quarta-feira, 16 de janeiro de 2019

[Tst] Testemunho de Ángel: a jornada de um jovem com AMS em direção a uma vida casta


“O Courage me deu Esperança e Fé”:


a jornada de um jovem com AMS


em direção a uma vida casta


O caminho para a liberdade e castidade é como uma escalada,
feita com amizade, fraternidade, oração e presença de Deus

Em 1980 o sacerdote John Harvey organizou em New York a primeira reunião do Courage, um apostolado católico que acompanha espiritual e fraternalmente as pessoas com sentimentos homossexuais, de forma que não vivam sozinhos, e sim com amizade e acompanhamento, suas lutas, propondo uma vida de castidade e fraternidade. O Courage propõe cinco metas que são lidas em cada reunião:

1. Viver uma vida casta de acordo com o ensinamento da Igreja Católica Apostólica Romana acerca da homossexualidade (CASTIDADE);
2. Dedicar a própria vida à Cristo por meio do serviço ao próximo, da leitura espiritual, da oração, da meditação, da direção espiritual particular, da participação frequente da Missa e do recebimento constante dos sacramentos da Reconciliação e da Santa Eucaristia (ORAÇÃO E DEDICAÇÃO);
3. Cultivar um espírito de fraternidade no qual todos podem partilhar seus pensamentos e experiências e, assim, assegurar que ninguém venha a enfrentar sozinho os problemas da homossexualidade (FRATERNIDADE);
4. Ter em mente as seguintes verdades: que as castas amizades não são apenas possíveis como também necessárias na vivência da castidade cristã e que, no seu cultivo, elas oferecem um mútuo encorajamento (CASTAS AMIZADES);
5. Viver a própria vida de tal modo que sirva de bom exemplo para os outros (VIDA EXEMPLAR).
O Courage completou mais de 30 anos de serviço e sua sede central está localizada hoje em Bridgeport (Connecticut, USA), mas com uma presença em diversos países. Em 2005 o Courage International criou uma seção em espanhol no México e hoje tem grupos em diversos países hispânicos. Qualquer pessoa interessada que fale espanhol – na Espanha, nos Estados Unidos ou na América Hispânica – pode escrever para o e-mail consultas@courage-latino.org (México) ou para oficina@couragerc.org (para o escritório internacional em Espanhol) e será encaminhado para o grupo ou pessoa do Courage mais próximo. Na Espanha, a diocese de Toledo explorou o serviço oferecido pelo Courage, recebendo uma equipe que explicou o apostolado recentemente.
O testemunho de Ángel, que está há 10 anos no Courage
Entre aqueles que estavam na jornada pastoral em Toledo estava Ángel, o coordenador de um capítulo do Courage que se encontra na Basílica de Guadalupe, no México. Ángel participa deste apostolado há 10 anos.
Ele explicou ao ReL como ele deixou a vida gay e como foi dando passos em direção à uma vida de amizades castas, oração, sacramentos e fraternidade.
“Já na infância percebi aquela atração pelo mesmo sexo e fiquei em silêncio por medo”, ele explica. “vivi a AMS em silêncio, procurava por algum culpado, fossem meus pais ou mesmo Deus. Perguntava a Ele: por que eu? Minha família era religiosa e eu não poderia falar com eles sobre isso”.
Ao chegar à vida adulta, ele voltou-se para um estilo de vida homossexual e promíscuo. Apesar de ter ido a um psiquiatra, foi encorajado a continuar a prática homossexual.
Por cerca de 10 anos vivi uma vida promíscua, além de ser viciado em pornografia, visitando locais para ter encontros sexuais com anônimos. Durante este tempo, distanciei-me completamente da Igreja e fui experimentando outras crenças, como a Santería, a Nova Era”, ele se recorda.
Estabilidade, dinheiro, um único parceiro? Não existe o príncipe encantado
“Depois, pensei que precisava focar em apenas um parceiro, que isso me daria estabilidade. Tive um relacionamento estável por um ano, tínhamos dinheiro, um carro, um trabalho estável, um lar, vivíamos como um casal, tínhamos sexo todos os dias. E minha família já sabia de tudo. E apesar de ter tudo isso... ainda sentia-me vazio!”, ele acrescenta.
“Falava com o meu parceiro sobre o vazio que eu sentia, mas ele me dizia que ele se sentia feliz. E quando decidi deixá-lo, ele veio com agressões físicas e ameaças. Até que ele atacou-me com a intenção de matar-me e cheguei ao hospital sangrando com as feridas que ele me fez com cacos de vidro. No hospital fui resgatado por minha família, a quem havia dito: ‘não se metam em vinha vida’. Eles sempre estiveram atentos, preocupando-se comigo. Ainda que eu estivesse longe de casa, eles entravam em contato comigo e rezavam por mim. Suas orações sempre me acompanharam”.
Dei-me conta de que a vida homossexual não era boa para mim. Vi que ela também afetou a minha saúde. O vazio que senti era intenso e a vida não teve nenhum significado. O mundo homossexual fala muito sobre procurar pelo príncipe encantado. Eu o procurei por um tempo, mas não há príncipes encantados! E então eu não estava mais procurando por um companheiro, mas apenas por sexo anônimo. ‘não sei o seu nome, mas venha comigo por um momento’. Era o que eu fazia, mas vi que isso estava a me destruir.”



