quinta-feira, 2 de abril de 2020

[Atld] Mensagem do nosso diretor-executivo a respeito da Pandemia do COVID-19


Mensagem de nosso diretor-executivo, o Padre Philip Bochanski, aos nossos membros afetados pela pandemia do COVID-19

Queridos amigos:

Perdi a conta do número de vezes que li e reli os capítulos cinco, seis e sete do Evangelho segundo São Mateus: o Sermão da Montanha. Estou certo de que algumas partes deste importante texto são familiares para você também. Mas, nas últimas semanas, é como se eu lesse o Sermão da Montanha com novos olhos, já que as passagens que eu lia superficialmente ganharam, de repente, um novo significado. Por exemplo:
“Portanto, eis que vos digo: não vos preocupeis por vossa vida, pelo que comereis… Qual de vós, por mais que se esforce, pode acrescentar um só côvado à duração de sua vida?... Vosso Pai celeste sabe que necessitais de tudo isso. Buscai em primeiro lugar o Reino de Deus e a sua justiça e todas essas coisas vos serão dadas em acréscimo. Não vos preocupeis, pois, com o dia de amanhã: o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia basta o seu cuidado.” (Mt 6, 25-34)
Estes dias de pandemia e quarentena, de distanciamento social e desconexão da vida sacramental da Igreja, certamente nos põem à prova de muitas maneiras. Talvez o mais difícil seja o modo como essa situação testa nossa esperança em Deus e na sua Providência. Pela primeira vez em minha vida, honestamente, não sei o que esperar do que pode acontecer amanhã, e sentir-se assim pode levar à preocupação, dúvidas e temores. Eu penso que você entendeu o que eu estou falando. Mas essas preocupações, ainda que reais, não são, de jeito nenhum, a palavra final. Como cristãos católicos, como membros e amigos do Courage e EnCourage, temos uma resposta.
Os membros do Courage e do EnCourage sabem por experiência o que é sentirem-se desconectados, marginalizados e sozinhos; quão fácil pode ser duvidar dos planos de Deus e Sua bondade. No entanto, nós sabemos por experiência onde encontrar nossa esperança e nossa paz, confiando-nos completamente ao Senhor, que se entregou completamente a nós. Em cada uma de nossas reuniões, nós nos comprometemos a “dedicar inteiramente nossas vidas a Cristo” (Segunda Meta do Courage e a Primeira Meta do Encourage), e ainda que não possamos recebê-Lo sacramentalmente durante esses dias, a vida de oração e dedicação, que temos nos esforçado para viver, vai nos sustentar. Seguiremos encontrando nosso consolo no Senhor, não nos prazeres do mundo. Seguiremos fomentando as amizades castas e os vínculos estreitos com nossos familiares e entes queridos. E continuaremos vivendo de tal modo que daremos bom exemplo e testemunho aos outros da satisfação e fortaleza que encontramos em nossa união com Deus Onipotente e Seu plano para nós.
Nas últimas semanas, eu ouvi de muitos de vocês como estão cuidando uns dos outros. Vocês têm sido muito criativos no uso das redes sociais, videoconferências, telefones e outros meios de estarem conectados e inclusive para ter suas reuniões regulares do Courage e do Encourage. Sigo suas publicações online pedindo oração, compartilhando e assistindo às Missas e outras devoções por transmissões ao vivo via internet, unindo-se em oração com o Santo Padre e a Igreja ao redor do mundo. Estou muito orgulhoso da maneira em que estão respondendo a essa situação sem precedentes e estou profundamente grato pelos laços de afeto, apoio e caridade que compartilhamos como membros da família Courage e EnCourage.
"Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino." (Lc 12,32). Essas palavras de Jesus, que São Lucas relembra em seu relato do Sermão da Montanha, devem estar sempre em nossas mentes e nossos corações, e sempre nos nossos lábios nestes tempos de provação. Nosso Pai do Céu conhece nossas necessidades antes que Lhe peçamos, e Ele jamais nos abandonará. Continuem apoiando-se e rezando uns pelos outros e saibam que me lembro de vocês e de seus entes queridos em minhas orações e quando eu ofereço a Santa Missa.  Aguardo o dia em que possamos estar juntos novamente, presencialmente, e agradecer a Deus por nos ter assistido nesta crise. 
Que Nossa Senhora, Saúde dos Enfermos, esteja com vocês e seus entes queridos e ponha todas as suas necessidades no Sagrado Coração de seu Filho amado.

Seu amigo em Cristo,
Pe. Philip Bochanski


terça-feira, 24 de março de 2020

[Tst] Saindo do vale






TESTEMUNHO DE LUCAS:
SAINDO DO "VALE"


