sábado, 29 de julho de 2017

[AC] O Courage ensina a alegria da verdadeira amizade numa cultura de solidão


A amizade com Cristo implica em ouvir dEle a verdade sobre a nossa identidade e o Seu plano para nós, além de respondermos com liberdade e generosidade.



Publicado pelo Padre Philip Bochanski, diretor do Courage International, na página National Catholic Register


No mês de novembro passado, eu fui convidado pela Diocese de Orlando, Flórida, para falar aos padres e a outras pessoas que estão no ministério paroquial e diocesano. Acordei bem cedo no dia do evento para visitar o lugar da Pulse em Orlando, a boate “LGBT” onde um terrorista assassinou 49 pessoas e feriu muitas outras no último mês de junho. Fiquei cerca de meia hora lá a oferecer o Rosário pelo suave repouso daquelas vítimas, pela consolação daqueles que sobreviveram e por suas famílias, observando os memoriais improvisados que foram colocados no local.

As palavras humanas, muitas vezes, falham diante de uma tragédia sem sentido como o massacre na Pulse. Ainda, certas questões alfinetam o coração de um padre diante de tal cena: “O que eu teria feito se estivesse aqui? O que poderia ter feito? O que poderia dizer para aqueles que foram vitimados, discriminados pelo ódio para com as suas comunidades? Que consolação eu poderia oferecer para as suas famílias e amigos, para aqueles que estiveram de luto por eles? O que faço agora?”

Não foi fácil encontrar respostas naquela manhã, mas o resto das atividades do dia me apontou para a direção certa.

Minhas falas foram sobre como providenciar cuidado pastoral para os católicos que sentem atrações pelo mesmo sexo e para os seus familiares e entes queridos. Cuidado pastoral significa o cuidado de um rebanho, imitando o Bom Pastor que oferece a Sua vida pela Sua ovelha.

Embora o ministério pastoral não saiba o que fazer em todas as situações, sabemos o que o Bom Pastor faria. “Eu mesmo buscarei minhas ovelhas,” Ele diz. “Procurarei pela perdida e trarei de volta a que se desviou, curarei a ferida e fortalecerei a enfraquecida” (Ezequiel 34: 11 -16).

É claro, o cuidado pastoral toma como certo que há um rebanho que necessita do pastoreio, que necessita da busca, cura e fortalecimento. Isto não é pessimismo, mas realismo: O pecado original, escreveu Gilbert Keith Chesterton, é “um fato tão prático quanto batatas”, e suas consequências afetam ao mundo e a todos nele, todos os dias.

Todos nós crescemos em famílias imperfeitas, tivemos infâncias imperfeitas e formamos amizades imperfeitas. Temos uma compreensão imperfeita de nós mesmos e uma apreciação imperfeita dos dons de Deus. Temos um controle imperfeito sobre nossas mentes, corações e corpos, além de respondermos de forma imperfeita à vontade de Deus.
No entanto, a fé católica ensina outro fato inegável: ninguém precisa ser perfeito para ser amado por Deus. Pelo contrário: “Quando ainda éramos pecadores, Cristo morreu por nós” (Romanos 5, 8). O Perfeito sofreu por causa do imperfeito, “o Justo pelo injusto, para trazê-los para Deus” (1 Pedro 3, 18).

Essa realidade – que a felicidade nesta vida e na próxima dependem não da perfeição, mas da redenção – é o fundamento para o cuidado pastoral.

“Na vida, Deus acompanha as pessoas”, aconselha o Papa Francisco, “e devemos acompanha-las, começando pelas suas situações.”

Ao acolher cada pessoa no Nome do Cristo, e ao compartilhar com elas a Boa Nova da salvação, assistimos seres humanos imperfeitos se esforçando pela felicidade perfeita que tem sua origem e destino em Deus.

A palavra chave aqui é esforçar-se: a vida cristã é uma jornada que procede em etapas: os primeiros cristãos eram conhecidos como aqueles que estavam "No “Caminho” (Atos 9, 2).

Um cristão não é um ser perfeito, mas um trabalho em andamento; ele progride ao adquirir as virtudes, que são bons hábitos que o apontam para a direção certa. Deus tem um plano para a vida humana que não é descarrilado ou tornado irrelevante pelo pecado ou pela imperfeição, e as virtudes orientam o coração, a mente, o corpo e a alma pelo caminho traçado pelo desígnio divino.

A virtude que direciona a profunda experiência da atração sexual e o desejo é a castidade. O mundo tem a tendência de recusar tal palavra, que conjura imagens de mosteiros estéreis vazios de emoção ou vitalidade. No entanto, o Catecismo propõe um caminho que guia para a liberdade e autoconhecimento.

“A castidade,” diz o Catecismo, “significa a integração bem sucedida da sexualidade dentro da pessoa e assim a unidade interna do homem em seu ser corpóreo e espiritual.” O resultado desta integração é que “a sexualidade... se torna pessoal e verdadeiramente humana,” situada no plano divino para as relações humanas (2357).

