quarta-feira, 10 de agosto de 2016

[Esp] A castidade segundo a Igreja Católica

CASTIDADE:

O QUE A IGREJA REALMENTE ENSINA?




A Igreja chama à castidade a todo homem e toda mulher com atração pelo mesmo sexo, sendo essa a primeira meta do Courage: “Viver uma vida casta de acordo com o ensinamento da Igreja Católica Apostólica Romana acerca da homossexualidade”. Mas que ensinamento é esse? Na opinião das pessoas, nos achismos tão frequentes das redes sociais? Não é raro ouvirmos que castidade significa apenas não praticar a promiscuidade, ter apenas um parceiro ou parceira e a eles ser fiel, que o que importa é o “amor”. Essas opiniões divergentes confundem os incautos e demonstram apenas o desconhecimento, ou mesmo a má-fé, em relação ao ensinamento perene da Igreja Católica, transmissora das palavras de Jesus Cristo. Mas onde encontrar esse ensinamento? No Catecismo da Igreja Católica, cujos parágrafos mais importantes relativos ao tema transcrevemos a seguir. Não se intimide, coragem! A Igreja é Mãe, e seu ensinamento é para o bem de nossas almas, ainda que muitas vezes possamos, por conta de nossa natureza desregrada, ficar feridos com a verdade. Mas, como disse Nosso Senhor, “a verdade vos libertará”. Liberte-se, então, dos conceitos errôneos apresentados pelo mundo, e viva plenamente essa virtude que o levará ao céu.

A VOCAÇÃO À CASTIDADE

2337.   A castidade significa a integração correta da sexualidade na pessoa e, com isso, a unidade interior do homem em seu ser corporal e espiritual. A sexualidade, na qual se exprime a pertença do homem ao mundo corporal e biológico, torna-se pessoal e verdadeiramente humana quando é integrada na relação de pessoa a pessoa, na doação mútua integral e temporalmente ilimitada do homem e da mulher.
A virtude da castidade comporta, portanto, a integridade da pessoa e a integralidade da doação.

A INTEGRIDADE DA PESSOA

2338.   A pessoa casta mantém a integridade das forças vitais de amor depositadas nela. Esta integridade garante a unidade da pessoa e se opõe a todo comportamento que venha feri-la; não tolera nem a vida dupla nem a linguagem dupla.
2339.   A castidade comporta uma aprendizagem do domínio de si que é uma pedagogia da liberdade humana. A alternativa é clara ou o homem comanda suas paixões e obtém a paz, ou se deixa subjugar por elas e se torna infeliz. "A dignidade do homem exige que ele possa agir de acordo com uma opção consciente e livre, isto é, movido e levado por convicção pessoal e não por força de um impulso interno cego ou debaixo de mera coação externa. O homem consegue esta dignidade quando, libertado de todo cativeiro das paixões, caminha para o seu fim pela escolha livre do bem procura eficazmente os meios aptos com diligente aplicação."
2340.   Aquele que quer permanecer fiel às promessas do Batismo e resistir às tentações empenhar-se-á em usar os meios: o conhecimento de si, a prática de uma ascese adaptada às situações em que se encontra, a obediência aos mandamentos divinos, a prática das virtudes morais e a fidelidade à oração. "A castidade nos recompõe, reconduzindo-nos a esta unidade que tínhamos perdido do quando nos dispersamos na multiplicidade."
2341.   A virtude da castidade é comandada pela virtude cardeal da temperança, que tem em vista fazer depender da razão a paixões e os apetites da sensibilidade humana.
2342.   O domínio de si mesmo é um trabalho a longo prazo. Nunca deve ser considerado definitivamente adquirido. Supõe um esforço a ser retomado em todas as idades da vida. O esforço necessário pode ser mais intenso em certas épocas, por exemplo, quando se forma a personalidade, durante a infância e a adolescência.
2343.   A castidade tem leis de crescimento. Este crescimento passa por graus, marcados pela imperfeição e muitas vezes pelo pecado. "Dia a dia o homem virtuoso e casto se constrói por meio de opções numerosas e livres. Assim, ele conhece, ama e realiza o bem moral seguindo as etapas de um crescimento."
2344.   A castidade representa uma tarefa eminentemente pessoal. Mas implica também um esforço cultural, porque "o homem desenvolve-se em todas as suas qualidades mediante a comunicação com os outros". A castidade supõe o respeito pelos direitos da pessoa, particularmente o de receber uma informação e uma educação que respeitem as dimensões morais e espirituais da vida humana.
2345.   A castidade é uma virtude moral. É também um dom de Deus, uma graça, um fruto da obra espiritual. O Espírito Santo concede o dom de imitar a pureza de Cristo àquele que foi regenerado pela água do Batismo.

