segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

[FH] Mulheres que não se casam






MOÇAS QUE PERMANECERAM

SOLTEIRAS NO MUNDO




Há muitas jovens que não se casam. Algumas não sentem desejo, nem inclinação para o casamento, mas não pensam tampouco em ser freiras, e destarte permanecem solteiras por sua livre escolha. Outras há que optariam pela vida conjugal, mas o destino e as circunstâncias não lhes permitem dar tal passo. Devem estas fazer de necessidade virtude e, com sujeição cristã, reconhecer a mão de Deus, no governo de sua vida, entregando-se humilde e pacientemente à sua santa vontade.

Desejaria fazer agora algumas observações para louvor e consolação dessas almas.



1º – AS JOVENS QUE PERMANECEM SOLTEIRAS

SÃO GRANDES PERANTE DEUS



Serão grandes perante Ele, se guardaram fiel e integralmente a pureza virginal; pois, mediante esta virtude, se tornam particularmente agradáveis a Deus. A elas se aplica o alto encômio da Sagrada Escritura: “Oh! Quão formosa é a geração casta com seu brilho! Sua memória é imortal, e é louvada diante de Deus e diante dos homens”. (Sal., 4,1) Santo Efrem exclama entusiasmado: “Oh! Virgindade! Tu és o que o Autor de todas as coisas ama com predileção e em ti ocultou riquezas imperecedouras!”

Estas moças serão grandes perante Deus, se rezarem bem e com fervor. Enquanto os demais membros da família desprezam a oração ou a fazem com negligência, elas se entregam muitas vezes a este piedoso exercício conscienciosamente. Oram durante o dia, quando os outros se preocupam em coisas materiais, oram durante a noite e se prostram diante de Deus em seu quarto silencioso, enquanto os demais se entregam somente ao descanso e às diversões; oram na igreja diante do Santíssimo Sacramento, que em regra ninguém como elas tão assiduamente visita; oram durante o trabalho que executam com boa intenção, para honrar e servir a Deus.

As moças que permanecem solteiras são, freqüentemente grandes diante de Deus, em virtude do sacrifício que lhe oferecem. Sacrificam por vezes a sua juventude, com as alegrias e prazeres permitidos a essa idade; sacrificam um casamento que lhes promete esperanças e, com isto, segura garantia para o porvir.

Tais sacrifícios e outros semelhantes fazem-nos elas generosamente, às vezes, por amor de Deus, a quem consagram a sua virgindade, as suas aspirações e toda a sua vida; fazem-nos por amor a seus pais, dos quais desejam ser tutoras na velhice e nas enfermidades ou fazem-nos também por amor de seus irmãos menores, a cuja subsistência já não podem os pais prover sozinhos. Sujeitam-se, destarte, às privações e, durante longos anos, vão acrescentando sacrifícios a sacrifícios, a fim de providenciarem pelo futuro dos seus irmãos. São almas generosas, heroicamente generosas, que merecem a nossa inteira estima a admiração. Como são elas grandes diante de Deus! Como são pequenos e mesquinhos os insensatos, que só tratam com desprezo tão nobres e generosas donzelas!



2º – AS MOÇAS QUE PERMANECEM SOLTEIRAS

SÃO TAMBÉM UMA BENÇÃO PARA OS OUTROS



Em primeiro lugar, para os próprios parentes. Que de vezes não é uma destas moças a consolação e o arrimo dos velhos pais, que ela envolve de amor e carinho! Depois da morte dos pais, não raro se faz educadora dos irmãos e irmãs menores, cuja mãe ela substitui, e para os quais ela será o amparo e sustentáculo nos seus anos perigosos da juventude!

Mais de um exemplo deste gênero tenho eu conhecido. Além disso, amiúde se transforma, como boa e querida tia, em benfeitora para os filhos de um irmão ou irmã casados. É ela com frequência a causa que impede que desapareça da casa dos parentes o bom espírito cristão. Se ela tivesse casado houvera

contribuído para o bem de uma só família, ao passo que ficando solteira contribui para a salvação de três ou quatro famílias, sem que por sua humildade, sequer, o perceba.

