quarta-feira, 1 de julho de 2015

[Atld] Abordando a homossexualidade com verdadeira compaixão, não com sentimentalismo

Abordando a Homossexualidade

com ‘Verdadeira Compaixão’,

não com ‘Sentimentalismo’


O Padre Paul Check, diretor executivo do Courage International, diz que seu apostolado tem respostas para as questões pastorais que a Igreja possui sobre como prover um testemunho convincente para pessoas com atrações pelo mesmo sexo.

Por Peter Jesserer Smith – 29/05/2015

WASHINGTON – Se a mensagem do recente referendo na Irlanda à Igreja Católica (que visava redefinir o casamento) pudesse ser expressa em várias palavras, soaria como “Roma, temos um problema”.

O Arcebispo de Dublin, Dairmiud Martin resumiu efetivamente o problema de comunicação da Igreja em seus ensinamentos sobre casamento e atração pelo mesmo sexo: “A Igreja tem uma grande tarefa à frente: encontrar uma linguagem que seja aberta a conversa e que leve sua mensagem através dos jovens”.

O Padre Paul Check, diretor executivo do Courage International, acredita que seu apostolado possui uma abordagem efetiva em falar essa linguagem ao mundo moderno. Os membros do Courage estão buscando mostrar sua abordagem no próximo Encontro Mundial das Famílias e no Sínodo Ordinário dos Bispos sobre a Família e prover recursos pastorais através do documentário Desejo pelas Colinas Eternas, que é acompanhado de um guia de estudo – disponível em nove idiomas até então – uma série catequética em cinco partes e dois volumes de ensaios publicados pela Ignatius Press.

Nesta entrevista com o Register, o Padre Check discute como o cuidado pastoral da Igreja para com as pessoas com atrações pelo mesmo sexo deve navegar entre os extremos da severidade e do sentimentalismo para mostrar o amor autêntico e o exemplo paciente de Jesus quando falava com a Samaritana no Poço.

Qual é a imagem do cuidado que a Igreja possui para com as pessoas com atração pelo mesmo sexo que o senhor deseja mostrar às pessoas no Encontro Mundial das Famílias?

A imagem de que a Igreja entende essa questão, pois ela entende a pessoa humana: tanto em termos de como Deus nos criou à sua imagem e semelhança quanto como quem Ele nos criou para ser, e ela também compreende isso do ponto de vista da experiência vivida por aqueles que possuem atração pelo mesmo sexo, aqueles que encontraram seu caminho, ou foram atraídos, para o coração de Cristo na Igreja. Em razão da verdade e do amor do Evangelho se aplicarem tanto a essa parte de nossa comunidade como a qualquer outra parte, eu penso que a Igreja está ansiosa para demonstrar que esse é o caso de maneira muito prática e pessoal.

Existe uma maneira de falar sobre a homossexualidade que possa levar as pessoas a se afastarem da Igreja e do cuidado que a Igreja oferece para as pessoas com atrações pelo mesmo sexo?

Infelizmente sim. Nós provavelmente temos algumas experiências disso na Igreja, onde acontece uma falta de entendimento, acolhida e consideração corretos para cada pessoa individualmente. Acho que um dos desafios que a Igreja enfrenta é de que ela, quase ao mesmo tempo, precisa passar duas mensagens. Uma é de que as forças que estão trabalhando largamente na sociedade civil são contrárias ao bem humano: digamos, por exemplo, a aprovação do “casamento” entre pessoas do mesmo sexo. Então ela precisa passar essa mensagem [sobre a verdade do matrimônio] para o benefício do bem comum.

Mas, ao mesmo tempo, ela tem que anunciar a misericórdia e a compreensão, o amor da verdade, do Evangelho e de Jesus Cristo para os indivíduos que possuem essa realidade em suas vidas. Então eu receio que às vezes a primeira parte da mensagem é ouvida como um sonoro “não”, mas nem sempre é entendida ou recebida como a mão estendida da caridade pastoral. Essa é uma dificuldade particular.

Como o senhor enfrenta o desafio resultante de pessoas que tem uma atitude severa atraindo outros para as questões do mesmo sexo em nome da “caridade”?