“Você pode me dar informação? É para um amigo...”
Há 10 anos, em janeiro de 2009, o Encontro Mundial das Famílias aconteceu no México e Ángel soube que o Courage estaria presente no encontro e poderia vê-los pessoalmente.
“Li algo sobre eles antes. Aproximei-me deles pedindo informação, dizendo que era ‘para um amigo’. Eles me convidaram a um retiro espiritual confidencial e anônimo, com a participação de rapazes que viveram aquilo, em Queretaro. Homens, poucas mulheres... e falava-se do tema de forma muito direta.”
Em alguns temas eles separavam os rapazes das moças em diferentes salas, mas muitos tópicos e conversas eram em comum. Eles nunca me disseram “isto [a atração homossexual] será removido de você’. O que eles diziam era: ‘O que a Igreja propõe é começar um processo de viver uma vida casta, de trabalhar o companheirismo, a comunidade, a partilha e dar testemunho da vida’. Parecia-me muito difícil. Ninguém falava sobre uma ‘solução imediata’ a qualquer coisa... mas me dava esperança. Então, comecei a descobrir a fé’.
Tentar, rezar... e confessar-se com profundidade.
Em seus anos de promiscuidade, não havia ido à Santa Missa, mas ele rezava em algumas ocasiões. Agora via que a proposta do Courage relativa à oração era importante. Ele decidiu tentar, rezar e ir à adoração, à Santa Missa.



“Era-me muito difícil encorajar-me à Confissão, parcialmente porque eu tinha medo de retornar, por exemplo, à pornografia. Por outro lado, porque em confissões anteriores alguns sacerdotes me deram conselhos inadequados como ‘arruma uma namorada’ ou ‘tenha apenas um namorado, mas estável’. Um sacerdote me disse: ‘não posso te dar a absolvição’. Senti-me mal, mas pensei: ‘que faço? Abandono a Igreja?’. Voltei àquele sacerdote que me levou à penitência, que me levou a uma confissão muito mais profunda, que me fez refletir bastante em minha vida. Foi uma experiência forte e decisiva”.
Há dez anos ele começou este processo e agora ele ajuda outras pessoas. “Talvez sem este processo hoje eu estaria morto, nunca se sabe”, ele reflete.
Um se responsabiliza e dá passos: os irmãos ajudam
Para começar o processo, uma pessoa tem que fazer a decisão e perseverar. Os irmãos e o capelão ajudam, acompanham com amizade, companheirismo, oração, mas cada um deve se responsabilizar por sua jornada. Mas vale à pena. “Vi que por partilhar esta jornada com outros, sem contornar as dificuldades, você cresce em compromisso e perdão (também de si mesmo). Vi em minha vida e na de outras pessoas que abrem seus corações a esta confiança que temos”.
Às pessoas que estão cansadas da vida homossexual, seu vazio e suas feridas, encorajo-as a explorar essa possibilidade, sempre com liberdade. “O Courage requer um processo pessoal, de compromisso livre, mas que dá respostas ao que a pessoa procura. Posso convidar as pessoas a viver este processo, se estão procurando ajuda. às vezes há pessoas que só querem ser escutadas: isso também está bem. É necessário respeitar os ritmos de cada um, os momentos que cada um vive. Mas há um momento quando a pessoa se dá conta deste vazio...” para todos eles, o Courage oferece castidade, amizade, fraternidade, crescimento, fé, proximidade com Deus...