A INTEGRALIDADE DA DOAÇÃO DE SI MESMO

2346.   A caridade é a forma de todas as virtudes. Influenciada por ela, a castidade aparece como uma escola de doação da pessoa. O domínio de si mesmo está ordenado para a doação de si mesmo. A castidade leva aquele que a pratica a tornar-se para o próximo uma testemunha da fidelidade e da ternura de Deus.
2347.   A virtude da castidade desabrocha na amizade. Mostra ao discípulo como seguir e imitar Aquele que nos escolheu como seus próprios amigos, se doou totalmente a nós e nos faz Participar de sua condição divina. A castidade é promessa de imortalidade.
A castidade se expressa principalmente na amizade ao próximo. Desenvolvida entre pessoas do mesmo sexo ou de sexos diferentes, a amizade representa um grande bem para todos e conduz à comunhão espiritual.

AS DIVERSAS FORMAS DE CASTIDADE

2348.   Todo batizado é chamado à castidade. O cristão "se vestiu de Cristo", modelo de toda castidade. Todos os fiéis de Cristo são chamados a levar uma vida casta segundo seu específico estado de vida. No momento do Batismo, o cristão se comprometeu a viver sua afetividade na castidade.
2349.   "A castidade há de distinguir as pessoas de acordo com seus diferentes estados de vida: umas na virgindade ou no celibato consagrado, maneira eminente de se dedicar mais facilmente a Deus com um coração indiviso; outras, da maneira como a lei moral determina, conforme forem casados ou celibatários." As pessoas casadas são convidadas a viver a castidade conjugal; os outros praticam a castidade na continência:
Existem três formas da virtude da castidade: a primeira, dos esposos; a segunda, da viuvez; a terceira, da virgindade. Nós não louvamos uma delas excluindo as outras. Nisso a disciplina da Igreja é rica.
2350.   Os noivos são convidados a viver a castidade na continência. Nessa provação eles verão uma descoberta do respeito mútuo, urna aprendizagem da fidelidade e da esperança de se receberem ambos da parte de Deus. Reservarão para o tempo do casamento as manifestações de ternura específicas do amor conjugal. Ajudar-se-ão mutuamente a crescer na castidade.

AS OFENSAS À CASTIDADE

2351.   A luxúria é um desejo desordenado ou um gozo desregrado do prazer venéreo. O prazer sexual é moralmente desordenado quando é buscado por si mesmo, isolado das finalidades de procriação e de união.
2352.   Por masturbação se deve entender a excitação voluntária dos órgãos genitais, a fim de conseguir um prazer venéreo. "Na linha de uma tradição constante, tanto o magistério da Igreja como o senso moral dos fiéis afirmaram sem hesitação que a masturbação é um ato intrínseca e gravemente desordenado." Qualquer que seja o motivo, o uso deliberado da faculdade sexual fora das relações conjugais normais contradiz sua finalidade. Aí o prazer sexual é buscado fora da "relação sexual exigida pela ordem moral, que realiza, no contexto de um amor verdadeiro, o sentido integral da doação mútua e da procriação humana".
Para formar um justo juízo sobre a responsabilidade moral dos sujeitos e orientar a ação pastoral, dever-se-á levar em conta a imaturidade afetiva, a força dos hábitos contraídos, o estado de angústia ou outros fatores psíquicos ou sociais que minoram ou deixam mesmo extremamente atenuada a culpabilidade moral.
2353.   A fornicação é a união carnal fora do casamento entre um homem e uma mulher livres. É gravemente contrária à dignidade das pessoas e da sexualidade humana, naturalmente ordenada para o bem dos esposos, bem como para a geração e a educação dos filhos. Além disso, é um escândalo grave quando há corrupção de jovens.
2354.   A pornografia consiste em retirar os atos sexuais, reais ou simulados, da intimidade dos parceiros para exibi-los a terceiros de maneira deliberada. Ela ofende a castidade porque desnatura o ato conjugal, doação íntima dos esposos entre si. Atenta gravemente contra a dignidade daqueles que a praticam (atores, comerciantes, público), porque cada um se torna para o outro objeto de um prazer rudimentar e de um proveito ilícito, Mergulha uns e outros na ilusão de um mundo artificial. E uma falta grave. As autoridades civis devem impedir a produção e a distribuição de materiais pornográficos.
2355.   A prostituição vai contra a dignidade da pessoa que se prostitui, reduzida, assim, ao prazer venéreo que dela se obtém. Aquele que paga peca gravemente contra si mesmo; viola a castidade à qual se comprometeu em seu Batismo e mancha seu corpo, templo do Espírito Santo. A prostituição é um flagelo social. Envolve comumente mulheres, mas homens, crianças ou adolescentes (nestes dois últimos casos, ao pecado soma-se um escândalo). Se é sempre gravemente pecaminoso entregar-se à prostituição, a miséria, a chantagem e a pressão social podem atenuar a imputabilidade da falta.
2356.   O estupro designa a penetração à força, com violência, na intimidade sexual de uma pessoa. Fere a justiça e a caridade. O estupro lesa profundamente o direito de cada um ao respeito, à liberdade, à integridade física e moral. Provoca um dano grave que pode marcar a vítima por toda a vida. E sempre um ato intrinsecamente mau. Mais grave ainda é o estupro cometido pelos pais (cf. incesto) ou educadores contra as crianças que lhes são confiadas.