Acredito que temos que olhar para o exemplo de Jesus Cristo e de como devemos viver o Evangelho. Existe uma clareza com a qual Jesus anuncia a verdade. Mas a prova de que Ele está anunciando de uma maneira atraente e é uma crítica que Ele faz – é que Ele sempre está circundado pelo tipo de pessoa que, de nosso ponto de vista [católico], precisam muito dEle.

Acredito que exista uma maneira de encorajar as pessoas a acreditarem que a Igreja compreende as pessoas, entende o quão complicado é o coração humano, e ela sabe como ir além disso. Mas isso não é constituído de uma posição de complacência ou severidade. Jesus nos diz que a verdade é libertadora. Mas ela, a verdade, deveria nos libertar de quê? Da confusão, ignorância, egoísmo, pecado. A intenção é nos libertar para que estejamos aptos a nos renovar. E é aí que nós encontramos a satisfação.

A Igreja vem anunciando o Evangelho há mais de dois mil anos, e isso nem sempre foi feito perfeitamente em todos os casos. Mas, certamente, nós sabemos que isso pode ser feito, pois vemos as pessoas respondendo à graça.

Mas há outros problemas no extremo oposto, correto?

Você mencionou severidade, e isso é um perigo real, mas acho que o problema real é o “sentimentalismo”.

O problema mais amplamente disseminado é que nós separamos uma resposta bem pensada, compassiva – uma resposta sensível – da verdade.

Nos primeiros parágrafos de sua última encíclica, o papa emérito faz uma distinção entre “sentimentalismo” e “compaixão”. Ele indica que o primeiro é uma falsificação e que compaixão é algo baseado na verdade. Acho que uma questão que todos os cristãos precisam perguntar a si mesmos é bem simples: “Eu acredito que a castidade faz parte da Boa Nova do Evangelho?”.

Não estou certo do quanto essa convicção está disseminada, especialmente em uma época onde a promiscuidade (de várias formas) é responsável por muitos corações partidos, muita tristeza, muitos arrependimentos, muitas frustrações, dor, sofrimento... Por que isso? Acredito que nós, individualmente, podemos testar a nossa própria convicção sobre se a castidade é uma virtude e se é algo que nos prepara para nossa satisfação de uma maneira que Deus, em sua sabedoria para com nossa natureza, seja bem intenso para nós.

Como o senhor descreve o tipo de abordagem pastoral – a língua e o tom – que o Courage possui para aqueles que tem atração pelo mesmo sexo? Parece ser bem ponderada.

Nós tentamos refletir muito sobre as palavras que escolhemos, porque nós queremos pensar bem sobre como elas serão ouvidas. Um dos grandes pontos da pedagogia de Santo Tomás de Aquino é que “as coisas são recebidas ao modo de quem as recebe”. Sendo assim [os seres humanos] têm experiências e percepções de que cores ou filtros ou influências ajudam na maneira com que percebemos as coisas.

Nós [no Courage] estamos tentando ficar alertas para com isso, para não parecer que estamos cutucando ninguém no olho. Eu uso João 4 como guia, porque eu penso que o que Jesus fez nessa situação irá nos mostrar como a Nova Evangelização deve parecer. E eu penso que é o que o Papa Francisco está fazendo também. É como Jesus constrói um relacionamento com a mulher no poço. Ele não começa com uma discussão de moralidade. Ele não evita o problema moral – ele chegará nele em tempo – mas irá abordá-lo somente depois de ter um relacionamento com a pessoa. Ele tem um interesse em comum – um monte deles – que será o fundamento sobre o qual o relacionamento será construído. Ela está interessada em Deus, em conhecer mais sobre como a vida de Deus é dada para ela através da graça, e ela está interessada na vida eterna. E Jesus, claro, sabe disso.

Talvez isso seja parte daquela “lei do gradualismo” que foi trazida a nós para a considerarmos na evangelização. E eu acredito que seja um bom modelo. Não podemos esperar que todos entendam tudo de uma vez e, claro, aceitem na hora o que lhes está sendo dito para mudar em suas vidas. Isso não faz o menor sentido e não parece incluir nem a paciência e a bondade de Cristo, nem a maneira com que ele se aproximou das pessoas.