(o artigo original pode ser encontrado aqui . A página brasileira do Courage é www.couragebrasil.com, e o e-mail de contato é contato@couragebrasil.com)


quinta-feira, 10 de janeiro de 2019

[QSH] Celibato ou cura?


Abstinência sexual


e orientação homossexual



Em resposta à dificuldade encontrada por um indivíduo que não tem conseguido, por qualquer motivo, livrar-se da condição da homossexualidade e compreende que a única maneira de viver o mandato divino da castidade é através da prática da abstinência sexual, faço as seguintes observações.
(1)  A abstinência sexual significa precisamente evitar os atos genitais e tudo que termine no orgasmo. Isso não quer dizer que não se possa expressar afetos através de atos não-genitais, como os beijos, os abraços e os afagos.
(2)  Tal abstinência sexual se transforma numa forma de amor se a motivação é o amor a Jesus Cristo. Desta forma, a abstinência sexual se transforma no celibato consagrado. É o único motivo efetivo, porque nem mesmo o medo da morte faz com que as pessoas deixem de procurar a satisfação sexual.
(3)  Dever-se-ia evitar transformar a prática do celibato num fardo pesado, como o sacerdote que queixou-se comigo, durante um retiro, sobre “este maldito celibato”. Deve-se fortalecer seu amor por Cristo através do hábito diário da oração mental, também conhecida como oração do coração e através da formação das amizades castas, que começam, muitas vezes, em grupos de apoio espiritual, como os do Courage.
(4)  Deve-se criar uma estratégia espiritual para lutar contra os ataques de solidão, inquietações e desânimo. É importante ter um diretor espiritual ou um amigo a quem chamar. Também pode-se ir ao Santíssimo Sacramento e falar com Nosso Senhor sobre a situação. Desta forma permanece-se no mundo real, em vez de permanecer no mundo da fantasia e do isolamento.
(5)  Como outros escritores salientaram, como o Reverendo Benedict Groeschel e William Consiglio, por exemplo, deve-se estar atento às mudanças perigosas de ânimo que, no passado, desencadearam lutas com a masturbação, a procura por parceiros sexuais ou a satisfação com pornografia. Quando estas coisas acontecem, deve-se imediatamente voltar para a realidade.
Enquanto há a dificuldade em se viver uma vida celibatária em nossa cultura hipersexualizada, tal forma de vida tem sido vivida, por meio da graça de Deus, por muitos cristãos através de toda a história da Igreja. Na tradição católica, o celibato consagrado tem sido sempre tido em alta consideração. Ao contrário da opinião corrente, não é necessário ser um monge, uma monja ou um sacerdote para viver este tipo de vida. Para aqueles que realmente querem ser celibatários, a graça de Deus está sempre presente. Deus sempre dá ao indivíduo a graça suficiente para cumprir com a lei moral, como Santo Agostinho ensinou: “Deus não ordena coisas impossíveis e, ao ordenar, Ele nos admoesta a fazer aquilo que podemos fazer e procurar a Sua graça para fazer aquilo que não podemos fazer”.
Entre os propagandistas do estilo de vida gay, o celibato é visto como uma forma de suicídio sexual, uma privação do poder de amar, mas tudo isso é um mito. O celibatário não deve renunciar jamais à habilidade de amar. Seu celibato expande a sua capacidade de amar a Deus e ao próximo. A vida dos santos celibatários e a vida de muitas pessoas celibatárias só podem ser compreendidas à luz do seu amor por Deus e pelas pessoas por elas cuidadas. Como muitos outros, os ativistas da causa gay confundem o amor humano com a satisfação sexual-genital.
