sábado, 17 de outubro de 2020

[Esp] Como anda sua relação com Maria?

 



O relacionamento com Nossa Senhora

 

Santa Maria é modelo de todas as virtudes, mas por ser Imaculada e sempre Virgem foi designada a ser o principal modelo de pureza. Por isso, relacionar-se com ela, de forma confiante e filial, é um recurso de primeira ordem para alcançar essa virtude.

“Todos os pecados da tua vida parecem ter-se posto de pé. – Não desanimes. Pelo contrário, chama por tua Mãe, Santa Maria, com fé e abandono de criança. Ela trará o sossego à tua alma” (São Josemaría, Caminho, n. 498).

Se você nunca abandonar esta relação com Nossa Senhora, nem mesmo diante das dificuldades, das quedas e derrotas, ela fará com que você esteja preparado no momento fundamental da vida: no de entregar a alma a Deus. Nossa Mãe é especialista em conseguir isso, às vezes aos 45 do segundo tempo.

Certa vez, um jovem sacerdote recebeu um telefonema: uma voz nervosa pedia-lhe para atendesse um moribundo no seu leito de morte. Mas adiantou-lhe que seria difícil, porque os amigos e parentes não queriam ver um padre na casa “nem pintado de ouro”. Um grande desafio, por isso confiou-se à Virgem e se pôs a caminho.

Toca a campainha, abrem-lhe a porta, e a primeira impressão: uma mistura de rostos de surpresa e desagrado. Mas ele não se detém, e vai para onde pressupõe ser o quarto da pessoa doente, que o recebe com um rosto alegre, mas também surpreso. Logo reconheceu que era a mesma que o chamara por telefone:

-- Deixaram-no entrar?

-- Vi expressões de susto e gestos ofensivos, mas Nossa Senhora pode mais.

-- Obrigado. Não tenho muito tempo. Quero confessar.

Era óbvio que não lhe restava muito tempo de vida. Não se confessava há muitos anos, e assim fez. Mas antes de o padre sair, quis explicar-lhe esse milagre.

-- Estive longe da Igreja durante quarenta anos. E o senhor deve se perguntar por que chamei um sacerdote. Minha mãe, quando estava morrendo, reuniu os seus filhos e nos disse: “Olhem. Não lhes deixo nada. Mas cumpram este testamento que lhes dou: rezem três Ave-Marias todas as noites”. E eu o cumpri.

Depois de anos, o padre não se esqueceu da última cena: “Morria enquanto cantava. Para mim, tudo parecia uma canção: eu o cumpri, eu o cumpri”.

 

(INSA, Francisco. Olhar com os olhos de Jesus: viver uma vida pura no século XXI. São Paulo: Cultor de Livros, 2019)

 

domingo, 4 de outubro de 2020

[Esp] São Francisco de Assis


 


SÃO FRANCISCO DE ASSIS



Falando do santo de hoje, confesso que nunca fui muito seu devoto. Aquele santo com animaizinhos, da oração da paz, um pouco... açucarado demais... bem, não me atraía muito. Sempre gostei de santos como São Francisco Xavier, com suas aventuras, Santo Inácio de Loiola, com todo seu combate para fundar a Companhia de Jesus, Santa Teresa de Ávila (a Teresona, como dizem alguns que se acham "mais íntimos"), reformando e espalhando Carmelos. Mas São Francisco... hummmm... não descia.

Depois de um tempo, estudando História da Igreja (o que todo católico deveria fazer), um outro São Francisco apareceu. Poxa, mas não é o mesmo São Francisco tão fofinho que me apresentaram. Não, não mesmo! E vi que o São Francisco atual comparado com o Poverello de Assis poderia ter causado coma diabético ao fundador de uma das Ordens que salvou a Igreja com sua pregação e exemplo. Esse homem foi pregar a religião para um sultão maometano, querendo convertê-lo e trazê-lo para a religião verdadeira (e não ficar de conversinha). Francisco era REALMENTE pobre, e abriu mão de riquezas a que poderia ter direito por herança, enquanto outros religiosos ontem e hoje são pobres apenas no voto e não na prática. Não quis ser sacerdote, apesar de ter sido convidado a sê-lo, por não se achar digno... Ele, gente, que alguns dizem ter substituído Lúcifer no céu, por causa de sua humildade, NÃO ACEITOU SER SACERDOTE... enquanto outros se acham, mesmo com uma vida desregrada, com a Igreja dizendo que é melhor não por causa de algumas condições, no direito de o serem. 