Então, penso que no Courage estamos muito interessados em formar e construir relacionamentos, e deixar que a graça faça seu trabalho: para que então pessoas venham para a verdade, em seu tempo e de acordo com a providência de Deus, de uma maneira que seja pacífica para elas.

Quais são alguns passos práticos que os indivíduos e as paróquias podem dar para serem autênticos e acolhedores de verdade para com as pessoas com atrações pelo mesmo sexo?

Acho que um bom início seria assistir os nossos filmes. Minha convicção é de que os nossos melhores embaixadores são os nossos membros. Eles dão um rosto para a antropologia da Igreja, ao Catecismo, à nobreza do espírito humano, à virtude e à eficácia da graça. Agora, dessa forma, essas categorias de coisas que nós sabemos ser parte do ensinamento da Igreja alcançam uma viva expressão nas vidas dos indivíduos. Então, assistir o vídeo é aprender sobre o que isso significa do ponto de vista de uma pessoa que sabe o que é a atração pelo mesmo sexo, porque elas vivem isso. Mas elas também são atraídas ao coração de Cristo e acreditam que a mensagem que a Igreja oferece nesse tópico é a mensagem de Cristo. Então eu começaria por aí.

Com relação ao sínodo das famílias, quais são as oportunidades para desenvolver o cuidado pastoral de pessoas com atrações pelo mesmo sexo?

Nós não podemos viver sem amizades, não podemos viver sem relacionamentos, e não podemos viver sem pessoas que nos conheçam, entendam e nos valorizem por aquilo que somos. Essa é uma área na qual eu acredito que possamos fazer mais. Precisamos de amigos que nos ouçam e nos valorizem, mas se eles são verdadeiros amigos, eles farão todas essas coisas por amor a Cristo e por amor a nós, e sem nenhum sacrifício da verdade.

Com o que o Courage espera contribuir para a discussão dos bispos?

Não acredito que possamos melhorar o testemunho de tantos de nossos membros. Temos uma seção em nosso website que é dedicada a eles. É o lugar para o qual eu primeiramente direciono as pessoas – e também para nossos filmes. Essas pessoas sabem alguma coisa sobre essa vida, sobre seus sentimentos e o que os levaram à Igreja, no que diz respeito à sua auto-compreensão: de que eles agora vêem à luz do Evangelho e dos ensinamentos da Igreja.

Em outro domínio, nós falamos sobre a importância da comunhão dos santos como uma maneira de ajudar as pessoas a entenderem a realidade do Evangelho. Bom, aqui estamos falando sobre a realidade do Evangelho através dos olhos das pessoas que estão se esforçando para serem santas. Elas têm muita credibilidade, é o que eu penso, especialmente em uma cultura na qual a “narrativa pessoal” ou a “história de vida” é atribuída certa deferência. Ninguém diz, “essa não é a sua experiência!”. Então eu creio que essa é uma gramática que o mundo entende. O mundo não compreende a antropologia Cristã, até certo ponto, e eu posso ver isso. Então aqui está uma gramática que podemos usar.


Peter Jesserer Smith é correspondente do site National Catholic Register.

A matéria original pode ser encontrada aqui.

quarta-feira, 24 de junho de 2015

[Esp] São João Batista, modelo para nossa luta



A Igreja nos apresenta o calendário litúrgico não para que para ele olhemos placidamente e peçamos bens materiais aos santos cujas festas são comemoradas em dias específicos. Os santos nos são colocados como modelos a ser seguidos, cabendo a nós vermos em seus exemplos as virtudes que devemos praticar em nossas vidas, afastando-nos dos ídolos apresentados pelo mundo.

Nós, homens e mulheres que lutam com a AMS, podemos encontrar em São João Batista, cuja festividade celebramos hoje, exemplo para nosso combate? Sem sombra de dúvidas, pois cada santo suscitado por Deus tem muito a nos ensinar, e São João Batista não foge à regra.