Depois de afirmar o valor positivo do celibato nas vidas de muitos cristãos, inclusive os indivíduos com orientação homossexual, volto agora para as questões relacionadas propostas pelos membros do Courage ou do Exodus. A primeira pode ser formulada desta forma: se a orientação homossexual é uma “desordem objetiva”, como a Sagrada Congregação para a Doutrina da Fé afirma em sua “Carta para os Bispos da Igreja Católica sobre o Cuidado Pastoral para Pessoas Homossexuais”, então os católicos com AMS não estão obrigados a procurar uma mudança de orientação sexual?
Eu respondo que uma obrigação não vincula em consciência exceto se a lei moral o exigir claramente e a pessoa for capaz de assumi-lo. Assim, a pessoa com tendências homossexuais está obrigada a viver a abstinência sexual através do preceito evangélico da prática da castidade, mas não há a obrigação de tomar passos em direção à mudança de sua orientação. Por mais que tal mudança seja desejável, não podemos dar nenhuma garantia, no presente estado do nosso conhecimento, de que se alguém decide seguir um certo programa e plano de vida para mudar sua orientação, de que isso certamente ocorrerá. Dessa forma, não pode ser provado que tal mudança acontecerá inevitavelmente se fizermos certas coisas, não se pode impor a obrigação de seguir certos passos para tal mudança. O princípio ético básico aplicável a esta situação é que não se pode impor uma obrigação a menos que se esteja certo que ela exista.
Mesmo que um programa particular sob a direção de um terapeuta de grande reputação tenha funcionado na maioria dos casos e poderia ser considerado como um método com grande probabilidade de ser benéfico a um determinado indivíduo, tal programa pode ainda ser visto como opcional e extraordinário para este indivíduo por várias razões, das quais não menos importante é o custo financeiro. Muito menos, então, pela questão da obrigação.
Pessoas jovens, no entanto, deveriam ser encorajadas a procurar a libertação da condição homossexual, porque elas têm uma maior probabilidade de serem castas agora se tiverem uma visão esperançosa do futuro. Na opinião do Dr. Jeffrey Satinover, que trabalha com Leanne Payne, a esperança da mudança é a questão principal para muitos jovens que lidam com desejos homossexuais. Não é melhor lutar para sair da condição do que resignar-se à situação como uma cruz que deverá ser carregada pelo resto da vida? Uma pessoa jovem, acreditando que não pode se livrar de sua condição é vulnerável à propaganda gay, a qual afirma que a homossexualidade é uma variante natural da heterossexualidade e que o estilo de vida gay é uma alternativa ao casamento.
A pessoa com orientação homossexual vive em ocasião de pecado num sentido especial, quer dizer, a ocasião de pecado está em seu próprio coração e mente. Ela pode encontrar-se imersa em formas homossexuais de pensar e agir. Isto significa que é necessário livrar-se da literatura e mídia homossexuais, evitar bares, cinemas e casas de banho gays; cortar grandes apegos emocionais a pessoas do mesmo sexo e afastar-se de grupos homófilos. Isto será doloroso e difícil, porque estas pessoas e locais forneceram à pessoa homossexual um pequeno alívio psicológico quanto à questão do isolamento, mas esta é a parte do preço que a pessoa tem que pagar para ganhar novamente controle sobre a sua vida interior para, assim, possuir a castidade interior, ou a castidade do coração. Remover meramente as ocasiões de pecado, no entanto, não é o suficiente; como Cristo diz, “Ora, o que sai do homem, isso é o que mancha o homem. Porque é do interior do coração dos homens que procedem os maus pensamentos: devassidões, roubos, assassinatos, adultérios, cobiças, perversidades, fraudes, desonestidade, inveja, difamação, orgulho e insensatez. Todos estes vícios procedem de dentro e tornam impuro o homem”. (Mc 7: 20-23).
