terça-feira, 26 de janeiro de 2021

[Esp] Segunda Meta - Oração e Dedicação - Servir com Alegria

 



Dedicarmos inteiramente nossas vidas a Cristo, por meio do serviço ao próximo,

da leitura espiritual, da oração, da meditação, da direção espiritual individual,

da participação frequente na Santa Missa e do recebimento constante

dos sacramentos da Reconciliação e da Santa Eucaristia

(ORAÇÃO E DEDICAÇÃO)

  

SERVIR COM ALEGRIA

 

             ─ Aclamai ao Senhor, ó terra inteira, servi ao Senhor com alegria, entrai com júbilo na sua presença (Salmo 100,2).

Com esse verbo – servir – Jesus fez a sua autobiografia. Numa ocasião em que os apóstolos disputavam sobre qual deles era o maior, Jesus se definiu a si mesmo assim: O Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a vida para resgate de muitos (Mt 20,28).

– Veio para servir aos desígnios redentores de seu Pai: O meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra (Jo 4,34).

– Veio para nos servir, dando  a vida por nós: Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida por seus amigos (Jo 15,13).

E houve um momento em que, com um gesto concreto, mostrou como estão unidos o espírito de serviço e a alegria cristã. Foi na Última Ceia, depois de lavar os pés de cada um dos apóstolos, Judas incluído.  Jesus se levantou, tomou de novo o manto e disse: Compreendeis o que vos fiz?…Dei-vos o exemplo, para que assim como eu vos fiz, também vós o façais… Se compreenderdes isso e o praticardes, sereis felizes (cf. Jo 13,12-17).

  • Servir com alegria. E geral, as pessoas acham que serão mais felizes recebendo do que dando. Querem e pedem ser servidos − nos seus sonhos, desejos, gostos e ambições – servidos pela vida, pelo mundo, pela sociedade, pelos demais. Não acham sentido em fazer da vida um “serviço”. Dizem o contrário de Jesus: «Sai daqui, eu não vim para servir, mas para me realizar».

Talvez por isso haja tantos frustrados, infelizes e deprimidos. Não  percebem que os sonhos do egoísmo levam à destruição.

“Realização”? Só procurando a plenitude do amor – que é dar e dar-se com alegria –, até vibrar em uníssono com o bater do Coração de Cristo: Eu vos dei o exemplo.

  • Servir como e em quêNum livro publicado no ano 2000 [1], procurei sugerir um exame de consciência sobre o espírito cristão de serviço, que vou reproduzir, adaptado, a seguir.

Será que já percebemos – perguntava nesse texto – a enorme capacidade inativa de ajudar (portanto, de servir), que todos nós temos? Que acha se pegássemos, para não ficarmos na teoria, um papel e um lápis e fizéssemos uma lista – em quatro colunas – com as nossas possibilidades? Por exemplo, as seguintes:

 Primeira coluna: Pequenos serviços que eu poderia prestar, se fosse generoso, às pessoas da minha casa (pensando em cada uma delas). Serviços materiais (ordem, tarefas, compras, limpeza, atendimento da porta, recados, etc.) que eu poderia fazer. Mais ajuda no estudo dos filhos. Auxílios mais profundos, de orientação, de aconselhamento moral e espiritual, de formação nas virtudes, que poderia dar e não dou…

– Segunda coluna: Pequenos serviços que poderia prestar no meu ambiente profissional, além do trabalho bem feito. Pense, com realismo, nos modos possíveis de auxiliar, de facilitar e tornar mais amável o trabalho dos colegas e subordinados. Será que eles podem contar comigo, se estão atribulados? Sabem que estou disposto a ouvir, e por isso me confidenciam as suas dificuldades? Confiam nas orientações que dou?

– Terceira coluna: E no clube, no time, na turma de pescadores, na do mountain-bike, na dos integrantes da banda, na dos grupos de oração ou de preparação para os Sacramentos, será que não poderia ser mais prestativo, ter mais iniciativas, ser um apoio maior, dar mais o couro quando é preciso preparar festas, natais, quermessese outros bons momentos?