1 - AMOR À VERDADE

Assim estabelece a primeira meta do Courage:

“Viver uma vida casta de acordo com o ensinamento da Igreja Católica Apostólica Romana acerca da homossexualidade.”

São João, ao se deparar com o pecado do rei da época, Herodes, que havia tomado por esposa a mulher de seu irmão, não teve meias palavras para com o rei: “Não te é permitido ter a mulher de teu irmão” (Mc 6, 18). Diante do pecado de um rei e diante da lei de Deus, João Batista sabia que a única verdade era a proferida por Deus e que não poderia silenciar diante do pecado público de uma autoridade: enfrentou o rei e terminou por sofrer o martírio por ter anunciado a verdade.

Nossa meta nos convida, claramente, a viver a castidade de acordo com os ensinamentos da Santa Igreja, e não como nos incita o mundo, sem meio-termo, sem contornar os ditames da Mãe Igreja. Essa, mestra e sábia, nos ensina que os atos homossexuais são pecados graves, e que devem ser evitados a todo o custo com os auxílios que a mesma mãe nos dá: direção espiritual sábia, frequência aos sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia.

A castidade é, dessa forma, a meta que devemos ter sempre à nossa frente. Mas falamos aqui da verdadeira, não dos ensinamentos de grupos dissidentes ou daqueles do mundo altamente sexualizado em que vivemos. E essa luta, ainda que não nos leve diretamente ao martírio sangrento como o de São João Batista, deve ser vivido constantemente, como um martírio diário, martírio esse que, no entanto, nos levará a gozar da mesma visão que tem agora São João: a visão da Trindade Santíssima, o convívio com o Cristo ressuscitado e com sua Mãe Santíssima.

2 - AMOR À MORTIFICAÇÃO

São João Batista ficou conhecido por pregar o batismo de arrependimento, e sua vida austera dava o exemplo daquilo que pregava.

“Na realidade,  a penitência, a humildade e a obediência são os únicos meios de dar à nossa vida moral toda a sua amplitude. Pela mortificação da carne livramo-nos das exigências escravizadoras da vida animal e damos à vida da alma mais amplo vôo. Pela mortificação da inteligência, isto é, pela humildade intelectual, pomo-nos em comunicação direta com o próprio manancial da verdade que é Deus; em primeiro lugar, não usurpando os seus direitos sobre nós, depois, submetendo-nos à sua palavra reveladora, ao consentirmos em crer que os limites da nossa curta ciência não são os limites da verdade infinita. Enfim, pela mortificação da vontade, elevamo-nos à vontade divina; colocamo-nos de tal modo acima das contingências humanas que nada nos pode afetar e a própria morte se converte no caminho mais curto para a vida.” (A virilidade cristã, Stanislas Gillet).

Não se alcança nenhum objetivo na vida sem sacrifícios. Como diz o ditado inglês, “no pain, no gain”, sem sofrimento não há ganho. Quantas vezes nos abstemos de certas coisas para atingirmos objetivos mundanos, e na hora de combater para adquirir as virtudes cristãs, em nosso caso especialmente a castidade, nos entregamos a um desânimo imenso diante das renúncias que teremos de fazer? Ora, nosso ganho será o reino dos céus, a morada dos santos e de nosso Criador. Quão necessário é, assim, adquirir o espírito de mortificação de São João Batista, que bem sabia que sem penitência e sacrifício não é possível entrar no reino dos Céus. Sem mortificação, a castidade se torna quase que impossível, pois nossa carne nos pede constantemente para ser saciada.  A mortificação, como bem afirmado por Mons. Stanislas Gillet, é o meio de domarmos nossas potências, decaídas em decorrência do pecado original e que tendem, a todo momento, em querer se impor sobre nosso desejo de nos santificar e evitar o pecado.

Aprendendo com os exemplos que Nossa Mãe, a Santa Igreja Católica, nos apresenta através do calendário litúrgico, neste dia em especial com a comemoração da natividade de São João Batista, teremos força para ver as virtudes como possíveis e nossas metas como destinos certos através do amor à verdade e à mortificação.

São João Batista, rogai por nós!