A benção da vida e ações de tais donzelas sói, contudo, estender-se a um círculo mais amplo. Quão útil não é, por vezes a uma comunidade inteira o seu exemplo de virtudes! Como esparzem, de quando em quando, os seus benefícios, em toda parte. Que ricos presentes não oferecem para as missões, para o socorro das pobres crianças abandonadas e para outros fins nobres! Que de sacrifícios e esforços não se impõem elas em favor de uma boa causa! Nenhum passo lhes é penoso, nenhum retrocesso molesto.

Não são essas jovens a força motriz e o sustentáculo das associações pias, da Obra dos Tabernáculos e de outras sociedades beneficentes? O que uma única jovem, animada de espírito reto, é capaz de realizar, demonstra-o o exemplo de uma rica dama de Hamburgo. Esta dama com grande pesar observou a triste situação e o abandono moral em que viviam tantos marinheiros, nos portos marítimos, privados de bens materiais e de assistência espiritual.

Fundou então, uma sociedade, onde eles pudessem encontrar o necessário para á vida. Teve a grande alegria de observar que muitos voltaram ao cumprimento dos deveres religiosos e a uma vida de virtudes. Aqueles marujos reconheciam-na como mãe e no alto mar canções em sua homenagem.



3º – CONSELHOS E EXORTAÇÕES PARA AS MOÇAS

QUE SE CONSERVAM SOLTEIRAS



Em primeiro lugar, digo-vos: alegrai-vos! Pode acontecer que sejais obrigadas a renunciar a certas doçuras da vida, e que a solidão, que talvez com o correr dos anos se vai fazendo em torno de vós, vos pareça molesta. Pode acontecer eu os vossos parentes e conhecidos são se mostrem justamente gratos por todos os favores que lhes fizestes, e por todos os benefícios que lhes dispensastes. Parentes e conhecidos há, demasiado exigentes, em relação a uma jovem solteira, os quais desfrutam-lhe de tal maneira a bondade, que ela mesma ao depois se vê em dificuldades ou sofre até verdadeiras privações.

Cumpre-vos ser prudentes e em certas circunstâncias permanecer firmes e resolutas contra todas as tentativas que tenham por fim explorar vossa bondade. Sejam quais forem, as experiências por que passardes, guardai-vos do enfado e descontentamento, por quanto, se estes vos dominarem, vosso caráter e toda a vossa vida se envenenarão: vireis a ser insuportáveis e, com o tempo, intoleráveis nas vossas relações com os outros e vossa língua se tornará asperadamente ofensiva.

Cumpre-vos, pois, combater sem tréguas, qualquer sentimento desagradável ao coração; adorai a santa vontade de Deus, que só tem em vista o vosso verdadeiro bem; oferecei-lhe, alegremente, tudo quanto na vossa situação sois forçadas a suportar. Lembrai-vos também que mercê da vossa condição de solteiras, estais livres de muitas cruzes e sofrimentos; pois o estado conjugal é, em regra, para a maioria um estado de dores e contrariedades.

Aproximai-vos muito amiúde dos santos Sacramentos e recebei-os sempre com boa preparação. Assisti, quando as condições o permitirem, assiduamente, e mesmo todos os dias, à Santa Missa, e uni os vossos sacrifícios ao sacrifício infinitamente precioso de Jesus Cristo. Rezai com toda a piedade, praticai uma ou outra devoção predileta, por exemplo, a devoção à Santíssima Virgem, e, sobretudo a devoção ao Sagrado Coração de Jesus, ela é tão particularmente salutar e rica de graças para nós.

Guardai-vos, porém, na vossa piedade contra toda manifestação ruidosa de sentimentalismo e desagradáveis singularidades; exercitai-a de preferência, com certa jovialidade de espírito, por um trabalho atento e alegre, por um afável julgar e falar a respeito dos outros. Finalmente, mostrai-vos úteis, segundo as vossas forças e sede benfazejas. Se fordes ricas e abastadas, isto vos será fácil e podereis espalhar em torno

de vós muitas bênçãos. Se não fordes ricas, mas dedicadas ao trabalho e razoavelmente econômicas, ainda podereis fazer muito bem.