A castidade não reprime os sentimentos ou nega a realidade do desejo sexual. A castidade começa com a honestidade – “é assim que me sinto; é isso que eu quero” – mas não termina aí. O mundo diz, “Se eu sinto, devo fazê-lo”; a implicação é que todo desejo ou pensamento que uma pessoa deve ter é perfeito e completo em si mesmo.

A castidade é mais realista. Ela considera a origem e o alvo de um desejo sexual à luz da identidade e da história do indivíduo e da vocação e do plano de Deus para se chegar a uma boa decisão sobre se se deve ou não perseguir ou agir de acordo com um determinado desejo.

Uma pessoa virtuosa só perseguirá um desejo que é parte do plano de Deus para a sexualidade, na qual a intimidade sexual é ordenada e dirigida para o relacionamento que é permanente, fiel, baseado na complementariedade do homem e da mulher e aberto para a procriação da vida humana – isto é, o matrimônio.

Portanto, a castidade - que é um apelo universal a cada pessoa - é também a pedra angular da abordagem pastoral da Igreja Católica para as pessoas que sentem atrações pelo mesmo sexo. A característica de um "programa pastoral autêntico", segundo a Congregação para a Doutrina da Fé (CDF), é que ela honestamente enfrenta a verdade de que os atos homossexuais são imorais, pois não são ordenados à complementaridade e procriação que dão à união sexual seu significado e propósito. Mas se nossa prática pastoral parasse ali, seria lamentavelmente incompleta. Em vez disso, a CDF apela a uma "abordagem multifacetada" que ajude as pessoas a viver a castidade e a crescer "em todos os níveis da vida espiritual: através dos sacramentos ... oração, testemunho, conselho e cuidado individual".

Talvez o maior privilégio do meu sacerdócio tenha sido participar de tal abordagem do cuidado pastoral, primeiro como capelão do Courage na Arquidiocese de Filadélfia e agora como diretor do Courage International. A oportunidade de ser um verdadeiro pai espiritual para as pessoas que fizeram a escolha de buscar a castidade, muitas vezes à custa de serem mal compreendidas e até mesmo de perder amizades, transformou a minha compreensão do coração humano e a minha apreciação do que as pessoas são capazes de quando elas são motivadas e sustentadas pela graça.

Meu único arrependimento é que suas histórias não sejam contadas com mais frequência, pois elas testemunham a liberdade e a alegria que se encontram em um abraço sincero do plano de Deus.

Quando dou palestras como as apresentadas em Orlando no ano passado, elas sempre incluem testemunhos pessoais de membros do Courage, pessoalmente ou em vídeo. É de vital importância para os ministros da Igreja ouvir as experiências da vida real de pessoas que vivem com atrações do mesmo sexo, e estou feliz em preencher a lacuna que muitas vezes existe entre eles.

O testemunho mais pungente que eu ouvi veio de Bob, membro do Courage de longa data de Nova York, que disse: "Deus me ama e me deu uma Igreja para me ajudar a ter uma vida feliz".

Ele então compartilhou o segredo de sua felicidade: "[Deus] me deu uma Igreja que me ensina que a castidade é o caminho para a felicidade. E não é para me negar o prazer sexual; é para me abrir para ser uma pessoa mais feliz.”

Aqui está o cerne do ensinamento da Igreja e do cuidado pastoral que a Igreja propõe e espera.

A busca da virtude abre a pessoa à verdadeira felicidade, porque toda a virtude está enraizada na realidade do ser humano. Pessoas que tiveram um vislumbre dessa felicidade, e começaram a entender sua identidade como filhos e filhas criados à imagem de Deus, querem buscar as virtudes que os levarão à realização. Eles querem ouvir o que a Igreja tem a dizer, mesmo quando é difícil colocá-lo em prática. Isso significa "falar a verdade no amor" (Efésios 4, 15) sobre o significado da sexualidade humana e ajudar as pessoas a compreender e abraçar essa verdade. "Apartar-se do ensinamento da Igreja, ou silenciar sobre isso", escreveu o CDF, "em um esforço para providenciar o cuidado pastoral, não é cuidar, tampouco pastoral".

Esses irmãos e irmãs querem mergulhar nos sacramentos, porque encontram ali o amor, a aceitação e a misericórdia incondicionais que só vem de Deus. Eles querem oportunidades para compartilhar suas histórias com pessoas que eles sabem que vão entende-los, porque eles estiveram lá, e eles querem apoiar e encorajar uns aos outros.

Talvez, acima de tudo, eles queiram construir relacionamentos autênticos. No centro da resposta da Igreja à atração pelo mesmo sexo está o reconhecimento de que "amizades de vários tipos são necessárias para uma vida humana plena, e são igualmente necessárias para aqueles que tentam viver castamente no mundo", como os bispos dos Estados Unidos explicam [no documento Ministério para Pessoas com Inclinação Homossexual: Diretrizes para o Cuidado Pastoral].