É hora de considerar as visões dos membros mais velhos do Courage no que concerne à possibilidade de mudança de orientação. Alguns dos que tem acima de trinta anos procuram mudar a sua orientação através de terapia profissional, oração e grupo de apoio; a maioria, no entanto, está satisfeita com o desenvolvimento de uma vida de castidade interior. Muitos percebem a mudança de seus pensamentos e padrões sentimentais como algo mais difícil, pois tais hábitos tornaram-se mais entranhados ao longo dos anos.
Outros ainda sofreram uma lavagem cerebral ao aceitar, do establishment psicológico, o mito de que é impossível mudar a sua orientação. Desta forma, alguns se tornam desanimados após anos de terapia profissional e milhares de dólares desperdiçados naquilo que não fez com que eles se tornassem heterossexualmente disponíveis para o casamento, não percebendo nenhuma mudança significativa em suas maneiras de pensar e sentir.
Nesse momento de suas vidas, estas pessoas mais velhas têm que escolher entre voltar ao seu estilo de vida homossexual anterior ou procurar viver uma vida de abstinência sexual por amor a Cristo. Muitos membros mais velhos do Courage procuram desenvolver uma vida interior de oração com Cristo. Enquanto eles se alegram ao ver que seus irmãos mais novos querem mudar a sua orientação, estão decididos a viver uma vida de abstinência sexual. Se alguém dissesse a eles que devem mudar a sua orientação, muitos não voltariam na outra semana.
Por esta razão o Courage não faz com que a mudança de orientação seja um objetivo obrigatório. Ao mesmo tempo, o Courage coloca uma grande ênfase na necessidade de se afastar completamente dos estilos homossexuais de se pensar e sentir. Pessoas que aspiram aos estudos para o sacerdócio ou a vida religiosa deveriam tomar os meios acima mencionados para repudiar o estilo de vida gay e deveriam estudar o ensinamento oficial de Igreja no que concerne a problemática do comportamento homossexual.
Outra objeção ao posicionamento de que alguém não está estritamente obrigado a mudar sua orientação sexual é que a vivência da castidade, enquanto se permanece na condição homossexual, implica em não ter uma cura completa, pois não se é espiritualmente inteiro até que se tenha adquirido a orientação heterossexual. Acredito que a melhor forma de responder a esta objeção é através da distinção entre a cura espiritual e a cura psicológica. Com cura psicológica da homossexualidade, quero dizer que um indivíduo tornou-se agora predominantemente heterossexual nos padrões de fantasia, pensamento e emoções, enquanto pode haver vestígios da fantasia e desejo homossexuais sem tentações mais sérias direcionadas à luxúria homossexual. Com cura espiritual, quero dizer que um indivíduo tornou-se interiormente casto, mesmo que ainda sofra ocasionalmente tentações sérias relacionadas a prazeres homossexuais, a despeito de seus esforços sinceros para evitar ocasiões de pecado; ou não se desenvolve nenhuma atração física a pessoas do outro sexo, a despeito do fato de que não se é mais atraído, de forma carnal, a pessoas do mesmo sexo.
No meu trabalho pastoral encontrei muitas pessoas que vivem uma vida de castidade interior, a despeito de diversas tentações. Estes indivíduos comungam diariamente, vivendo uma vida de comunhão com Cristo. Eles estão curados espiritualmente, mas não psicologicamente, apesar de quererem estar curados também psicologicamente. Além da questão da homossexualidade, está claro que alguns dos santos sofreram severas tentações de impureza que, pela graça de Deus, conseguiram vencer. Eles foram espiritualmente, mas não necessariamente psicologicamente curados, sofrendo em alguns casos de tendências neuróticas. Talvez nossos amigos do Exodus International, que afirmam que não se está completamente curado até que se tenha transformado numa pessoa com orientação heterossexual, deveriam considerar esta distinção. Em nossa fragilidade humana, a cura psicológica nem sempre acompanha a cura espiritual que vem através da graça divina.