CASTIDADE E HOMOSSEXUALIDADE

2357.   A homossexualidade designa as relações entre homens e mulheres que sentem atração sexual, exclusiva ou predominante, por pessoas do mesmo sexo. A homossexualidade se reveste de formas muito variáveis ao longo dos séculos e das culturas. Sua gênese psíquica continua amplamente inexplicada. Apoiando-se na Sagrada Escritura, que os apresenta como depravações graves, a tradição sempre declarou que "os atos de homossexualidade são intrinsecamente desordenados". São contrários à lei natural. Fecham o ato sexual ao dom da vida. Não procedem de uma complementaridade afetiva e sexual verdadeira. Em caso algum podem ser aprovados.
2358.   Um número não negligenciável de homens e de mulheres apresenta tendências homossexuais profundamente enraizadas. Esta inclinação objetivamente desordenada constitui, para a maioria, uma provação. Devem ser acolhidos com respeito, compaixão e delicadeza. Evitar-se-á para com eles todo sinal de discriminação injusta. Estas pessoas são chamadas a realizar a vontade de Deus em sua vida e, se forem cristãs, a unir ao sacrifício da cruz do Senhor as dificuldades que podem encontrar por causa de sua condição.
2359.   As pessoas homossexuais são chamadas à castidade. Pelas virtudes de autodomínio, educadoras da liberdade interior, às vezes pelo apoio de uma amizade desinteressada, pela oração e pela graça sacramental, podem e devem se aproximar, gradual e resolutamente, da perfeição cristã.

(...)

RESUMINDO

2392.   "O amor é a vocação fundamental e originária do ser humano."
2393.   Ao criar o ser humano, homem e mulher, Deus dá a dignidade pessoal de uma maneira igual a ambos. Cada um, homem e mulher, deve chegar a reconhecer e aceitar sua identidade sexual.
2394.   Cristo é o modelo da castidade. Todo batizado é chamado a levar uma vida casta, cada um segundo seu estado de vida próprio.
2395.   A castidade significa a integração da sexualidade na pessoa. Inclui a aprendizagem do domínio pessoal.
2396.   Entre os pecados gravemente contrários à castidade é preciso citar a masturbação, a fornicação, a pornografia e as práticas homossexuais.


domingo, 7 de agosto de 2016

[QSH] Palavras ofensivas dirigidas às pessoas com atração pelo mesmo sexo: virtude ou falta de caridade?


[Essa é uma questão que toca profundamente a todos os nossos irmãos e irmãs que desenvolveram, por motivos vários e involuntariamente, a atração pelo mesmo sexo (AMS), que em si não é pecado. A AMS é uma propensão objetivamente desordenada como aponta o Catecismo da Igreja Católica. No entanto, como outras propensões ou inclinações, não determina o caráter de uma pessoa, ou seja, é algo que ela possui, mas não algo que ela é. Quantos de nós, homens e mulheres com AMS, se viram, por incompreensão e falta de caridade de nossos parentes, colegas e mesmo amigos, reduzidos a expressões como (e perdoem-nos os leitores por colocar esses termos aqui, mas são mais do que necessários) viado, bicha, efeminado, sapatão, maricas e outros mais. Essas expressões feriram e ferem a todos aqueles que, procurando compreensão de sua tendência, acolhida (e não aceitação de eventuais situações de pecado) dentro da Igreja por parte de seus irmãos católicos, foram designados por tais chamativos. Jesus chamou os fariseus de raça de víboras por ver suas más intenções e sua persistência na maldade. Mas não chamou de prostituta à mulher do poço, à adúltera que iria ser apedrejada ou à própria prostituta arrependida. Por isso, mais do que oportuno é o seguinte texto, extraído da obra – elogiada por santos e papas – Exercícios de Perfeição e Virtudes Cristãs, do Venerável Padre Afonso Rodrigues, da Companhia de Jesus. Este é um convite à reflexão para que todos os católicos que, muitas vezes, adotam uma misericórdia de aparência, pensem no quanto podem ter contribuído, voluntariamente ou não, para o isolamento de tantos irmãos com atração pelo mesmo sexo que, desejosos de aprender a levar uma vida de santidade e castidade, ansiosos por entender o ensinamento correto sobre a sexualidade e sobre sua condição, acabaram procurando na vida gay a acolhida não oferecida por seus próprios irmãos de fé.]