– Quarta coluna: E com os necessitados, com os que sofrem? Que faço? Digo que não posso fazer quase nada, a não ser dar esmolas e, de vez em quando, uma contribuição para o orfanato e o dízimo na igreja? Digo que não sei falar, ensinar, dar aula e, por isso, não posso prestar serviços? Mas… posso visitar doentes. Posso fazer visitas a algum hospital ou asilo. Posso prestar algum serviço social (uma vez por semana, uma vez por mês…), baseado nos meus conhecimentos profissionais (assessoria jurídica gratuita, assistência médica ou dentária, assistência em informática, assistência técnica para a construção de casinhas populares, aulas de complementação, etc, etc).

Há, sem dúvida, outras colunas, que cada qual poderia descobrir sozinho e preencher; mas sejam quantas forem, o que importa é tirar agora propósitos concretos de servir mais, muito mais, conscientes de que assim daremos as alegrias que devemos aos outros, e ao mesmo tempo, o nosso coração irá ficando mais cheio de alegria. Como o salmista, entenderemos o que é servir com alegria, e o nosso coração entrará com júbilo na presença do Senhor.

Antes de terminar esta meditação, pense em Maria. Nossa Senhora só queria servirEis aqui a serva do Senhor (Lc 1,38), disse ao Anjo no dia da Anunciação. Logo a seguir correu para ajudar, prestando muitos serviços diários, a sua prima santa Isabel, que estava para ter um filho. E lá, na casa da prima, deixou seu coração extravasar a alegria que a inundava:  A minha alma engrandece o Senhor, e o meu espírito exulta de alegria em Deus, meu Salvador, porque olhou para a pequenez da sua serva. Doravante, todas as gerações me chamarão bem-aventurada  (Lc 1,46-48).

Trecho do nosso livro O espelho dos Salmos, Quadrante 2019

[1] A inveja, Ed. Quadrante, pp. 48-50

 

(o artigo original pode ser encontrado aqui)

 

[FH] Cinco razões pelas quais não desenvolvemos amizades significativas

por J. Lee Grady

Você realmente tem bons amigos com os quais pode contar para apoiá-lo nas horas difíceis?
(Foto: iStock)

[Assim versam a terceira e a quarta metas do Courage:
- Cultivar um espírito de fraternidade no qual todos podem partilhar seus pensamentos e experiências e, assim, assegurar que ninguém venha a enfrentar sozinho os problemas da homossexualidade.
- Ter mente as seguintes verdades: que as castas amizades não são apenas possíveis como também necessárias na vivência da castidade cristã e que, no seu cultivo, elas oferecem um mútuo encorajamento.
O mundo moderno, e não só aqueles que têm atração pelo mesmo sexo (AMS), vive uma crise da amizade. Muitas pessoas evitam a proximidade com outros, a partilha de seus problemas pessoais, e vivem num mundo de aparências. Achamos, por isso, oportuna a publicação do seguinte artigo, extraído da página Charisma News.

Esclarecemos que por ter sido escrito por um protestante, o autor se refere a igrejas e se tratando da nossa realidade como católicos, tratamos de uma única Igreja. A par disso, mais do que proveitoso é aproveitar dos conselhos dados pelo autor para desenvolvermos amizades verdadeiras em nossas vidas, que nos levarão a atingir de maneira mais perfeita nossa terceira e quarta metas]