"Não vos conformeis com este mundo." Rom 12, 2


Meu nome é Lucas, tenho 24 anos e nasci numa cidade do interior do nordeste brasileiro. Meus pais, enquanto ainda namoravam, me conceberam. Quase dois anos depois de casados, minha mãe descobriu que meu pai estava tendo um caso extraconjugal com outro homem e pediu a separação.
          Sempre me senti atraído pelos homens. Os corpos masculinos sempre foram objetos da minha curiosidade e o mundo masculino me atraía de uma forma erótica. Além disso, sempre me interessei pelo mundo feminino, desde o jeito de se vestir das mulheres até o seu linguajar e, consequentemente, a relação das mulheres com os homens.
          Por volta dos meus 9 anos de idade, meu vizinho, que na época tinha cerca de 14 anos teve relações sexuais comigo (sem que eu soubesse o que estava fazendo) e me convenceu de aquilo seria bom para mim e para a minha entrada no mundo masculino que eu tanto desejava. Os abusos se seguiram tanto por parte dele como de outro rapaz mais velho.
          Com 18 anos, fui morar casa da minha avó paterna, onde também morava o meu pai, descobri que eu poderia viver uma vida gay tranquilamente, pois o meu pai assim me testemunhava juntamente com meu tio, irmão do meu pai, que tinha (e tem até hoje) relacionamento estável com outro homem.      
Comecei a minha vida universitária e acreditei ter achado um espaço útil onde podia falar abertamente sobre a homossexualidade e quanto mais fundo eu entrava no “vale”, mais eu conhecia a sujeira do mundo gay e mais “feliz” eu me sentia. Foram incontáveis relações sexuais, festas, orgias, bebedeiras, buscas de outras seitas e religiões, mas nada disso preenchia o meu coração já ferido e despedaçado. Apesar de ter experimentado todos os prazeres do sexo, nenhum deles me fazia verdadeiramente feliz. Cheguei mesmo à loucura de fazer sexo não pelo prazer, mas pelo hábito do pecado e por revolta contra a minha própria vida e contra Deus. Claro que naquela época eu não percebia essa sandice, pois o peixe não enxerga a água que o cerca.
          Já com 21 anos, voltei a morar com minha avó materna e fui para a missa mais para cumprir a obrigação com minha avó. Ao final dessa missa que para mim foi tediosa e estranha, uma mulher fez um convite: “Será iniciado um seminário de vida no Espírito aqui em nossa paróquia. Venha participar”.
          Eu descobri que Deus me amava do jeito que eu era, mas se recusava a me deixar vivendo do jeito errado. Ele queria que eu vivesse uma vida plena que era a que Ele trouxe. A culpa não era de Deus se as pessoas próximas a mim não souberam agir segundo a caridade cristã, em relação à minha sexualidade. Eu descobri que, em Deus, eu podia (e posso) ser feliz. O louvor de Deus me trouxe uma alegria e um gozo espiritual que nenhuma experiência humana havia me dado (e poderá me dar).
          Me converti e depois de um tempo, assisti um vídeo no YouTube e minha vida mudou completamente: Deus agiu copiosamente e me apresentou um caminho novo, o caminho da castidade. Eu não tenho costume de olhar comentários de vídeo. Nesse dia, eu decidi olhar os comentários e lá estava o link do site do Apostolado Courage. Eu cliquei.
Eu li as 5 metas do Courage. Li a Espiritualidade do Apostolado. Li que a castidade é possível e me decidi a enviar um e-mail. A resposta foi demorada, porém foi salutar. Comecei a conversar com um conselheiro e este me indicou o Retiro anual. Juntei dinheiro, pedi ajuda aos familiares, me inscrevi no Retiro e parti para São Paulo, sozinho, sem nunca ter andado pela capital paulista.
Ao final do Retiro, durante a última meditação eu passei por uma experiência decisiva. Neste momento, pareceu-me ouvir a voz de Deus que me falava ao coração: “vive o celibato e dedica tua vida ao Apostolado”. Eu tinha encontrado, finalmente, a resposta para a dúvida sobre a minha vocação e meu estado de vida. Encontrei, acima de tudo, o meu caminho de santificação.
Neste ano, se completam 3 anos desde que entrei, oficialmente, para o Apostolado. Achei que haviam respostas fáceis para caminhos difíceis e muitos desses caminhos passam pela luta contra o pecado. Depois do ingresso no Courage eu já quis desistir do celibato leigo e voltar para a vida gay. Foram muitas as quedas no meu caminho, mas nenhuma delas me tira a paz. Me arrependi desses pecados, os confessei e retomei meu caminho porque Deus é misericordioso. As metas continuam as mesmas apesar dos acidentes de percurso. A minha santificação virá no tempo de Deus e não no meu. O que me cabe é buscar ser sereno diante dos meus defeitos e pecados, continuar caminhando para progredir sempre mais e para cima.
Reconheço que existem várias experiências aparentemente bem-sucedidas entre pessoas que vivem uma vida gay, mas, depois de experimentar a verdade, sei que o mundo gay, esse mundo colorido e cheio de glitter não passa de ilusão. Hoje, eu nunca deixo de lembrar que existe um Céu e existe um Inferno. A existência deles não depende da minha fé. As escolhas que faço nessa vida determinam, eternamente, para qual lugar minh’alma irá depois da morte corporal.
Hoje, eu ainda não tenho uma célula do Courage na minha cidade, mas participo regularmente das reuniões virtuais. Apesar da ausência física dos irmãos ter a certeza de sua fraternidade me dá força para continuar lutando pela castidade. Assim, eu busco viver como uma alma esposa de Cristo. Mais, apoiado na devoção à Virgem Santíssima, na Comunhão Eucarística frequente, na sólida formação do Apostolado e na intercessão dos irmãos, busco me configurar a Cristo Crucificado, o meu Esposo e o meu desejo pelas colinas eternas.