DEVEMOS TOMAR MUITO CUIDADO

COM AS PALAVRAS PICANTES

QUE POSSAM MOLESTAR OU DESGOSTAR A NOSSOS IRMÃOS



Em primeiro lugar, devemos tomar muito cuidado em dizer palavras picantes. Há algumas palavrinhas que costumam picar e ferir a quem se dizem, porque dissimuladamente fazem sobressair alguma condição, entendimento ou habilidade não tão desenvolvida, ou então alguma outra falta natural ou moral. Essas palavras são muito prejudiciais e muito contrárias à caridade; e algumas vezes se costumam dizer em tom de gracejo ou por brincadeira, e então são piores e mais prejudiciais, e tanto mais quanto com mais graça se dizem, porque ficam mais impressas nos ouvintes, que se lembram mais delas. E o pior é que, algumas vezes, sucede que a pessoa que as diz fica muito contente, parecendo-lhe ter dito algo muito perspicaz e ter mostrado boa inteligência, mas se engana muito; pois nesse seu falar só mostra ter mau entendimento e pior vontade, empregando o entendimento que Deus lhe deu para o servir em dizer ditos sagazes que ofendem e escandalizam a seus irmãos e perturbam a paz e a caridade.

Diz Santo Alberto Magno que, assim como quando uma pessoa tem mau hálito na boca é sinal que tem lá dentro o fígado ou o estômago estragado, assim também quando fala palavras más é sinal de enfermidade que há lá dentro do coração. E que diria São Bernardo do religioso que é mordaz nos gracejos? Se ele, a qualquer gracejo na boca do religioso, chama blasfêmia e sacrilégio, que nome dará aos gracejos que são prejudiciais?

Essas coisas são muito alheias à vida religiosa e, assim, tudo o que é relativo a isso deve estar muito longe da boca do religioso, por exemplo, tratar os outros por comparações ultrajantes ou apelidos, troçar, satirizar, fazer ou repetir versos engraçados que toquem na falta ou no descuido de alguém, e outras coisas semelhantes; não há razão para que tais coisas sejam permitidas, quer se digam por troça ou por brincadeira, quer se digam a sério. E cada um o julgará por si. Você gostaria que outra pessoa o tratasse por comparações ultrajantes e dirigisse a você alguma ironia, e que todos se rissem do quanto se encaixa em sua condição o que nela se diz? Pois o que você não quer que se use com você, não o utilize com os outros, pois essa é a regra da caridade. Você ficaria tranquilo quando, ao dizer uma palavra menos acertada, logo houvesse quem se prezasse a prestar atenção e dela fizesse um grande discurso, troçando de você? É certo que não. Pois, como é que você quer para os outros o que você não quer para si mesmo, já que você se sentiria e ficaria envergonhado se o fizessem com você? Pois, se só de falar em ironia, troça e comparação ultrajante ofendem e ficam mal na boca de um religioso, o que se dirá para os que as realizam! Por essa razão, temos de evitar isso ao máximo, tais palavras devem estar afastadas de nossa boca, como diz S. Paulo do vício da desonestidade: “A fornicação e todo o tipo de impureza nem sequer se nomeiem entre vós, como convém a gente santa.” Da mesma maneira temos de considerar esses atos; e assim S. Paulo acrescenta em seguida: “Nem palavras torpes, nem palavras loucas, nem chocarrices [insolências] e graças impertinentes.”  (Ef 5, 3-4). Não condiz com a santidade que professamos, muito menos, citar essas coisas. Admiravelmente diz S. Bernardo: “Se das palavras ociosas havemos de dar conta a Deus no dia do juízo, o que será das que são mais do que ociosas?” Que será daquelas que ferem meus irmãos? Que será daquelas perniciosas?



(Texto extraído e adaptado, em razão da linguagem barroca, do Tratado Quarto – Capítulo X do livro Exercícios de Perfeição e Virtudes Cristãs, do Venerável Padre Afonso Rodrigues, SJ)