Existem almas nobres que passam fazendo o bem. Em todas as circunstâncias e em qualquer profissão, como: de costureiras, empregadas, funcionárias, que com o dinheiro que economizam, distribuem ricos donativos para nobres fins. Como Deus é infinitamente bom recompensará um dia generosamente a estas boas almas por tudo que fizeram! “Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia”.



(Donzela Cristã – Pe. Matias De Bremscheid)

sábado, 1 de fevereiro de 2020

[FH] Vivendo a vocação de solteiro


VIVENDO A VOCAÇÃO DO CELIBATO
Pelo Padre Robert P. Maloney, C.M.




Ponha cada um ao serviço dos demais a graça que recebeu,
como bons admiradores das diversas graças de Deus.
I Pedro 4, 10

O Reino de Deus e a paz no Espírito Santo.
Deus reinará em vocês, se o seu coração estiver em paz.
SV I, 114

Todos vivem uma significativa parte da vida como solteiro ou solteira, buscando o Senhor neste estado e tentando discernir que direção tomar em um futuro incerto. Alguns escolhem ficar solteiros por toda a vida. Outros ficam solteiros por um tempo considerável, buscando um parceiro ou parceira para o casamento; este período é em geral muito longo, dado que a idade em que os jovens decidem se casar tem aumentado na maior parte dos lugares do mundo. Outros ainda continuam na vida de solteiros não por sua inclinação, mas por uma variedade de circunstâncias algumas escolhidas por livre vontade e outras impostas. E outros enfim se casam e se tornam solteiros novamente pela morte do cônjuge ou pelo fim de seu casamento.
(...)
A vocação para solteiro tem suas belezas e fardos. Como todas as vocações, não deve ser um fim em si mesma, mas um caminho para doar-se a si mesmo.
Sua beleza reside nas oportunidades única que oferece. Permite tempo abundante, liberdade e flexibilidade para explorar múltiplas possibilidades para pôr-se a serviço dos outros. A pessoa solteira tem mobilidade uma vez que não estabeleceu um compromisso com uma comunidade de pessoas, como fazem as pessoas casadas. Por esta a razão, a vocação para solteiro demanda um contínuo e cuidadoso discernimento sobre como doar a sua própria vida.
Os solteiros têm também a oportunidade de uma considerável introspecção, especialmente se vivem sozinhos. Esta introspecção os convida a concentrar-se em Deus através da oração.
No entanto, como todas as vocações, a do celibato tem os seus fardos. A solidão é um deles. O desafio para o solteiro é encontrar formas saudáveis de sair da solidão e construir uma relação de auto-doação aos outros. Uma vez que os solteiros não geram uma nova vida nos filhos, é crucial que os que se decidem por esta vocação conheçam como podem gerar vida e como podem dedicar os dons de Deus aos que os circundam. As possibilidades são muitas: através do ensino, das profissões relativas à saúde, das contribuições artísticas, da pesquisa, da escrita e do serviço direto àqueles em necessidade,
O segundo fardo é a falta de um sistema de apoio ao crescimento. Este vácuo força o solteiro a construir amizades que efetivamente contribuam para a criação de um ambiente saudável ao crescimento pessoal. De fato, amigos são importantes para todos, mas são muito mais importantes para os solteiros. Os diversos ramos leigos da Família Vicentina [assim como as células do Courage] podem oferecer este ambiente de amizades saudáveis, assim como de apoio aos solteiros, sejam jovens, de meia-idade ou idosos.
E imperativo que aqueles que são solteiros por circunstâncias involuntárias ou por relações terminadas, evitem a formação de sentimentos de frustração e alienação. Jesus nos assegura que Deus nos mostra a sua Providência, mesmo em momentos de tentação. Encoraja-nos a rezar por aqueles que nos magoam. Na medida em que pedimos a bênção de Deus para eles a bênção da cura virá sobre nós. Nós somos verdadeiramente abençoados quando o amor e o perdão suplantam a hostilidade e o ódio.
A pessoa solteira jovem, na medida em que passa da infância para a adolescência e para a fase adulta, se defronta tanto com oportunidades únicas, quanto com desafios significativos.