Outra objeção feita ao posicionamento do Courage de que não se é obrigado a participar de programas designados à mudança de orientação sexual é que alguém pode ser curado plenamente de sua orientação se essa pessoa tem uma fé mais profunda. Esta afirmação não tem respaldo na teologia católica. E pode levar a julgamentos cruéis sobre muitos homens e mulheres que eu tenho conhecido que praticam sua fé com assiduidade, mas não conseguiram realizar a jornada em direção à orientação heterossexual, a despeito da sua vontade.
Uma objeção final à nossa posição é que é praticamente impossível praticar a abstinência sexual por um período extenso de tempo a menos que se tenha professado votos religiosos ou prometido viver o celibato clerical. O celibato não é, definitivamente, para o laicato católico, porque eles não possuem o carisma dado a religiosos e sacerdotes; consequentemente, na situação de pessoas com tendências homossexuais, é razoável estabelecer-se com um amante no lugar de envolver-se com a promiscuidade, com o perigo da AIDS. Alguns membros do Dignity, uma organização que se considera católica apesar de não aceitar o ensinamento da Igreja sobre o comportamento homossexual, argumentaria desta forma.
Eu já afirmei anteriormente a premissa oculta nesta objeção. Se a castidade é uma obrigação imposta a todas as pessoas em todas as vocações, então segue-se que Deus dará a cada pessoa a graça suficiente para observar este mandato divino. Dizer o contrário é contradizer o solene ensinamento da Sexta Sessão do Concílio de Trento e Santo Agostinho, como se fez referência anteriormente. É incrível como a falsa ideia de que apenas religiosos e sacerdotes possuem o carisma da completa castidade se espalhoua entre os fiéis. Deus dá o dom do celibato a todos que o pedem.
Precisamos fazer um trabalho melhor no que concerne ao ensinamento do significado positivo do celibato, não apenas entre os leigos, mas também entre os seminaristas e sacerdotes. Como já vimos, o celibatário precisa aceitar este dom interiormente e vive-lo alegremente, pois ou o celibato é um ato de amor por Cristo ou é uma concha vazia. É uma outra forma de expressão da sexualidade, como São João Paulo II salientou em Familiaris Consortio: “O Casamento e a virgindade, ou celibato, são duas formas de expressão e vida de um único mistério da aliança de Deus com o Seu povo” (nº 16).
O coração do celibatário é o cultivo da relação nupcial com Jesus Cristo. A forma como trazemos esta relação com Cristo em nosso ministério e em todas as nossas relações é discutida em muitos autores espirituais. Gostaria de recomendar três: A Coragem de Ser Casto, de Benedict Groeschel, C.F.R; Celibato, Oração e Amizade, Christopher Kiesling, O.P; e O Coração Inquieto: Reflexões sobre o Amor e a Sexualidade, Jordan Aumann, O.P., e Dr. Conrad Baars.
No capítulo sétimo, “Perspectivas Pactorais”, considerarei as dificuldades que muitos experimentam em seus esforços por viver uma vida casta: a influência sedutora do meio gay, a abundância da pornografia gay, o sentido de baixa autoestima, grandes apegos emocionais, solidão, memórias amargas do passado, más amizades e raiva não-resolvida. Este será chamado por mim o lado humano do celibato. Tais reflexões podem auxiliar-nos a compreender que a homossexualidade tem muito pouco a ver com sexo.

(Harvey, John Francis O.S.F.S. - The Truth about Homosexuality - The Cry of the Faithful - A verdade sobre a homossexualidade - o grito dos fiéis)