Meu passado lhe incomoda?”, Harry perguntou.

“Admito que não o entendo”, Roger respondeu. “Mas não tenho que compreender tudo sobre você para ser seu amigo, não é?”

Harry pensou por um momento. “Não, creio que não.”

Ao dar o passo para construir amizades saudáveis, temos que estar abertos para nos relacionarmos com pessoas diferentes do “nosso tipo”. Claro que não vamos procurar por amizades com pessoas que não tenham um mínimo em comum conosco, mas devemos estar abertos a relacionamentos que nos pareçam desconfortáveis à primeira vista. Deus sabe que tipos de relacionamentos são necessários para que nossas melhores qualidades sejam desenvolvidas e que possibilitem o amadurecimento de nossa identidade (...) – e normalmente não são o tipo de relacionamentos que escolheríamos por nós mesmos.

E quando àquelas pessoas que encontramos e gostamos instantaneamente – talvez demais? Deveríamos fugir delas com receio de que poderíamos cair em dependência emocional ou mesmo num relacionamento sexual? Ou ir ao outro extremo, fazendo uma oração rápida (“Fique de olho em mim, Deus”) e se laçando à toda velocidade em frente, cego de excitação por uma nova relação? Infelizmente não há respostas fáceis para este dilema. Se estivermos numa posição muito vulnerável e a outra pessoa não for madura ou estável, normalmente é melhor colocar um freio na amizade por algum tempo. Na maior parte dos casos, o melhor conselho é “prosseguir com cuidado”.

Às vezes iniciamos novas relações com boas intenções, mas ficamos envolvidos em padrões doentios, ainda que nos esforcemos ao máximo. Vivemos num mundo despedaçado e todas as nossas relações em algum grau refletem isto.

Quando entramos numa nova relação, com um homem ou mulher, necessitamos uma mistura de fé e cuidado. Fé, sabendo que Deus está nos revestindo e sustentando, dando-nos sabedoria e graça aos nossos esforços para ter sucesso. E cuidado, estando ciente de que nenhum outro ser humano é completamente “seguro” ou está totalmente restaurado.

Muitas de nossas necessidades mais profundas serão satisfeitas pelo próprio Deus. Talvez tenhamos um amigo que seja um grande companheiro de oração; outro com o qual possamos contar piadas e nos divertir de forma saudável; e outro que necessita de nosso tipo especial de ministério e encorajamento. Nossas vidas são mosaicos de amizades e interesses, não um quebra-cabeças feito de duas peças que se encaixam.

Em última instância, Deus é o doador de todas as boas dádivas – incluindo amigos verdadeiros. “O Senhor me ajudou de verdade nesta área”, diz Rod. “Passei meus anos de adolescência virtualmente sozinho, aterrorizado de que alguém se aproximasse de mim o suficiente para descobrir minhas lutas com a homossexualidade.

“Durante minha juventude, quando comecei a abrir minha vida para outros cristãos, experimentei o que é uma profunda amizade pela primeira vez. Este processo de fazer amigos trouxe bastante cura e satisfação para a minha vida. Mas antes tive que me arriscar em ser aberto com outros, o que era aterrorizador. Agora estou feliz por me ter arriscado.”

Rod lutou muitos anos contra a pornografia homossexual e se deu conta de uma nova vitória na área quando ele começou a preencher sua vida com relações saudáveis com outros homens. A tentação de dar uma olhada em literatura pornográfica gay não desapareceu totalmente, mas à medida que ele enchia sua vida com amizades compensadoras, ele notou que as tentações perderam muito de seu poder e força.

Rod diz que suas amizades masculinas foram um instrumento em sua libertação da homossexualidade. “Eu me dou conta de que, durante todo o tempo que estava me deixando levar pela pornografia e procurando por contatos sexuais, estava na verdade procurando por um amigo. Agora que tenho homens que posso amar de maneira santa e saudável, não estou mais sozinho.”

“Todos nós que passamos pela prática homossexual – mesmo os mais introvertidos – têm grande ânsia por contato com outras pessoas, especialmente outros do nosso mesmo sexo”, adiciona Rod. “Assim a escolha está em como iremos satisfazer estas necessidades de contato com o mesmo sexo: através da lascívia e meios pecaminosos, ou através de amor e amizades saudáveis. Estou muito mais feliz e realizado desde que comecei a procurar satisfazer estas necessidades de uma maneira aprovada por Deus.”


(extraído do livro "Vencendo a pornografia", de Bob Davies)




terça-feira, 26 de junho de 2018

[Esp] São Pelágio, mártir da pureza


Há santos pouco conhecidos, mas que devem ser relembrados por seu exemplo de fidelidade às virtudes. São Pelágio, cuja devoção é pouco divulgada no Brasil, é um deles. Um homem poderoso e cheio de riquezas tentou aliciá-lo, mas foi fiel à Deus e à virtude da castidade, o que o levou a ser morto. Estamos assim dispostos a proteger esse tesouro que é a pureza? Peçamos a São Pelágio que nos consiga de Deus a mesma coragem para não cedermos à tentação que tanto nos acomete em nossos dias.