No mês passado, dois amigos meus bem próximos, Matt e James, dirigiram durante muitas horas, vindos da Carolina do Sul e do Alabama, para rezarem comigo na intenção de algumas importantes decisões que estou enfrentando. Eles não me pediram dinheiro para a gasolina ou para as refeições. Eles não me cobraram uma taxa pela consulta. Eles apenas queriam fazer o que amigos fazem – sacrificaram seu tempo para oferecer amor, conselho e apoio. Eles sabem que eu faria o mesmo por eles.
Vim a aprender que bons amigos são mais valiosos do que o dinheiro, a fama ou sucesso na carreira. No entanto, muitos cristãos que eu conheço lutam no campo dos relacionamentos. Muitas pessoas que eu conheci – mesmo pastores – admitem que não têm amigos. E muitas igrejas estão repletas de pessoas que anseiam por amigos, mas não sabem como fazer para ter um.
A igreja moderna nem sempre valoriza devidamente os relacionamentos. Enquanto o Novo Testamento nos ordena a “amar ardentemente uns aos outros e do fundo do coração” (I Pd 1, 22), nós desenvolvemos uma cultura coletiva fria. Ficamos satisfeitos em agrupar as pessoas dentro de um prédio para o culto e depois nós as colocamos para fora. Nossa principal preocupação é que elas tenham ocupado uma cadeira e escutado ao sermão. Mas elas tiveram contato umas com as outras? Mesmo em igrejas que tentam cultivar relacionamentos, somente uma fração das pessoas se envolve em pequenos grupos.
Pessoalmente, não acredito que veremos o poder de renascimento do Novo Testamento ou o impacto do Novo Testamento antes de nós recuperarmos o fervente amor do Novo Testamento. No entanto, esse território do amor não é possível de ser alcançado sem uma cura profunda e sem ajustes sérios em nossas atitudes. Eis cinco das mais importantes razões com as quais os cristãos lutam no campo dos relacionamentos:
1. Egocentrismo. Jesus definiu o amor quando disse: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a sua vida por seus amigos” (Jo 15, 13). A verdadeira amizade sempre envolve sacrifício. Nós tendemos a querer amizades à nossa maneira; queremos ser amados, encorajados e consolados. Mas se desejamos esse tipo de amor, devemos querer dá-lo a alguém primeiro. O pregador britânico Charles Spurgeon escreveu: “Qualquer homem pode egoisticamente desejar ter um Jônatas; mas ele só estará no caminho certo se desejar achar um Davi para quem ele possa ser Jônatas.”
2. Falta de transparência. Hoje em dia muitas pessoas vivem com segredos. Somos especialistas em fingir. Escondemos nossa dor particular atrás de máscaras e de uma grossa armadura. Agimos mecanicamente, sem interesse, e balbuciamos as palavras corretas – e assim nossa dentro da igreja se torna rasa e superficial, sem franqueza. Os verdadeiros amigos se livram de suas armaduras, revelam sua vergonha e abrem seus corações – e confessam seus pecados uns aos outros (Tg 5, 16). Esse é o caminho da verdadeira cura.
3. Ressentimento. São Paulo disse aos Efésios: “Antes, sede uns com os outros bondosos e compassivos. Perdoai-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou, em Cristo.” (Ef 4, 32). Mesmo hoje em dia, muitos cristãos ainda não se livraram de seus ressentimentos. Eles não percebem que as pessoas que fervem de raiva com as mágoas do passado envenenam a si mesmas – e tornam impossível desenvolver amizades estreitas. O ressentimento o tornará desagradável – e as pessoas o evitarão porque você é tóxico. Devemos aprender a prestar muita atenção a nossos corações e eliminar o rancor no instante em que ele se enraizar em nossas almas.
4. Baixa autoestima. Jesus nos falou para amar ao próximo como a nós mesmos (Mc 12, 31). Mas o nosso amor pelos outros sofre um curto-circuito quando pensamos que não temos nada a oferecer num relacionamento. Muitas pessoas perdem a confiança de se aproximar dos outros e fazer amigos porque deixam de pensar que merecem ser amadas. O ódio de si mesmo pode ser causado por abuso, falta de afeição dos pais, bullying ou outros fatores. Se você luta para gostar de si mesmo, você deve estar disposto a sair da casca e procurar ajuda. Aproxime-se das pessoas à sua volta. Deus certamente preparou alguém para rezar junto com você!
5. Medo de rejeição. Conheci pessoas que desistiram completamente da igreja porque foram traídas. Algumas até deixaram posições de ministério porque seus amigos viraram as costas para elas. A atitude delas agora é: “Nunca mais vou deixar que ninguém me magoe de novo daquela maneira”. No entanto, vale realmente a pena fechar as portas à possibilidade de fazer amigos só por causa de uma ou duas experiências ruins? O livro de Provérbios diz: “O homem cercado de muitos amigos, tem neles sua desgraça, mas existe um amigo mais unido que um irmão.” (Prov 18, 24). Os amigos leais que tenho em minha vida mais do que compensaram qualquer tipo de frustração que tive. A amizade é um risco que vale a pena.
Quando Jesus trouxe a mensagem do reino dos céus para a terra, Ele reuniu um grupo de seguidores que vieram a ser conhecidos como Seus amigos (Jo 15, 15). Ele os chamou para segui-Lo como discípulos, mas também para que se relacionassem uns com os outros num profundo companheirismo. Nossa relação vertical com Cristo faz possível um relacionamento horizontal com nossos irmãos e irmãs. Não deixe que nada o impeça de desfrutar de relacionamentos sadios.

 (trad.: Marcos Bento)