Mas que Francisco é esse... Mentiram pra mim sobre Francisco!!! Ora, sim, a ele se atribuiu o Cântico das Criaturas, como elas são: criaturas, não deuses divinizados pelo mundo moderno que adora deturpar o real sentido de tudo que foi alcançado pela civilização cristã. Francisco não endeusava as criaturas, mas via nelas a mão de Deus, um vestígio, uma imagem que cantava a glória do Criador, mas não iguais em dignidade ao homem, ápice da criação e imagem de Deus. Não, Francisco não era o docinho moderno... era um homem de Deus, e como homem de Deus sabia que o negócio mais importante da vida é a salvação das almas dos homens.

Francisco mudou pra mim. O homem se revelou, o santo me ajudou. Que exemplo de homem, que santo a imitar... E a descoberta foi também sua pureza angélica, pela qual ele se sacrificava muito para sempre a manter.

Sim, ele foi penitente. Extremamente penitente: além de pregar a penitência, ele a vivia. Transcrevo aqui um trecho do livro NA LUZ PERPÉTUA - VIDAS DE SANTOS, de João Batista Lehmann (http://alexandriacatolica.blogspot.com/.../inicie-o-ano...), narrando como ele era mortificado, principalmente para se defender contra a impureza.

"O maior cuidado do Santo era dar aos companheiros e discípulos uma sólida formação religiosa [ou seja, estudem de verdade um catecismo católico se quiserem falar de religião, não invencionices da própria cabeça ou de outrem], como era necessário a homens que se destinavam a ser instrumentos na mão de Deus, para a salvação das almas. Em todas as virtudes lhes servia de exemplo o mais perfeito. A penitência, que a outros pregava e que queria que pelos seus fosse pregada, teve em Francisco o principal representante. Raras vezes tomava a comida cozida e, tomando-a, estragava-lhe o gosto, misturando-a com cinza ou água. Além dos quarenta dias do jejum quaresmal, intercalava Francisco um outro jejum equivalente, que começava depois da Epifania. De jejum eram os dias entre as Festas de S, Pedro e da Assunção de Nossa Senhora. As festas de S. Miguel e de outros santos Anjos eram acompanhadas de jejuns quadragesimais. Servia-lhe de leito o chão, fazendo uma pedra ou um toco às vezes dum travesseiro. O hábito era de fazenda grosseira. Todos os dias sujeitava o corpo à dura flagelação. A intenção em todas estas mortificações era fazer penitência pelos pecados cometidos e precaver-se de faltas futuras, bem como para defender-se contra TENTAÇÕES IMPURAS. Acometido uma vez de tentações fortíssimas contra a pureza, o santo homem revolveu-se na neve, a ponto de perder a sensibilidade.

O Poverello, não mais o açucarado, mas o Frei Francisco, combatia as tentações de forma violenta: não reclamando, não falando pra si mesmo que era fraco como desculpa, não clamando a Deus como se apenas Ele tivesse que fazer alguma coisa, de forma mágica, sem sua colaboração. Não. Aquele homem humilde se jogou na neve, porque teve tentações fortíssimas contra a pureza. Um dos maiores santos, aquele que recebeu os estigmas de Cristo, teve tentações fortíssimas, e eu reclamando das minhas... Eu que sou orgulhoso, quero fazer a minha vontade, que considero vontade de Deus o que é pura quimera de minha cabeça... Não, São Francisco, você não é realmente o que eu pensava. A sua humildade me ensina a aceitar as cruzes que Deus permite em minha vida, entre elas a AMS (atração pelo mesmo sexo). Não, eu não tenho que ficar me lamentando de não poder ter sido isso ou aquilo... Eu quero ser santo, São Francisco! Como Santo Inácio, eu também digo: se você pode amar tanto a Deus, ser tão humilde, eu também posso! Intercede por mim?

E você? O que são Francisco pode te ensinar? Coragem! Se ele pode, você também pode, desde que seja humilde.

 

Marcos