SÃO PELÁGIO,MÁRTIR DA PUREZA



 

Era São Pelágio natural da Galiza. Pelágio, nome muito usado naquele tempo, por corrupção degenerou em Pelaio e Paio. seu pai, homem rico, era irmão de Hermígio, bispo de Tuy nos princípios do século X. A ocasião da sua vinda a Córdova, que foi a do martírio, refere-o um sacerdote dessa cidade chamado Raguel.

Ensoberbecido. Abderramão III, rei emir de Córdova, quis assenhorear-se das restantes províncias da Espanha, habitadas pelos cristãos. Para tal fim chamou em seu auxílio, aí por volta do ano 920, os mouros de África. Com um exército numeroso e bem equipado entrou por Castela no reino da Galiza, ao tempo em que D. Ordonho II, rei de Leão, o era também daquela província.

Sabendo este religioso príncipe a determinação do orgulhoso agareno, e auxiliado por D. Garcia, rei da Navarra, e pelos Grandes e prelados de ambos os reinos, marchou a conter o ímpeto dos bárbaros. Encontraram-se as duas hostes. Sendo incomparável o número dos cristãos com o dos mouros, tocou a vitória a estes. Voltaram os mouros a Córdova, vencedores e carregados de despojos.

Entre os muitos cativos que levavam, ia Hermígio, bispo de Tuy, a quem puseram carregado de grilhões numa obscura masmorra. Tinha em Córdova alguns amigos, que angariou por ocasião da sua estada naquela cidade, donde trasladou as relíquias de santo Eulógio. Tratou. ao cabo de ano e meio, do seu resgate, oferecendo aos mouros as somas que quisessem pedir. E, para cumprimento da palavra, teve de deixar como refém o sobrinho Pelágio, menino de rara formosura e extraordinários talentos.

O ilustre menino sofria resignado as durezas da prisão, não se queixando nem lamentando como os outros cativos. Escolheu para mestre a S. Paulo, lendo as suas cartas e meditando os seus trabalhos apostólicos. Guardava tanta gravidade em todas as conversas que detinha os que se desmandavam e se, por acaso, os infiéis tratavam algum ponto de doutrina, confundia-os com a verdade da fé revelada. Não podia o inimigo da salvação ver com indiferença os progressos feitos por Pelágio na virtude e, por isso, quis perdê-lo.

Um filho ou pajem de el-rei viu por acaso na prisão o menino cristão de rara formosura e, ponderando o caso a Abderramão, este o mandou vir imediatamente à sua presença. Ardendo este nos mais torpes desejos, fez-lhe grandes ofertas, procurando afastá-lo do amor a Jesus Cristo e à sua lei. Este respondeu: «Fica sabendo que tudo quanto me ofereces tem um fim mortal; não assim os bens que, sendo cristão, espero conseguir. Jamais negarei ao meu Senhor Jesus Cristo, a quem adoro e confesso por verdadeiro Deus».

Pareceu a Abderramão que estas expressões nasciam de um coração pueril e, querendo acariciá-lo, tocou-lhe brandamente no rosto, dizendo palavras aliciadoras. Mas Pelágio, revisto de um valor superior à idade, repeliu-o, dizendo: «Desvia-te; pensas acaso que eu sou algum dos teus efeminados lacaios?». Fiou o rei a empresa a uns cortesãos lisonjeiros, os quais não omitiram meio algum de quantos podiam contribuir para perverter o nobilíssimo mancebo.

Vendo Abderramão que era inflexível a resistência de Pelágio, trocou a sua amorosa paixão em raivosa cólera, mandando imediatamente que, levantando-o do chão com umas tenazes de ferro, o deixassem cair muitas vezes e com grande crueldade, até que, ou negasse a Jesus Cristo, ou acabasse a vida nos tormentos. Arremeteram contra Pelágio os verdugos e começaram a fazer em seu corpo a carniçaria que aquele lobo ordenara. Despedaçavam-no com algazarra, sem em seus rostos se ver sombra de piedade. Levantava o menino as mãos para o céu, pedindo a Deus fortaleza para consumar o sacrifício. Imediatamente lhas derribaram com o alfange. Outros lhe cortaram os braços, outros os pés, decapitando-o em seguida. Feito assim em pedaços, o lançaram ao rio Guadalquivir.

Durou este glorioso combate desde as onze e meia da manhã até às duas da tarde do dia 26 de Junho de 925, o qual foi domingo naquele ano. Foi assim despedaçado aos 13 anos. O seu culto veio a tornar-se popular em Portugal.