A amizade casta não é um privilégio daqueles dentre nós que têm tudo isso em conjunto, mas é um direito desde o nascimento e uma característica definidora de cada discípulo.

"Eu os chamo de amigos", diz Jesus na Última Ceia, e Ele explica o que Ele quer dizer. "Eu vos chamei amigos, porque vos tenho revelado tudo o que ouvi de meu Pai" (João 15, 15), e "Vocês são meus amigos se fizerem o que Eu vos mando" (João 15, 14).

A amizade com Cristo significa ouvir a verdade dEle sobre a nossa identidade e seu plano para nós, respondendo a Ele com liberdade e generosidade. A amizade casta – baseada não em rótulos ou políticas de identidade, mas em uma busca comum de santidade e de todas as virtudes - é o princípio motriz do Courage e deve caracterizar todo ministério católico e ministro pastoral que se aproxima dessa comunidade.




sábado, 22 de julho de 2017

[Esp] Santa Maria Madalena, modelo de arrependimento e amor


Em Santa Maria Madalena temos um dos exemplos de que, ainda que tenhamos cometido grandes pecados, podemos pedir a Jesus a saúde de nossa alma e amar a Cristo mais do que a qualquer paixão terrena. Mais do que isso, sermos santos. Segue uma reflexão para que nós, homens e mulheres com AMS, sigamos o mesmo caminho dessa grande santa, amando incondicionalmente a Jesus crucificado. Que Ele se torne nosso único e grande amor, por meio do qual aprendamos a amar castamente a todos.


"Vês esta mulher? Entrei em sua casa, Simão, e não me deste água para lavar os pés: ela os regou com as lágrimas e enxugou com os cabelos. Não me deste o ósculo da boa vinda; e ela não cessou,desde que entrou aqui, de beijar-me os pés. Tu não me derramaste óleo perfumado na cabeça; ela me ungiu os pés com perfumes. Por isso te claro: muitos pecados lhe são perdoados, porque ela amou muito. Pois ama menos a quem menos se perdoa."

Assim falou Jesus. E ela, silenciosa, tinha ouvido essas palavras, ela, a pecadora. De joelhos, os olhos ainda embaciados de chorar, tímidos e confiantes, procuraram o rosto do Senhor. O coração diz-lhe que já achou o perdão: sente pousar sobre ela o olhar da caridade, que purifica, perdoa e eleva.

Ali se deu sua conversão. Como se alegra seu coração, quando o Bom Pastor se dirige a ela com palavras doces como mel: Teus pecados estão perdoados. Tua fé te salvou: vai em paz.

Ela se levanta e, silenciosa, como viera, se retira. Não é mais pecadora. Perdoada, santificada, inteiramente transformada, a alma de Madalena nada em felicidade, abrasada de amor divino, de um amor forte, durável e eterno.


No Monte Calvário, encontramos a santa penitente entre as almas eleitas de Nosso Senhor Jesus Cristo. Surda aos gritos blasfemos de uma multidão sacrílega, indiferente às falas sarcásticas e injuriosas, a sua atenção se concentra toda a vítima, que na cruz se oferece ao eterno pai, em expiação dos pecados do mundo. Com o mesmo ardor com que na mocidade se entregava às loucuras da paixão, que a devorava, sem que se deixasse incomodar pela crítica, que a censurava e invectivava, assim na hora suprema do sacrifício sanguinolento, no Gólgota, a vemos ao pé da cruz, com a fidelidade inquebrantável, entregue ao amor divino.

Em Maria Madalena temos o exemplo de como uma grande pecadora se converte, tornando-se grande santa. Tendo este exemplo, os pecadores devem convencer-se de que a grandeza e o número de pecados não é motivo para se entregarem ao desânimo, ao desespero. Como Maria Madalena, também poderão alcançar o perdão das faltas, desde que, semelhantes à grande santa penitente, se resolvam a fazer penitência. O início da conversão de Maria Madalena foi a audição da palavra de Deus. Há muitos que permanecem nos pecados, porque fogem da palavra divina.

Grande foi a mortificação a que Maria Madalena se sujeitou, quando na presença de muitas pessoas, prostrada aos pés do Divino Mestre, fez a confissão pública. Da mesma forma deve o pecador se humilhar, caso queira praticar penitência e obter perdão dos pecados. Deus não lhe exige confissão pública, mas a declaração dos pecados ao sacerdote, no tribunal da penitência. Lembre-se o penitente de que é mais fácil aceitar a humilhação da confissão, do que sofrer penas eternas no fogo do inferno. Maria Madalena não pediu outra coisa, senão o perdão dos pecados. Muitos se aproximaram de Nosso Senhor para lhe pedir alívio das aflições. "Mas esta - diz São João Crisóstomo - pediu a saúde da alma, a libertação das cadeias do pecado e foi atendida imediatamente". É um aviso para nós que, antes de tudo, devemos procurar o bem da nossa alma e pedir a Deus as graças necessárias para salvá-la.



(adaptado do livro NA LUZ PERPÉTUA - VIDAS DE SANTOS, de João Batista Lehmann)