A juventude é um tempo de aprendizado. Apresenta uma grande plasticidade. A vida de um jovem muda muito rapidamente, e, algumas vezes, drasticamente. O lado positivo desta plasticidade é a capacidade do jovem de se ajustar, de se formar e crescer.
Pessoas jovens têm uma ânsia natural por aprender a amar. A busca por relacionamentos fortes ocupa um grande espaço em sua agenda. Ao mesmo tempo, muitos são atraídos na direção da transcendência: buscam um amor que vai além da experiência do amor do dia-a-dia.
Um sínodo mundial de Bispos elaborou a seguinte mensagem à juventude:
Vocês jovens, vocês são as “sentinelas do amanhecer” (...) Como o Senhor da História Ihes pede para construir uma civilização do amor? Vocês têm um senso muito claro do que a honestidade e a sinceridade exigem... Como podemos ser juntos discípulos de Jesus e colocar em prática o ensinamento de Cristo no Monte das Bem-aventuranças? (10ª Assembléia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos, 30 de setembro a 27 de outubro de 2001).
A Igreja chama a juventude para cantar uma canção para despertar o mundo assim como fazia o sentinela no mundo antigo, que se colocava de pé sobre o muro da cidade, cheio de vontade de pegar o primeiro raio do sol nascente e proclamar a sua chegada. É claro que na visão cristã do mundo, o sol nascente que proclamamos é Jesus, o Senhor Ressuscitado. Nossos grupos de jovens da Família Vicentina [assim como as células do Courage] oferecem ao jovem uma formação profunda e gradual em como seguir Cristo na amizade e em formas concretas de servir Cristo na pessoa do Pobre.
Os jovens, em seus anos de formação, na escola ou com seus pares, devem buscar ter uma profunda confiança na presença do Senhor Ressuscitado e desenvolver uma espiritualidade profundamente centrada no Evangelho. Isto é especialmente possível em uma família em que os membros têm esta mesma confiança no Senhor e apoiam-se mutuamente na vivência de vida do Senhor.
Nos seus últimos anos, muitos que um dia foram casados se tornam sozinhos novamente. Idealmente, a serenidade da paz, a confiança alegre, a conversão contínua e a oração frequente devem caracterizar esta fase final da vida. É claro que o desafio é manter-se no crescimento contínuo do amor evangélico, na prática do dia-a-dia. Aqui novamente as nossas associações leigas vicentinas podem oferecer oportunidades muito ricas.
É maravilhoso ver pessoas envelhecendo e continuando a ser criativas e mantendo um coração jovem. Para pessoas solteiras idosas, os últimos anos da vida oferecem uma oportunidade especial para desenvolverem em si mesmas dimensões contemplativas e de serviço. É também um tempo de reconciliação com o passado para curar feridas, para aceitar os sonhos que não puderam ser realizados e para avaliar a realidade de suas vidas.
A palavra “solteiro” significa “único” e também significa “sozinho”. A vida de solteiro é única porque não é facilmente caracterizada; permite múltiplas possibilidades para a doação pessoal. “Solteiro” significa “sozinho” no sentido de que, voluntária ou involuntariamente o solteiro, anda no caminho do Senhor, sem um cônjuge. A intimidade orante com o Senhor ajudará a curar a dor da solidão e transformará a vida do solteiro em fértil e profunda.
Na vivência de sua vocação é especialmente útil para os solteiros:
  • manter uma postura de bom discernimento ao longo da vida iniciando com a busca inicial de uma carreira na juventude, passando por uma vida adulta voltada para o serviço e culminando com os últimos dias, quando vocês têm momentos de maior liberdade e de mais possibilidades de escolha;
  • desenvolver um sentido para a sua vocação pessoal única, compreendendo as formas pelas quais o Senhor o chama a doar-se;
  • focar generosamente no serviço prático e efetivo dos demais, dirigindo seu tempo e seus talentos para as pessoas com necessidades à sua volta;
  • alimentar a dimensão contemplativa da vida tomando tempo para a oração silenciosa, evitando a tentação de escapar da solidão através de longas horas vendo TV, navegando na internet ou perdendo tempo com coisas que têm valor limitado ou negativo;
  • formar amizades saudáveis que possam prover apoio humano e fortalecer a sua vida no Senhor.